quarta-feira, 30 de setembro de 2015

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 1 - Revista da CPAD - JOVENS


Fundamentos Bíblicos para Relacionamentos Saudáveis
04 de outubro de 2015


Texto do dia
"Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!" Sl 133.1 

Síntese
A base de todos os relacionamentos cristãos saudáveis está na comunhão e unidade da própria Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Texto bíblico

Gênesis 2.18-24
18. E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele.
19. Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo animal do campo e toda ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.
20. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo animal do campo; mas para o homem não se achava adjutora que estivesse como diante dele.
21. Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar.
22. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão.
23. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.
24. Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.

INTRODUÇÃO
"Nenhum homem é uma ilha isolada". Essa importante estrofe do pregador John Donne (1572-1631), lembra-nos de que vivemos numa comunidade global, formada por pessoas de etnias e culturas diferentes. Todos recebemos do Criador a mesmíssima vida soprada em Adão (Gn 2.7; 5.3; At 17.25,26). O Senhor é doador da vida e de relacionamentos saudáveis, "porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos" (At 17.28). Nessa lição, estudaremos os fundamentos bíblicos para a vida em comunidade e para os relacionamentos saudáveis.

I - DEUS VIU QUE NÃO É BOM QUE O HOMEM VIVA SOZINHO (Gn 2.18)

1. Relacionamento com Deus: a imagem divina (Gn 1.26).
Na Antiguidade, apenas os grandes reis eram considerados "imagem de Deus". Todavia, a Bíblia revela que isso não estava limitado aos monarcas, mas a todo homem - todos foram criados por Deus! Quão inovador não soou essa boa-nova aos ouvidos dos escravos, pobres, crianças, anciãos e mulheres do Antigo Oriente: "E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou" (Gn 1.27; 1 Co 11.7). Todos participam da vida do Criador! Tanto o homem quanto a mulher são capacitados pela imagem de Deus a viver em comunhão com o Senhor e com o semelhante na personalidade e socialidade que advém da semelhança com o Criador!

2. Relacionamento com a criação: distinção e preservação (Gn 1.21-25).
O mundo não é uma emanação divina. Tudo que existe foi criado por Deus. Essa mensagem soou como uma novidade na Antiguidade, acostumada a ver nas coisas criadas um reflexo da divindade (Dt 4.15-19; Rm 1.20-23). A Bíblia ensina que somente Deus é digno de adoração. Tudo é criação de Deus e somente o Senhor é Deus! O Deus que se relaciona com a humanidade é o mesmo que criou livre e amorosamente todas as coisas e as entregou ao cuidado do homem (Gn 1.28; 2.15). O homem é criatura, mas distinta das coisas criadas (Gn 1.26). Ele foi criado à imagem de Deus e capacitado para desenvolver a experiência da receptividade. Ele responde perante Deus a respeito de seus relacionamentos com os que lhe são semelhantes e com o mundo criado (Gn 4.8-13). Foi criado capaz de ser responsável diante do outro e da criação (Gn 3). Sua relação é dialógica com Deus (Gn 3.8,9) e de preservação e transformação responsável das coisas criadas.

3. Relacionamento com o outro: identidade e solidariedade (Gn 2.18-25).
O Senhor afirma que "não é bom que o homem esteja só" (Gn 2.18). Como pode estar sozinho se desfruta da comunhão com Deus e da presença de todos os animais (Gn 2.19; 3.8)? Embora o homem desfrutasse da comunhão com o Criador e com a criação, ambos relacionamentos davam-se de modo distintos e, por isso, ele estava incompleto. O relacionamento do homem com o mundo era mediante o trabalho, a celebração da vida (Gn 2.5,15,19,20); enquanto com Deus por meio da fé, da obediência, do amor e da adoração (Gn 2.16,17; 3.8). Uma dimensão física e imanente (mundo), e outra espiritual e transcendente (Criador). As dimensões espiritual e corpórea estavam integradas. Faltava-lhe, portanto, a dimensão interpessoal e afetiva (o outro): o relacionamento com outros seres humanos pelo diálogo, amizade, amor e abertura ao que lhe é igual. Essa dimensão deu-se por meio da criação do outro que, embora semelhante era diferente e complementar (Gn 2.21-23). Nisto se constitui a identidade do sujeito: o eu (si) - o que sou - e o outro - o que não sou. No primeiro, "o que sou", somos chamados a ser sujeitos e controlar nossas vidas (rejeitando a dominação, a escravidão - autonomia), a escolher por nós mesmos (rejeitando a manipulação - liberdade), e a desenvolver meu modo próprio de ser pessoa (rejeitando a coisificação e instrumentalização - sujeito). No segundo, "o outro", é verdadeiro o mesmo em relação ao primeiro, permitindo que aquilo que desejo para mim (autonomia, liberdade, condição de sujeito) seja também direito do outro, numa relação solidária.

Pense
A imagem de Deus capacita-nos a viver plenamente com Deus, a distinguir-se da criação e a entender o próximo. Como valorizamos a imagem de Deus em nós?

Ponto Importante
O homem foi criado para viver e valorizar relacionamentos corretos e saudáveis.

II - FUNDAMENTOS DOS RELACIONAMENTOS SAUDÁVEIS (Rm 12.9-21)

1. Amor fraterno (Rm 12.10).
A principal base de todo relacionamento saudável é o amor fraterno. Trata-se do tipo de amizade em que o outro é aceito e respeitado como tal. É um amor interpessoal, que valoriza as qualidades, respeita as diferenças e suporta as fragilidades. É um amor capaz de se alegrar com as conquistas do outro, e de se entristecer com o infortúnio alheio (Rm 12.15). Ele é cordial e fraterno (Rm 12.10), e se esforça pela paz (v. 18). O amor fraterno é uma das principais colunas dos relacionamentos saudáveis (Hb 13.1), e não existe qualquer amizade verdadeira (1 Pe 3.8) que subsista sem ele (1 Ts 4.9). O amor fraternal desenvolve-se inicialmente na família, entre os parentes consanguíneos, porque o núcleo familiar é o lugar mais apropriado para o surgimento e crescimento das interações humanas frutíferas que se estenderão por toda vida. Ao longo da vida social, o amor fraternal é compartilhado com outras pessoas independente do parentesco, da etnia e posição social, chegando a tornar-se mais profundo e significativo do que os laços familiares (Pv 17.17; 18.24). Esse sentimento é caracterizado pela dedicação, compromisso, interesse, respeito pela outra pessoa e, assim como a Epafrodito, pode levar até ao sacrifício (Fp 2.19-30; 4.18). A base dele é o amor agápico (1 Ts 4.9).

2. Amor agápico (Jo 13.34).
Este é o amor com que Deus ama-nos (Jo 3.16). Na verdade, o amor que é o próprio Deus (1 Jo 4.8,16). Esse é o amor pelo qual Deus deu seu Filho para morrer pelos homens (1 Jo 4.10), e o Filho deu-se a si mesmo à morte pela humanidade (Jo 15.13). Devemos "amar o próximo como a nós mesmos" (Mt 22.39). Todavia, tal amor pode sucumbir ao egoísmo, e aos interesses pessoais. Jesus deu-nos novo mandamento: que amemos uns outros, assim como ele nos amou (Jo 15.12). Um amor disposto ao sacrifício, cujo interesse não é o "si", mas o "outro". A descrição mais completa desse amor encontra-se em 1 Coríntios 13.1-13 e o seu exemplo mais singular em Filipenses 2.5-11 e 2 Coríntios 8.9. Em todas as dimensões possíveis esse amor se expressa por inteiro somente na Pessoa do Pai (1 Jo 4.8,16), do Filho (Ef 3.19) e do Espírito Santo (Rm 15.30; ver 2 Co 13.13). Deste modo, o amor agápico não é manifestado integral e completamente nas interações humanas pelo simples fato de o homem manifestar feixes de sentimentos contraditórios, positivos e negativos: amor e ódio, humildade e soberba, justiça e injustiça. Todavia, esse amor é derramado no coração do filho de Deus para que ele ame como Deus também ama (Rm 5.5; Jo 13.35). É desenvolvido na caminhada diária com o Senhor e a comunidade de fé.

3. Amor agápico ordenado por Jesus.
Embora o amor agápico não se apresente em sua plenitude nas limitações humanas, em Cristo, a pessoa pode amar com a mesma excelência com que Cristo ama e, assim, cumprir o mandato divino (Jo 13.34). Esse amor agápico é uma ordenança e a identidade (1 Jo 4.7-13) mediante a qual o mundo conhece os discípulos de Cristo (Jo 13.35). Esse amor é incondicional e não exige uma resposta positiva da outra pessoa! Quem o possui ama sem exigir qualquer coisa em troca, mesmo que seja reciprocidade. É nesse sentido que se fala do amor de Cristo pela Igreja e do amor de Deus pelos homens (1 Jo 4.10; Jo 3.16). Portanto, somente o temos, o vivemos e o comunicamos em união com Cristo Jesus. Os relacionamentos entre os filhos de Deus devem superar suas diferenças e inquietações por meio do amadurecimento do amor agápico na vida da comunidade de fé, a Igreja (1 Jo 4.16-21).

Pense
O amor fraternal e o agápico são a essência dos relacionamentos saudáveis e frutíferos. O que implica a falta deles em nós?

Ponto Importante
A vocação cristã consiste em refletir intensamente o mesmo amor de Jesus.

III - PRINCÍPIOS PARA SE ESTABELECER RELACIONAMENTOS SAUDÁVEIS

1. Respeito (1 Tm 2.2 [ARA]).
O respeito é um valor moral necessário ao convívio saudável e harmônico. Por meio dele apreciamos e reconhecemos o próximo e os seus direitos: à vida, à felicidade; ao trabalho; ao culto; à livre expressão de ideias. No mundo globalizado e multicultural de hoje, o respeito é uma necessidade para a boa convivência. Nenhum relacionamento saudávelsubsiste sem respeito mútuo (Rm 13.7; Ef 5.33; 1 Tm 3.8; Tt 2.2 -ARA).

2. Ética (Êx 20; Mt 5-7; 2 Tm 3.16).
Em aspecto prático, a ética refere-se às normas de conduta sob as quais a sociedade e o indivíduo vivem. Todavia, a base da ética cristã não são os costumes sociais, mas o caráter santo e misericordioso de Deus, os ensinos de Jesus, e as Escrituras. Estes fundamentam a vida e os relacionamentos saudáveis dos cristãos.

3. Alteridade (Lc 6.36,37).
O homem é um ser social! Ele vive em comunidade e interage com o outro, que lhe é diferente. Isto cria uma relação de interdependência e solidariedade, que são necessárias ao desenvolvimento pessoal e coletivo do ser humano. Por meio da alteridade a pessoa se coloca no lugar da outra, procurando entendê-la, respeitando as diferenças que existem entre ambas.

Pense
Respeito, ética e alteridade são como estradas de duas vias. O que aconteceria se vivêssemos preocupados apenas conosco?

Ponto Importante
O amor verdadeiro abre-se ao mistério que é o outro.

CONCLUSÃO
A Sagrada Escritura revela o maior de todos os segredos para a construção de um relacionamento saudável: O Senhor não estava solitário na eternidade, mas compartilhava da comunhão perfeita do Filho e do Espírito Santo! É a relação perfeita de amor entre as três benditas pessoas da Deidade que possibilita-nos entender o desejo do Senhor Jesus ao dizer: "Que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17.21). Sejamos unidos, nos esforcemos para sermos unidos, e vivamos relacionamentos saudáveis, porque essa é a vontade de Deus.

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