terça-feira, 22 de maio de 2018

ESCOLA DOMINICAL CPAD JOVENS - Conteúdo da Lição 9


Coragem em meio à perseguição
27 de Maio de 2017


TEXTO DO DIA
“Pelo que também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação e cumpra todo desejo da sua bondade e a obra da fé com poder” (2Ts 1.11).

SÍNTESE
Não existem contrariedades que sejam capazes de destruir o projeto de Deus para nós.

INTERAÇÃO
Estimado professor, você já parou para pensar a honra que é servir a Deus por meio do ministério do ensino? Se não houvesse a Escola Dominical como seria o processo de discipulado e formação bíblica continuada em nossas igrejas? O quanto de seu ministério seria diminuído se você não atuasse como ensinador? Ao refletir essas questões é necessário reconhecermos o quanto somos agraciados por militarmos no ministério do ensino, pois no processo de preparo de cada aula, no esmero semanal de fazer o melhor para Cristo, não apenas nossos alunos são abençoados, mas nós individualmente, somos também ricamente edificados por intermédio da Palavra de Deus. Por isso, faça de seu ministério um motivo de gratidão contínua em suas orações, compreendendo que servir à Igreja de Cristo como educador é um privilégio para alguns poucos filhos de Deus, e você caro professor, é um desses bem-aventurados.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Por vivermos em um país pacífico e receptivo aos princípios do Evangelho temos, muitas vezes, dificuldade de compreender com clareza o que de fato é ser perseguido por amor a Cristo. Uma estratégia para utilizar-se nesta lição é pesquisar em sites especializados informações sobre como é a vida de cristãos em países fechados para a pregação do Evangelho. Existe inclusive uma mobilização nacional por igrejas que vivem em contextos de perseguição que é o DIP (Domingo da Igreja Perseguida). Este sempre ocorre no domingo após a comemoração do Pentecostes — em alusão ao contexto de Atos 4.

Promova entre seus alunos um momento de conscientização missionária, com o foco voltado para nações onde declarar-se cristão é assumir para si uma sentença de morte. Ore em sala por nossos irmãos perseguidos, e demonstre que os desafios enfrentados pelos tessalonicenses são compartilhados por muitos ainda hoje.

TEXTO BÍBLICO

2 Tessalonicenses 1.3-12.
3 — Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é de razão, porque a vossa fé cresce muitíssimo, e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros,
4 — de maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais,
5 — prova clara do justo juízo de Deus, para que sejais havidos por dignos do Reino de Deus, pelo qual também padeceis;
6 — se, de fato, é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam,
7 — e a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu, com os anjos do seu poder,
8 — como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;
9 — os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder,
10 — quando vier para ser glorificado nos seus santos e para se fazer admirável, naquele Dia, em todos os que creem (porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós).
11 — Pelo que também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação e cumpra todo o desejo da sua bondade e a obra da fé com poder;
12 — Para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja em vós glorificado, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO
INTRODUÇÃO
Provavelmente, alguns meses depois da escrita de 1 Tessalonicenses, a persistência de três problemas leva Paulo a escrever uma nova carta à Igreja em Tessalônica com o objetivo de novamente denunciar tais situações. As dificuldades enfrentadas pelos tessalonicenses englobam três grandes áreas: política-cultural, teológica e social; são estes: uma ferrenha perseguição promovida por judeus e pelo império, uma interpretação completamente errônea com relação a parousia (a vinda do Senhor), e o desagradável testemunho pessoal de alguns irmãos que simplesmente não queriam mais trabalhar.

Neste primeiro capítulo o apóstolo dedica-se a uma palavra de ânimo e fortalecimento àqueles irmãos que, desde a saída de Paulo daquela cidade, passavam por severas situações de intolerância, mas mesmo assim continuavam firmes no propósito de servir a Deus. Sobre esta situação, Paulo os conforta afirmando que o Senhor fará justiça.

I. COMO SE PORTAR DIANTE DAS TRIBULAÇÕES?

1. Com uma fé amadurecida.
A fé dos tessalonicenses não estagnou (2Ts 1.3). Apesar das severas tribulações, das heresias que se infiltravam naquela comunidade, eles cresceram em confiança diante do Senhor. A máxima de Paulo direcionada à Igreja em Corinto em 1 Coríntios 11.19 parece fazer todo sentido em Tessalônica: é na crise que os verdadeiros e fiéis se manifestam, assim como os fraudulentos e hipócritas também (1Tm 5.24,25). Um contexto de adversidades não deve nos intimidar, antes, devemos encará-lo como uma possibilidade de aprofundarmo-nos na fé em Jesus Cristo. A vivência de oposições deve colaborar para nosso amadurecimento, isto é, quando vivemos em tempos difíceis passamos a valorizar as coisas certas, assim como a desconsiderar como relevante aquilo que não edifica. As muitas dificuldades que os tessalonicenses enfrentavam serviram de combustível para o desenvolvimento da fé daqueles irmãos.

2. Com um amor que se multiplica.
Um dos erros mais comuns, mas ao mesmo tempo mais perigosos que cometemos em tempos difíceis, é permitir que o ódio ganhe espaço em nosso ser. Os sentimentos de injustiça, desrespeito e medo que se levantam contra nós, não podem ser alimentados, senão, enraízam em nossos corações impedindo-nos de compreender com clareza a vontade de Deus (Hb 12.15). Lembremo-nos: nossos inimigos não são terrenos ou humanos, mas espirituais e diabólicos (Ef 6.12). Ao contrário disso, diante da crise, o amor entre os tessalonicenses se multiplicou, e não apenas, como alguém poderia pensar, de maneira egoísta, internamente, mas também para com a comunidade que estava à volta deles. Por meio do amor aquela comunidade se fortalecia e conseguia superar suas limitações e oposições. Não se vence o mal com mal, mas por meio do bem, do amor, da justiça e da misericórdia.

3. Com uma paciência inspiradora.
A reação daquela jovem igreja perante tantas tribulações era exemplar; o próprio apóstolo testemunha que durante sua estadia em outras igrejas daquela região, a postura dos irmãos em Tessalônica servia de inspiração. De modo especial, Paulo fala sobre a paciência daquela comunidade, que mesmo em meio a “perseguições e aflições” (2Ts 1.4) persiste pacientemente confiando em Cristo. Este é o segredo de uma vida vitoriosa: nunca agir precipitadamente em momentos de tensão, mas ao contrário, orientar-se por uma postura paciente. Nossa paz não se deriva de posses, poderes ou palavras. Temos a capacidade de parcimoniosamente enfrentar os percalços da vida porque temos um supremo alívio vindo do Senhor (Jo 16.33). A paciência dos tessalonicenses, que se fundamentava numa fé inabalável no amor de Deus, deve inspirar-nos a crer que nenhum problema é capaz de mudar o que o Senhor sente por nós.

Pense!
Não somos chamados para sermos cristãos infantis.

Ponto Importante
Em tempos de ódios culturais aflorados, precisamos, mais do que nunca, ser multiplicadores do amor.

II. O QUE ESPERAR EM TEMPOS DE TRIBULAÇÃO?

1. Que a tribulação converta-se em instrumento de testemunho de nossa fé.
Levando em consideração tudo o que aquela igreja enfrentava, mui especialmente a intolerância por parte da população local, o que poderia garantir que eles estavam no caminho certo? Esse é um sério questionamento com o qual comumente nos deparamos em tempos de adversidade: será que estou fazendo as escolhas corretas? Que garantias tenho que Cristo está comigo se estou enfrentando tudo isso? A resposta para estas questões, segundo o próprio Paulo afirma (2Ts 1.5; Sl 11.5), são as tribulações. Isto é, as lutas que enfrentamos, e superamos com paciência e fé (v.4), é o testemunho que fala mais alto acerca de nossa espiritualidade e dignidade em Cristo. Não devemos procurar problemas. Todavia, não devemos temê-los quando esses chegam, pois Cristo está conosco.

2. Que a devida justiça seja exercida sobre os perseguidores.
Em um contexto ostensivo e de ferrenha oposição, devemos ter a certeza de que o Senhor está ao lado do justo, e que por isso o ímpio jamais prosperará (2Ts 1.6,8,9). O aparente bem-estar do injusto não deve angustiar nossos corações, pois a estabilidade de tal felicidade é frágil e de rápida desestruturação. A alegria e descanso que o Pai tem programado para nós, todavia, são eternos, estáveis e abençoadores. Não nos cabe a execução de nenhum juízo, e sim a prática cotidiana da justiça. A ação de julgar é exclusiva do Pai (Hb 10.30), quanto a nós, basta-nos acreditar que nenhum culpado será tomado como inocente, e nenhum puro será condenado pelo Senhor como perverso (Na 1.3). No dia do juízo, justos e ímpios, serão separados pelo Senhor, os primeiros para descanso eterno, já esses últimos, infelizmente para desprezo e castigo eternos (Mt 25.33-45).

3. Que o dia do descanso virá.
As tribulações um dia terão um fim! (2Ts 1.7,10) Nossa jornada, por mais cheia de percalços que possa ser, terá um ponto final, pois o plano eterno de Deus desenrola-se desta forma. Não é para o caos e o descontrole que tendem todas as coisas, o Senhor ainda coordena o universo, Ele está assentado no trono (Sl 11.4; 96.10). Para os seus santos, o Altíssimo tem preparado lugar de descanso e paz (Hb 4.1-11). É para essa esperança que devemos direcionar nossos corações, isto é, não é aqui que acaba nossa história. As muitas lutas e tribulações que enfrentamos não serão capazes de impedir o estabelecimento da eterna vontade do Pai. Nossa trajetória tem um rumo, nossos passos possuem uma direção certa; não demorará muito, e nós ouviremos do Senhor o chamado eterno para morarmos para sempre ao lado daquele que infinitamente nos ama.

Pense!
Não é necessário desejar o mal de ninguém. Cada um colherá aquilo que pessoalmente plantou.

Ponto Importante
Não devemos fazer uma apologia ao sofrimento, como se devêssemos desejá-lo, contudo, é preciso ter consciência de que enfrentaremos problemas.

III. A ORAÇÃO DE PAULO PELOS TESSALONICENSES

1. Tenham sua vocação confirmada.
Não vem dos tessalonicenses o direito à salvação; esta é uma obra exclusivamente realizada por Deus (Ef 2.8). Contudo, o Eterno exige de seus filhos um padrão ético elevado; a vida digna para qual somos chamados também é uma realização de Deus em nosso ser. Sendo o Altíssimo o protagonista de todos os atos referentes à salvação, a oração de Paulo é para que os tessalonicenses aguardassem, de modo ativo (com testemunho, obediência e fervor), a ação salvadora do Senhor (2Ts 1.11). Grandes coisas o Salvador tem a realizar na vida de todos os seus filhos. Nosso esforço, desta maneira, deve estar em crer naquilo que o Senhor é poderoso para fazer. Sabendo que é Ele quem continuamente restaurará nosso ser à imagem do Pai enquanto aguardarmos a salvação.

2. Vivam a vontade de Deus.
Paulo esclarece aos tessalonicenses que a vocação daqueles irmãos tem como finalidade cumprir a vontade do Pai. Esta é uma importante intercessão que o apóstolo faz por aquela jovem igreja, pois cotidianamente somos confrontados com essa situação a ser resolvida: obedecemos a voz do Mestre ou fazemos tudo do nosso jeito? É claro que qualquer pessoa responderá que é melhor fazer a vontade do Senhor. Contudo, muitas vezes o plano de Deus nem sempre é o mais fácil ou conveniente a nós. Que nos inspiremos no clamor de Paulo pelos tessalonicenses para crer que a mais excelente escolha é cumprir cada plano do Senhor (Sl 143.10). Sempre viveremos tribulações e adversidades, mas isso não quer dizer que estamos sozinhos. Na maioria das vezes, continuar de pé em tempos de calamidade é a prova mais contundente de que Deus está conosco (Sl 118.6,7).

3. Glorifiquem ao Senhor com suas vidas.
Aquela era uma Igreja que enfrentava fortes dificuldades. A possibilidade de haver algum tipo de repercussão negativa na espiritualidade daqueles novos irmãos era algo real. Todavia, a intercessão de Paulo pelos tessalonicenses direcionava-se no sentido de que estes reconhecessem que suas vidas tinham como finalidade a glória de Deus, e por isso, não deveriam permitir que nada lhes separassem do amor do Pai (Rm 8.35-39). Tal como os irmãos de Tessalônica, devemos viver de maneira que tudo que façamos seja para o louvor do Senhor. Muito mais importante que glorificar a Deus apenas com palavras ou discursos é viver inteiramente para a honra do Senhor.

Pense!
A salvação não vem de nós, é uma dádiva de Deus.

Ponto Importante
Somos comissionados para uma vida de doação ao Reino e ao seu Rei.

CONCLUSÃO
Os desafios que aquela jovem igreja enfrentava eram enormes. Se fizéssemos uma avaliação meramente humana da situação, o prognóstico seria dos piores. Todavia, aquela comunidade não andava por critérios humanos, mas por obra de Deus. Inspiremo-nos no exemplo de Tessalônica para enfrentar nossas lutas particulares, sempre crendo que o Senhor é nosso bondoso Pai, que jamais nos abandona.

ESTANTE DO PROFESSOR
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Vencendo as Aflições da Vida. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012.

HORA DA REVISÃO

1. Quais os três problemas que levaram Paulo a escrever uma segunda carta aos irmãos tessalonicenses?
Uma ferrenha perseguição promovida por judeus e pelo império, uma interpretação completamente errônea com relação a parusia (a vinda do Senhor), e o desagradável testemunho pessoal de alguns irmãos que simplesmente não queriam mais trabalhar.

2. Que atitudes a comunidade em Tessalônica tomou diante da contínua tribulação que ali se levantou?
Demonstrou uma fé amadurecida, multiplicou a prática do amor e pacientemente esperou a ação de Deus.

3. De que modo as lutas e tribulações que enfrentamos podem se tornar em testemunho de nossa fé?
Através de um comportamento que espelhe confiança no cuidado e amor do Pai.

4. De que modo devemos nos portar ante a prosperidade do ímpio nos tempos em que somos angustiados?
Com serenidade, sabendo que o prazer deles é fútil e logo passa, mas nossa alegria é/será eterna.

5. É possível glorificar a Deus com nossas vidas? Justifique sua resposta.
Sim, por meio do entendimento que a finalidade de nossas vidas é glorificar ao Senhor Jesus.

SUBSÍDIO
“A Completa Recompensa Virá (1.6-10)

Saber que qualquer tipo de injustiça cometida um dia terá seu julgamento é um grande incentivo que gera um sentimento de bem-estar. Deus deseja que a justiça corra como um ribeiro impetuoso (Am 5.24). Seus filhos podem ter certeza de que a impiedade não escapará do julgamento, nem a justiça deixará de ser recompensada. Paulo reafirma os dois lados da justiça de Deus. Primeiramente fala do lado negativo — aqueles que perturbarem os tessalonicenses não escaparão impunes (v.6). Esse ato de Deus não deveria ser visto como um ‘embrulho de brutalidade cruel’ que proporcionará alegria, embora a simplicidade da expressão no versículo 6 possa levar a tal pensamento (também os vv.8,9; 2Pe 2.12-17; Jd vv.10-13). Talvez estas expressões bíblicas sejam como os salmos imprecatórios, que exigem dolorosos julgamentos sobre os opressores (por exemplo, Sl 3; 58; 59), não porque alguém esteja sedento de sangue, mas por se esperar tão ansiosamente que a justiça de Deus resgate o seu povo do mal. O salário do pecado será pago pelos perseguidores — a não ser, é claro, que lhes aconteça o mesmo que aconteceu a Saulo, ou seja, que se arrependam durante a sua jornada” (ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger (Ed). Comentário Bíblico Pentecostal. 4ª Edição. RJ: CPAD, 2006. p.1414).

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