segunda-feira, 11 de setembro de 2017

ESCOLA DOMINICAL BETEL - Conteúdo da Lição 12


O processo de formação do discípulo II
17 de setembro de 2017


Texto Áureo
“E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me”. Lc 9.23

Verdade Aplicada
O Senhor Jesus Cristo continua chamando e estabelecendo condições para ser Seu discípulo.

Textos de Referência.

Lucas 14.25-27; 33-35
5 Ora, ia com ele uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe:
26 Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
27 E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo.

33 Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.
34 Bom é o sal, mas, se sal degenerar, com que se adubará?
35 Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no para fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Introdução
Tornar-se um discípulo de Jesus Cristo não está limitado a um culto, uma experiência espiritual isoladamente. Como disse Paul Bendor-Samuel: “Ser discípulo é um estado ativo de aprendizado e crescimento”.

1. A identidade do discípulo.
Continuando nosso estudo sobre o processo de formação do discípulo, é relevante uma profunda e sincera reflexão sobre o que significa ser um discípulo de Jesus Cristo. Como afirmou John Stott: “A razão de quase todas as nossas falhas é a facilidade que temos de esquecer nossa identidade como discípulos”.

1.1. O significado do termo “discípulo”.
Vários sentidos são encontrados nas palavras “ensinai” (Mt 28.19) e “ensinando” (Mt 28.20) na língua grega: “fazei discípulos”; “instruir”; “tornar-se um discípulo”; “ser um discipulo”; “aprendiz”; “seguidor”. É importante saber que na época era comum, como vemos em Mateus 22.16 e Mateus 9.14. Os fariseus tinham discípulos; João Batista também. Os filósofos, antes de Cristo, tinham discípulos. Assim, quando o Senhor Jesus ordenou que a Igreja fizesse discípulos de todas as nações, os apóstolos entenderam o que isso significava.

1.2. Resgatando nossa identificação como discípulo.
Tendo em vista a forte tradição religiosa católica romana no Brasil, o grande crescimento da quantidade de pessoas em nosso país que afirmam professar a fé evangélica, a multiplicação das denominações evangélicas, o forte sincretismo religioso observado, também, entre muitas igrejas evangélicas, talvez esteja na hora de resgatarmos o sentido da palavra “discípulo”, principalmente quando estivermos na prática do evangelismo e instruindo os novos convertidos.

1.3. O significado de ser um discípulo de Jesus Cristo.
Considerando o exposto anteriormente, quando Jesus chama os primeiros discípulos (Mt 4.18-22), é possível que eles não vislumbrassem, num primeiro momento, para onde Ele os conduziria e nem o tremendo impacto que causaria em suas vidas, porém sabiam bem o significado de “vinde após mim” (Mt 4.19) ou “segue-me” (Mt 9.9; Jo 1.43).

2. O que significa seguir a Jesus?
O discípulo acaba sendo identificado com a pessoa que ele está seguindo. E é preciso seguir bem de perto. Assim expressou o rabino Yose Bem Yoezer: “Deixe-se cobrir pela poeira dos pés do seu rabino”. Foi o que o próprio Jesus disse: “O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre” (Lc 6.40).

2.1. A resposta humana ao chamado de Cristo.
Ser um discípulo de Jesus Cristo é uma resposta do ser humano à manifestação da graça salvadora. Por que uma resposta? Porque a iniciativa é de Deus. Deus amou o mundo e enviou Seu Filho Unigênito (Jo 3.16); “Cristo morreu por nós, sendo nós ainda, pecadores” (Rm 5.8). No caminho de Damasco, Saulo de Tarso perguntou: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 9.6). O carcereiro de Filipos perguntou: “...que é necessário que eu faça para me salvar?” (At 16.30). Após o apóstolo Pedro terminar o primeiro anúncio da Palavra de Deus, depois da descida do Espírito Santo, aqueles que “compungiram-se em seu coração” (At 2.37), perguntaram: “Que faremos, varões irmãos?. São exemplos do ser humano respondendo positivamente ao chamado de Deus, ao Evangelho de Jesus Cristo.

2.2. A necessidade de coerência na vida do discipulo de Cristo.
Como pode uma pessoa dizer que tem Jesus, está em Jesus, segue Jesus e não ser como Ele? Como pode ser um discípulo de Jesus e não seguí-Lo? É contraditório, incoerente, engano. Não basta crer, pois os demônios também creem (Tg 2.19). Não basta profetizar, expulsar demônios e fazer maravilhas em nome de Jesus (Mt 7.22). Não basta saber quem é Jesus (Mc 5.7; Lc 4.41). Não basta apenas fazer parte de um grupo de discípulos – Judas Iscariotes também estava lá (Mt 10.1).

2.3. Identificando a verdadeira fé do discípulo de Cristo.
É preciso cuidado. É preciso pensar biblicamente. É importante refletir à luz do texto bíblico como um todo. E aí vamos entender que todo discípulo de Jesus crê. Mas nem todo que declara que crê é um discipulo (Jo 2.23-24). Uma fé que não conduz à submissão, entrega e obediência não torna uma pessoa discípulo de Jesus. Outro exemplo encontramos em João 12.42-43: “...muitos creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga. Porque amavam mais a gloria dos homens do que a glória de Deus”. Uma fé que não conduz à renúncia e à confissão pública não torna a pessoa um discípulo de Jesus.

3. Atitudes do discípulo de Jesus Cristo.
Como encontramos na Bíblia, a resposta humana ao chamado de Cristo se expressa não apenas em palavras, emoções, concordância ou admiração, mas em decisão e atitudes.

3.1. Amar a Cristo acima de tudo e todos.
Ir com Jesus e acompanha-lo é uma coisa. Ser discípulo de Jesus Cristo vai além. Para ser discípulo, precisa amar a Jesus Cristo mais do que a família e a si próprio (Lc 14.26; Mt 10.37), A palavra “aborrecer” tem o sentido de “amar menos”. O Senhor Jesus alertou sobre o conflito que pode surgir dentro da família caso um de seus membros decida seguí-Lo. De forma alguma, o discípulo de Jesus deixará de honrar pai e mãe; cumprir seus compromissos com a família. Deve ser um pacificador, mas sem comprometer seu dever para com o Senhor Jesus Cristo. Nenhum amor que temos nesta vida pode ser comparado ao que devemos ter por Ele.

3.2. Levar a sua cruz.
Quando Jesus falou “levar a sua cruz” (Lc 14.27), a multidão sabia que se tratava de um instrumento de pena de morte, comumente utilizado entre os romanos, para os escravos e criminosos. Num sentido figurado, significa enfrentar o sofrimento, provação, reprovação por parte da sociedade, vergonha e expor-se a morte. Um homem condenado carregava a cruz até o local onde seria executado. Ou seja, levar a cruz é crucificar o eu. Em outro texto diz: “tome cada dia a sua cruz” (Lc 9.23).

3.3. Renunciar tudo quanto tem.
Renúncia é parte do custo de viver como discípulo na terra (Lc 14.33). Alguns sentidos desta palavra no grego: “dar adeus a”; “despedir”; “abandonar”. É preciso que Jesus Cristo esteja acima de interesses e projetos pessoais. É necessário prontidão para deixar qualquer relação que não seja compatível com o caminho de Jesus Cristo. A título de exemplo, citamos a história da esposa de Ló, que, após sair da cidade de Sodoma, mesmo recebendo a ordem para não olhar para trás (Gn 19.17), não resistiu e “ficou convertida numa estátua de sal” (Gn 19.26) Ela e sua família receberam os anjos em casa, preparam-lhes um banquete e ouviram sobre o juízo de Deus sobre aquele lugar. Contudo, ela não deu adeus “a vida em Sodoma”! Não “abandonou” o que ficou em Sodoma!

Conclusão.
Em Romanos 8.29, encontramos que Deus chama pessoas “para serem conforme à imagem de Seu Filho”, parecidas com Ele, Enquanto caminhamos, observamos e ouvimos. É um processo. Temos muito a aprender, “até que todos cheguemos à medida da estatura completa de Cristo (Ef 4.13).

Questionário.

1. O que os discípulos sabiam bem?

2. Por que ser um discípulo é uma resposta do ser humano à manifestação da graça salvadora?

3. Qual o sentido da palavra “aborrecer”?

4. O que é renúncia?

5. O que a esposa de Ló não “abandonou”?

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