segunda-feira, 6 de abril de 2015

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 2 - Revista da CPAD


O nascimento de Jesus
12 de Abril de 2015


TEXTO ÁUREO
“E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2.7).


VERDADE PRÁTICA

Deus revelou seu amor à humanidade ao enviar a este mundo o seu filho Jesus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE


Lucas 2.1-7.

1 — E aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse.
2 — (Este primeiro alistamento foi feito sendo Cirênio governador da Síria.)
3 — E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
4 — E subiu da Galileia também José, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi),
5 — a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida.
6 — E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz.
7 — E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.

INTRODUÇÃO

Lucas narra o nascimento de Jesus, situando-o no contexto das profecias bíblicas e do judaísmo dos seus dias. O “silêncio profético”, que já durava quatrocentos anos, foi rompido pelas manifestações divinas na Judeia. A plenitude dos tempos havia chegado e o Messias agora seria revelado!
O nascimento de Jesus significava boas novas de alegria para todo o povo. Os pobres e os piedosos seriam os primeiros a receberem a notícia. Dessa forma, Deus mostrava que a salvação, por Ele provida, alcançaria a todos os homens.

I. O NASCIMENTO DE JESUS NO CONTEXTO PROFÉTICO


1. Poesia e profecia.

No relato do nascimento de Jesus há duas belíssimas poesias conhecidas na teologia cristã como Magnificat de Maria, a mãe de Jesus, e o Benedictus de Zacarias, o sacerdote (Lc 1.46-55,67-79). Esses cânticos são de natureza profética e como tal contextualizam o nascimento de Cristo dentro das promessas de Deus a seu povo. Maria, por exemplo, diz que, ao nascer Jesus, Deus estava se lembrando das promessas feitas a Abraão (Lc 1.55). Por outro lado, Zacarias afirma da mesma forma que tal visitação era o cumprimento do que Deus havia prometido na antiguidade aos profetas (Lc 1.70). O nascimento de Jesus não se tratava, portanto, de um evento sem nexo com a história bíblica. Foi um fato que aconteceu na plenitude dos tempos e testemunhou o cumprimento das promessa de Deus (Gl 4.4).

2. A restauração do Espírito profético.
Já observamos que, na teologia lucana, o Espírito Santo ocupa um lugar especial. Encontramos 17 referências ao Espírito Santo no terceiro Evangelho e 54 no livro de Atos dos Apóstolos. Isso é significativo se levarmos em conta que Mateus fala apenas 12 vezes no Espírito Santo e Marcos 6. Lucas focaliza o revestimento do Espírito, mostrando que o dom profético, silenciado no período Interbíblico, foi revivificado com a vinda do Messias. Não é à toa que a maioria das referências ao Espírito, nesse Evangelho, ocorra nos dois primeiros capítulos que relatam o nascimento de Jesus (Lc 1.41,67; 2.25-27).

II. O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DE JESUS


1. Zacarias e Izabel.
Em sua narrativa dos fatos que precederam o anúncio do nascimento de Jesus, Lucas diz que o sacerdote Zacarias havia entrado no “templo para ofertar incenso” (Lc 1.9). A queima do incenso fazia parte do ritual do Templo e ocorria no período da manhã e à tarde (Êx 30.1-8; 1Rs 7.48-50). Foi durante um desses turnos que um anjo de Deus apareceu a Zacarias para informar-lhe que a sua oração havia sido ouvida pelo Senhor e que a sua mulher, embora já não fosse mais fértil, geraria um menino, cujo nome seria João (Lc 1.13). João, o Batista, nasceu para ser o precursor do Messias, anunciando a sua missão. Ele seria a “Voz do que clama no deserto” e precederia o Senhor, preparando o seu caminho (Lc 3.4,5).

2. José e Maria.
Cerca de seis meses após o anúncio do nascimento de João, o Batista, o anjo Gabriel é enviado a Nazaré, lugar onde moravam José e sua noiva, Maria. Ela era uma virgem e estava noiva de José. O anúncio de que ela geraria um filho, sem que para isso fosse necessário haver intercurso sexual, deixou-a apreensiva (Lc 1.34). O anjo informa-lhe que desceria sobre ela o Espírito Santo e o poder de Deus a envolveria com a sua sombra (Lc 1.35). Aqui está o milagre da encarnação — O Filho de Deus fazendo-se carne, a fim de que, através desse grande mistério, possamos alcançar a salvação (Jo 1.1,14).

III. O NASCIMENTO DE JESUS E OS CAMPONESES


1. A nobreza dos pobres.
É um fato de fácil constatação o destaque que os pobres recebem no Evangelho de Lucas. Quando deu início ao seu ministério, Jesus o fez dizendo as seguintes palavras: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres” (Lc 4.18). Os pobres faziam parte das bem-aventuranças de Jesus (Lc 6.20). Pobres são os carentes tanto de bens materiais como espirituais. No anúncio do nascimento de Jesus, um anjo do Senhor é enviado especialmente aos camponeses pobres que pastoreavam os seus rebanhos no campo. Jesus veio para todos, independente da condição social. O Filho de Deus dedicou total atenção as minorias do seu tempo: as mulheres, crianças, gentios, leprosos, etc. Ele chegou a ser chamado de amigo de publicanos e pecadores, pois estava sempre perto dos mais necessitados. Como Igreja do Senhor, temos atendido os desvalidos em suas necessidades? Será que temos seguido o exemplo do Salvador? Como “sal” da terra e “luz” do mundo precisamos revelar Cristo aos carentes e necessitados, pois eles conhecerão o amor de Cristo mediante as nossas ações.

2. A realeza do Messias.
A mensagem angélica anunciada aos pastores que se encontravam no campo era que havia nascido na “cidade de Davi, [...] o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Lucas lembra o fato de que Cristo nasceu em Belém, cidade de Davi, cumprindo dessa forma a profecia bíblica (Mq 5.2). Mas o Messias não apenas nasce em Belém, cidade de Davi, Ele também possui realeza porque é da descendência de Davi, como atesta a sua árvore genealógica (Lc 3.23-38). Mas não era só isso. Lucas também detalha como o anjo de Deus falou da realeza do Messias aos camponeses! Ele é o Salvador, o Cristo, o Senhor (Lc 2.11). Essas palavras proferidas pelo anjo, além de mostrar a realeza do Messias, destacam também a sua divindade. Jesus é Deus feito homem!

IV. O NASCIMENTO DE JESUS E O JUDAÍSMO


1. Judeus piedosos.
Lucas mostra que o nascimento de Jesus aconteceu sob o judaísmo piedoso. Ele ocorre dentro do contexto daqueles que alimentavam a esperança messiânica. São pessoas piedosas que aguardavam o Messias e, quando Ele se revelou, elas prontamente o reconheceram. Primeiramente, Lucas cita Zacarias, um sacerdote piedoso e sua esposa, Isabel. A Escritura sublinha que ambos eram justos diante de Deus e viviam irrepreensivelmente nos preceitos e mandamentos do Senhor (Lc 1.6). Lucas apresenta também Simeão, outro judeu piedoso de Jerusalém, e que esperava a consolação de Israel. A ele foi revelado, pelo Espírito Santo, que não morreria antes que visse o Messias (Lc 2.25,26). Da mesma forma a profetisa Ana, uma viúva piedosa, que continuamente orava a Deus e jejuava. Quando viu o menino Jesus, deu graças a Deus por Ele e falava da sua missão messiânica (Lc 2.36-38).

2. Rituais sagrados.
Lucas coloca o cristianismo dentro do contexto do judaísmo e não como uma seita derivada deste. Como qualquer judeu de seu tempo, Jesus se submete aos rituais da religião judaica (Lc 2.21-24). Como Homem Perfeito, Ele cumpriu toda a lei de Moisés.

CONCLUSÃO

Já observamos que Lucas procura situar o nascimento de Jesus dento do contexto histórico. Dessa forma ele dá detalhes sobre fatos da história universal mostrando que Deus foi, é e continuará sendo Senhor da História. É dentro dessa história que se cumpre as profecias. O Messias prometido, diferentemente do Messias esperado pelos judeus, nasce em uma manjedoura e não em um palácio.
Os pobres, e não os ricos, são os convidados a participar do seu natal. A lógica do Reino de Deus se manifesta oposta à do reino dos homens. Todos aqueles que se sentem carentes e necessitados são convidados a participarem dele.

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