segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 1 - Revista da CPAD - JOVENS

Conhecendo a carta aos Romanos
03 de Janeiro de 2016

TEXTO DO DIA
“Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (Rm 1.17).

SÍNTESE
A epístola do apóstolo Paulo aos romanos é leitura indispensável para entendermos o plano de salvação gratuita de Deus, revelado no evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

TEXTO BÍBLICO

Romanos 1.1-8,13,16,17.
1 — Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus,
2 — o qual antes havia prometido pelos seus profetas nas Santas Escrituras,
3 — acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,
4 — declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos — Jesus Cristo, nosso Senhor,
5 — pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome,
6 — entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.
7 — A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
8 — Primeiramente, dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.
13 — Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios.
16 — Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.
17 — Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos a respeito da primeira epístola do cânon paulino, que apesar de ter um enfoque pastoral, é a mais longa e mais teológica de todas suas epístolas. Movido pela paixão que tinha pela evangelização dos gentios e o desejo de conhecê-los pessoalmente, o apóstolo escreveu, excepcionalmente, para uma igreja que ele não havia fundado. Paulo precisava auxiliar a comunidade, formada em sua maioria por gentios e uma minoria de judeus, que enfrentava conflitos com relação aos requisitos necessários para a justificação diante de Deus. Nesta epístola o apóstolo apresenta um espetacular tratado para demonstrar que a justificação se dá por meio da fé e não pelas obras.

I. PRIMEIRAS QUESTÕES

1. Autoria, data e local da escrita.
A autoria paulina da Epístola aos Romanos não é colocada em dúvida. Entretanto, desta vez, Paulo não escreveu com suas próprias mãos, mas ditou a carta ao copista Tércio, provavelmente conhecido dos irmãos da igreja de Roma, pois ele aproveita para enviar-lhes saudações (Rm 16.22). A epístola foi escrita durante os três meses que o apóstolo esteve em Corinto, hospedado na casa de Gaio, em sua terceira viagem missionária, aproximadamente no final do ano de 56 e início de 57 d. C. Paulo movido pelo ardor missionário de alcançar a Espanha (Rm 15.24), após levantar ofertas para as igrejas gentílicas para ajudar a comunidade de Jerusalém, anuncia que fará escala na igreja de Roma, com a certeza de que seria abençoado e abençoaria a igreja romana com a mensagem do Evangelho (Rm 15.25-29).

2. A cidade de Roma.
Para Roma afluíam pessoas de todas as partes do Império Romano por meio de um moderno sistema de estradas. Pesquisas arqueológicas demonstram que era habitada desde a Era do Bronze, cerca de 1500 a. C., neste período foi submetida a invasões de vários povos como os gregos, etruscos e outros. Portanto, na cidade de Roma, devido a essa miscigenação, havia as mais diversas religiões e filosofias da época. Na área religiosa, era famosa pelo seu politeísmo e superstições. Os deuses do panteão grego foram adotados pelos romanos, todavia seus nomes originais foram trocados. Entre os principais deuses romanos estão: Júpiter, Juno, Apolo, Marte, Diana, Vênus, Ceres e Baco. Quando o apóstolo Paulo chegou a Roma, cerca de 60 d. C., encontrou uma população diversificada e cosmopolita. Os monumentos públicos lembravam aos visitantes o poder, as tradições e a amplitude do Império Romano. No tempo do apóstolo em Roma havia cerca de um milhão de habitantes.

3. A comunidade judaica em Roma.
Judeus de todas as classes sociais viviam em Roma ou a visitava. Arqueólogos descobriram nas ruínas romanas várias inscrições com nomes das mais variadas origens e também nomes judaicos, inclusive as inscrições nas catacumbas judaicas indicam que a metade dos judeus tinha nomes latinos, provavelmente obtidos por emancipação da escravidão. A comunidade judaica era bem representada na capital do império, a ponto de no primeiro século constituir o maior centro judaico do mundo antigo, tendo pelo menos 13 sinagogas na cidade. Os judeus contavam com a simpatia da população. Isto se refletia na prática judaica de fazer prosélitos, a ponto de terem como convertidos ao judaísmo pessoas como Fúlvia, esposa de senador; Pompeia, esposa de Nero; e Flávio Clemente, primo de Domiciano, entre outros. Entre os prosélitos no dia de Pentecostes, provavelmente estavam vários romanos.

Pense!
“A Epístola aos Romanos é o principal livro do Novo Testamento e o mais puro Evangelho, tão valioso que um cristão não só deveria saber de memória cada palavra dela, mas tê-la consigo diariamente, como o pão cotidiano de sua alma” (Martinho Lutero).

Ponto Importante
A comunidade judaica em Roma era forte e provocava conflitos na comunidade cristã por meio da influência sobre judeus convertidos ao cristianismo.

II. OS DESTINATÁRIOS E O PROPÓSITO DA EPÍSTOLA

1. Endereço e saudação (Rm 1.1-7).
A epístola de Paulo tinha um endereço certo: a comunidade cristã em Roma. Ele inicia com uma apresentação semelhante às demais epístolas que escreveu, entretanto, como ele não conhecia a comunidade cristã em Roma, acentua suas credenciais de servo, apóstolo e escolhido de Deus (Rm 1.1-7), se igualando aos profetas do AT (Am 3.7; Jr 25.4; 1.5). Em sua saudação, argumenta que o Evangelho que ele conhecera já havia sido predito pelos profetas. Na sequência, aborda a ação da Trindade, enfatizando a encarnação de Cristo, demonstrando sua humanidade, bem como sua divindade sob a ação do Espírito Santo. Defende seu apostolado, como recebido de Deus para a salvação das pessoas chamadas à obediência. Estimula a comunidade, afirmando que eles faziam parte desse povo escolhido.

2. A comunidade cristã em Roma.
Aproximadamente cinco anos depois de escrita a carta, o apóstolo chega à Roma. Mais tarde do que planejado e em condições (transporte de prisioneiros) que não imaginava na época da escrita. A comunidade cristã em Roma provavelmente foi fruto da facilidade de locomoção proporcionada pelo comércio mundial e a diáspora judaica, como os romanos que estiveram no Pentecostes (At 2). A igreja em Roma era constituída por judeus e gentios, sendo que estes últimos foram se tornando a maioria. Esta diferença foi mais acentuada depois do decreto do Imperador Cláudio que baniu os judeus de Roma, aproximadamente em 49 d.C., incluindo Áquila e Priscila (At 18.1-3). A composição da igreja pode ser percebida na lista de Rm 16.1-5, maioria de gentios e presença feminina (11 mulheres e 18 homens).

3. O propósito da epístola.
Aparentemente não tinha um único propósito. Pelo menos quatro podem ser identificados: a) missionário: evidente sentimento paulino de que o trabalho missionário na Ásia e na Grécia já estava completo (Rm 15.19,20) e tencionava levar o Evangelho até a Europa; b) doutrinário: exposição de forma didática e compreensiva das verdades centrais do Evangelho, provável deficiência devido à ausência de um líder apostólico; c) apologético: argumentação sobre a justificação pela fé não parece ser simplesmente informativa, mas uma oposição aos judaizantes que estavam atuando na cidade (Rm 14-15); d) didático: principalmente na seção de prática geral, sobre a moral e a conduta cristã (Rm 12-15), que tem por alvo ensinar, informar e iluminar, e não meramente resolver determinados problemas.

Pense!
O apóstolo Paulo depois de fazer um grande trabalho na Ásia e na Grécia, não se deu por satisfeito e começa novo projeto para alcançar almas para Cristo em regiões distantes como Roma e Espanha. Jovem, você está satisfeito com o que já fez pelo Evangelho? Você pode fazer mais e melhor?

Ponto Importante
A comunidade cristã em Roma não foi fundada por Paulo e na época da escrita não tinha nenhum dos principais líderes da igreja para orientá-los. Por isso, o apóstolo dedica uma epístola com profundidade doutrinária para orientar e defender a mensagem do Evangelho.

III. A GRATIDÃO DE PAULO E A JUSTIÇA DE DEUS REVELADA

1. Paulo agradece a Deus pela comunidade cristã em Roma (Rm 1.8-15).
Após as saudações (1.1-7), Paulo faz uma oração de agradecimento pelos cristãos romanos, demonstrando seu interesse pela comunidade (Rm 1.8-15). O fato de Paulo não ser o fundador da igreja não o impediu de orar e reconhecer a fé e o trabalho de seus membros. Seu exemplo evidencia que o interesse coletivo deve estar acima dos interesses pessoais. Ele nos dá um exemplo de como devem ser conduzidas as atividades no Reino de Deus. A comunidade em Roma deve ter se sentido amada, pois o apóstolo tem o cuidado de manifestar o seu desejo ardente de estar com eles, bem como informar que já havia tentado estar com eles, porém sem sucesso. Muitas pessoas são maltratadas por meio de interpretações teológicas antibíblicas que intimidam e provocam pavor, diferente do apóstolo Paulo que fortalece e encoraja o grupo, sem descuidar da verdade do Evangelho.

2. Paulo era testemunha da justiça de Deus revelada pelo poder do Evangelho (Rm 1.16).
O apóstolo reconhecia a situação em que estava, diante de Deus, antes de conhecer a Jesus e a mudança que o Evangelho fez em sua vida, após o encontro no caminho de Damasco (At 9). Da mesma forma que os judeus e alguns judeu-cristãos que não conseguiam se desvincular de forma definitiva do jugo da lei judaica, ele havia dedicado grande parte de sua vida em defesa dessa religião e tentado impor o peso destas doutrinas e crenças, pensando estar na direção e vontade de Deus. Convicto de sua justificação pela fé e não pelas obras, testifica o seu amor ao Evangelho, a ponto de afirmar: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). No século atual, enquanto muitas pessoas estão se identificando como cristãos evangélicos para tirar vantagem, outros continuam negando sua fé por temer as represálias. Jovem, defenda a bandeira do Evangelho.

Pense!
Um versículo da Epístola aos Romanos (Rm 1.17) foi a mola propulsora para transformar a realidade da humanidade, mudou a história ocidental por meio da Reforma Protestante.

Ponto Importante
O apóstolo Paulo deu um grande exemplo de quem valoriza o coletivo e não os interesses pessoais. Uma vida verdadeiramente transformada pela justiça de Deus revelada por meio da Epístola aos Romanos.

CONCLUSÃO
Nesta lição aprendemos que a epístola foi escrita por Paulo, por volta de 57 a.C., na cidade de Corinto, durante a terceira viagem missionária de Paulo. A comunidade cristã de Roma não foi fundada por Paulo, mas ele se ocupou em reforçar para a comunidade a revelação da justiça de Deus por meio da fé, tema central da epístola e fundamento para o desencadeamento da Reforma Protestante do Século XVI.


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