domingo, 3 de novembro de 2013

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 6 - Revista da Editora Betel


Cavernas: campo de treinamento de Deus para forjar campeões

10 de novembro de 2013


TEXTO ÁUREO
“Quem há entre vós que tema ao Senhor e ouça a voz do seu servo? Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus”. Is 50.10



VERDADE APLICADA

A escola do aperfeiçoamento divino pode nos conduzir a cavernas escuras, mas elas não são o fim da nossa história, são o redirecionamento de nossas vidas.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

ISm 22.1 - Então Davi se retirou dali, e escapou para a caverna de Adulão; e ouviram-no seus irmãos e toda a casa de seu pai, e desceram ali para ter com ele.
ISm 22.2 - E ajuntou-se a ele todo o homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espírito desgostoso, e ele se fez capitão deles; e eram com ele uns quatrocentos homens.
ISm 22.3 - E foi Davi dali a Mizpá dos moabitas, e disse ao rei dos moabitas: Deixa estar meu pai e minha mãe convosco, até que saiba o que Deus há de fazer de mim.


INTRODUÇÃO

Após várias tentativas frustradas, Saul resolve declarar-se inimigo mortal de Davi, que fugindo para escapar ileso, finge-se de louco diante de Aquis, rei de Gate, e encontra abrigo na caverna de Adulão, um lugar escuro e solitário, onde outros quatrocentos homens, em situação igual ou pior que a sua, encontram-lhe.


1. Removendo os alicerces

Adulão significa: “Lugar da antiguidade”. É exatamente nesse lugar que Deus vai trabalhar um pouco mais em Davi, usando seu sofrimento para polir a vida de outros quatrocentos, torná-los amigos e irmãos, e fazer daquele bando de gente sofrida, um exército leal ao futuro rei. Vejamos como Davi chegou a Adulão, e como reagiu a mais uma etapa de provações em sua vida.


1.1. Removendo as muletas

“E temia Saul a Davi” (1 Sm 18.12). Ao ver que Davi lograva sucesso em tudo o que fazia, e que o Senhor era com ele, Saul tentou matá-lo duas vezes com uma lança, e não conseguindo, decretou a sua morte (1 Sm 18.11; 19. 8-12). Davi fora para Saul um modelo de humildade e integridade, nada havia feito de errado para merecer tal injustiça. Porém os caminhos de Deus outra vez o impulsionaram para uma direção que jamais pensou. Em um só momento, ele perdeu sequencialmente o cargo de oficial do exército, perdeu a esposa e perdeu o amigo Jônatas, para o qual fez juramento e não mais o viu; também perdeu o profeta, e tudo que lhe restou foi a escuridão de uma caverna solitária: Adulão. Agora Davi não tem nada, apenas a unção de rei. Mas na caverna faz a seguinte afirmação: “até que saiba o que Deus há de fazer de mim” (ISm 22.3b). Ele perdeu tudo, menos a confiança em Deus.


1.2. A um passo da morte

“Há apenas um passo entre mim e a morte” (ISm 20.3). A escola do aperfeiçoamento divino pode alternar grandes momentos em nossas vidas. Em certa altura, Davi pôde ver seu nome aclamado por toda a nação e viveu dias de herói nacional, depois experimentava exatamente o oposto, era um fugitivo, e quem lhe desse guarida podia pagar com a própria vida. Naquela circunstância, Davi estava numa encruzilhada, cercado por todos os lados e desesperado. Após o juramento e a proteção de Jônatas, Davi fugindo da morte, parte em direção à terra dos seus inimigos. Por incrível que pareça, Davi encontrou mais abrigo na terra dos inimigos do que no lugar onde foi fiel e honesto.


1.3. A ironia de uma caverna

Em nossos momentos de grande desespero, vemos Deus realizar coisas interessantes e hilárias em nossas vidas (Sl 90.1-2). Davi está só, perdeu tudo, está com medo. Esse foi o pior momento de sua vida (compare com Salmos 142). Ele não tinha segurança, alimento, amigos para conversar, promessa a qual se apegar e esperança de mudança naquele momento. Você já esteve assim? Tudo o que faz é não perder Deus de vista e clamar por seu auxílio, em resposta, Deus envia quatrocentas pessoas piores do que ele. Deus faz assim. Em momentos de grandes provações, Ele envia pessoas para que possamos ajudá-las quando somos nós quem precisamos de ajuda. E que irônico! Davi se fez chefe daquele bando.


2. Antes do trono, uma caverna

Todos nós sofreremos perdas. Até Jesus teve de perder (Fp 2.5-9). Todavia, o mais importante é compreender o motivo pelo qual devemos sofrer determinadas derrotas, e o envolvimento de Deus nesses motivos. Quando Deus faz conosco o que fez com Davi, reduzindo-nos a cinzas, não faz para nos destruir, mas sim para redirecionar a nossa vida.


2.1. Davi e as cinzas

Embora Davi estivesse se sentindo um nada e aquela caverna fosse o seu lugar de refúgio, Deus resolveu enviar para lá as pessoas que Davi jamais pensou encontrar. Primeiro, sua família. Será que já observamos que em momentos de grande provação a família pode ser nossa única fonte de ajuda? Depois, os quatrocentos mais indesejados e sofridos da nação. Aquela era, sem dúvida, a caverna dos injustiçados. Davi chegou a Adulão reduzido a cinzas. A perspectiva humana neste ponto é capaz de mostrar: “acabe com sua vida, você não tem mais nada”. Mas Deus diz: “estar em uma caverna é motivo para não mais viver, para não ver o final que projetei para sua vida?" Não. A caverna não significa o fim das coisas, mas um tempo em que Deus começa a redirecionar a vida de quem nela está (SI 91.1-2). Deus fez isso com Davi, faz com cada um de nós. Deus sempre sopra as cinzas para que o fogo do Espírito possa renascer outra vez.


2.2. Davi e os que estavam em aperto

“E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso” (ISm 22.2). Três grupos de pessoas se destacam aqui: 1) Os que se achavam em aperto. O termo hebreu aqui não significa apenas “em aperto (dificuldade)”, mas “sob pressão, debaixo de estresse”. Centenas de pessoas estavam assim ao lado de Davi; 2) “todo homem endividado” foi para lá. O termo hebraico usado aqui é “nashah”, que significa: “tomar dinheiro emprestado a juros, ter vários credores”. Eram pessoas que não tinham condições de quitar suas dívidas; 3) “todos os amargurados de espírito”. O termo usado aqui é “maar nephesh”, que significa: “estar com a alma atormentada, receber maus-tratos”. Os sentimentos dessas pessoas ilustram perfeitamente como o povo sofria com o governo de Saul e sua administração. Esse grupo de derrotados se tornou mais tarde um grupo de heróis valentes. Deus os uniu num tempo escuro da vida não para reclamar, mas para um ajudar o outro.


2.3. Deus prepara reis e exércitos na caverna

Davi se sente injustiçado, não sabe por que, de repente, tudo ruiu, essa é a razão de estar na caverna (SI 82.2). Mas Deus está trabalhando e vai soprando para lá seu projeto de reinado sem que Davi possa ainda compreender. A notícia correu e quatrocentos homens chegam até lá. A caverna que antes era um refúgio, agora se transforma em um campo de treinamento, para aqueles que, mais tarde, seriam reconhecidos como “os valentes de Davi”. Isso mesmo, aquele bando de gente renegada se transformaria em seus poderosos homens de guerra e, mais tarde, ao assumir o trono, eles se tomariam seus ministros de gabinete. Foi exatamente no momento da desgraça que Deus abriu os olhos de Davi para que visse algo além das lentes oculares. Numa caverna escura e sem esperança, Deus preparava um rei e um exército poderoso (J13.10).


3. As lições da caverna

Sempre quando passamos por momentos de grandes dificuldades, damos mais atenção à dor e ao sofrimento do que ao potencial que existe dentro de cada um de nós. Davi se superou naquela caverna, lá ele conquistou um grupo de pessoas que se tornaram os amigos mais fiéis que já teve, após ter conhecido Jônatas.


3.1. Davi soube aceitar a caverna

Todo sofrimento, ao princípio, não permite visualizar a finalidade divina. Faz tempo que nosso cristianismo está sem cruz, sem renúncia, sem angústias. Parece que os dias atuais estão marcados por mensagens como modelos, receitas e passos para sermos felizes, onde a cruz foi trocada por bens conquistados na terra. Precisamos realmente de uma caverna. Ao chegar à caverna, Davi está arrasado, mas não desistiu da vida, fez o que era correto, clamou ao Senhor (SI 34, 57, 142). Como resposta, Deus não lhe envia socorro, mas pessoas iguais a ele, em tristezas. Pessoas que não precisavam de críticos, de culpa ou aflição, pessoas que precisavam de encorajamento. O que fez Davi? Aceitou a caverna, usou suas habilidades e os treinou. Davi transformou aqueles homens, acrescentando às suas vidas ordem, disciplina, caráter e direção.

3.2. A vida cristã inclui uma caverna escura
Caverna nunca foi novidade na vida de quem Deus tem grandes projetos a realizar. Davi, Gideão, Elias, Jesus, e muitos outros tiveram que experimentá-la. A questão crucial de nossas vidas não é estar em uma caverna, mas o que faremos quando nela entrarmos. Davi era um grande general e não usou sua língua para murmurar, usou suas habilidades para treinar aqueles homens (Pv 24.10). Ficamos sabendo mais tarde que os homens de Davi se tomaram exímios no uso da espada e do arco e flecha, aprenderam a se comportar na batalha e a manter a disciplina nas fileiras. Davi os transformou de derrotados em heróis. Onde eles praticaram? Gideão usou uma caverna para malhar trigo e de lá saiu herói, Elias fugindo para a caverna encontrou-se com Deus, comeu pão, e depois caminhou quarenta dias. Jesus ficou três dias numa caverna (Mt 28.59-60), mas ressuscitou de lá para reinar. E você o que fará?


3.3. Da caverna para o trono

Os grandes homens de Deus tiveram de aprender a dura e sublime lição de confiar apenas no Senhor, e para isso, o Senhor utilizou o método da caverna, das perdas e da solidão. Com Davi, Deus retirou todas as muletas que o poderiam amparar, conduzindo-o ao fundo do poço, onde somente havia duas opções, voltar, ou aceitar e seguir adiante. O que Davi perdeu? Tudo. Mas o que conquistou naquela caverna? Uma nova fase de vida. Ele jamais poderia imaginar que Deus o colocou no ponto mais baixo de sua vida para que de lá emergisse com um grupo de heróis, tomando-se deles seu líder e rei. Foi nesse ponto escuro da vida, que Deus redirecionou a vida de Davi. Não nos lamentemos por estar em uma caverna, quem sabe, Deus não está nos preparando para reinar?


Conclusão

Se até mesmo Jesus teve de passar pela solidão, obscuridade, anonimato, espera, e caverna, quem somos nós para murmurar diante daquilo que ainda nos é obscuro? Deus tem seus momentos e seus lugares específicos para depurar nossas almas e nos colocar na posição que Ele deseja. Deixemos que trabalhe e estejamos atentos aos acontecimentos.

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