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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

ESCOLA DOMINICAL BETEL CONECTAR JOVENS - Lição 9 / 1º Trim 2026

BEM-AVENTURADOS OS PACIFICADORES


Texto de Referência: 1 Pe 3.11

VERSÍCULO DO DIA
“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”. Mt 5.9

VERDADE APLICADA
Em um mundo repleto de guerras e conflitos, os cristãos são chamados a serem pacificadores.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
✓ Identificar o significado bíblico de “pacificador”;
✓ Reconhecer a bênção prometida aos pacificadores;
✓ Ressaltar que Deus chama os cristãos para serem pacificadores no mundo.

MOMENTO DE ORAÇÃO
Ore para que sejamos pacificadores neste mundo violento e instável.

LEITURA SEMANAL 
Seg Hb 9.15 O fruto da justiça semeia-se na paz.
Ter Rm 3.24 O pacificador é capaz de dar de comer e beber ao inimigo.
Qua Cl 1.14 Ser Bem-Aventurado é ter paz e comunhão com Deus.
Qui Sl 40.8 Somos chamados a viver em paz com todos.
Sex Gn 3.15 Cristo é o Grande Pacificador, o Príncipe da Paz.
Sáb Sl 119 Como pacificadores, levamos as Boas-Novas do Evangelho.

INTRODUÇÃO
Deus usa Sua Igreja para pregar o Evangelho, que promove a pacificação entre os homens. O salmista escreveu que o Senhor é quem pacifica os seus termos (Sl 147.14a), e o Senhor disse: “Eu faço a paz”, Is 45.7.
 
Ponto-Chave
“Ser pacificador é uma responsabilidade de todos os cristãos, que devem se esforçar para promover a paz em todas as situações.”
 
1- CONHECENDO OS PACIFICADORES
No grego, eirene significa “paz”, que em hebraico é shalom. Essa Bem-Aventurança contraria a realidade do mundo contemporâneo, que apresenta indivíduos cada vez mais agressivos.
 
1.1 O pacificador se assemelha a Cristo
O cristão que não se esforça pela paz não se assemelha a Jesus Cristo, o Príncipe da Paz (Is 9.6). O Apóstolo Paulo escreveu: "E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos", Cl 3.15. Evitar conflitos e violências faz parte da vida cristã, e isso inclui manter a paz em todos os âmbitos que frequentamos: família, círculo de amigos, ambiente de trabalho religioso.

1.2. O pacificador tem domínio próprio
O pecador não conhece o caminho da pacificação nem tem temor a Deus (Rm 3.17,18), porque não experimenta da paz que Cristo proporciona aos Seus. Essa paz inunda o interior do crente, proporciona comunhão com Deus e purifica o coração do pecado e da crueldade. E é a paz de Cristo, que excede o entendimento humano (Fp 4.7), que proporciona equilíbrio e domínio próprio ao cristão para que ele solucione os conflitos da vida.

Refletindo
“O maior Pacificador é Jesus Cristo, o Príncipe da Paz. Ele estabelece a paz entre Deus e o homem ao remover o pecado, que é o motivo do afastamento.” D. A. Carson

2- O CRISTÃO É UM PACIFICADOR
O pacificador procura estabelecer a paz com e entre todos (Hb 12.14). Ele vive em harmonia, promove a reconciliação e o amor com suas ações e palavras. Inspirado pelo exemplo de Cristo, o pacificador semeia a harmonia e reflete a Graça de Deus num mundo de conflitos.
 
2.1 A necessidade de pacificadores
Somente a paz que Cristo oferece pode nos tornar pacificadores (Fp 4.6,7), que visam o bem-comum por meio de um convívio equilibrado, a conscientização de direitos e deveres e, principalmente, a proclamação do Evangelho da paz. Os pacificadores, portanto, são essenciais para promover o entendimento mútuo. Com empatia e coragem, eles constroem pontes e transformam discórdias em oportunidades de reconciliação.
 
2.2 O Espírito Santo nos faz pacificadores
A presença do Espírito Santo em nós nos habilita a promover a paz em qualquer lugar que estejamos, uma vez que Ele nos selou pela fé em Cristo. A Bíblia associa a paz ao Espírito Santo em várias passagens (Rm 8.6; 15.13). Em Gálatas 5.22, a paz é vista como uma ação do Espírito Santo no coração dos crentes. Assim, temos paz com Deus e o próximo, o que nos faz pacificadores por excelência. 
 
3. A BEM-AVENTURANÇA DOS PACIFICADORES
Ser pacificador é uma vocação nobre, que reflete o coração de Deus em um mundo dividido. Pacificadores são aqueles que, com empatia, sabedoria e coragem, buscam apaziguar conflitos, promover reconciliação e construir harmonia onde há discórdia. Eles não apenas resolvem disputas, mas plantam sementes de amor e compreensão, vivendo como verdadeiros embaixadores da paz (Is 52.7).
 
3.1 Uma virtude do Espírito Santo
O Espírito Santo produz em nós virtudes que nos tornam mais semelhantes a Cristo. A paz é uma das virtudes do Fruto do Espírito, sendo também a expressão do Caráter de Deus e da Presença do Espírito Santo em nossa vida. Mesmo em meio às adversidades, podemos usufruir dessa quietude interior e atuar como pacificadores, dando de comer e beber ao nosso inimigo (Rm 12.20), transformando vidas e impactando o mundo ao nosso redor.
 
3.2 Os pacificadores serão chamados filhos de Deus
De todas as Bem-Aventuranças, esta é a única que promete: “serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9), precisamente pelo fato de o Pai ter dado Seu Filho para reconciliar o mundo com Ele (2Co 5.18). Com o coração guiado pela compaixão e pela justiça, os pacificadores buscam reconciliar pessoas, apaziguar tensões e construir pontes de entendimento como um reflexo do amor e da bondade de Deus. Isso os eleva à honra de serem chamados filhos de Deus, pois, ao semearem harmonia, espelham o caráter reconciliador do Pai, trazendo luz e esperança a um mundo necessitado de paz.

SUBSÍDIO PARA O EDUCADOR
Descobrimos, em 2 Coríntios 5.18-20, que Deus nos nomeou pacificadores seus. Três vezes, nesses versículos, Paulo ressalta que nós que fomos levados à paz com Deus fomos feitos pacificadores. Devemos levar os homens separados de Deus a saberem como ter paz com Ele e como sentir essa paz. Para ser pacificador, o homem precisa conhecer apenas uma verdade fundamental: Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia para podermos ter paz com Deus. O pacificador deve conhecer essa verdade e, então, comunicá-la aos que se encontram alienados de Deus. O homem não está separado apenas de Deus, mas também do próprio homem, o crente pode estar separado de outro crente. Esse não é o propósito de Deus. Depois de nosso Senhor ter falado da obra do pacificador (Mt 18.12-14), levar os perdidos a terem paz com Deus, Ele se referiu ao dever do pacificador de preservar a unidade na comunhão de crentes. (J. Dwight Pentecostal. O Sermão da Montanha. Miami, Florida: Editora Vida, 1988, pp.56,57.).
 
CONCLUSÃO
O pacificador é alguém que, antes de qualquer coisa, tem paz consigo mesmo. Ele promove a reconciliação de outros com Deus, ocasionando neles um juízo de retidão e conformidade pela mensagem do Evangelho.

Complementando
Martin Luther King Jr. entrou para a história como um exemplo do que é ser pacificador. Revestido de coragem e compromisso com os princípios bíblicos de justiça e igualdade, King buscou unir pessoas de todas as raças durante o Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos no século XX.

Eu ensinei que:
A paz é uma das virtudes do Fruto do Espírito, que expressa tanto o Caráter de Deus quanto a Presença do Espirito Santo na vida de um servo fiel.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

ESCOLA DOMINICAL CPAD JOVENS SUBSÍDIO - Lição 8 / 1º Trim 2026


AULA EM 22 DE FEVEREIRO DE 2026 - LIÇÃO 8
(Revista Editora CPAD)

Tema: A Eleição na Salvação



 

TEXTO PRINCIPAL 
“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.” (Ef 1.4).

RESUMO DA LIÇÃO
A compreensão da Eleição nos impulsiona a uma vida de entrega total a Deus, refletindo sua glória e cumprindo seu propósito no mundo.

LEITURA DA SEMANA
SEGUNDA — Ef 1.4,5 Deus nos escolheu em Cristo
TERÇA — 2Tm 1.9 A Eleição nos convida a viver segundo o propósito de Deus
QUARTA — 1Pe 1.2 Fomos eleitos para a obediência
QUINTA — 1Pe 2.9 A Eleição nos faz um povo de propriedade exclusiva de Deus
SEXTA — Ef 2.10 Fomos criados em Cristo Jesus para boas obras
SÁBADO — Rm 12.1,2 O propósito da nossa Eleição

OBJETIVOS
APRESENTAR o conceito bíblico de Eleição;
COMPREENDER a Eleição bíblica fundamentada em Jesus;
CONHECER as implicações da Eleição bíblica.

INTERAÇÃO
[...]

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
[...]

TEXTO BÍBLICO
Efésios 1.3-14.

3 — Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo,
4 — como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor,
5 — e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,
6 — para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado.
7 — Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,
8 — que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria e prudência,
9 — descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,
10 — de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;
11 — nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade,
12 — com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo;
13 — em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;
14 — o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO
Professor(a), esta lição vai falar profundamente sobre uma obra que vem da misericórdia de Deus, é a chamada Eleição. E essa misericórdia foi feita a todos, pois todos foram escolhidos por Deus para uma grande obra, mas nem todos a desejam, como veremos.
A Salvação e a Eleição estão intimamente ligadas à obra redentora de Cristo, que, por meio de seu sacrifício na cruz, nos oferece o perdão e a vida eterna. Por isso, a Eleição é uma escolha de Deus, não fundamentada em determinismos e incondicionalidades, mas em sua infinita graça e amor. Deus nos escolheu porque, em Cristo, Ele decidiu misericordiosamente nos chamar para uma vida transformada, dependente de sua graça. Assim, nesta lição, veremos que a Eleição é um ato de amor que nos convida a nos entregar plenamente a Deus, vivendo conforme sua vontade.
Convém ensinar já nesse início que a Eleição é a escolha de Deus, assim como nós escolhemos, isto é, elegemos os nossos governantes para um mandato, mas no caso da Eleição, a escolha não não é por mérito humano e nem se quer por desejo de ser salvo, pois a humanidade estava tão perdida, que nem pensava em salvação.
Notemos que a Eleição produz em nós um efeito, que é o efeito da transformação pessoal.

I. O CONCEITO BÍBLICO DE ELEIÇÃO

1. A Eleição como parte do plano redentor de Deus. 
A Doutrina Bíblica da Salvação é de grande importância. Ao refletirmos sobre ela, podemos nos perguntar: “Como Deus elege os salvos para a salvação?” A Eleição bíblica para a salvação não é incondicional, mas condicional, ou seja, ela faz parte do plano de Deus para salvar o pecador em que este deve respondê-la com arrependimento e fé. Assim, a eleição de Deus é condicional àqueles que ouvem e seguem a voz de Jesus, nosso Senhor (Jo 10.27). É essencial entender que a Eleição bíblica está fundamentada na obra de nosso Senhor Jesus, o verdadeiro Eleito, e em nossa total entrega a Ele. Deus escolheu um povo para si, com o propósito de ser testemunha de sua glória e de trazer salvação ao mundo. A Eleição aponta para a obra de Cristo, o Cordeiro escolhido, por meio do qual todos os crentes são eleitos para a salvação (Ef 1.4,5; Rm 8.29,30).
Quando entendemos que a Eleição é condicional, entendemos que somente aqueles que a desejam podem alcançá-la, ou seja, Deus estendeu a todos essa Eleição, já sabendo que nem todos a desejariam, e Deus respeita isso, pois não é propósito do Senhor que o ser humano o sirva só por obrigação, ou por falta de opção, ou ainda como se fosse uma marionete controlada por Deus.
"Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto.", Salmos 100.2

2. A Eleição no Antigo Testamento: Israel como povo escolhido. 
Quando observamos a eleição no Antigo Testamento, percebemos que se trata de uma eleição corporativa, ou seja, a eleição bíblica para salvar não diz respeito a indivíduos, mas a um povo — exceto quando se refere a uma eleição para um ministério específico, como nos casos de Abraão, Davi e Jeremias. Essa mesma perspectiva será encontrada no Novo Testamento. No Antigo Testamento, a eleição foi dirigida a Israel, não por méritos do povo, mas pela graça de Deus. O propósito da eleição de Israel era claro: ser a nação por meio da qual a promessa de salvação para o mundo seria cumprida, especialmente pela vinda do Messias (Dt 7.6-8; Is 45.4).
Com isso, entendemos que, no Antigo Testamento a Eleição possui o propósito de separar o povo pelo qual viria o Messias ao mundo. E o objetivo disso tudo era levar a salvação ao mundo inteiro, então, no geral, a Eleição de alguns tem sempre o propósito de salvar a humanidade inteira. Com isso entendemos que o Senhor não tem interesse apenas em um grupo seleto de pessoas, mas sim, em todas as pessoas, vejamos na Bíblia:
"Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?", Ezequiel 33:11
Entendemos aqui, que, embora no Antigo Testamento a Eleição tenha sido corporativa, ela tinha um propósito maior, que era de trazer o Messias para a salvação de toda a humanidade.

3. A Eleição no Novo Testamento: A Igreja como povo eleito em Cristo. 
Agora, por meio da Aliança realizada no Calvário, a Eleição é cumprida em Cristo. A ênfase do Novo Testamento sobre a Eleição recai no fato de que todos os crentes que estão em Cristo foram eleitos para a salvação, por isso ela continua sendo corporativa. Nesse sentido, a eleição se estende aos gentios por meio da pregação do Evangelho. A Igreja, então, é chamada a viver conforme essa eleição, refletindo o caráter de Deus no mundo (Ef 1.4-6; 1Pe 2.9,10). Portanto, Deus chamou um povo para si, em Cristo, e aqueles que ouvem sua voz e seguem seus passos são eleitos para fazer parte de sua obra no mundo, vivendo em harmonia com sua vontade.
Note então que, no Novo Testamento o propósito da Eleição é levar a mensagem de salvação do Senhor Jesus ao mundo inteiro. Então, ela continua corporativa, mas sempre com um propósito maior, o de alcançar todas as pessoas. Ou seja, tanto no Antigo como no Novo Testamento a Eleição foi destinada à humanidade, mas obviamente só são eleitos aqueles que se renderem a Deus, por meio do Senhor Jesus Cristo.

SUBSÍDIO I
[...]

II. A ELEIÇÃO BÍBLICA FUNDAMENTADA EM JESUS

1. Jesus, o Eleito de Deus: O Cordeiro Escolhido. 
Jesus é o “eleito” em um sentido único, pois Ele é o Cordeiro de Deus, escolhido antes da fundação do mundo para realizar a obra redentora da salvação (1Pe 1.19,20). Sua eleição inclui o sacrifício perfeito e definitivo que Ele ofereceu em nosso lugar, garantindo, assim, a eleição de todos os crentes. Ele é o primeiro eleito, cujo sacrifício na cruz assegura nossa própria eleição em Cristo. Para nós, na perspectiva bíblica pentecostal, a eleição é profundamente cristocêntrica, pois tudo gira em torno de Jesus e da sua obra redentora. Em passagens como 1 Pedro 1.19,20 e Apocalipse 13.8, vemos claramente que é em Cristo que nossa eleição se torna realidade.
Ou seja, dissemos que Jesus foi o primeiro eleito, porque Sua Eleição ocorre antes da fundação do mundo, veja na Bíblia:
"19 Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado,
20 O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós;", 1 Pedro 1.19,20
Isso aconteceu porque Deus já sabia por Sua presciência que o ser humano iria pecar, então o Senhor providenciou um plano para a salvação, e escolheu (elegeu) o Filho para cumprir esse plano. Com isso, entendemos porque o Senhor permitiu que o ser humano pecasse, deixando a árvore da ciência do bem e do mal, desguarnecida no meio do jardim do Éden. Deus já sabia de tudo que iria acontecer e já providenciou tudo de antemão.

2. A Eleição em Cristo: Todos os crentes são eleitos nEle. 
A Eleição e Jesus Cristo estão intrinsecamente ligados, pois é em Cristo que somos escolhidos para a vida eterna (Ef 1.4,5). A Eleição não acontece fora de Cristo, mas por estarmos unidos a Ele, somos chamados e eleitos para viver com Deus para sempre. Essa eleição está fundamentada na obra redentora de Cristo, que, ao sacrificar sua vida por nós, nos dá acesso à graça divina. Portanto, a Eleição é um ato de graça, feito por Cristo, que nos capacita a viver a vida eterna. Logo, todos os salvos da Igreja de Cristo são eleitos nEle, em conformidade com sua vontade (2Tm 1.9).
[...]

3. A Eleição em Cristo: Uma eleição com propósito. 
A Eleição em Cristo não é arbitrária, mas está sempre voltada para o cumprimento de um propósito divino (Ef 1.11,12). O propósito da Eleição é que os crentes vivam para a glória de Deus, refletindo seu caráter e amor no mundo. No entanto, essa vivência deve ser tanto deliberada quanto espontânea, pois nossa resposta à chamada de Deus precisa ser intencional e genuína. A santidade e o serviço a Deus são aspectos essenciais dessa vivência, mas dependem da nossa disponibilidade de nos entregarmos totalmente a Ele (1Pe 1.2). A Eleição nos chama a viver de forma fiel e obediente ao plano divino, para que tudo seja feito para a glória de Deus.
Ou seja, o comentarista está afirmando aqui, que a Eleição em Cristo é uma dádiva de Deus, mas depende de nossa resposta. Isso porque o Senhor não deseja nos forçar a nada, para que a nossa resposta seja intencional e genuína. Veja um exemplo na Bíblia:
"19 Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.
20 Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei até ele, e com ele cearei, e ele comigo.", Apocalipse 3.19,20
Assim, Jesus bate à porta, mas quem deve abrir somos nós.

SUBSÍDIO II
[...]

III. IMPLICAÇÕES DA ELEIÇÃO BÍBLICA

1. A Eleição e o Propósito Global: A missão de proclamar as Boas-Novas. 
A Eleição divina não é uma escolha isolada, mas tem um propósito global, como vemos em Mateus 28.19,20, onde a missão de proclamar o Evangelho é dada a todos os crentes. Essa responsabilidade de participar ativamente dessa missão envolve levar as Boas-Novas de salvação a todas as nações, reunindo todos os eleitos em Cristo (At 13.47). Visto que participamos dessa missão, a Eleição nos coloca no centro do plano redentor de Deus, que visa a reconciliação de todas as coisas por meio de Cristo (2Co 5.18-20). Por consequência, a Igreja, como povo eleito, é chamada a ser luz para as nações, refletindo o caráter de Deus e proclamando sua salvação. Assim, nossa missão é levar a mensagem de Jesus aos confins da terra, cumprindo o propósito divino para a humanidade.
[...]

2. A Eleição e o chamado para viver em santidade. 
A Eleição que Deus faz é o fundamento para a santidade, pois somos chamados para viver de maneira santa, assim como Ele é santo (1Pe 1.15,16). Já a Santificação é um processo contínuo, operado pela ação do Espírito Santo, que nos capacita a crescer em pureza e obediência (1Ts 4.7). Em síntese, a Eleição nos dá a capacidade de viver uma vida transformada, marcada pela conformidade à imagem de Cristo, refletindo seu caráter em nossas ações (2Co 7.1). Esse processo não é instantâneo, mas envolve uma entrega diária ao Espírito, que nos guia e molda. Em Cristo, somos eleitos para viver em santidade, como um reflexo da sua obra em nós.
Ou seja, o Espírito Santo é quem opera a santificação em nós. Claro que isso ocorre se nós assim o buscarmos, até mesmo porque, se o crente não desejar essa santificação, também ficará de fora da salvação. Porque a santificação é o único meio pelo qual podemos nos aproximar de Deus, veja dois versículos que comprovam isso:
"Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;", Hebreus 12.14
"Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;", Mateus 5.8
A santificação é o requisito fundamental para se aproximar de Deus, porque ela consiste na "separação do crente em relação ao mundo", e como Deus não está no mundo, então para que qualquer cristão se achegue a Deus, precisa também se separar do mundo:
"15 Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
16 Não são do mundo, como eu do mundo não sou.", João 17.15,16 
E note aqui, pelo verso 15, que a nossa separação do mundo é estando nós, dentro do mundo.

3. A Eleição e o chamado para o serviço no Reino de Deus. 
A Eleição é, acima de tudo, um chamado para o serviço no Reino de Deus, como vimos em Efésios 2.10, onde somos criados em Cristo para boas obras. Fomos eleitos para participar ativamente da obra de Deus, seja no ministério, no ensino, na evangelização ou em qualquer outro campo de serviço, como indicado em 1 Pedro 2.9. Essa disposição para servir é uma manifestação dessa eleição, pois, sendo escolhidos, somos chamados a viver não para nós mesmos, mas para cumprir os propósitos de Deus (Rm 12.1,2). Portanto, a verdadeira Eleição nos leva a uma vida de serviço, refletindo a graça de Deus em todas as áreas de nossa vida. Enfim, devemos ser diligentes em nossa entrega ao serviço de Deus, pois, como eleitos, estamos aqui para fazer a diferença no seu Reino.
Ou seja, todos os eleitos estão aptos ao serviço na obra de Deus, e com base nesta informação podemos acrescentar o seguinte, não é necessário grandes cargos para se começar a trabalhar para Deus de alguma forma, basta ter vontade. Não precisa ser teólogo, nem um grande comunicador, nem precisa ter dons do Espírito Santo, basta ter o Espírito Santo. A obra de Deus precisa de mais trabalhadores.
Vamos considerar a seguinte analogia: Se adquirirmos um aparelho de ar-condicionado e deixarmos ele guardado na caixa, depois de um certo tempo, ele vai enferrujar, as borrachas vão ressecar e o gás perderá as propriedades, com isso, esse aparelho perderá a sua serventia, pelo fato de não ter sido utilizado para o fim a que foi destinado. Algo semelhante acontece com o crente, pois ele foi chamado para uma finalidade, veja na Bíblia:
"Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.", Efésios 2.10
E se o crente não se colocar à disposição para trabalhar nessa finalidade, então logo vai perder a serventia e se tornar inútil para a obra e assim como o ar-condicionado que estragou e se tornou em sucata para descarte, também esse crente se estragará e se tornará em sucata para descarte.
Por isso, todos devem trabalhar na obra do Senhor. 

CONCLUSÃO
A Salvação e a Eleição, em última análise, são uma demonstração do amor imensurável de Deus por nós, como visto em sua escolha soberana em Cristo. A Eleição bíblica está centrada na obra redentora de Cristo, que nos oferece a salvação por sua graça e sacrifício. Não somos apenas salvos, mas, por meio da Eleição, somos chamados a viver uma vida de santidade, comprometidos com a evangelização e o serviço ao Reino de Deus. Portanto, a Eleição não é um fim em si mesma, mas um convite para sermos instrumentos de transformação no mundo. Assim, somos escolhidos para cumprir o propósito divino de proclamar o Evangelho e viver em conformidade com a sua vontade.
Professor(a), de todos os ensinamentos passados, sugiro uma ênfase no último subtópico, pois trata de algo prático, que é o serviço da obra de Deus.
Após essa conclusão, se desejar siga estas instruções:
- revise, com a classe, os pontos e ideias mais importantes comentados;
- elabore e faça as perguntas se houver tempo;
- convide os alunos para a próxima aula falando da próxima lição, mencionando algo interessante que vai ser tratado.

ESTANTE DO PROFESSOR
ZUCK, Roy B. (Ed.). Teologia do Novo Testamento. 4ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

HORA DA REVISÃO
1. Em quem a Eleição bíblica está fundamentada?
A Eleição bíblica está fundamentada na obra de nosso Senhor Jesus, o verdadeiro Eleito, e em nossa total entrega a Ele.
2. O que é eleição corporativa?
É a eleição bíblica para salvar que não diz respeito a indivíduos, mas a um povo.
3. Como a Eleição se estende aos gentios?
A eleição se estende aos gentios por meio da pregação do Evangelho.
4. Quem é o “eleito” em um sentido único?
Jesus é o “eleito” em um sentido único, pois Ele é o Cordeiro de Deus, escolhido antes da fundação do mundo para realizar a obra redentora da salvação (1Pe 1.19,20).
5. Onde a Doutrina Bíblica da Eleição nos coloca?
A Eleição nos coloca no centro do plano redentor de Deus, que visa a reconciliação de todas as coisas por meio de Cristo (2Co 5.18-20).

Fonte: Revista CPAD Jovens

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

ESCOLA DOMINICAL BETEL CONECTAR SUBSÍDIO - Lição 8 / 1º Trim 2026



AULA EM ____ DE _________ DE _____ - LIÇÃO 8



(Revista Editora Betel)

Tema: BEM-AVENTURADOS OS LIMPOS DE CORAÇÃO



Texto de Referência: Sl 24.3,4

VERSÍCULO DO DIA
"Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus." (Mt 5.8)

VERDADE APLICADA
Ter um coração genuinamente puro nos leva à verdadeira comunhão com Deus.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
✔ Reconhecer a importância de ter o coração limpo diante de Deus;
✔ saber que o cristão não deve ter maldade nem amargura em seu coração;
✔ ressaltar que somente a obediência à Palavra de Deus pode ajudar o jovem a trilhar por um caminho de pureza.

MOMENTO DE ORAÇÃO
Ore para que os cristãos tenham o coração livre das contaminações do mundo.

LEITURA SEMANAL
Seg Tg 1.27 A religião pura se preocupa com os órfãos e as viúvas.
Ter Pv 30.5 Toda Palavra de Deus é pura.
Qua 1Jo 1.9 O Senhor perdoa os nossos pecados e nos purifica.
Qui 1Jo 1.7 O Sangue de Jesus nos purifica de todo pecado.
Sex Sl 119.9 O jovem purifica a sua conduta vivendo de acordo com a Palavra de Deus.
Sáb Sl 24.3 Subirá o Monte do Senhor quem tem o coração puro.

INTRODUÇÃO
Professor(a), esta lição fala da pureza interior, não uma santidade perfeita, mas um interior sincero que não se corrompeu com o mundo. E neste material de apoio deixarei acréscimos para dar subsídios para você montar sua aula. 
No Sermão da Montanha, uma promessa maravilhosa é feita aos limpos de coração: eles verão a Deus (Mt 5.8). Jesus apresenta a pureza de coração como um caminho para a comunhão com Deus, revelando a importância de uma vida interior marcada por sinceridade, retidão e devoção. Em um contexto de ensinamentos sobre o Reino dos Céus, Ele enfatiza que a fé cristã vai além das aparências, pois exige um coração alinhado com a Sua boa, agradável e perfeita vontade (Rm 12.2).
Convém mencionar nesta introdução que, a promessa de ver Deus é a promessa de ir para o Céu, pois não vai acontecer de alguém ser salvo e não ver a Deus. Sendo assim, podemos considerar que as promessas feitas nas bem-aventuranças são, na verdade, vários aspectos da mesma bênção, ou seja, ser farto de justiça, herdar a terra, ser consolado, etc, se refere todas à salvação. Embora as promessas se refiram a mesma bênção, as características são diferentes. A que vamos estudar aqui, por exemplo, se refere à pureza interior, que é a característica de quem tem um coração limpo.  

Ponto-Chave
"Conservar o coração limpo requer prudência ao escolher o que vemos, ouvimos e falamos. Para isso, cercar-se de pessoas que cultivam a mesma fé e se submetem aos Mandamentos de Deus é essencial."

1. A IMPORTÂNCIA DA PUREZA DE CORAÇÃO
Nos dias de Moisés, foram introduzidos alguns cerimoniais de purificação na vida do povo de Deus; assim, simbólica e espiritualmente, as pessoas eram purificadas dos seus pecados (Nm 19.9,18–20). Por sua vez, no Sermão da Montanha, Jesus prometeu que os limpos de coração verão a Deus, e essa promessa maravilhosa reforça a importância de mantermos puro o nosso coração para vivermos livres de pecados e alinhados aos propósitos de Deus.

1.1 Cultivando um coração puro
A pureza de coração é importante para a vida cristã, pois expressa compromisso com a verdade, ausência de intenções maliciosas e pensamentos alinhados aos princípios bíblicos. Essa condição permite ao crente experimentar a promessa de “ver a Deus”, ou seja, ter comunhão profunda com Ele, conhecer Seus propósitos e desfrutar da Sua presença. Em um mundo marcado por distrações, manter o coração puro é um desafio, mas também um chamado à santidade.
Aqui o comentarista está interpretando a expressão "ver a Deus" de forma metafórica, ou seja, ver a Deus significaria então ter uma comunhão profunda com o Criador. É válido interpretar dessa forma, pois encontramos isso na Palavra do Senhor veja:
"Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos.", Jó 42.5
Jó não viu a Deus de fato, mas ele considerava que as experiências que teve e o ouvir a voz de Deus era como ver Deus. Assim, cada vez que ganhamos nossas experiências com o Senhor o podemos entender Sua vontade, Sua Palavra e sentimos a Sua presença, então estamos vendo a Deus, como Jó pôde ver. 

1.2 Cultivando um coração puro na juventude
Como pode o jovem viver uma vida pura? Segundo o salmista, o jovem pode ter uma vida pura se guardar cuidadosamente a Palavra de Deus (Sl 119.9). Manter o coração puro na juventude, embora desafiador, é uma oportunidade para construir uma vida espiritual sólida desde cedo. Nessa fase de descobertas e influências, os jovens enfrentam pressões e valores distorcidos das mídias e de amigos que não seguem a fé cristã (Pv 1.10). Por isso, é importante fazer escolhas conscientes, como: buscar orientação em Deus, meditar na Palavra e evitar ambientes que comprometam a integridade espiritual. A pureza de coração não só fortalece a comunhão com Deus, mas também estabelece alicerces para um caráter reto, trazendo paz e propósito em meio às complexidades da juventude.
Satanás possui muitas ferramentas pelas quais tenta corromper os corações dos jovens cristãos e pelas quais mantém aprisionados os corações dos ímpios, elas se chamam "distrações". Essas ferramentas servem para dar acesso aos corações, me refiro às redes sociais, jogos online, filmes, séries de TV, e amizades. Tudo isso, o inimigo utiliza para tentar corromper os nossos corações. 
Vamos aplicar de forma prática para os jovens: um jovem cristão normalmente possui atividades na comunidade em que serve a Cristo, participa das reuniões de oração, adoração e estudo da Palavra. E para o inimigo conseguir quebrar essa rotina, ele tenta introduzir as "distrações" para esse jovem e essas distrações são as redes sociais, jogos, filmes e amizades. Quando o jovem se distrai com essas coisas ele deixa de estar nas reuniões e de aprender a Palavra.
"Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.", Salmos 119.9

Refletindo
"Os puros de coração são aqueles cujo coração foi purificado, assim como Deus é puro. São aqueles que, pela fé em Jesus, foram purificados de todas as inclinações não santas." John Wesley

2. FUJA DO QUE MACULA O CORAÇÃO
Os limpos de coração não são adeptos do hedonismo, isto é, da busca pelo prazer como um bem supremo. Fugir de tudo que rouba essa pureza é um exercício constante de vigilância e santificação, porque pensamentos impuros, desejos egoístas, influências corruptas e más companhias comprometem nossa integridade e comunhão com Deus (Pv 1.10). Evitar essas armadilhas exige discernimento, oração e escolhas que honrem os valores cristãos. Ao se afastar de tudo que contamina o coração, o crente se torna apto a receber a bem-aventurança prometida por Jesus (Mt 5.8) e, quando for a hora, contemplará o Senhor face a face.

2.1 Mente pura, coração puro
A pureza da mente é essencial para manter o coração alinhado com os propósitos de Deus, porque é na mente que se originam os pensamentos que moldam nossas ações e afetam nossos sentimentos. Cultivar uma mente pura envolve rejeitar pensamentos maliciosos e meditar nas coisas de Deus, como o amor ao próximo, o louvor a Deus, a prática da oração e tudo o que permeia as Escrituras. Ter a mente pura fortalece nossa comunhão com Deus, promove a pureza de coração e nos ajuda a refletir Jesus no mundo.
Quando piscamos os olhos, a última imagem que vimos, fica gravada, pois esse é um recurso da mente, ela grava tudo o que vemos. E é aí que Satanás tenta agir, pois no meio das distrações que mencionei anteriormente, o inimigo introduz algumas imagens que seduzem. Essas imagens vêm de maneira muito sutil. Pois, um jovem que é firme em Cristo, não vai aceitar assistir a um filme erótico ou pornográfico, porém, se ele estiver rolando os feeds nas redes sociais, e no meio desses feeds vier um vídeo mais sensual, esse jovem acaba vendo, e ao se demorar assistindo, o algorítimo identifica que o usuário está inclinado a esse tipo de conteúdo e envia mais. A partir daí, para que esse jovem passe a assistir os filmes adultos é só uma questão de tempo.
"11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.
12 Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.", Efésios 6.11,12

2.2 Coração puro, atitudes equilibradas
Ter o coração puro (Mt 5.8) é viver com humildade e retidão, livre de intenções egoístas e maliciosas. Os de coração puro buscam alinhar seus pensamentos, palavras e ações com os princípios bíblicos de amor e justiça, procurando agir de maneira equilibrada, pacífica e harmônica no dia a dia. Essas atitudes se manifestam em boas escolhas, como tratar o próximo com respeito, ser generoso, perdoar as ofensas e cultivar uma vida guiada pela verdade.
O que há em nosso coração influencia as nossas escolhas. Por exemplo, se o nosso coração for egoísta, nossas escolhas serão afetadas, e assim, estaremos decidindo sempre por aquilo que nos beneficia. Se tivermos o sentimento sincero que teve Jesus, então nossas escolhas serão semelhantes às dEle.
"5 De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
6 Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,", Filipenses 2.5,6
Ou seja, Paulo está nos convidando a nutrir no coração o mesmo sentimento altruísta de Jesus, que não pensava em si mesmo. O problema do Evangelho nos dias atuais, é que muitos irmãos buscam por si e por suas casas, deixando a igreja e os irmãos para segundo plano.

3. OS PUROS DE CORAÇÃO VERÃO A DEUS
Somente os de coração puro verão a Deus (Mt 5.8). Ao se arrepender de seu pecado, Davi pediu ao Senhor: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro” (Sl 51.10).

3.1 Jesus limpa o nosso coração
Certamente, todo cristão anseia ver a Deus; por isso, é necessário permitir que a vontade dEle reine em nossa vida (Gl 2.20). Ao “nascer de novo”, somos purificados de todo pecado pelo sangue de Jesus (1Jo 1.7) e passamos a ter um coração puro (Jo 8 11).
[...]

3.2 A pureza de coração de uma criança
O coração do homem perdido está cheio de engano (Jr 17.9), por isso Jesus nos exortou a sermos como criança para entrar no Reino dos Céus (Mt 18.3). O coração puro como o de uma criança tem em sua essência sinceridade e bondade, o que transcende as complexidades da vida adulta. A criança enxerga o mundo com olhos curiosos e confiantes, sem julgamentos precipitados ou intenções ocultas, exibindo empatia e generosidade em seus gestos. Um coração assim vive livre de rancores, é aberto ao perdão, tem alegria genuína, encontra beleza nas pequenas coisas e inspira outros a voltarem-se para o Senhor.
O perdão é a única ferramenta que conserta os relacionamentos, corrige os rumos e purifica o coração. O comentarista usa a criança como exemplo, porque as crianças não possuem dificuldades para liberar o perdão. Exempl: se duas crianças tiverem brigando, basta acalmá-las e deixá-las juntas, daí é só aguardar um tempo e elas estarão brincando juntas de novo. Jesus afirmou que da boca das crianças sai o perfeito louvor, por causa de seus corações:
"E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?", Mateus 21.16
Precisamos que o Senhor crie em nós um coração puro:
"Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.", Salmos 51.10
Só Deus pode fazer isso por Seu Espírito. 

SUBSÍDIO PARA O EDUCADOR
Fica óbvio que a expressão "de coração" indica a que espécie de pureza Jesus se refere, assim como a expressão "de espírito" indica o tipo de humildade que Ele tinha em mente. Os "humildes de espírito" são os espiritualmente pobres, que diferem daqueles cuja pobreza é material. De quem, então, os "limpos de coração" estão sendo distinguidos? A interpretação popular considera a pureza de coração uma expressão de pureza interior, a qualidade daqueles que foram purificados da imundície moral em oposição à imundície cerimonial. E temos bons antecedentes bíblicos acerca disso, especialmente nos Salmos. Sabe-se que ninguém podia subir ao monte do Senhor ou ficar no Santo Lugar se não fosse limpo de mãos e puro de coração. (John Stott. Contracultura Cristã: a Mensagem do Sermão do Monte. Editora ABU. 1982, p.38.).

CONCLUSÃO
Mateus 5.8 nos convida a cultivar um coração livre de malícia, egoísmo e intenções impuras para alcançar uma comunhão autêntica com Deus. Ter o coração puro é viver com sinceridade, humildade e amor, refletindo a essência da fé cristã. Essa pureza não apenas nos aproxima de Deus, mas também nos permite uma vida de paz e plenitude espiritual.
Professor(a), recomendo que oriente os jovens a buscarem o Espírito Santo de Deus, pois é o único que pode purificar os corações.
"Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo.", Salmos 51.11
Leia essa conclusão e siga estas instruções se desejar:
- revise, com a classe, os pontos e ideias mais importantes comentados;
- elabore e faça as perguntas se houver tempo;
- convide os alunos para a próxima aula falando da próxima lição, mencionando algo interessante que vai ser tratado.

Complementando
Um coração purificado é aquele que passou pelo processo de purificação e renúncia, negando a si mesmo. Nas Bem-aventuranças, Jesus nos mostra a bênção e o privilégio que aguardam os de coração puro: ver a Deus.

Eu ensinei que:
Um coração puro é marcado por sinceridade, retidão e devoção, além de estar alinhado com a verdade a fim de ver a Deus.

Fonte: Revista Betel Conectar
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Índice dos últimos conteúdos da Escola Dominical - 1º Trim 2026


Conteúdos para a aula da EBD do dia 22 de Fevereiro de 2026 - Lição 8:

Revistas
Revista Betel Adultos - Publicado

Subsídios
Subsídio CPAD Jovens - A iniciar
Subsídio Betel Conectar - Editando 
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Conteúdos para a aula da EBD do dia 15 de Fevereiro de 2026 - Lição 7:

Revistas
Revista Betel Adultos - Publicado

Subsídios
Subsídio CPAD Jovens - Publicado
Subsídio Betel Conectar - Publicado 
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Conteúdos para a aula da EBD do dia 8 de Fevereiro de 2026 - Lição 6:

Revistas
Revista Betel Adultos - Publicado

Subsídios
Subsídio CPAD Jovens - Publicado
Subsídio Betel Conectar - Publicado 
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Conteúdos para a aula da EBD do dia 1º de Fevereiro de 2026 - Lição 5:

Revistas
Revista Betel Adultos - Publicado

Subsídios
Subsídio CPAD Jovens - Indisponível
Subsídio Betel Conectar - Publicado 
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ESCOLA DOMINICAL CENTRAL GOSPEL / JOVENS E ADULTOS - Lição 8 / ANO 2 - N° 8

Louvor em Terra Estrangeira  


TEXTO BÍBLICO BÁSICO  

Salmo 137.1-9 

1- Junto aos rios da Babilônia nos assentamos e choramos, lembrando-nos de Sião.
2- Nos salgueiros, que há no meio dela, penduramos as nossas harpas.
3- Porquanto aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos um dos cânticos de Sião.
4- Mas como entoaremos o cântico do Senhor em terra estranha?
5- Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua destreza.
6- Apegue-se-me a língua ao paladar se me não lembrar de ti, se não preferir Jerusalém à minha maior alegria.
7- Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, porque diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces.
8- Ah! Filha da Babilônia, que vais ser assolada! Feliz aquele que te retribuir consoante nos fizeste a nós!
9- Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras!

TEXTO ÁUREO 
Canta alegremente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém. 
Sofonias 3.14

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO

2ª feira - Salmo 74.1-2
O louvor ferido pelo silêncio de Deus
3ª feira -Daniel 6.10-13
Um louvor em tempos de perseguição
4ª feira - Salmo 42.1-5
Um louvor em meio à crise
5ª feira - Jeremias 29.4-7
Uma forma de louvor ético e espiritual
6ª feira - Lamentações 3.22-24
Um louvor que nasce no meio das ruínas
Sábado - Habacuque 3.17-19
Um louvor não condicionado às circunstâncias

OBJETIVOS

 Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de: 

  • compreender as emoções e a mensagem central do Sal mo 137 no contexto do cativeiro babilônico;
  • reconhecer o valor do silêncio como espaço de reflexão espiritual;
  • afirmar que o verdadeiro louvor pertence somente a Deus. 

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS 

    Caro professor, ao ensinar esta lição, conduza a classe com sensibilidade pastoral e fundamento bíblico. Estimule os alunos a refletirem sobre como o Salmo 137 expressa dor, memória e resistência sem perder a fé. Valorize a escuta e o acolhimento das experiências pessoais de exílio — sejam emocionais, espirituais ou culturais —, relacionando-as ao texto sagrado.
    Explore a tensão entre louvor e silêncio, mostrando que ambos podem ser manifestações legítimas de fidelidade a Deus. Ao abordar os versículos imprecativos, evite simplificações: apresente-os como clamor por justiça, não como modelo de vingança. Aponte para Cristo como aquele que transforma o exílio em esperança e reconciliação.
    Boa aula!

COMENTÁRIO
Palavra introdutória 
   O Salmo 137 é uma das mais intensas expressões de dor, lamento e resistência espiritual em toda a Escritura. Trata-se de uma poesia de exilados, marcada pela ausência de Deus sentida na distância do Templo, pela saudade da Cidade Santa e pela angústia de ter a fé ridicularizada pelos opressores (v. 3). 
    Nesta poesia sagrada, aprendemos que o choro também tem lugar na espiritualidade bíblica (cf. Sl 6.0; 42.3); que à saudade pode se tornar instrumento de fidelidade (vv. 5-6); e que a justiça divina pode ser invocada com veemência por corações feridos (vv. 7-9). Mais que um consolo superficial, este cântico é um convite à profundidade da alma — desconcertante, pois entrelaça louvor e memória, silêncio e resistência, adoração e clamor escatológico. 

 1.  A DOR DO DESTERRAMENTO E O CHORO JUNTO AOS RIOS DA BABILÔNIA 
    O Salmo 137 nasce da dor do cativeiro. Às margens dos rios da Babilônia, os deportados choram a perda de Sião e lutam para preservar a esperança diante da humilhação. Este cântico apresenta: o exílio como uma crise de identidade sem precedentes (1.1); a memória de Jerusalém como ato de resistência (1.2); e as lágrimas transformadas em oração (1.3). 

1.1. O exílio como ruptura do eixo espiritual 
    O desterro não foi apenas um deslocamento territorial; antes, representou uma crise teológica aguda. Judá, que tinha em Jerusalém o centro da presença de Yahweh, viu o Templo destruído (2 Rs 25.9), o sacerdócio interrompido (Lm 2.6-7) e as instituições da aliança abaladas. Longe da terra e privados do culto, muitos judeus sentiram-se abandonados por Deus (Lm 5.20). 
    Contudo, o Salmo 137 revela que a experiência com o Divino não se limita ao solo da Promessa. A dor do cativeiro expõe um povo que ainda crê, mesmo em meio às lágrimas. A ausência do espaço de adoração não apagou a consciência do pacto; pelo contrário, tornou-a ainda mais preciosa. Assim, esse cântico expressa não apenas a perda, mas também o esforço de manter viva a fé longe de casa (Ez 11.16). 

1.2. À lembrança de Sião como ato de fidelidade e identidade 
    No contexto do cativeiro babilônico, o ato de lembrar não era apenas um exercício emocional de saudade, mas um instrumento de resistência. Ao se assentarem às margens dos rios da Babilônia e chorarem “lembrando-se de Sião” (Sl 137.1), os expatriados não estavam apenas sofrendo a separação geográfica; estavam reafirmando, de forma silenciosa e poderosa, sua vocação espiritual e coletiva como povo da aliança (Lm 1.7). 
    Esse gesto ecoa até hoje. Em tempos de identidade líquida, de secularização e relativismo, recordar quem somos diante do Senhor é um ato de resistência contra a cultura pagã. Trata-se de uma confissão pública: mesmo longe do Templo, do altar e da Terra Prometida, o povo de Deus pode permanecer fiel (Dn 6.10) — porque a memória, ungida pela fé, torna-se uma fortaleza sagrada. 

1.3. As lágrimas como oração 
    Chorar às margens dos rios da Babilônia não é sinal de fraqueza, mas de devoção. As lágrimas dos deportados tornaram-se sua liturgia: quando não se pode cantar, chora-se — e esse choro é dirigido a Deus (Sl 137.1). 
    Na tradição bíblica, o lamento é uma forma legítima de oração: expressão de uma fé que continua crendo mesmo no silêncio e na dor (cf. Sl 6.6; 56.8; Lm 2.18-19). O salmista mostra que até o pranto pode ser culto, quando nasce da esperança e da fidelidade. Sentar-se e chorar é resistir ao entorpecimento da alma e à conformação com o jugo babilônico; é recusar o exílio como fim da história.
    Assim, O pranto se torna intercessão silenciosa: saudade que clama e dor que se eleva ao Pai — Aquele que recolhe as lágrimas e promete enxugá-las para sempre (Ap 21.4).

 2.  O CÂNTICO EM TERRA ESTRANHA E A AUTENTICIDADE DA FÉ 
    O Salmo 137 revela o dilema dos expatriados: cantar ou calar em terra estrangeira. A música, antes sinal de alegria e comunhão, corria o risco de se tornar espetáculo diante dos opressores. A recusa de louvar, porém, era sinal de reverência, manifesta em três atos: pendurar as harpas nos salgueiros (2.1); denunciar a ironia dos inimigos (2.2); e preservar a autenticidade da fé em terreno hostil (2.3). 

2.1, As harpas penduradas nos salgueiros 
    Ao pendurarem as harpas (Sl 137.2), os exilados realizaram um protesto silencioso (Is 24.8), afirmando que a adoração não existe para entretenimento humano, mas para à glória de Deus. O gesto foi uma recusa simbólica a banalizar o culto: “Se não estamos em Sião, não entoaremos cânticos de Sião como se estivéssemos em casa”. E a percepção de que o culto exige contexto, verdade e integridade.
    Na tradição bíblica, a harpa é mais que um instrumento musical (Gn 4.21; Sl 33.2); ela se entrelaça com a história do louvor israelita — especialmente na figura de Davi, que a tocava para acalmar Saul (1 Sm 16.23) e também a utilizou em celebrações solenes diante da arca (2 Sm 6.5). Por isso, pendurá-la não era sinal de incredulidade, mas de reverência — suspender a liturgia até que o coração pudesse restituir-lhe a voz com inteireza. 
______________________________
    QUANDO O SILÊNCIO É RESISTÊNCIA — No exílio, O que se guardava não era apenas um objeto, mas a dignidade do louvor. À harpa estava pendurada — não descartada. Permanecia ali, no salgueiro, aguardando o dia da restauração.
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2.2. A cruel ironia dos opressores 
    Os babilônios, que haviam invadido Jerusalém, destruído o Templo e deportado o povo, agora exigem que os cativos entoem os cânticos de sua terra — não como liturgia, mas como entretenimento (Sl 137.3). A tragédia é dupla: o sofrimento vira objeto de zombaria, e a adoração, espetáculo. 
    Esse pedido revela a ironia cruel dos caldeus: pedem manifestações de alegria justamente àqueles a quem fizeram chorar. Do ponto de vista teológico, trata-se de uma verdadeira profanação do Sagrado — marca característica dos impérios que não conhecem nem respeitam o Soberano de Israel. A adoração, que na compreensão veterotestamentária é ato excelso, comunitário e fundamentado na aliança (Dt 6.4-5; Sl 22.3), aqui é reduzida a mero divertimento. 

2.3. À fé em ambientes que deslegitimam a espiritualidade 
    Adorar na Babilônia não era apenas difícil — parecia impróprio. O salmista teme que entoar cânticos sagrados sob o olhar zombeteiro dos dominadores seja profanar o que é santo (Sl 137.4). Surge, assim, o conflito entre a necessidade de expressar a confiança em Deus e o risco de banalizá-la. Ele não aceita transformar o culto em espetáculo, nem adaptar sua fé à cultura do Império. 
    Esse é um gesto de honra: a recusa em moldar a espiritualidade às pressões externas (Dn 1.8). Mas o dilema não pertence apenas ao passado. Hoje também, diante do secularismo, do relativismo ou da hostilidade cultural, prestar adoração exige discernimento e coragem (Rm 12.2). Ainda que nem todo ambiente favoreça O louvor, a presença do Senhor permanece — e é isso que sustenta a fidelidade.

 3.  O CLAMOR POR JUSTIÇA E A FIDELIDADE DE DEUS 
    Se o exílio feriu a alma de Israel, também ensinou o povo a ordenar os afetos e a esperança diante do Altíssimo. No Salmo 137, a fidelidade passa pela constância litúrgica que guarda a identidade (3.1); pela alegria bem ordenada que glorifica o Senhor acima de tudo (3.2); e pelo clamor imprecativo que entrega a dor ao justo Juiz, sem ceder à violência (3.3). 

3.1, À lealdade litúrgica como distintivo da fé 
    A segunda metade do versículo 5 do Salmo 137 — “[...] esqueça-se a minha destra da sua destreza” — parece, à primeira vista, uma hipérbole; mas, na verdade, revela uma densa teologia de compromisso absoluto com Yahweh e com a aliança que Ele estabeleceu. 
    Na tradição bíblica, a “destra” (mão direita) simboliza força, ação, criatividade e culto (Ex 15.6; Sl 20.6; 89.13). Do ponto de vista hebraico, trata-se de uma autoimprecação: O salmista pede que sua própria mão perca a capacidade de tocar, agir ou produzir, caso venha a negligenciar a Cidade Santa. A “destreza”, aqui, também alude à prática do louvor: ele não deseja ser um adorador sem raiz, nem um agente do culto sem memória. Se Jerusalém — lugar da presença, da Promessa e do pacto — for esquecida, que sua “mão direita se resseque” (Sl 137.5b - NAA), pois a fidelidade que Deus requer não pode ser separada da lembrança de Suas obras.

3.2. À alegria como termômetro da fidelidade
    A fidelidade não se mede apenas 1 no corpo — na destreza da mão ou na eloquência da língua —, mas no centro da alma, onde se decidem prioridades e se firmam valores. O salmista reconhece que qualquer alegria que não inclua a restauração da comunhão com o Senhor e da Cidade Santa é secundária, menor, insuficiente (cf. Sl 43.4; 84.1-2; Is 35.10). 
    Assim, o versículo 6 (Sl 137) estabelece um princípio de ordenação afetiva: o que mais alegra o justo é exatamente o que mais glorifica a Deus (cf. 1 Co 10.31): o culto, a presença divina, a justiça e a comunhão —todos esses elementos se condensam na imagem de Jerusalém.
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    Esquecer Jerusalém não seria apenas negligência racional, mas desordem nos afetos. Séculos depois, Agostinho descreveu o pecado justamente assim: o “desordenamento do amor”. Por isso, o salmista ora para que nenhuma alegria — por mais legítima que seja — ocupe o lugar da esperança na restauração de Sião (Sf 3.14-17).
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3.3. A oração imprecativa como clamor por reparação 
    No Salmo 137, o escritor sagrado fala como membro de um povo que viu sua cidade ser devastada, o Templo profanado e vidas inocentes ceifadas pela crueldade dos invasores (2 Rs 25.7; Jr 52.10). Agora, ele vive como desterrado — humilhado. 
    O verso 7 recorda o papel cúmplice de Edom na queda de Jerusalém (cf. Ob 10-14), enquanto os versículos 8-9 — carregados de ironia e juízo poético — são dirigidos à Babilônia, a grande opressora. 
    Os salmos imprecativos são cânticos de súplica dirigidos a Deus para que Ele julgue os inimigos de Sião. Estes não devem ser lidos como simples explosões de Ódio, mas como orações litúrgicas em contextos de domínio implacável. E essencial perceber que tais composições não estabelecem normas de conduta para os aliançados, mas expressam a alma ferida que clama por justiça diante do Altíssimo. O salmista não pega em armas — a oração é sua arma. Não revida com violência — lamenta e entrega a dor Aquele que é o justo Juiz (Rm 12.19).

CONCLUSÃO 
    O Salmo 137 é o retrato da alma ferida que, ainda assim, crê. Ele nos mostra que a dimensão sagrada nas Escrituras abraça o lamento, a memória, a resistência e a expectativa do porvir. Em tempos de exílio — sejam eles geográficos, culturais, emocionais ou espirituais — somos chamados a lembrar-nos de quem somos, a resistir com fidelidade e a manter acesa a chama da esperança. 
    Louvar em terra estranha não é fugir da dor, mas enfrentá-la com a verdade da fé. É possível chorar e crer, silenciar e confiar, recordar e esperar. 
    Esta canção antiga nos convida a viver com autenticidade diante do Senhor — a colocar o sofrimento aos Seus pés e a manter a esperança, mesmo quando a música cessa. Porque, um dia, a harpa será retirada do salgueiro e o cântico novo será entoado. Até lá, permaneçamos fiéis — mesmo em terra estrangeira. Creia: Deus é conosco! 

ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO 
1. Como transformar a dor em oração e a memória em esperança? 
R.: A dor se transforma em oração quando a entregamos a Deus em lamento sincero, e a memória se torna esperança ao recordarmos Suas promessas e confiarmos em Sua fidelidade. 

Fonte: Revista Central Gospel