segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 12 - Revista da CPAD - JOVENS


Relacionamentos Solidários
20 de Dezembro de 2015

TEXTO DO DIA
“A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.27).

SÍNTESE
A misericordiosa solidariedade de Deus em Cristo motiva os homens a se compadecer e socorrer o próximo em suas necessidades.

TEXTO BÍBLICO

Tiago 2.5-17.
5 — Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?
6 — Mas vós desonrastes o pobre. Porventura, não vos oprimem os ricos e não vos arrastam aos tribunais?
7 — Porventura, não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?
8 — Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.
9 — Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores.
10 — Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos.
11 — Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu, pois, não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei.
12 — Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade.
13 — Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo.
14 — Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo?
15 — E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano,
16 — e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?
17 — Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.

INTRODUÇÃO
Solidariedade é o amor em ação. Nestes dias em que o egocentrismo e a competitividade invadem a vida de milhões de pessoas, o cristão é desafiado a “remar contra a maré” do indiferentismo. Estender as mãos ao que tropeça, alimentar a boca faminta, vestir ao maltrapilho e visitar o enfermo são atitudes simples, mas com grande efeito sobre o necessitado. Nesta lição estudaremos os relacionamentos solidários.

I. O QUE É SER SOLIDÁRIO (Mt 25.34-36)

1. Solidariedade é um ato de amor (Mt 25.40).
Amor que doa de seu tempo, de seus recursos, de suas energias a fim de amenizar a dor alheia (Lc 10.25-37). Uma simples visita ao enfermo; um cobertor para cobrir o desabrigado; uma sopa quente faz aquecer a alma e acende a esperança de uma nova realidade (At 9.39). Solidariedade é um ato de empatia. Colocar-se no lugar de outrem; sentir a dor do outro como se fosse a sua própria dor (Mt 9.36). Neste tempo em que os homens buscam apenas aquilo que os interessam, preocupar-se com a necessidade de alguém é uma das mais extraordinárias demonstrações do espírito que move o cristianismo (Gl 2.10 ver Dt 15.4; Mt 19.21; Rm 15.26). Fé e caridade, duas grandes virtudes cristãs (1Co 13.13). A primeira relaciona-se ao nosso compromisso com Deus, a segunda, com o próximo (Lv 19.18; Mt 5.43; 19.19; 22.39; Rm 13.9).

2. Três dons solidários.
A misericórdia (Lc 6.36) e a compaixão (Mt 14.14) são mandamentos universais a todos os cristãos. É dever de cada crente ser compassivo e misericordioso com o seu próximo. Todavia, há alguns cristãos a quem Deus chama para exercer a solidariedade, misericórdia ou compaixão em níveis sobrenaturais, isto é, muito além do que o mandamento e as possibilidades humanas o permitem. Esta compaixão extraordinária é obtida mediante três dons: de misericórdia (Rm 12.8), socorros (1Co 12.28) e contribuição (Rm 12.8). Exerça os dons solidários conforme a vontade de Deus.

3. Jesus, exemplo maior de solidariedade (2Co 8.9; Fp 2.5-8).
A Bíblia fala da solidariedade como um ato divino (Is 53.1-12). Jesus foi solidário com as necessidades da humanidade (Lc 4.18,19) e ordenou: “Ide [...] e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não sacrifício” (Mt 9.13). A solidariedade de Jesus acha-se primeiro na encarnação e morte substituta e sacrifical (Mt 8.16,17). Ele assumiu a natureza humana completa, exceto o pecado (Fp 2.5-8). Revestiu-se de carne, a fim de satisfazer as necessidades espirituais dos homens (Jo 1.14; 3.16). Sua identificação com a humanidade foi tão profunda que, sendo rico, tornou-se pobre; santo, foi crucificado como um pecador, “para que, pela sua pobreza, enriquecêsseis” (2Co 8.9). Os atos solidários de Jesus foram movidos por íntima compaixão e misericórdia (Mt 14.14; 15.32; 20.34).

Pense!
“Solidariedade é enxergar no próximo as lágrimas nunca choradas e as angústias nunca verbalizadas” (Augusto Cury).

Ponto Importante
Jesus foi solidário e diferente daqueles que ajudavam os pobres acompanhados de uma comitiva de músicos para divulgar suas demonstrações de caridade (Mt 6.1-4).

II. A BÍBLIA E A SOLIDARIEDADE

1. Solidariedade no Antigo Testamento.
O termo solidariedade não aparece na Bíblia, mas o conceito é abundante. No Antigo Testamento ela é descrita por um vocábulo (rachamîm) que designa “terna misericórdia”, “compaixão”, “ser misericordioso” e “bondade”. Por ser derivada da palavra “ventre” (racham), descreve o mais profundo e íntimo sentimento que Deus tem pelo homem (Êx 33.19; Sl 103.13; Os 2.19; Mq 7.17), o homem por Deus (Sl 18.1) e pelo seu próximo (Jr 50.42). É assim que o Senhor afirma por meio de Zacarias: “Executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e misericórdia cada um a seu irmão” (Zc 7.9). O conceito de solidariedade misericordiosa em Deus, expressa o equivalente a graça (charis) em Cristo nas páginas do Novo Testamento.

2. Solidariedade em o Novo Testamento.
Como no Antigo, o Novo Testamento também não traz o termo, mas a ideia está presente de Mateus a Apocalipse, por meio das expressões “sentir compaixão”, “sentir misericórdia”, “compadecer”, “caridade”, que traduzem uma das palavras gregas mais importantes para solidariedade (eleos). Esse vocábulo expressa o irromper da misericórdia divina no centro da desgraça humana (Mt 9.27; 15.22; 17.15; Mc 10.47, 48; Lc 17.13), tanto para os doentes quanto para os endemoninhados (Mt 15.22; 17.15). A misericordiosa solidariedade de Deus em Cristo motiva os homens a se compadecerem e sentirem as angústias e necessidades do outro (Mt 5.7; 18.33). Por fim, afirma Tiago que a misericordiosa solidariedade demonstrada aqui no mundo terá um grande peso no juízo escatológico que se aproxima (Tg 2.13).

3. Solidariedade descritas na Bíblia (Is 58.6-11; Hb 13.1-8).
A Bíblia descreve alguns importantes atos de misericordiosa solidariedade que devem e podem ser desenvolvidos pelos cristãos: hospitalidade (Hb 13.2); vestir os desprovidos (At 9.39); alimentar os famintos (Rm 12.20); visitar os presos (Hb 13.3), os órfãos e as viúvas e socorrer as pessoas em sofrimento (Tg 1.27). A exortação do versículo inicial do capítulo treze de Hebreus é emblemática: “Permaneça o amor fraternal”. Este mandamento cristão estava associado à vida da Igreja Primitiva e ao ensino de Jesus, que resumiu a Lei da Antiga Aliança na dupla ordem de amar a Deus e ao próximo como a si mesmo (Mt 22.37-40; Mc 12.29-31; Rm 13.9,10). Este amor fraterno (philadelphia) designa uma das qualidades do amor agápe (Rm 12.10; 1Pe 1.22; 2.17) que deve ser praticado por todos os filhos de Deus, principalmente entre os domésticos da fé. Os exemplos da manifestação do amor fraterno são claros: Hospitalidade, e solidariedade com os que estão encarcerados e maltratados (vv.1,2). Para que a igreja não se esquecesse do dever de amar fraternalmente aos cristãos estrangeiros, dos que estavam encarcerados por sua fé, e daqueles filhos de Deus que estavam sofrendo maus tratos por causa da piedade e fé em Cristo (Hb 11.25,36-38), o escritor afirma enfaticamente: “Lembrai-vos” (v.3). É dever da comunidade cristã nunca se esquecer daqueles que professam a mesma fé em Cristo e se encontram em dificuldade, seja ela qual for.

Pense!
“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana” (Franz Kafka).

Ponto Importante
“Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Tg 2.18).

III. TRABALHOS VOLUNTÁRIOS (Lc 14.12-14)

1. O que é ser um voluntário?
Um voluntário é a pessoa cujo interesse pessoal e espírito solidário dedica parte de seu tempo e talentos para prestar serviços de utilidade pública e solidária sob a forma de diversas atividades, organizadas ou não, para a promoção do bem-estar social, da atenção e socorro das necessidades humanas, colaborando para o bem de seu semelhante.

2. Quem deve realizar trabalhos voluntários.
Seja de quem for a iniciativa, de uma instituição ou de uma pessoa, movido por fatores religiosos ou humanistas, a prática da solidariedade misericordiosa expressa o mais nobre e poderoso sentimento cristão: o amor. Todos indistintamente devem realizar atividades que auxiliem e socorram os desprovidos e excluídos sociais. As crianças, adolescentes, jovens e anciãos, obreiros — todos devem envolver-se, inicialmente, nas obras sociais da igreja e, depois, em outras atividades até mesmo fora do âmbito eclesiástico. A igreja é chamada a manifestar o amor de Cristo aos sem esperança e necessitados. Diante do contexto de pobreza, injustiça e exclusão social que as pessoas vivem nas metrópoles e nas áreas rurais, a igreja deve pronunciar-se contra as injustiças, contra o trabalho escravo e infantil, contra os excluídos sociais, e contra as instituições políticas corruptas. Apesar de o Brasil ter avançado no combate à pobreza ainda assim, a insegurança alimentar é uma ameaça que ronda os lares de muitos brasileiros. Por razões semelhantes a essas é que a Bíblia orienta que “nos lembremos dos pobres” e isto devemos fazer com diligência (Gl 2.10).

3. Trabalhos sociais.
Esses trabalhos são muitos e variados. Vão desde visitação aos orfanatos e distribuição de alimentos e vestimentas até ações sociais que visam mudar a condição de exclusão social do desvalido. No Brasil há muitos bons exemplos de trabalhos sociais praticados por instituições filantrópicas e ONGs, no entanto, cabe à igreja desenvolver e aperfeiçoar seus próprios projetos sociais, dentro dos valores cristãos, com toda pureza e transparência de propósitos.

Pense!
“A felicidade de grandes Homens consiste em levar amor e solidariedade a quem necessita” (Walyson Garrett).

Ponto Importante
“Houve mestres que ordenaram às pessoas, venderam o que tinham, e muitos tornaram-se fanáticos. Nós, todavia, deixamos o Espírito guiar os crentes e dizer-lhes o que ofertar. Quando alguém fica cheio do Espírito, a sua carteira converte-se e Deus o torna mordomo. Se Deus lhe ordenar: ‘Venda!’, ele vende” (W. Seymour).

CONCLUSÃO
Não encolha a sua mão ao carente, o teu ombro ao lastimador, e não feche os teus olhos aos necessitados, pois ouvirás: “Vinde bendito de meu Pai... porque tive fome e, destes-me de comer; tive sede, e deste-me de beber” (Mt 25.34,42).

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