domingo, 15 de dezembro de 2013

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 12 - Revista da Editora Betel



Quando Deus diz Não
22 de dezembro de 2013

TEXTO AUREO
“Vai, e dize a meu servo Davi: Assim diz o Senhor: Edificar-me-ás tu uma casa para minha habitação?” 2 Sm 7.5

VERDADE APLICADA
Os planos e propósitos divinos estão sempre acima dos nossos, um “não” de Deus pode representar o melhor para nós.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

lCr 28.2 - E pôs-se o rei Davi em pé, e disse: Ouvi-me, irmãos meus, e povo meu; em meu coração propus eu edificar uma casa de repouso para a arca da aliança do Senhor e para o estrado dos pés do nosso Deus, e eu tinha feito o preparo para a edificar.
lCr 28.3 - Porém Deus me disse: Não edificarás casa ao meu nome, porque és homem de guerra, e derramaste muito sangue.
lCr 28.4 - E o Senhor Deus de Israel escolheu-me de toda a casa de meu pai, para que eternamente fosse rei sobre Israel; porque a Judá escolheu por soberano, e a casa de meu pai na casa de Judá; e entre os filhos de meu pai se agradou de mim para me fazer reinar sobre todo o Israel.


INTRODUÇÃO

Davi está velho, cansado, e ainda com sonhos. São os momentos finais de sua vida antes de passar a seu filho Salomão o trono de Israel, o qual governou segundo o intento do Senhor como a nenhum outro depois dele. Então, Davi congrega o povo e faz um importante anúncio: de que apesar de querer construir o Templo, Deus não permite. Mas caberá a seu filho Salomão a responsabilidade da construção. Vejamos como aconteceu:


1. Desejos e frustrações

Davi reuniu seus principais guerreiros, seus soldados valentes, governadores de todas as províncias, e relatou publicamente o propósito que havia em seu coração. Mas Deus negou seu pedido. Nesta lição, vamos observar como Davi conviveu com um pedido negado, e qual atitude tomou após ouvir um “não” da parte de Deus.


1.1. Os planos de Davi

O que fazer quando temos uma boa intenção, temos como realizar, temos maturidade, tempo para fazer, mas Deus simplesmente acende um farol vermelho e nos diz: “Você não, não chamei você para isso”. Esse era um tempo em que Deus havia dado descanso a Davi de todos os seus inimigos. Ele estava em paz na sua casa, e a nação prosperava. Não havia guerras nem gigantes por perto (2Sm 7.1). Foi nesse período, que Davi refletiu, propôs em seu coração, fez planos para Deus, mas o Senhor lhe respondeu com um simples “não”. Davi não tinha uma ambição egoísta, não queria engrandecer seu nome, queria apenas edificar um templo ao Senhor. Era um sonho nobre, mas não era o desejo de Deus, e ele teve que se contentar em apenas ter desejado e nada mais.


1.2. Esclarecendo os limites

A princípio, Natã havia dado incentivo a Davi em seu intento de coração, mas naquela mesma noite veio a Palavra do Senhor a Natã para que interviesse na situação de Davi (2Sm 7.3-5). Davi recebe de Deus uma resposta. O Senhor o havia chamado para ser rei e não construtor. “Eu te tomei da malhada, de detrás das ovelhas, para que fosses o soberano sobre o meu povo, sobre Israel... E fui contigo, por onde quer que foste, e destruí a teus inimigos diante de ti; e fiz grande o teu nome, como o nome dos grandes que há na terra.” (2Sm 7.8.9). O que estava dizendo: “Embora sua ideia seja boa, não chamei você para isso”. Como tudo o que Deus criou tem limites, Davi também o tinha. O poder ou a posição não nos dá o direito de realizar tudo o que nosso coração deseja, mesmo que seja de boa intenção, e até em nome do Senhor. Não era vontade de Deus, e Davi não se frustrou, soube compreender muito bem (Rm 12.2).


1.3. Deus tem a última palavra

Quantas pessoas acreditam que são Aladim e que Deus é o gênio da lâmpada? Elas acham que tudo o que projetam e colocam diante de Deus, Ele deve realizar porque agora são seus filhos, são filhos do rei. Algumas pessoas disseram as mesmas palavras de Davi, mas Deus tinha planos diferentes para elas. Ele é soberano! Será que já pensamos no que sentiu Maria, a mãe de Jesus, quando teve seus projetos frustrados, porque os planos de Deus eram outros? E quantos de nós vimos os projetos sucumbirem, porque Deus tinha planos diferentes dos nossos? (Jo 42.2). Deus, então, animou Davi dizendo: “Você não fará, mas conhecerá o prazer de ter um filho que construirá esse templo - por intermédio de seu filho o sonho será cumprido” (2Sm 7.12,13). Precisamos estar sempre atentos e saber que o coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem de Deus (Pv 16.1,2).


2. Atitudes de um coração segundo Deus

É muito ruim ser contrariado quando nosso coração deseja tão ardentemente alguma coisa. Mas Davi soube reconhecer e compreender muito bem suas limitações em Deus. Embora não fosse ele aquele que cumpriria, era o idealizador, e estava disposto a apoiar seu filho Salomão, uma vez que já compreendia a vontade direta de Deus.


2.1. Aprendendo a conviver com um “não”

Quando ouvimos um “não” da parte de Deus pensamos logo em disciplina ou rejeição, mas Ele pode estar redirecionando nossas vidas (Jr 29.11). Muitas vezes queremos ver Deus a partir de nossa lógica humana, e, assim, frustramo-nos, porque Ele não realizou o intento de nosso coração. Entenda! Deus não lançou em rosto o pecado de Davi, aqui não se trata de pecado ou não. Mas ao contrário, Deus louva sua atitude dizendo: “Já que desejaste edificar uma casa ao meu nome, bem fizeste em o resolver em teu coração” (2Cr 6.8). Quantas vezes buscamos o que pensávamos ser a vontade de Deus e, como quem joga um pedaço de madeira ao fogo, vimos nossos desejos egoístas subirem em forma de fumaça? Às vezes, traçamos um plano para a vida inteira, mas, infelizmente, não funciona. Todavia, não é por esse motivo que devemos terminar a vida com sentimentos de culpa. Deus sabe muito bem redirecionar nossas vidas, e dar a elas um novo sentido. Basta apenas que examinemos o plano e sejamos sensíveis para sentir se é dEle ou não.


2.2. Olhando na perspectiva divina

E muito fácil para cada um de nós sentir frustração e angústia por causa de algo que Deus não quis realizar em nossas vidas. Tais decepções, muitas vezes, fazem-nos esquecer o que Deus já fez por nós, e o que nos deu. Nos últimos anos de sua vida, Davi não ficou se lamentando pelo que não pode ter, mas se concentrou nas boas coisas que Deus lhe dera. Ele passou a olhar sob uma perspectiva divina, não sob um olhar egoísta de aquisições não realizadas. A maturidade trouxe a Davi uma verdade: “existem coisas que Deus jamais realizará”. E, como dizem os sábios: “Essa é a pílula difícil de engolir”. Isso não se aprende na juventude, porque ela está repleta de sonhos e desejos efêmeros. Esse é nosso grande desafio. Fazer o que podemos com aquilo que Deus nos deu, ou ter um viver frustrado por aquilo que desejamos e não tivemos. Davi lembrou quem era e de onde havia saído, isso foi o suficiente para viver feliz e em paz com Deus após receber o “não” (lCr 28.4).


2.3. Um vislumbre de graça

“E me disse: Teu filho Salomão, ele edificará a minha casa e os meus átrios; porque o escolhi para filho, e eu lhe serei por pai” (lCr 28.6). Não precisamos defender Davi. Ele foi sanguinário, bandido, mulherengo, e assassino. Se fosse membro de uma de nossas igrejas jamais seria o que foi para Deus. Mas os critérios e julgamentos divinos são bem mais graciosos que os nossos. Quem diria, que, do relacionamento entre Davi e Bate-Seba, nasceria um filho a quem o Senhor amaria, seria o sucessor de Davi, e o Senhor lhe seria por pai? Davi pode, então, visualizar duas coisas maravilhosas que o “não” havia lhe produzido. Primeiro: Deus havia escolhido um filho seu para dar continuidade à obra que havia começado; segundo: das sombras de sua desgraça, Deus erguia a Salomão como se dissesse a Davi: “eu transformo maldição em bênção, por isso, te disse não”.


3. Instruções ao novo monarca

Com muita maturidade para entender os desígnios de Deus, Davi se alegra por saber que Salomão edificará um templo ao Senhor, em seguida, transmite alguns conselhos, selecionando com cuidado as palavras, que, baseadas em sua experiência de vida, são ricas em conteúdo, e cheias de emoção. Destacaremos três coisas que Davi deixou para seu filho antes da partida.


3.1. Um grande conselho

“E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai.” (lCr 28.9a). As experiências vividas remetiam a Davi o temor de que Salomão repetisse padrões similares ao seu, ele sabia que haveria problemas no trono de Israel, sabia que as ocupações poderiam levar seu filho a não reservar tempo para conhecer Deus. Então, ele olha para seu filho e diz: “conheçe o Deus de teu pai” - conheça na intimidade (Os 4.6; 6.1,3). Logo em seguida ele diz: “serve-o com um coração perfeito e com uma alma voluntária” (lCr 28.9b). Ou seja, de boa vontade. Não faça Deus obrigá-lo a render-lhe adoração. Faça isso sinceramente. Voluntariamente. Salomão conhecia as composições de seu pai, sabia qual era seu legado. E Davi o orientou, porque sabia como havia vacilado, e como Deus estava levantando seu filho como sucessor, ele não desejava ver em seu filho os erros que cometera. Será que estamos passando isso para nossos filhos?


3.2. Uma grande provisão

“E deu Davi a Salomão, seu filho, a planta do alpendre... E também a planta de tudo quanto tinha em mente... E deu ouro, segundo o peso do ouro, para todos os utensílios de cada ministério... E ainda, porque tenho afeto à casa de meu Deus, o ouro e prata particular que tenho eu dou para a casa do meu Deus, afora tudo quanto tenho preparado para a casa do santuário” (lCr 28.11,12,14; 29.3). Davi não construiu o templo, mas como um bom rei e um excelente pai, ele deixou tudo pronto, nos mínimos detalhes, com planta de tudo, com provisões para tudo, e Salomão deveria apenas seguir o que estava escrito. Salomão era menino e inexperiente, mas seu pai estava feliz, porque lhe entregava o cetro de Israel e os planos para o templo de Deus. É lamentável que os grandes líderes além de não gerarem outros, morrem sem deixar legado algum.


3.3. Um tesouro espiritual

Observamos que Davi foi magistral em seus últimos momentos. Ele não somente deixou tudo organizado política e financeiramente para seu filho, mas espiritualmente. Ao contarmos a soma de ouro e de tesouros que Davi deixou, podemos pensar que isso foi tudo, mas não. A maior riqueza deixada por Davi para Salomão foram 35 mil homens sábios e todos adoradores, para o auxiliarem e o aconselharem em tudo o que fazia, porque ainda era inexperiente e jovem (lCr 28.20.21). O reino de Salomão foi um reino de paz, porque era assessorado por pessoas espirituais, e todos adoradores formados por seu pai. Um legado sem igual, uma riqueza incomparável. Salomão viveu tranquilo, porque Davi deixou um grande número de pessoas de confiança, integridade, e temor a Deus para ajudá-lo.


CONCLUSÃO

Davi cumpriu sua missão e deixou um legado espetacular para sua posteridade. Ele, antes de morrer, foi sábio e não somente preparou um sucessor, mas lhe deu todas as condições e aparatos para alcançar sucesso. Aprendemos com Davi que um líder bem sucedido é aquele que visa o reino e não a si mesmo. Será que estamos enquadrados nesse perfil? O que deixaremos para nossos filhos?

2 comentários:

  1. O dia em que Deus atendesse todos os nossos pedidos, perderíamos a salvação.
    Bom fim de ano Pastor Marcos, obrigado por tudo, Deus te carregue de conhecimento e sabedoria,abençoe no ensino e a todos que acessam o clube da teologia.
    Abraço
    T.Mendes

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    Respostas
    1. Paz varão, obrigado pela sua ajuda ao nosso CLUBE DA TEOLOGIA continue sendo um apologista da Palavra. Deus está no controle de tudo, amem.

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