quarta-feira, 29 de maio de 2013

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 9 - Revista Editora Betel



ORIENTAÇÕES BÍBLICAS CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
02 de Junho de 2013


TEXTO ÁUREO 
Sl 9.9

INTRODUÇÃO
Muitos cristãos casados que estão de forma pacífica nos assentos congregacionais, podem estar vivendo uma vida de violência doméstica sem que a igreja saiba. Geralmente, a casa se torna em ambiente de guerra, em que ambos os lados buscam táticas para a sua própria defesa. No entanto, quando a violência é praticada, em geral, é o homem forte que oprime a mulher frágil. É preciso que essas mulheres busquem ajuda na igreja, no estado ou na própria sociedade.

1. A IGREJA PODE AJUDAR OUVINDO O CLAMOR DO OPRIMIDO
À semelhança de Jesus Cristo, é preciso iniciar ajuda por escutar o grito do oprimido. Muitos irmãos não dão a mínima importância para situações de violência nos lares. Alguns pedem para que o oprimido continue orando e entregue tudo nas mãos de Deus, que na hora certa Ele agirá! Essa, na verdade é uma atitude errada que a igreja tem tomado diante de uma situação tão grave. Inicialmente, o mínimo que se pode fazer é ouvir o clamor do oprimido. A vítima tem de ser ouvida. Mas em uma situação dessas é especialmente importante que sua forma de escutar seja mais do que apenas colher informações, é necessário prover ajuda.

1.1. A necessidade de as pessoas serem ouvidas
É preciso ouvir as vítimas, porque, na maioria das vezes, elas não querem dialogar abertamente, por vários motivos: temem o opressor, sentem-se envergonhadas, subjugadas, etc. Em outros casos, podem considerar sua horrenda situação indigna de atenção da sociedade, consideram o seu grave problema, apenas particular, não sabem que toda a sociedade é responsável para que essa intimidação física seja inibida. Julgam-se indigna de atenção pastoral ou até mesmo de um amigo. Há aquelas que se calam, porque sentem uma vergonha tão grande pelo fato de o marido demonstrar tanto desamor, a ponto de utilizar a violência.

1.2. Atitudes contra a violência doméstica
Após ouvir o oprimido, chegou a hora de prestar ajuda ao necessitado, pois o escutar bíblico está ligado à ação. Afinal, a vítima está em perigo. Então é preciso agir em favor da libertação daquela que está cativa da violência. Como bem disse o salmista: “Tu Senhor ouves a súplica dos necessitados; tu os reanimas e atendes ao seu clamor” (Sl 10.17 NVI). Paul David Tripp, pregador e mestre na área da família, orienta com as seguintes atitudes: “conduzir a vítima para um exame médico, chamar a polícia ou providenciar local seguro para que a pessoa violentada fique provisoriamente”. Ainda diz: “Se o lar for potencialmente perigoso, é sábio informar ao agressor que sua esposa revelou a violência e está em lugar seguro e secreto. Talvez seja apropriado encorajar a mulher que sofreu a violência a tomar atitudes legais, para que a autoridade civil, que Deus constituiu, possa ser acionada para ajudar a trazer um fim para esse mal” (Rm 13.1-5).

1.3. A liderança e a igreja devem se posicionar
A família que está sofrendo a violência e a sociedade que assiste a ela precisam saber da posição da igreja em relação à violência doméstica, porque a opinião da igreja deve refletir a opinião de Deus. A igreja de Cristo pensa com a mente de Jesus. O marido precisa saber que a igreja considera muito seriamente a questão da violência familiar, e, por ter tal pensamento, age para proteger a esposa, e, ao mesmo tempo, a auxilia espiritualmente, além de responsabilizá-lo pelo seu crime.

2. O VALOR DA ESPERANÇA PARA OS QUE SOFREM VIOLÊNCIA
É primordial que a vítima ouça uma mensagem de esperança. O salmista entendia o valor da esperança quando disse: “Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus, a minha confiança desde a minha mocidade” (Sl 71.5). A pessoa violentada não pode achar que o Senhor a desprezou, e a igreja precisa identificar a oportunidade de discipular não somente a vítima, mas toda a congregação. Deus não é indiferente ou distante à situação, e nem o evangelho ensina que o opressor não pode ser combatido. É hora de anunciar que é bem aventurado o que tem fome e sede de justiça (Mt 5.6).

2.1. Deus se lembra do oprimido
Deus tem trabalhado na história dos oprimidos. Por isso, a mulher que está sendo violentada tem de saber da ação de Deus na vida das pessoas que um dia alcançaram libertação. Mas ela só irá experimentar essa liberdade através da ação da igreja, que é o braço de Deus para os oprimidos. A lembrança de Deus passa pela lembrança da igreja. O povo de Deus não pode se esquivar dessa realidade social, porque, por trás dessa calamidade, está a mão maléfica de Satanás (Jo 10.10).

2.2. O Senhor Jesus e o sofrimento humano
As pessoas sofrem; os humanos não têm somente uma dor. Em uma análise mais profunda, o sofrimento é mais do que uma dor, são várias as formas de dor identificadas por médicos. As pessoas lutam contra as suas formas de dor, quer sejam psicológicas (emoções e pensamentos difíceis), quer sejam físicas (sensações desagradáveis), quer sejam mentais (memória que perturba suas necessidades), etc. As pessoas violentadas experimentam essas dores. No entanto, é preciso lembrá-las, que Jesus se identifica com elas. Ele experimentou a violência pelo seu povo, e depois foi assassinado.

2.3. A esperança para os que sofrem
A esperança é a segunda das três virtudes teologais, ao lado da fé e da caridade (1 Co 13.13) – representa-se por uma âncora, (Hb 6.17-19). Ela é tão importante, que, até nos ambientes não religiosos, há quem comente o seu valor. Num mundo asfixiado por estresse, consumismo, novas formas de escravidão, desespero, etc.; num mundo em que a falta de esperança se tornou um fenômeno social, é preciso, mais do que nunca, para continuar vivendo, redescobrir as razões da esperança. É nesse ambiente de caos que a esperança aparece como uma âncora. A vítima da violência doméstica deve, então, apegar-se a ela.

3. AS FERRAMENTAS PARA DESARMAR O AGRESSOR
Diante da violência dominante, não há como ficar apático. É preciso tomar atitudes que possam ajudar não somente a vítima, mas o agressor para o caminho da recuperação. A igreja deve cumprir seu papel profético de anunciar a injustiça sempre, estar do lado do oprimido, e orientar o opressor para sua transformação. Nunca deixando de ensinar as consequências do pecado da cólera, que gera violência. 

3.1. A Igreja como porta-voz dos oprimidos
Informações recentes dizem que o Brasil lidera o ranking mundial de violência contra a mulher. De acordo com uma pesquisa feita pela Sociedade de Vitimologia Internacional, 25% das mulheres brasileiras sofrem violência, e 70% das mulheres assassinadas foram vítimas dos próprios maridos. Os dados revelam também que, em média, a mulher só denuncia a violência depois da décima agressão. A igreja deve levantar-se como voz profética para denunciar a violência na sociedade, principalmente, aquelas que acontecem no meio do povo de Deus, em que maridos violentos, trajados de cristãos, com ataques de fúria e acostumados a praticar esse delito, continuam agredindo suas esposas.

3.2. A violência doméstica agora é crime
A Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, sancionada em agosto de 2006, a Lei nº 11.340 possibilitou avanços, mas ainda há muito a conquistar. A maior conquista da lei foi a conscientização da população de que a violência contra a mulher é um crime. “A violência deixa de ser uma coisa natural, que acontecia com nossos pais e avós, e agora passa a ser um crime. A sociedade não tolera mais violência contra a mulher”, afirmou a subsecretária de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.

3.3. Não se deixar dominar pelo sentimento de revanche
Segundo Paul David Tripp, um texto-chave das Escrituras para essa questão seria Romanos 12.21: “Não te deixes vencer o mal, mas vence o mal com o bem”. Uma mulher forte no Senhor não se levanta na própria justiça. Ela se levanta na justiça de Cristo, portanto, não precisa se deixar dominar por nenhum sentimento de vingança (Rm 12.19), pois o agressor pode vir a ser transformado e procurar a reconciliação. A reconciliação começa no perdão. Se a vítima quiser perdoar o agressor, é um direito que lhe cabe, mas é importante rever se aquele que praticou a violência está de fato transformado. Pelos seus frutos o conhecereis (Mt 7.20).

CONCLUSÃO:
A violência doméstica é tão danosa ao relacionamento matrimonial quanto o adultério, dizem os especialistas. Não se podem negar os problemas causados às vítimas. No entanto a esperança de recuperação da vítima e do agressor não deve ser subestimada. A graça transformadora de Deus pode alcançar essas pessoas. Isso não quer dizer que o agressor não deva responder pelos seus atos. Mas o Senhor pode, com seu poder, trazer recuperação para as famílias através das ações amorosas do povo de Deus.
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