terça-feira, 22 de novembro de 2016

ESCOLA DOMINICAL CPAD - Conteúdo da lição 9 - Revista da CPAD - JOVENS


A Adoração Integral Ensinada por Jesus

27 de novembro de 2016


Texto do dia.
"[...] amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças e amar o próximo como a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios." Mc 12.33


Síntese.
Jesus, em seu ministério, preocupou-se em apresentar o verdadeiro caminho de adoração ao Pai.

Texto bíblico

Lucas 10.25-35
25. E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
26. E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?
27. E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.
28. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e viverás.
29. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
30. E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
31. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
32. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.
33. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.
34. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele;
35. E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.

INTRODUÇÃO
Jesus, através de sua vida, demonstra que adorar a Deus é muito mais do que cumprir exigências cerimoniais; louvar ao Criador envolve a totalidade de nosso ser: todo nosso espírito, alma e corpo. Logo, se é tudo o que somos, a adoração está ligada também com nossos relacionamentos. Deste modo, a maneira pela qual nos relacionamos com as pessoas denuncia se somos ou não adoradores. Partindo da célebre parábola de Jesus, em Lucas 10, refletiremos nesta lição a respeito do caráter integral da verdadeira adoração a Deus.

I - JESUS EXPLICA O QUE É ADORAÇÃO

1. A capciosa pergunta do doutor da lei (Lc 10.25).
Mais uma vez, Jesus está às voltas com uma pergunta feita por um dos religiosos da época. A questão suscitada pelo escriba referia-se a problemática da vida eterna e o recebimento desta. Jesus, numa estratégia discursiva típica dos sábios da época, devolve a pergunta com outras duas: Que está escrito na lei? Como lês? Apesar de não responder diretamente, as indagações de Jesus direcionam e restringem as opções que o doutor tem para apresentar sua tréplica. O acesso a vida eterna estava intimamente relacionado a duas questões muito sérias: tanto às verdades eternas já manifestas por Deus e registradas nas Escrituras, como também ao modo pelo qual as pessoas a interpretavam. É claro que a Bíblia é nosso manual sobre adoração e louvor, todavia, corremos sérios riscos de negarmos ao Pai, se a lermos de maneira errônea.

2. "Amarás ao Senhor teu Deus" (v.27).
Imediatamente o doutor da Lei responde a primeira indagação de Jesus. Cita com perfeição o texto de Deuteronômio 6.5. Como é possível receber a vida eterna? Amando, adorando a Deus com tudo aquilo que temos e somos: coração, alma, forças e entendimento. Percebe-se assim que a adoração não está relacionada com aquilo que recebemos, mas com nossa percepção sobre quem é Deus. Basta que tenhamos um simples vislumbre da sua pessoa (Êx 33.18-23; 2 Co 12.1-10), e será o suficiente para não desejarmos mais nada, senão apenas um relacionamento intenso e genuíno com Ele. Adorar é amar ao próprio Deus, e só consegue amá-lo como Ele merece quem realmente conhece-o. Tudo que há em nós foi divinamente elaborado para louvar ao Altíssimo, por isso devemos zelar por cada área de nosso ser. Nosso amor dever ser direcionado à pessoa de Deus e em virtude de quem Ele é.

3. Adorando a Deus por meio do amor ao próximo.
Uma vez que pouquíssimas pessoas terão o privilégio de ter uma experiência reveladora e direta com a divindade, como poderemos adorá-lo? A resposta parece explícita no final da fala do escriba: "[...] e o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19.18). O amor, que nos identifica universalmente uns com os outros, é a ferramenta capaz de revelar a face de Deus à humanidade. Posso ver Deus através de quem está próximo a mim; por meio daqueles que, assim como eu, são filhos, adoradores e amados do Pai. Não devo divinizar nenhuma pessoa, isto é idolatria, mas todas às vezes que eu concedo àqueles que estão próximos a mim a dignidade inerente a eles (Gn 1.26), estou amando-os e, por uma inevitável consequência, oferecendo a Deus a verdadeira adoração que lhe é devida (Jo 15.1-14).

Pense
Que chave de leitura temos utilizado para ler a Bíblia? Se compreendermos as Escrituras através do amor, misericórdia e graça, estaremos mais próximos do Pai.

Ponto Importante
O amor a Deus torna-se palpável quando nos dedicamos a construir uma vida digna àqueles que, em virtude da maldade e pecado, tiveram-na roubada (Mt 25.34-40).

II - "MAS... E QUEM É MEU PRÓXIMO?"

1. Como o doutor da Lei "lia" o mundo.
O escriba quis justificar-se (v.29); mas desculpar-se de quê? De, contraditoriamente, afirmar que amava a Deus sem amar aqueles que estavam ao seu lado. Para aquele homem era impossível amar determinadas pessoas ou grupos sociais: os publicanos traidores, os leprosos impuros, as meretrizes promíscuas, os samaritanos etnicamente rejeitados. Indagou então o doutor: "Quem é meu próximo?" O termo grego para "próximo" é literalmente vizinho, metaforicamente, "aquele que é o mais íntimo". Ao indagar sobre quem era seu próximo, arrogantemente o escriba questionava, "quem é semelhante a mim?", postura análoga à do Fariseu em Lucas 18.11. Para aquele homem, a religiosidade o fazia superior, e qualitativamente diferente de todas as demais pessoas; deste modo, amar a quem, senão apenas a si mesmo?

2. Uma parábola como resposta.
A fim de esclarecer o escriba, mais uma vez, Jesus não oferece uma resposta direta, mas, por meio de uma parábola, denuncia a arrogância daquele homem. A parábola do samaritano, como é tradicionalmente nomeada esta imagem bíblica, é um dos mais belos textos da Escritura; lembremo-nos, todavia, que seu objetivo central é responder ao questionamento: "Quem é meu próximo?" Se levarmos em conta está questão perceberemos que, dentre os três personagens secundários do enredo: o sacerdote, o levita e o samaritano, a ajuda ao homem assaltado vem de quem o escriba jamais se identificaria: o samaritano. Os samaritanos eram os descendentes do Reino do Norte que, colonizados pela Assíria, desenvolveram uma religiosidade mista, considerada impura e espúria pelos judeus. Por isso, um judeu, particularmente um especialista em conhecimentos da Torá, jamais consideraria um samaritano digno de amor ou compaixão.

3. O amor supera o ódio.
Diante da cena que Jesus elabora, o quadro tradicional muda: temos um sacerdote e um levita, não misericordiosos, cerimonialmente puros, mas cheios de preconceitos. Por outro lado temos um samaritano, socialmente rejeitado, mas graciosamente acolhedor; etnicamente odiado, entretanto o único que demonstra amor. A quem o escriba comparar-se-ia, aos dois primeiros? Se fizesse isso, Jesus demonstraria que não havia amor a Deus naquele homem. O escriba, num exercício de superação de seus preconceitos, teve de comparar-se ao samaritano. Por esta parábola Jesus demonstra que o próximo, o íntimo, é todo aquele que é carente de amor, assim como é aquele que desinteressadamente ama.

Pense
A fé que desenvolvemos a partir de nosso encontro com Jesus tem nos tornado pessoas mais amorosas, misericordiosas, capazes de superar os preconceitos que a sociedade constituiu sobre nós?

Ponto Importante
Os judeus e os samaritanos são um exemplo típico do mal que as divergências culturais podem causar.

III - SALVAÇÃO, AMOR E ADORAÇÃO

1. O desenvolvimento de uma adoração plena.
O culto não pode ser nosso único momento de adoração. Não é saudável que reduzamos nossa adoração apenas a louvores, pregações, orações e contribuições. Devemos adorar com tudo o que somos, em todo o tempo (Sl 32.6; Ef 6.18), com tudo o que temos (At 20.35; Cl 3.22-25). Sempre conscientes de que é fraudulenta a adoração do coração daquele que afirma amar a Deus, mas tem algo contra seu irmão (Mt 5.23,24).

2. Igreja, acolhimento e adoração.
Que tipo de pessoas a espiritualidade que praticamos tem desenvolvido? Indivíduos insensíveis à dor do outro, que em nome de rituais e tradições observam de maneira inerte multidões morrendo à mingua sob o domínio do pecado, sem sequer estender a mão. Ou nossa fé, que é simultaneamente resultado e causa de nossa adoração (Hb 11.1), tem cotidianamente transformado nosso ser, quebrando nossa arrogância e exaltação (Pv 8.13), levando-nos a perceber àquele que está a nossa volta não apenas como um outro (Gr. heteros), distante e diferente, mas como o próximo (Gr. plesíon), íntimo, amigo mais chegado que irmão (Pv 18.24).

3. Nós e os samaritanos.
Quem são os samaritanos de nossa sociedade? Nossa fé não é excludente, o Reino de Deus é inclusivo (Mt 9.10-13). O evangelho do Senhor Jesus é a boa-nova de Deus para a humanidade. Ele é convidativo, acolhedor. Assim como Jesus, não tenhamos medo de aproximarmo-nos das pessoas que necessitam de Deus (Fp 2.6-9; Hb 2.11).

Pense
Como estão seus relacionamentos, dentro e fora da Igreja?

Ponto Importante
A Igreja precisa ser o lugar daqueles que estão em processo de cura, através da adoração e do amor. 

CONCLUSÃO
O tipo de vida que Deus deseja que desenvolvamos está intimamente ligada à vivência do louvor e da adoração; por isso vai muito além da mera observação de tradições ou ordenamentos humanos. Adorar ao Pai significa amá-lo, e tal experiência somente é possível quando nos permitimos amar e ser amados pelas pessoas que estão à nossa volta. Viva o melhor de Deus para você: adore, ame, perdoe.

QUESTIONÁRIO

Quais aspectos da fé estão relacionados nosso acesso ao Reino segundo Jesus em Lucas 10?
As verdades eternas já manifestas por Deus e registradas nas Escrituras, como também ao modo pelo qual as pessoas interpretavam a mesma.

Por que é impossível adorar a Deus sem amar o meu próximo?
Porque o amor ao próximo é um mandamento gêmeo ao amor a Deus, e por consequência à adoração.

Por que havia todo esse distanciamento entre judeus e samaritanos?
Porque historicamente eles eram descendentes do Reino do Norte que se misturaram cultural e espiritualmente com os assírios.

Quem são, na atualidade, os "samaritanos" dos quais precisamos nos aproximar?
Resposta Pessoal. (Sugestão: moradores de rua, miseráveis, ex-presidiários.)

Que ações a Igreja precisa tomar para vivenciar a plena adoração que Jesus tem preparado para ela?
Através de ações de acolhimento e respeito às diferenças

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