Pregadora negou viés feminista em discurso dos Gideões e defendeu posicionamento bíblico contra abusos e agressões
Por Cristiano Stefenoni

Pastora Helena Raquel debate violência em igrejas pentecostais.
A repercussão da ministração da pastora Helena Raquel, durante o 41º Gideões Missionários da Última Hora, ganhou nova dimensão na última quarta (06). Em uma entrevista em rede nacional, ela garantiu que não é feminista, que recebe relato de agressões frequentes, que usa a Bíblia para defender sua posição e criticiou a prática de silenciar os abusos para defender uma instituição religiosa.
Durante entrevista à jornalista Andrea Sadi, da GloboNews, a pastora afirmou que sua defesa das mulheres e crianças vítimas de violência não possui motivação política ou ideológica.
Segundo ela, a proposta é confrontar problemas internos da igreja a partir de princípios bíblicos. “O que eu estou fazendo é confrontar problemas internos de forma bíblica”, declarou.
Helena Raquel também rebateu críticas de que sua fala teria alinhamento com pautas feministas. Para a pregadora, existe uma diferença entre ativismo político e posicionamento espiritual diante de situações de abuso e violência.
Ela argumentou que o silêncio histórico dentro de parte das igrejas contribuiu para esconder crimes e preservar agressores em nome da reputação institucional.
Na avaliação da pastora, muitas comunidades cristãs ainda carregam uma “herança negativa” construída ao longo de décadas, baseada na ideia de que denunciar casos de violência doméstica ou abuso prejudicaria a imagem da igreja.
Helena destacou, porém, que uma instituição não pode ser responsabilizada pelos atos isolados de um indivíduo, mas se torna cúmplice quando decide ignorar ou silenciar vítimas.
A pregadora afirmou ainda que recebe frequentemente relatos de agressões, abusos e violência doméstica por meio de conferências e redes sociais, o que demonstra que o problema permanece presente em diferentes contextos religiosos.
Para ela, a repercussão da mensagem pregada nos Gideões acabou oferecendo ao tema um espaço de destaque nacional que antes não existia dentro do segmento pentecostal.
“Não tenho dúvida de que tenha gente extremamente incomodada por eu ter trazido isso a um evento como aquele”, afirmou Helena Raquel, ao comentar a resistência de parte do público evangélico à abordagem do tema em um dos maiores congressos missionários do país.
A participação da pastora na mídia tradicional também foi vista como um marco na ampliação do debate evangélico sobre violência doméstica. Ao tratar o tema como uma questão de justiça, e não apenas de aconselhamento espiritual, Helena Raquel acabou ampliando a discussão para além do ambiente religioso e deu visibilidade a denúncias frequentemente ignoradas dentro das comunidades cristãs.
Relembre o caso
A fala da pastora Helena Raquel viralizou após sua ministração no 41º Gideões Missionários da Última Hora, em Santa Catarina. Durante a pregação, ela fez declarações contundentes contra homens que agridem mulheres e abusam de crianças dentro do ambiente familiar e religioso, e que não bastava orações, era preciso denunciar o agressor, independentemente da posição dele dentro da igreja. O discurso rapidamente se espalhou nas redes sociais, dividindo opiniões entre líderes evangélicos, influenciadores cristãos e internautas.
Fonte: Portal Comunhão
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