domingo, 24 de novembro de 2013

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 9 - Revista da Editora Betel


O pecado de Davi com Bate-Seba

01 de dezembro de 2013



TEXTO AUREO
“Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve”. Sl 51.7



VERDADE APLICADA

Os períodos difíceis da vida geram pessoas humildes e dependentes de Deus. O perigo reside quando todas as coisas fluem perfeitamente bem.


TEXTOS DE REFERÊNCIA

2 Sm 11.2 - E aconteceu que numa tarde Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista.
2 Sm 11.3 - E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu?
2 Sm 11.4 - Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela (pois já estava purificada da sua imundícia); então voltou ela para sua casa.
2 Sm 11.5 - E a mulher concebeu; e mandou dizer a Davi: Estou grávida.


INTRODUÇÃO

Quando nos aprofundamos na história de Davi, vemos quantas facetas viveu, e como uma pessoa, mesmo sendo segundo o coração de Deus, não está isenta de ser tão obscura. O que mais nos maravilha na Escritura é que ela jamais omite os erros de seus heróis. Ela é sempre realista na historicidade daquele que dela participou, não omitindo virtude ou fraqueza, pintando o quadro exatamente como é.


1. A ociosidade e suas armadilhas

“E aconteceu que no tempo em que os reis saem à guerra... Davi ficou em Jerusalém” (2Sm 11.1). Davi já havia se tornado rei, estava no auge do sucesso, financeiramente bem, tinha muitas esposas, porém, sempre foi um homem infeliz na área sentimental. Bate-Seba era muito formosa, Davi muito carente, os olhares se encontraram, e o pecado brotou em seu coração. As setas inimigas o alvejaram exatamente quando estava descansando e não pelejando.


1.1. Examinando o pecado de Davi

Em toda história, após o pecado de Adão e Eva, não houve caso mais comentado que o pecado de Davi. Mas qual seria a diferença entre o pecado de Davi e o nosso? Primeiro o pecado dele não é maior nem menor que os nossos; segundo, o dele foi registrado para que todos pudessem ler e tornar como exemplo, o nosso não. Seu pecado foi reconhecidamente intensificado por ser quem era e pelo modo como agiu. Não precisamos defender Davi, porque isso Deus o fez, e, se Deus mais tarde o justificou, quem somos nós para colocar vírgulas onde Deus já pôs um ponto final (Rm 8.1-2). Talvez nosso maior problema, quanto aos pecados, seja o de também excluirmos quem peca, e não somente o pecado. Não temos graça suficiente para resgatar um irmão que afundou no lamaçal.


1.2. Examinando o histórico e vida de Davi

Nessa época Davi tinha cerca de cinquenta anos de idade, já reinava aproximadamente por vinte anos, e havia-se distinguido como um líder de sucesso e de grande compaixão. Davi não era um homem pervertido, era um símbolo de adoração a Deus. Mas, o pecado não respeita nossa idade ou posição, ele simplesmente nos espreita, e, se dermos ocasião a ele, ele nos vencerá. Existe, em cada ser humano, uma inclinação latente para o desejo, a qual desperta súbita e ardentemente, com um poder tão irresistível que pode dominar a carne por completo (Mc 7.21-23). Este pode surgir como: um desejo sexual, ambição, vaidade, desejo de vingança, amor pela fama, poder, ou dinheiro. Quando isso acontece, a cobiça invade a mente e a vontade do homem na mais completa escuridão, os poderes da discriminação e das decisões claras desaparecem, Deus se torna irreal, e os avisos são ignorados. Nessa hora, tudo o que se fez, e o que se é tornam-se esquecidos. Hoje entendemos porque José correu! A Bíblia manda fugir, não existem fortes nessa hora (ICo 6.16,18; lTm 6.11; 2Tm 2.22).


1.3. Examinando a cena

Davi é sucesso nacional, não tem que prestar contas a ninguém, e está descansando quando deveria estar juntamente com seu exército. As grandes batalhas que travamos às vezes surgem em momentos de descontração, lazer e ociosidade. Ao chegar ao terraço e ver Bate-Seba, Davi foi alvejado tão mortalmente por um desejo de cobiça, que esqueceu até mesmo quem era e a quem servia. Ele ignorou sua responsabilidade para com a nação, sua amizade com Deus, e o aviso de que aquela mulher tinha um dono e não poderia ser sua (2Sm 11.3). Se, por um lado Davi foi atraído, pela beleza de Bate-Sabe, por outro, ela foi descuidada em tomar banho num lugar onde sabia que poderia ser vista. Se Davi fosse à guerra não teria pecado, se Bate-Seba tivesse outra atitude não seria pedra de tropeço para Davi (Rm 14. 12.13).


2. Tentando se livrar das consequências

O adultério de Davi não foi um pecado isolado. Havia já algum tempo, que o coração de Davi estava sendo minado pelo afastamento de Deus. Para que uma forte árvore caia por terra basta apenas que um pequeno parasita venha corroê-la. O pecado trouxe consequências, como sempre traz, e Davi tentando omitir seu erro elabora um plano que o leva a um erro ainda maior.


2.1. A consequência da cobiça

Davi ficou descontrolado a ver tamanha beleza e sensualidade. Sua atitude ignorou completamente ao que deveria ter dito sim, e disse sim ao que deveria ter negado. Estava cego, possuído de desejo, incontrolável. Ambos tiveram um encontro de grande satisfação, porque Davi também não a forçou a nada. O grande problema do pecado é que ele somente apresenta o lado satisfatório, ele nunca revela que a estrada é sem saída, que o caminho é sem volta, e que as consequências são amargas. A notícia chega: “E a mulher concebeu, e enviou, e fê-lo saber a Davi, e disse: Pejada estou” (2Sm 11.5). Para disfarçar o pecado, Davi embebeda Urias, mas este não vai para casa. Davi sóbrio agiu de forma pior que Urias bêbado. O autocontrole do soldado deu ao pecado do rei um destaque terrível e vergonhoso (2Sm 11.6-13).


2.2. A carta de morte

O plano de Davi era que Urias fosse para casa e coabitasse com Bate-Seba, assim, quando nascesse a criança, não haveria vestígios de que ele seria o pai. Mas seu plano falhou, porque o fiel Urias rejeita a noite de gala com sua esposa para ser fiel ao rei traidor (2Sm 11.11). Vendo que nada dava certo, Davi perde a cabeça e comete o maior erro de sua vida. Ele escreve uma carta de morte para Urias, e pede ao próprio Urias que entregue essa carta a Joabe para que a ordem seja executada (2Sm 11.14.15). Em um só momento, Davi se torna adúltero e assassino. Joabe cumpre seu dever e, num mesmo instante, Davi destrói uma família e mancha sua reputação, o que lamentaria para o resto de sua vida as consequências da insana atitude.


2.3. Vivendo com fantasmas

Na hora da tentação, tudo pode ser maravilhoso, mas, depois do acontecido, aquele que um dia realmente teve um encontro com o Senhor não conseguirá viver em paz, pois sua alma será uma completa sequidão. Davi passou a viver nas sombras, ficou reduzido a algo que nunca foi destinado, viveu um doloroso silêncio, pois sabia que não podia mais aproximar-se de Deus como antes. Os pecados ocultos da carne trazem consigo silêncio e pesar (SI 32. 3.4). O que antes era um prazer, tornara-se uma morte lenta e vagarosa. Esses acontecimentos foram registrados para que se possa observar onde o pecado leva e quais são as suas consequências. Quando Davi olhava para Bate-Seba, não via outra coisa a não ser o fantasma de Urias.


3. Despertando a consciência de um pecador

Já havia passado um ano, mas Davi não deu sinal algum de arrependimento. Ele descreve sua condição durante esse terrível período no Salmos 32.3,4. A consciência o açoitava incessantemente e, como não se voltava para Deus, Natã foi enviado com uma parábola que o fez despertar e arrepender-se diante de Deus (2Sm 12.1-14).


3.1. Tu és o homem

Durante muito tempo, Davi viveu num mundo repleto de segredo e muita cautela, ele só não passou despercebido por uma pessoa, Deus. “Porém, essa coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do Senhor” (2Sm 11.27). Davi sabia que deveria prestar contas com Deus, até que, para seu bem, e o da nação, Deus envia Natã, um amigo destemido e cuidadoso. Mas, como comunicar o pecado a um homem da posição de Davi? A parábola de Natã foi o espelho pelo qual o rei enxergou a enormidade do seu pecado, ele foi condenado, e se condenou. Pela manifestação da verdade, Natã se impôs à consciência do rei, à vista de Deus. E, por fim, veio o golpe final. “Tu és este homem” (2Sm 12.7). Davi confessou e, de pronto, reconheceu que havia pecado contra Deus. Sua confissão foi ouvida com a pronta garantia do perdão: “Também o Senhor te perdoou o teu pecado” (2Sm 12.13).


3.2. Aceitando o castigo do Senhor

Quando Natã saiu, Davi extravasou sua breve confissão no Salmo 51. Ele sabia que estava limpo, porque fora purgado com hissopo (Êx 12.22); estava mais alvo do que a neve, porque a mão do Senhor o havia tocado, e a alegria da salvação de Deus lhe havia sido restaurada. Agora, ele se deveria curvar diante da série de más consequências que adviriam. O pecado pode ser perdoado, mas o Pai precisa castigar o filho. A criança morreu, e sentimos muito quando crianças inocentes sofrem por causa dos erros de seus pais. As consequências sofridas por Davi foram muito trágicas. Ele viu no delito de Amnon os traços de sua própria paixão, e na vingança de Absalão, seu próprio pendor para o derramamento de sangue. Uma noite de alegria pode representar muitos anos de sofrimento quando ignoramos os avisos e aquele que nos avisou. Como diz a Palavra: “não existe nada oculto que não venha a ser revelado” (Mt 10.26).


3.3. A dor que produz cura imediata

O pecado trouxe muitas dores a Davi. Ele se tornou um líder fraco e um compositor sem canções (Sl 51.3). Mas se existe uma coisa que Deus sabe, é agir no tempo certo. Deus esperou que a alegria de Davi se esgotasse para, em seguida, entrar em cena (Sl 51.12). Então, surge Natã. Por conta própria? Não. “E o Senhor enviou Natã a Davi” (2 Sm 12.1). Natã não foi enviado depois do adultério; não foi enviado quando Bate-Seba engravidou: não foi enviado quando Davi assassinou Urias; não foi enviado quando a criança nasceu. Deus esperou o tempo certo e enviou a pessoa certa. Embora tenhamos milhares de coisas a acrescentar aos atos de Davi, Deus lhe acrescentou uma que talvez não fôssemos capazes jamais, o perdão e a restituição. Como um cirurgião, Deus usa a ferramenta certa para expurgar o tumor da alma de seu ungido.


Conclusão

Para todo grande pecador, existe um grande salvador. Não existe mal que o Senhor não possa reverter. Vimos, na figura de Davi, que o pecado não respeita posições, idade, ou, se temos um coração segundo o de Deus. Ele sempre nos espreita e, nos momentos mais ociosos da vida em que estamos vulneráveis, ele se aproxima. O que está de pé deve cuidar para não cair.

2 comentários:

  1. Gilmar Pereira - Assembléia de Deus, Ministério de Goiatuba29 de novembro de 2013 07:19

    Pr Marcos André, Parabéns pelo trabalho que o senhor tem desenvolvido no Clube da Teologia, tenho certeza que o Reino de Deus tem crescido muito em conhecimento espiritual por todo o Brasil, que Deus continue sempre te abençoando com muita sabedoria e graça, para que o nome DELE seja sempre glorificado! Mais uma vez parabéns por todo seu trabalho.

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    1. Obrigado irmão Gilmar, fazer esse trabalho é um prazer, apesar de um pouco desgastante, mas o Senhor tem me ajudado grandemente. Peço que o amado irmão continue me ajudando em oração e se puder ajude a divulgar essa obra nas igrejas e com os homens de Deus que amam a Palavra do Senhor.
      Paz.

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