terça-feira, 19 de novembro de 2013

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 8 - Revista da Editora Betel



Davi: Um Israelita Vivendo na Terra dos Filisteus
24 de novembro de 2013

TEXTO AUREO
“E Davi feria aquela terra, e não dava vida nem a homem nem a mulher, e tomava ovelhas, e vacas, e jumentos, e camelos, e vestes; e voltava e vinha a Aquis”. ISm 27.11

VERDADE APLICADA
A visão horizontal pode nos conduzir a um raciocínio pessimista, capaz de nos fazer ver a terra do inimigo como um lugar de refúgio.

TEXTOS DE REFERÊNCIA
ISm 27.1 - Disse, porém, Davi no seu coração: Ora, algum dia ainda perecerei pela mão de Saul; não há coisa melhor para mim do que escapar apressadamente para a terra dos filisteus, para que Saul perca a esperança de mim, e cesse de me buscar por todos os termos de Israel; e assim escaparei da sua mão.
ISm 27.3 - E Davi ficou com Aquis em Gate, ele e os seus homens, cada um com a sua casa; Davi com ambas as suas mulheres, Ainoã, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita.
ISm 30.1 - Sucedeu, pois, que, chegando Davi e os seus homens ao terceiro dia a Ziclague, já os amalequitas tinham invadido o sul, e Ziclague, e tinham ferido a Ziclague e a tinham queimado a fogo.

Introdução
A unção está trabalhando na vida de Davi, e agora ele vive mais uma etapa de onde as incertezas e o medo da morte o conduziram a tornar-se o que jamais pensou. Ele parece estar atordoado, e vai buscar escape exatamente na terra dos seus inimigos, os filisteus, cujo maior herói ele próprio havia derrotado.

1. Vivendo em tempos sombrios
Na terra dos filisteus, Davi viveu como um filisteu embora fosse um israelita. Seu pessimismo o fez ver um futuro sombrio, onde as promessas de Deus foram esquecidas. Neste ponto de sua provação, Davi resolveu olhar a vida sob a ótica humana e tomou o caminho errado. Durante um ano e quatro meses, ele viveu em desobediência (ISm 27.7). Vejamos.

1.1. Atitudes incorretas em momentos sombrios
“Disse, porém, Davi no seu coração” (ISm 27.1). Davi toma uma decisão sem Deus, segundo seu próprio coração, achando que ir para a terra dos filisteus resolveria seu problema. Davi não esperou o tempo de Deus, estava assustado, havia-se esquecido da unção, e a única coisa que pensava é que um dia Saul o poderia matar. O que Davi pensou? Deus não está comigo, se não fugir uma hora eles me apanham. Seguramente Saul não iria procurá-lo no acampamento inimigo. Mas o problema é que, na terra do inimigo, Davi teve que viver como um deles, fugindo inteiramente do exemplo de homem segundo o coração de Deus. Ele ouvira predições sobre sua futura exaltação pela boca de Samuel, Jônatas, Saul e Abigail (ISm 24.20). Mas optou por uma decisão própria e racionalmente carnal.

1.2. Nossas decisões podem pôr em risco outras pessoas
Davi era um líder, e ao decidir deixar o deserto de Israel para viver na terra dos filisteus não foi sozinho, mas levou consigo suas mulheres e seus guerreiros (ISm 27.2 e 3). Devemos ter muito cuidado com as decisões que tomamos, porque não vivemos independentes de outras pessoas. Quando tomamos uma decisão errada, escolhemos o curso fora dos planos de Deus, podemos afetar seriamente as pessoas que confiam e dependem de nós, que embora inocentes, são contagiados pela loucura de nossas decisões. Em Gate, Davi se viu livre de Saul, mas encontrou-se consigo e com uma vida insensata e vil. Em Gate, Davi viveu uma vida carnal, com uma falsa segurança e uma falsa identidade.

1.3. Vivendo um estilo de vida desobediente
Em Gate, Davi deixou de servir a causa divina para servir a causa do adversário. Davi pede a Aquis um local para habitar e se denomina “servo de Aquis” (ISm 27.5). Esse é um período muito obscuro na vida de Davi, onde o maravilhoso cantor de Israel ficou emudecido, ele não podia cantar a canção do Senhor numa terra onde estava dominado pela influência do inimigo. Davi passou um período muito longo em Gate, o desespero o levou a viver no mundo perdido e literalmente ele se esqueceu de Deus. Em Gate, Davi não fez uma oração, não compôs salmo algum, esteve vivendo como Ló em Sodoma, sendo intoxicado pelo estilo de vida vergonhoso daquela cidade. Evitemos tomar decisões segundo nossos corações, não sabemos sobre o amanhã, mas se temos uma promessa, Deus a cumprirá no tempo dEle. Esse Davi de Gate nada se parece com o Davi que disse: “esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor (Sm 40.1).

2. O Davi filisteu
Davi optou por esse caminho, Deus não o mandou fugir para a terra dos filisteus. E para viver em paz nessa terra, ele teve que viver camuflado, era israelita por dentro, mas filisteu em suas atitudes. Ele teve que optar por um novo estilo de vida. Lá passou a mentir, roubar, saquear cidades e a viver como um bandido.

2.1. Coração israelita, atitudes de filisteu
“E Davi não deixava com vida nem a homem nem a mulher, para trazê-los a Gate, dizendo: Para que porventura não nos denunciem, dizendo: Assim Davi o fazia. E este era o seu costume por todos os dias que habitou na terra dos filisteus” (ISm 27.11). Durante dezesseis meses, esse foi o quadro da vida mentirosa de Davi. Os gesuritas, gersitas e amalequitas eram inimigos de Israel, mas não dos filisteus. Davi tinha que prestar contas a Aquis, deveria trazer relatório do que fazia, e quando voltava, mentia, dizendo que havia atacado “o sul de Judá, o sul dos jerameelitas, e o sul dos queneus”, fazendo-se passar por inimigo de seu povo e aliado dos filisteus. Davi matava inocentes para não ser descoberto, vivia sob um manto de segredo, levando Aquis a acreditar que havia se tomado um deles (ISm 27.8,9,12).

2.2. Um homem sem identidade
Em Gate, Davi enfrenta uma verdadeira crise de identidade, ele nem é completamente filisteu, nem completamente israelita. Como um cristão carnal, Davi não se sente confortável nas coisas de Deus, e passa a viver no abismo. Perder a identidade é o primeiro efeito produzido por uma vida carnal. Davi está passando por cima de tudo o que sempre acreditou em sua vida, quem era, qual sua missão, por que fora ungido, e a quem deveria ser leal. O que era agora? Um homem sem pátria, sem identidade, um mentiroso e assassino desleal. Esse foi o preço pago por uma escolha racional, por não ter recebido de Deus uma direção. Não se assuste! Estamos falando de Davi, um homem segundo o coração de Deus. Achamos que nossos heróis são infalíveis, que nunca passaram pelo que passamos, e, por isso, ao tropeçar, abrimos mão de grandes promessas por nos achar incapazes. Só existe um que é perfeito, esse é Deus. Assim, ergamos nossas cabeças, sacudamos a poeira e busquemos ao Senhor (SI 105.4; Is 55.8).

2.3. Um abismo chama outro abismo
Quem vive na mentira sempre tem a oportunidade de afundar-se ainda mais. De tanto dizer que atacava o sul de Judá e se fazer parecer um filisteu, Davi fora chamado por Aquis e estava na retaguarda dos exércitos filisteus que estavam prontos para atacar o povo que Deus disse que iria governar. Davi estava na encruzilhada do destino, estava prestes a fazer algo bestial em sua vida, pois sua vida mentirosa o levou juntamente com seu povo a um abismo sem fim. Ele sabe que terá de lutar, seu “status” filisteu agora luta contra seu coração israelita, e, se não fosse a recusa dos príncipes filisteus de não confiarem em sua pessoa, ele teria matado também aqueles que um dia deveria governar. Devemos ter cuidado. Um grande vilão da vida cristã é a frustração. Davi se frustrou pela perseguição sofrida, e, na terra do inimigo, foi absorvido, e quase destruído pelo estilo de vida que adotou (ISm 29.1-11).

3. Como fazer um israelita deixar de ser filisteu?
Embora vivendo errante, Deus teve misericórdia de Davi, e para trazê-lo de volta a realidade usou o artificio que mais atrai o homem a Sua presença: a destruição. Ao sair pela madrugada e voltar para Ziclague, Davi se depara com cinzas, destruição e o desabafo de seus soldados (ISm 30. 1-6). É nesse momento que se volta para Deus e, depois de um ano e quatro meses, faz seu primeiro clamor.

3.1. Israelita saído das cinzas
Ao chegar a Ziclague, Davi vê o fruto de sua insensatez. A cidade estava destruída, todas as mulheres e crianças foram levadas cativas pelo inimigo, os amalequitas, os mesmos que Davi combatia. Quando uma pessoa se afasta de Deus, à primeira vez, sente-se feliz, livre, e até acha bom o que está vivendo. Mas, depois de algum tempo, as contas chegam, e a tal deverá arcar com os custos. Davi lamentou, e seus homens se puseram contra ele, e a única coisa que lhe restou foi buscar a Deus. Dessa vez, ele fez o que deveria ter feito antes de estar ali, buscar uma direção. É impressionante a maneira como Deus lhe responde! Mesmo agindo falsamente durante esse tempo, Deus o responde e ainda lhe garante a vitória (ISm 30.8).

3.2. Lidando com o vale de lágrimas
Ao contemplar toda aquela destruição, Davi chega ao ponto em que se pula para o esquecimento ou se atira aos pés do Senhor pedindo seu perdão. Ele finalmente aprendeu a lição de que temos escolha, porque Deus nunca desiste de seus filhos. Como ele lida com o vale de lágrimas? Como sai de um abismo tão profundo? Ele levanta os olhos e diz: “Deus me ajude!”. Mais tarde, ele é capaz de escrever com toda a certeza: “Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na hora da angústia”. Quando os dias sombrios chegarem, devemos ter pensamentos certos e olhar na direção vertical. Davi aprendeu que o vale de lágrimas não foi para destruí-lo, nem para tirar o que era dele, afinal, ele tudo recuperou (ISm 30.18,19). O vale de lágrimas vem para que nos ajoelhemos e para que levantemos nossos olhos para contemplar um Deus misericordioso, que ama e perdoa sem limites. Como precisamos aprender o que é graça!

3.3. Derrotas que trazem vitórias
No primeiro momento de tristeza e horror, somente a intervenção da graça divina podia salvar a vida de Davi. Mas essa foi a hora de sua volta a Deus. E, com as cinzas ainda quentes aos seus pés, a aflição comprimindo seu coração, a ameaça da violência em seus ouvidos e a amarga contrição na consciência, ele “se fortaleceu no Senhor” (ISm 30.6b). A partir daquela hora, ele voltou a ter sua antiga personalidade, forte, alegre e nobre. Após meses de negligência, pediu a Abiatar que trouxesse o éfode, e procurou saber qual era a vontade de Deus. Então, com maravilhoso vigor, saiu em perseguição dos invasores e recuperou tudo, inclusive sua dignidade. Ele poderia realmente afirmar que Deus o havia tirado de um charco de lodo e firmado os seus pés sobre uma rocha (SI 40.2).

Conclusão
Decisões erradas podem nos conduzir a lugares errados e uma vida errada. O que Davi fez na hora da destruição era para ter feito no momento da perseguição. Tomar decisões sem o consentimento de Deus não acarreta somente problemas para nós, mas a todos que conosco convivem. Deus jamais negará o pedido de um coração quebrantado. Por isso, pensemos muito bem antes de qualquer decisão, pois elas podem ser fatais em nossas vidas.

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