segunda-feira, 23 de abril de 2018

ESCOLA DOMINICAL BETEL - Conteúdo da Lição 5


A responsabilidade de cuidar uns dos outros
29 de abril de 2018


Texto Áureo
“Para que não haja divisão no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros”.1Cr 12.25

Verdade Aplicada
Como membros do Corpo de Cristo, temos que estar comprometidos com a responsabilidade de cuidar uns dos outros.

Glossário
Coerência: ligação entre os fatos ou as ideias;
Egocêntrica: Pessoa que atribui valor excessivo a si mesma;
Uniformidade: Característica daquilo que não apresenta diversidade entre os elementos que o compõem.

Textos de Referência.

1 Coríntios 12.12, 14, 25-27
12 Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.
14 Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.
25 Para que não haja divisão no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros.
26 De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.
27 Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular.

Hinos sugeridos.
298, 305, 400

Introdução
Todos os membros do Corpo de Cristo têm a responsabilidade de cuidar e servir uns aos outros. Não é tarefa apenas dos que lideram ou fazem parte do ministério da igreja local, mas de todos que têm o Espírito Santo.

1. A Igreja como um corpo.
A vida do discípulo de Jesus precisa ser vivida como uma rede ou conexão. Ou seja, há um entrelaçamento entre as diversas recomendações bíblicas, exigindo da nossa parte lógica e coerência (1Jo 1.7). O permanente desafio é vivenciar na prática esta conexão. Um exemplo é a figura da Igreja como um corpo (1Co 12.12; Ef 4.15-16; 5.30). No corpo, os membros estão ligados e distribuídos com lógica e coerência, de acordo com a vontade do Criador (1Co 12.18).

1.1. A utilização do termo em sentido figurado.
É notória a atração produzida pela forma em que as partes distintas do corpo cooperam. Diversos filósofos e pensadores do passado, como Platão, Filo (filósofo judeu), Josefo (historiador judeu) e teólogos rabínicos, entre outros, usavam o corpo e seus diversos membros de modo figurado para transmitir várias lições e explicar a realidade da vida humana. A ênfase era expressar e enfatizar a ideia de unidade; as diversas funções das partes (no caso os membros) são essenciais ao bem-estar da totalidade (corpo); dependência mútua dos membros; como também o comportamento do ser humano.

1.2. Igreja – Corpo de Cristo.
São diversos os textos bíblicos que mencionam o corpo como figura da Igreja, identificando-a, metaforicamente, como Corpo de Cristo (Rm 12.4-5; 1Co 12.12-31; Ef 1.22-23; 2.16; 4.4, 15-16; 5.30; Cl 1.24; 2.19). A utilização de tal figura enfatiza que a Igreja é muito mais do que um ajuntamento de discípulos de Cristo, mas a união imprescindível do povo de Deus co Cristo, como relatado em João, capítulo 15 (videira e ramos). A união com Cristo se dá pelo novo nascimento, quando, através do Espírito Santo, somos imersos no Corpo de Cristo (1Co 12.13).

1.3. Os discípulos de cristo como membros do corpo.
“Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular.” (1Co 12.27). Assim, não tem como estar em Cristo e não estar no Corpo de Cristo, sendo Ele a cabeça e nós os membros do Corpo. Logo, se somos membros do Corpo de cristo, somos diferentes, mas não independentes, pois precisamos uns dos outros. Há unidade, mas não uniformidade. São vários membros, mas um só corpo. 

2. O dever de cada discípulo de Cristo.
É interessante lembrar da pergunta que Deus fez para Caim: “Onde está Abel, teu irmão?”; e da resposta de Caim: “Não sei; sou eu guardador do meu irmão?”(Gn 4.9). O pecado afetou o relacionamento do homem com Deus e, consequentemente, o relacionamento com o próximo.

2.1. Tendências que diminuem a importância do cuidado mútuo.
São várias as tendências que têm influenciado para diminuir a importância de, como discípulos de Cristo, cuidarmos uns dos outros. Destacamos algumas que ocorrem inclusive entre membros de uma igreja local: 1) Ativismo – o excesso de ocupação contribui para não atentarmos ao próximo, inclusive no âmbito do serviço cristão. Precisamos estar sempre revendo como temos administrado o tempo em relação às recomendações bíblicas quanto ao cuidar do outro; 2) Individualismo – às vezes, esta atitude é potencializada por decepções no passado e feridas ainda não tratadas. Até como instrumento de autopreservação, a pessoa passa a evitar muito contato interpessoal.

2.2. Capacitados pelo Espírito Santo.
A ação do Espírito Santo na vida do discípulo de cristo não se restringe a conceder poder para proclamar o Evangelho (At 1.8). Também atua produzindo fruto na vida do nascido de novo (Gl 5.22). O Espírito opera, também na formação do Corpo de Cristo (1Co 12.13). Assim, estar no Espírito resulta na comunhão com os outros membros da igreja. O Espírito opera incorporando e capacitando cada membro com dons, visando o bem do Corpo (1Co 12.7), para que todos sejam beneficiados.

2.3. Todos necessitam de cuidados.
É a constatação que encontramos no texto de 1 Coríntios 12.21. A igreja de Corinto, apesar de possuir todos os dons (1Co 1.7), estava sofrendo com dissensões (1Co 1.10), contendas (1Co 1.11) e carnalidade (1Co 3.1-3). Assim, parece que havia membros que estavam se sentido como se não fossem necessários na igreja local (1Co 12.15-16). Contudo, não existe membro do Corpo de Cristo tão carente que esteja isento da responsabilidade de cuidar de outros, como não existe um membro tão completo que não necessite de cuidados: “Para que não haja divisão no corpo” (1Co 12.25).

3. Atentando às exortações bíblicas.
São inúmeras as exortações bíblicas em relação às atitudes dos discípulos de Jesus Cristo uns para com os outros (Rm 12.10; 15.7; 1Co 12.25; Gl 5.13; Fp 2.3-4; Cl 3.13; Hb 10.24-25; 1Jo 4.7). Portanto, temos ordens divinas e capacitação do Espírito Santo. Não há justificativas para não cumprirmos nossa responsabilidade de cuidarmos uns dos outros.

3.1. Servir uns aos outros.
O apóstolo Paulo exortou quanto a necessidade de a Igreja agir para não dar lugar às lutas e discordâncias entre os membros da igreja (Gl 5.15, 26). O amor é apresentado como argumento (Gl 5.13-14). Amor que é produzido pelo Espírito Santo na vida do nascido de novo (Gl 5.22). Interessante que o apóstolo está expondo acerca da liberdade, porém enfatiza: liberdade, não para pecar, mas servimos uns aos outros pelo amor (Gl 5.13). Ou seja, ou somos servos da natureza pecaminosa ou somos servos de Cristo (servidão caracterizada, também, por servir ao outro).

3.2. Resultado de transformação.
O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos registra que a pessoa que vivenciou a bondade e a misericórdia de Deus, expressará ter consciência e gratidão por essas bênçãos por meio de uma completa consagração a Deus, resultante em sua atuação, inicialmente, no Corpo de Cristo (Rm 12.4-5). Posteriormente ele registra a vida de serviço alcançando, também, a sociedade (Rm 12.9-21; 13). Não mais uma vida egoísta, isolada e egocêntrica, mas voltada para o próximo. Serviço prestado com dedicação, liberalidade, cuidado, alegria, amor, fervor perseverança e humildade, como encontramos nas recomendações paulinas no capítulo 12 de Romanos.

3.3. Serviço como consequência de comunhão com Deus.
O cuidado com o próximo precisa estar conectado com os princípios bíblicos que norteiam a vida do discípulo de Cristo. Não pode ser confundido com a disposição e consciência que uma pessoa não nascida de novo possui quanto à atenção ao outro. As mesmas recomendações dadas aos anciãos da igreja em Éfeso e a Timóteo são válidas a todo membro do Corpo de Cristo: “Olhai, pois, por vós” (At 20.28) e “Tem cuidado de ti mesmo” (1Tm 4.16). É possível que um membro da igreja se volte tanto para ajudar o outro e não atente para a necessidade de manter a vigilância, cuidado com a própria vida espiritual e buscar constante direção do Espírito Santo.

Conclusão.
As diferenças não afetam o fato de que há uma unidade, mesmo na diversidade, pois unidade não significa uniformidade. Para tanto, o Senhor distribui dons aos membros, visando o bem de todos. Nenhum membro é inútil, mas todos são necessários para “o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Ef 4.16).

Questionário.
1. Como se dá a união com Cristo?
R: Pelo novo nascimento (1Co 12.13).

2. Qual foi a resposta de Caim para Deus?
R: “Não sei; sou eu guardador do meu irmão?” (Gn 4.9).

3. O que não se restringe a conceder poder para proclamar o Evangelho?
R: A ação do Espírito Santo na vida do discípulo de Cristo (At 1.8).

4. Qual é a constatação de 1 Coríntios 12.21?
R: De que todos necessitam de cuidados (1Co 12.21).

5. O que precisa estar conectado com os princípios bíblicos que norteiam a vida do discípulo de Cristo?
R: O cuidado com o próximo (At 20.28; 1Tm 4.16).

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