terça-feira, 20 de outubro de 2015

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 4 - Revista da Editora Betel


O Exercício da Misericórdia Manifesta a Graça de Deus
25 de outubro de 2015


Texto Áureo
“Porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre” Filemom 15

Verdade Aplicada
Através da revelação da graça, nasceu uma nova relação, na qual todas as diferenças externas são abolidas, pelo fato de que todos nos tornamos irmãos e filhos do mesmo Pai.

Textos de Referência.

Filemom 10-16
10 Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões;
11 O qual, noutro tempo, te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil; eu to tornei a enviar.
12 E tu torna a recebê-lo como as minhas entranhas.
13 Eu bem o quisera conservar comigo, para que por ti me servisse nas prisões do evangelho;
14 Mas nada quis fazer sem o teu parecer, para que o teu benefício não fosse como por força, mas, voluntário.
15 Assim, pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo.
16 E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta.

Introdução
A epístola dirigida a Filemom é de uma preciosidade inigualável no Cânon Sagrado. Ela revela o que a graça de Deus pode realizar na vida de pessoas escravas e sem perspectivas como Onésimo, o escravo que se tornou irmão.

1. Conhecendo os personagens.
A epístola não nos revela o que realmente Onésimo usurpou de seu senhor Filemom. Ela apenas diz que ele fugiu em direção a Roma e pode ter furtado algo de valor para garantir-se (Fm 18, 19). Por meio de circunstâncias não registradas na Palavra de Deus, Onésimo conheceu o Apóstolo Paulo na prisão e tornou-se cristão. Vejamos o perfil de cada personagem para compreender melhor as lições de vida desta epístola.

1.1. Filemom, o líder da igreja.
Ao que parece, Filemom era um rico cidadão de Colossos. Sua conversão se operara através da pregação do apóstolo e existem fortes laços de amizade entre eles (Fm 17-22). Filemom é descrito por Paulo como um homem de amor e de fé, tanto para com Jesus Cristo quanto para com o povo de Deus. Seu amor era prático. Ele reanimava os santos por meio de suas palavras e de seu trabalho (Fm 7). AS igrejas do Novo Testamento reuniam-se nos lares (Rm 16.5, 23; 1Co 16.19). É bem provável que a igreja na casa de Filemom fosse uma das duas congregações de Colossos (Cl 4.15).

1.2. Onésimo o escravo fujão.
Onésimo nasceu escravo, sem Deus e sem esperanças (Ef 2.11, 12). Certamente, motivado pela pregação que ouviu, desejou ser livre e partiu para Roma. Ele escolheu seu próprio caminho de liberdade, mas algo parece não ter mudado em sua vida e resultou em uma prisão, pior ainda que a escravidão. É nessa hora que ele encontra um preso chamado Paulo, que lhe anuncia a salvação e daí por diante, ele se torna um homem livre e útil ao apóstolo (Fm 10-14). Paulo escreve uma carta a seu filho na fé Filemom, dizendo que receba em suas entranhas. Onésimo agora deve voltar, mas volta numa condição diferente. Ele retorna como irmão em Cristo (Rm 8.1).

1.3. Paulo, um tipo de Cristo.
Na epístola, Paulo tipifica o Senhor Jesus Cristo, Onésimo, a humanidade pecadora e escrava, e Filemom, o Pai, que deve conceder o perdão ao pecador regenerado por Cristo. Paulo gostaria de ficar com Onésimo, mas o envia de volta a Filemom, Porque não deseja fazer nada sem o seu consentimento (Fm 13, 14). O cristianismo não existe para ajudar os crentes a escaparem de seus pecados. Ele existe para capacitar os seguidores de Cristo a enfrentar o passado e a elevar-se acima dele. Onésimo tinha escapado, mas deveria voltar e enfrentar as consequências de seus atos.

2. A conversão de Onésimo.
Como escravo fugitivo, Onésimo deveria ser punido se voltasse para a casa de seu senhor. Porém, a graça de Deus o encontrou. Agora, as coisas mudaram de figura porque, diante de Deus. Filemom também devera recebe-lo como um irmão e perdoá-lo por seus agravos (2Co 2.10).

2.1. Um filho gerado nas prisões.
Paulo afirma a Filemom que Onésimo em outro tempo lhe era inútil. Ele faz um trocadilho com o significado de seu nome que quer dizer “útil”. E diz: “agora” a ti e a mim muito útil (Fm 11). Agora quando? Agora que a Palavra de Deus o transformou. Dentro da prisão, a vida de Onésimo sofre uma grandiosa mutação (Fm 9, 10). Ele passa da condição de escravo a irmão de Filemom. Agora Onésimo tem um defensor, Paulo, que prepara uma carta de próprio punho e endereça a Filemom, testemunhando aquela transformação e coloca-se diante de filemom como um seguro para Onésimo. A prisão de Paulo foi a solução para a vida de Onésimo (2Tim 2.9, 10).

2.2 A humilde intercessão de Paulo.
Paulo não se apresenta a Filemom como apóstolo ou líder, mas como prisioneiro de Cristo e como amigo (Fm 1). Paulo declara que Onésimo é seu filho na fé e, dirigindo-se com amor, traça um elogio ao trabalho que executa em sua casa e como as pessoas que recebem sua palavra testemunharam com alegria (Fm 5-7). Paulo não usa sua autoridade apostólica. Ele pede com um carinho especial de pai para que Filemom o receba e afirma que gostaria que Onésimo ficassem em Roma para ajuda-lo, mas sabendo a quem ele pertence, o envia para que haja uma reconciliação (Fm 8-14). E finaliza dizendo: “Escrevi-te confiando na tua obediência, sabendo que ainda farás mais do que digo” (Fm 21).

2.3. Recebe-o como a mim mesmo.
Onésimo encontrou no cárcere de Roma nada menos que o homem que havia pregado para o seu senhor. Pode-se dizer que Onésimo foi um homem agraciado em todos os sentidos. Ao interceder, Paulo relembra algo a Filemom: “Ainda que tenha Cristo grande confiança para te mandar o que te convém, todavia peço-te antes por amor” (m 8, 9). Vai ser duro para Filemom considerar como irmão a um escravo fugitivo, mas é exatamente o que Paulo lhe ordena (FM 17). O apóstolo também se propõe a pagar todas as perdas que Onésimo tenha acarretado a Filemom, lembrando-o sutilmente que ele lhe deve muito mais que valores, deve-lhe sua vida espiritual (Fm 18-20).

3. Perdendo para ganhar.
Se algum dia Filemom anunciou o Evangelho a Onésimo não o sabemos. Mas, ao abraçar ao Senhor, a conversão de Onésimo gerou uma nova relação, onde as diferenças externas foram abolidas e para Filemom era aceitar ou rejeitar (1Co 12.13; Gl 3.28).

3.1. Filemom perde um escravo e ganha um irmão.
Onésimo sai como um ladrão e retorna como um irmão. A graça fez com que Filemom e Onésimo se encontrassem num mesmo nível porque Cristo era Senhor de ambos. Paulo diz que Filemom o perdera por um tempo para tê-lo para sempre (Fm 15). Ou seja, foi preciso que ele perdesse para poder ganhar (Fp 3.8). Onésimo tinha fugido como escravo e era como tal que retornava, mas agora não só era um escravo, era também um irmão amado no Senhor. Aquele que antes o servia por medo agora o serviria com amor e como uma pessoa da família (1Jo 4.16).

3.2. Onésimo, a provação de Filemom.
Precisamos estar atentos para entender como Deus está se movendo, para que as verdades do mundo espiritual não passem despercebidas (1Co 2.14, 15). Primeiro, Onésimo furta algo e foge, depois é preso e encontra-se com Paulo, o pai na fé de Filemom e o líder da igreja que presidia. Nada disso aconteceu por acaso. Onésimo se constituiu em um grande teste de fé para Filemom, porque qualquer reação contrária à fé que anunciava poderia manchar seu ministério. O teste de fé era exercer o amor e o perdão que ensinava (Mt 6.15; Ef 4.32).

3.3. Onésimo, o bispo de Éfeso.
Cinquenta anos mais tarde, levado para execução desde sua igreja em Antioquia até Roma, Inácio, um dos grandes mártires cristãos, escreve cartas, que ainda existem, às igrejas da Ásia Menor. Detém-se em Esmirna e dali escreve à igreja de Éfeso. No primeiro capítulo de sua carta, fala muito a respeito de seu maravilhoso bispo. E qual é o Nome do Bispo? Onésimo. E Inácio faz exatamente o mesmo trocadilho que Paulo tinha feito: “É Onésimo de nome por natureza, útil para Cristo”. Onésimo, o escravo fugitivo, chegaria a ser, com o passar dos anos, nada menos que Onésimo, o grande bispo de Éfeso (Cl 2.6; 4.9).

Conclusão.
É preciso mais do que amor para resolver problemas. O amor deve pagar um preço. Deus nos salvou por Seu amor e deu Seu Filho por nós (Ef 2.8, 9). A graça de Deus é o Seu amor, que cobriu o salário do pecado, nos resgatou e nos deu a vida eterna (Rm 6.23).

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