domingo, 4 de maio de 2014

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 6 - Revista da Editora Betel


A Crise Existencial e a Necessidade de Aceitação

11 de maio de 2014

TEXTO AUREO

“E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” Mc 12.31


VERDADE APLICADA
A melhor maneira para se demonstrar amor ao próximo é estando bem consigo.


TEXTOS DE REFERÊNCIA
Rt 1.8 - disse Noemi às suas duas noras: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o SENHOR use convosco de benevolência, como vós usastes com os falecidos e comigo.
Rt 1.12 - Tornai, filhas minhas, ide-vos embora, que já mui velha sou para ter marido; ainda quando eu dissesse: Tenho esperança, ou ainda que esta noite tivesse marido, e ainda tivesse filhos,
Rt 1.14 - Então, levantaram a sua voz e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra; porém Rute se apegou a ela.
Rt 1.16 - Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.
Rt 1.17 - Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o SENHOR e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.


INTRODUÇÃO
Estaremos abordando nesta lição, as diversas questões acerca de uma crise existencial, quando a vida que se apresenta sem motivos, sem alegria, ou ainda numa linguagem coloquial, “sem graça”. Muitas pessoas, a despeito da posição que ocupam na sociedade, têm dificuldade de aceitação e, por isso, vivem suas vidas de forma sombria e sem prazer. No entanto, quando descobrem o quanto podem ser importantes para um determinado projeto mudam as suas vidas e as dos que estão a sua volta.


1. Sentimento de aceitação
No momento da concepção o indivíduo, já pode experimentar o seu primeiro sentimento de aceitação (Jr 1.5). Isso dependerá do desejo da mãe que, mesmo que ainda não tenha tido contato com o dito filho, poderá desenvolver um sentimento positivo ou negativo em relação ao novo ser. O desejo da mãe poderá definir qual será a real importância do filho para ela e para o pai, em que momento ele está chegando e o que irá significar para eles (Lc 2.27-30).


1.1. Homem, um ser totalmente dependente.
Dentre todas as espécies de animais existentes, o ser humano é único que nasce em completa dependência de quem será responsável para cuidar dele. Do desenvolvimento dessa relação, irá depender como esse indivíduo se comportará em relação ao mundo externo, pois, uma vez que este sai de uma condição de homeostasia, na qual vivia em uma condição de simbiose com a mãe, terá que a partir do momento que nasce, buscar meios de sobrevivência próprios e traçar a sua caminhada, para uma vida terrena vitoriosa.


1.2. As atitudes revelam quem somos
Ao longo da vida, o homem se vê diante de diversas situações que o farão refletir acerca de si. Quem ele pensa que é e o que ele realmente se transformou virão à tona, por intermédio de suas próprias atitudes. Não adianta se apresentar como alguém de valor se suas atitudes não confirmarem esse fato (Mc 12.14-17). Os relacionamentos interpessoais sempre foram um grande problema para a humanidade. E no meio do povo de Deus não é diferente. Em muitos momentos, deparamo-nos com alguns irmãos que têm dificuldade em se relacionar. São pessoas que não valorizam o outro pelo fato de não valorizarem a si mesmas e ao longo dos anos, perdem o amor próprio se tomando amargas e intratáveis (Pv 26.4).


1.3. O valor do autoconhecimento
O autoconhecimento, segundo a psicologia, significa o conhecimento que o indivíduo tem de si mesmo. A prática de conhecer-se melhor faz com que uma pessoa tenha controle sobre suas emoções, permitindo-lhe evitar sentimentos de baixa autoestima, inquietude, frustração, ansiedade, instabilidade emocional e outros (Rm 14.22b). O autoconhecimento nos permite ampliar a nossa tolerância em relação ao próximo. Suas possíveis falhas e dificuldades de relacionamento, são percebidas como algo aceitável, uma vez que enxergamos nossos defeitos. E assim aprendemos a avaliar a situação e o momento vivenciado pelo próximo antes de emitir qualquer comentário ou crítica. Ao demonstrar empatia pelo próximo, o indivíduo estará mostrando o seu lado mais sublime, demonstrando conhecer a si mesmo. Mas, para isso, é preciso que exista, em cada um de nós, o sentimento de amor próprio, onde desencadeará toda a sua significação para o mundo (Mt 22.39).


2. Amar o próximo como a ti mesmo
O mandamento de Jesus “Amar ao próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39), implica em dizer que ninguém será capaz de entender as imperfeições dos outros, sem antes passar por uma auto análise (Gl 6.3-4). Há no meio do povo de Deus, muitas pessoas, que, com muita felicidade, criticam os irmãos, entretanto essas mesmas pessoas seriam execradas por si próprias se olhassem para seus defeitos como se fossem os dos outros (ICo 11.28a).


2.1. A virtude de compreender o próximo
O texto sagrado “Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos” (Rm 15.1), mostra-nos que saber entender e suportar as fraquezas do próximo é uma virtude que deve ser cultivada. No entanto muitos não conseguem agir assim, por acharem-se incapazes de amar, uma vez que desenvolvem um sentimento de autocomiseração. A autocomiseração é, sem dúvida, uma enfermidade da alma que não permite que sintamos amor pelo próximo, uma vez que nos achamos os mais coitadinhos de todos. Essa enfermidade nos dificulta entender e aceitar quem nós somos e ao invés de aceitarmos quem somos, sentimos pena de nós mesmos (2Sm 9.8).


2.2. O que fazer para ficar curado
O primeiro passo para nos livrarmos dessa enfermidade da alma, está em, justamente, entendermos o tamanho do amor expresso por Cristo em nosso favor, quando Ele diz que tem um novo mandamento (Jo 13.34). Ele não está desvalorizando o decálogo, ao contrário, está confirmando, uma vez que, em algumas de suas citações, Moisés literalmente diz que não devemos fazer aos outros o que não quereríamos que fizessem a nós (Êx 20.13-17). Valorizar-se é a melhor maneira que o indivíduo tem para entender a necessidade do outro e expressar amor.


2.3. Como lidar com os nossos sentimentos
Quando o homem aceita sua verdadeira condição, aprende a lidar com os seus mais íntimos sentimentos. Especialistas afirmam que “aceitar-se é honrar o ser que você é”, o início de uma boa convivência com o outro (At 10.26). A partir de então, o indivíduo busca controlar seus sentimentos, impedindo que estes venham dominá-lo (Gn 4.7). Tal prática permite ao homem enxergar os fatos como de fato o são e, assim, adquire maior capacidade para amar ao próximo como ele é e não como gostaria que ele fosse. Em muitas situações, encontramos pessoas capazes de negar amor por não quererem se expor, pois sabem que, ao fazerem isso, irão transparecer o que realmente pensam acerca de si.


3. Uma história de amor
A Bíblia, nosso referencial de fé, aponta para a história de uma mulher que tinha tudo para sentir-se perdida e abandonada: Rute. Seu testemunho nos mostra como uma pessoa aparentemente sem valor pode se tornar uma peça importante no plano de Deus (Rt 1-4). Ao contrário de Orfa, Rute não temeu ficar com sua sogra, mesmo que isso pudesse significar o abandono total, tanto por parte dos moabitas quanto por parte dos efratitas. Ficar com Noemi, naquele momento, significava para ela abrir mão de si mesma em favor de outrem. Esse tipo de amor só pode ser expressado por quem verdadeiramente se conhece e se ama (Rt 1.15-17).


3.1. A segurança de quem se conhece
A atitude de Rute demonstra segurança e determinação de alguém que sabe exatamente do que era capaz de fazer. Isso se torna claro quando, antes mesmo de saber das leis de Israel acerca da figura do remidor, não teve dúvidas, ao decidir-se permanecer ao lado de sua sogra Noemi. A moabita acompanhou-a, certa de sua atitude. Sua autoconfiança, certamente, já era a ação do Espírito de Deus em sua vida que lhe garantia a certeza e a coragem do controle do Eterno (Rt 1.1). Por isso, a jovem foi capaz de expressar um amor incondicional à Noemi. Embora não conhecesse intimamente a Deus para saber que estava sendo guiada pelo Seu Espírito, sua atitude demonstrou segurança e o reflexo de uma personalidade que não tem dificuldade de doar-se em favor de alguém. Tal comportamento reflete autoconhecimento e amor próprio.


3.2. O mais importante é o amor
O comportamento de Rute deixou claro que ela não tinha nenhum problema com sua autoimagem e qual deve ser a autoimagem do servo de Deus? (Gn 1.27; Ef 2.10; Jr 1.5; lPd 2.9). Uma estrangeira no meio de um povo extremamente conservador e cumpridor de suas regras. O fato de ela se aceitar como era, fez com que pudesse demonstrar um imenso amor. Infelizmente, não é raro, entre os cristãos, encontrar pessoas que se apresentam diante de Deus como pobres coitados. Tal condição não os fez capazes de atenderem ao mandamento de Cristo Jesus: “amar o próximo como a si mesmo”, uma vez que demonstram claramente em sua própria fala não enxergarem seu valor pessoal. Essa condição jamais foi o propósito de Deus para o homem, pois Ele não deseja contemplar esse tipo de comportamento. Ao contrário, Ele é o primeiro a transformar a condição de vida daqueles a quem escolhe. O Criador levanta o pobre do pó e da sepultura levanta o necessitado, para que o mesmo possa assentar-se com os príncipes (SI 113.7-8).


3.3. Reflexo de uma vida em amor
O desfecho da história de Rute demonstra o resultado de uma vida segura e consciente de si mesma. O amor ao próximo fez dela uma vencedora, pois o verdadeiro amor lança fora todo medo (1 Jo 4.18). Por isso, mesmo sem nenhuma garantia de que sua vida ao lado de Noemi seria promissora, ela decidiu segui-la. Entretanto escolheu enfrentar todos os desafios de uma nova jornada, sem abandonar Noemi. O resultado foi surpreendente, pois Deus providenciou para ambas uma a vida abundante de bênção (Rt 4.13-15.
Apresento aqui um comentário que considero importante. Em muitos casos que atendo no gabinete e em meu consultório, recebo pessoas com relacionamento afetados por falta de amor próprio, mulheres que sofrem violência familiar e homens que são desrespeitados por suas companheiras. Em ambos os casos, a fala se repete, ”eu não posso viver sem ele, ou sem ela”, realmente isto é uma realidade infeliz e não irá mudar, pois essas pessoas, na verdade, não se amam, prova disso é que se permitem ser aviltadas, demonstrando que amam demais e não se amam. Não pode existir amor pelo próximo não existir primeiro por nós.


CONCLUSÃO
Quando nos dispomos a andar debaixo do mandamento do Senhor Ele providenciará tudo que for necessário para que tenhamos uma vida abençoada, daí a importância de nos aceitar como somos, pois só assim o Espírito Santo fará as mudanças necessárias para termos uma vida vitoriosa. Buscar ajuda de um profissional habilitado em questões emocionais também irá ajudar o indivíduo a se conhecer e se valorizar diante do Senhor.

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