TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Lucas 18.1-8
1 - E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer,
2 - dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem
respeitava homem algum.
3 - Havia também naquela mesma cidade uma certa viúva e ia ter com ele,
dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário.
4 - E, por algum tempo, não quis; mas, depois, disse consigo: Ainda que não
temo a Deus, nem respeito os homens,
5 - todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que
enfim não volte e me importune muito.
6 - E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.
7- E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de
noite, ainda que tardio para com eles?
8 - Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Quando, porém, vier o Filho do
Homem, porventura, achará fé na terra?
TEXTO ÁUREO
Até quando,
Senhor, clamarei
eu, e tu não
me escutarás?
Gritarei:
Violência! E não
salvarás?
Habacuque 1.2
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira – Habacuque 1.1-4
O clamor do profeta diante do silêncio de Deus
3ª feira – Habacuque 2.1-4
Espera vigilante e fé que aprende a permanecer
4ª feira – 2 Coríntios 12.7-10
Quando Deus sustenta com Graça
5ª feira – Lucas 22.39-46
Getsêmani e rendição à vontade do Pai
6ª feira – Isaías 55.8-9
Os caminhos de Deus são mais altos
Sábado – Habacuque 3.17-19
Da perplexidade à adoração
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:
- compreender que Deus responde às orações de diferentes maneiras e continua sendo bom em todas elas;
- identificar, à luz das Escrituras, como o silêncio, a negativa, a resposta diferente e o sim de Deus trabalham a fé de quem ora;
- desenvolver uma postura de perseverança, rendição, gratidão e confiança diante das respostas divinas.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor, esta lição trata de um ponto sensível da vida
cristã: a forma como lidamos com as respostas de Deus. Por isso,
ensine com firmeza bíblica, mas também com cuidado pastoral.
Muitos alunos já experimentaram o silêncio divino, uma resposta
negativa ou caminhos que não compreenderam de imediato. Evite
tratar o tema de maneira simplista. Mostre que a fé madura não é
a ausência de perguntas, mas a disposição de continuar confiando
no Senhor, mesmo quando a resposta não vem como se esperava.
Ao conduzir a aula, procure destacar que a lição não trata apenas de tipos de resposta, mas do amadurecimento da alma que
ora. Mostre que Deus continua sendo santo, sábio e amoroso em
tudo o que faz. Leve a classe a perceber que a oração não é apenas o lugar onde apresentamos pedidos, mas também o espaço
onde Ele trata a nossa fé, corrige a nossa visão e nos ensina a
perseverar.
Boa aula!
COMENTÁRIO
Palavra introdutória
Deus sempre ouve as nossas orações (cf. Sl 65.2), mas,
nesta lição, veremos que Ele nem sempre responde no tempo
que desejamos e do modo que esperamos.
De forma clássica, costuma-se dizer que há três respostas possíveis à oração: sim, não e espera, como observa Osborne. Aqui, porém, essa realidade
será apresentada em quatro faces: o
silêncio, a negativa, a resposta diferente do pedido e o sim de Deus.
O profeta Habacuque nos ajuda
a entrar nesse tema. Ele viu a violência e a maldade do seu tempo e,
angustiado, clamou por intervenção.
Mas Deus não se manifestou imediatamente (cf. Hc 1.2). E, quando respondeu, deixou o profeta ainda mais
perplexo (cf. Hc 1.5-17). Contudo, Habacuque amadurece nesse processo:
o homem que começa reclamando
termina adorando (cf. Hb 1.2-4; 3.17-
18). É exatamente esse caminho que
esta lição deseja mostrar: Como agir
com maturidade diante das diferentes respostas divinas?
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A maturidade na oração
não se revela quando
simplesmente recebemos
o que pedimos, mas
quando precisamos lidar
com o silêncio, com
a negativa divina ou
com respostas que não
compreendemos. É nesse
processo que o nosso
coração é provado. Por
isso, Jesus ensinou Seus
discípulos a perseverar na
oração (cf. Lc 18.1-8).
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1. QUANDO DEUS RESPONDE COM SILÊNCIO
1.1. O silêncio que fere a alma
Há momentos em que o crente clama, insiste e chora, mas
o Céu parece permanecer em silêncio. Em certos casos, a dor
dessa ausência pode se tornar ainda maior do que o próprio
problema que deu origem à oração. Foi esse o drama de Habacuque. Havia no profeta um sofrimento profundo pela maldade, pela injustiça e pela violência que via à sua volta, mas
era a aparente inação divina o que mais o feria. Como observa
Verhoef, é profundamente angustiante quando a oração parece não ultrapassar as nuvens, como se Deus se ocultasse.
Davi passou por algo semelhante ao perguntar até quando
seria esquecido e até quando o Senhor esconderia Seu rosto
(cf. Sl 13.1). Há momentos em que a alma piedosa se inquieta,
se quebranta e protesta em oração. Habacuque ensina que
uma coisa é murmurar contra Deus; outra, bem diferente, é levar a crise a Ele. Sua linguagem é intensa, mas ainda é oração (cf. Hc 1.2).
1.2. O silêncio que aprofunda a fé e nos ensina a
esperar
O silêncio de Deus, porém, não significa desinteresse nem
abandono. Habacuque sabia disso e, por essa razão, continuava insistindo. Deus estava conduzindo o profeta a viver pela
fé. É nesse contexto que surge a declaração de que o justo viverá pela fé (cf. Hc 2.4). O Senhor não estava tratando apenas
da crise de Judá, mas também do coração do profeta. Muitas
vezes, enquanto pedimos mudança no cenário, Ele está fortalecendo a nossa alma para atravessá-lo.
Quando Deus parece calado, a resposta não pode ser endurecer o coração, mas permanecer. Habacuque expressa
essa disposição ao se colocar em vigília, atento ao que Deus
lhe diria (cf. Hc 2.1). Depois de clamar e expor a sua dor, ele
aprende a esperar. Não se trata de um silêncio de desistência,
mas de vigilância. A fé madura não apenas fala com Deus;
também sabe permanecer diante d’Ele.
Se ainda não houve resposta, permaneça no seu posto de
oração. Não abandone esse lugar. Não deixe a sua fortaleza.
Não entregue o coração ao desespero. Permaneça. Vigie. Espere pela fé. A maturidade, diante dessa espera, está em não
desistir de orar.
2. QUANDO DEUS DIZ NÃO
2.1. O não de Deus não é falta de amor
Quando Deus responde à nossa oração com uma negativa,
Ele confronta nossos desejos, desmonta nossos planos e frustra nossas expectativas. Se a fé não estiver bem firmada, o
coração pode interpretar esse não como rejeição — mas essa
leitura é perigosa e equivocada. A negativa divina pode ser
expressão da Sua bondade e uma das formas mais elevadas
de cuidado. Ai de nós se não fossem os nãos de Deus.
Paulo experimentou essa realidade ao pedir a remoção do
espinho em sua carne e receber como resposta que a Graça
lhe bastava e que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza
(cf. 2 Co 12.7-9). Ele pediu remoção; recebeu sustentação.
Pediu alívio; recebeu amparo. A negativa não foi ausência
de amor, mas cuidado com o seu coração, para que não se
exaltasse diante das revelações que havia recebido (cf. 2 Co
12.7). O Pai vê o que o filho não vê. Por isso, o coração maduro aprende que Deus continua sendo
bom tanto quando concede quanto
quando nega, pois até a Sua recusa
pode ser proteção e expressão do Seu
amor.
2.2. A Graça que basta e a reação
madura à negativa divina
Andrew Murray observa que a oração madura não busca apenas obter
coisas de Deus, mas discernir a Sua
vontade. Quando Ele diz não, a reação
do cristão não pode ser abrir espaço
para a amargura, mas descansar em
Seu cuidado e continuar confiando. A
experiência do apóstolo Paulo ilustra
esse caminho: ele não se ressente da resposta recebida (cf.
2 Co 12.9b). Isaías também nos lembra que os caminhos do
Senhor são mais altos que os nossos (cf. Is 55.8-9).
A submissão à negativa divina requer humildade, fé e discernimento. Mesmo quando o Senhor diz não a uma petição
específica, Ele não deixa de dizer sim à Sua presença e ao
Seu propósito (cf. Rm 8.28). Por isso, o não d’Ele não deve
se tornar uma barreira, mas um altar de amadurecimento. A
maturidade, aqui, se expressa assim: diante do não, decido
descansar em Seu cuidado.
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A resposta divina ao
pedido do apóstolo Paulo
pela retirada do espinho
em sua carne — ao
afirmar que Sua Graça
é suficiente e que o Seu
poder se aperfeiçoa na
fraqueza — ensina-nos
que, quando Deus não
remove a dor, Ele concede
sustento no meio dela (cf.
2 Co 12.9).
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3. QUANDO DEUS RESPONDE DE FORMA
DIFERENTE DO QUE ESPERÁVAMOS
3.1. Quando a resposta desconcerta
Há momentos em que Deus não se cala nem simplesmente
diz não. Ele responde, mas por um caminho que não esperávamos. Foi isso que aconteceu com Habacuque. Depois de
clamar por justiça, ele ouviu que o Senhor levantaria os caldeus (cf. Hc 1.5-6). O profeta foi ouvido, mas a resposta veio
de forma diferente da que esperava. O Senhor trataria o pecado de Judá, porém por uma via que desconcertava a própria
compreensão de Habacuque.
Em outras palavras, era como se Deus dissesse: Algo precisa ser feito, e Eu estou agindo — mas não da forma que você
imaginava. Ele responde de modo diferente porque vê além
do que pedimos. Nós enxergamos um fragmento; Ele, em Sua
onisciência, contempla a totalidade. Por isso, muitas vezes, age além dos limites que estabelecemos e dos caminhos que
projetamos.
3.2. Deus vê além do que pedimos: Getsêmani e a
rendição à resposta divina
Mesmo quando pedimos com sinceridade, o fazemos dentro dos limites da nossa fraqueza (cf. Rm 8.26). Lutero observa que a forma como Deus ouve e responde às nossas orações
ultrapassa o nosso entendimento, pois aquilo que pedimos,
muitas vezes, nasce dentro da medida curta da nossa própria
impotência. Habacuque precisou passar por esse alargamento interior para se moldar a uma fé capaz de acolher a resposta divina.
Quem tem fé para clamar precisa ter fé para aceitar a resposta. Isaías nos lembra que o barro não pode contender com
o Oleiro (cf. Is 45.9). Nesses momentos, a fé amadurecida não
transforma sua limitação em tribunal contra Deus. Antes, silencia a reclamação e reverencia, pela fé, a sabedoria divina,
acolhendo o agir do Senhor.
O Getsêmani revela essa realidade em sua forma mais sublime. Jesus ora com sinceridade e rendição, submetendo Sua
vontade ao Pai (cf. Lc 22.42). O escritor aos Hebreus afirma
que Ele foi ouvido por Deus (cf. Hb 5.7). Ainda assim, o cálice
não foi afastado. Como observa J. Lanier Burns, a ressurreição foi a resposta do Pai à oração do Filho no Getsêmani. Ele
respondeu, mas de outro modo.
4. QUANDO DEUS RESPONDE SIM
4.1. O Pai que se agrada em responder
Graças a Deus, há momentos em que Ele concede aquilo
que pedimos. São ocasiões em que o crente pode reconhecer,
com júbilo, que foi ouvido. Essa alegria nos encoraja a continuar clamando e faz parte da vida de oração de todo aquele
que se aproxima do Senhor com fé.
Jesus ensinou que quem pede recebe, quem busca encontra e, a quem bate, a porta se abre (cf. Mt 7.7-8). Como observa Osborne, Deus atende à oração não apenas por amor, mas
em fidelidade ao Seu próprio nome e ao Seu caráter pactual,
inclinado a ouvir os Seus filhos e a lhes conceder aquilo de
que verdadeiramente necessitam. Quando responde com um
sim, o Senhor não apenas entrega o que foi pedido; Ele revela
o Seu cuidado paterno (cf. Mt 6.32).
4.2. O sim de Deus e a reação madura ao favor
recebido
Se a maturidade é provada no silêncio, na negativa e na
resposta diferente, ela também se revela quando Deus responde com um sim.
A bênção recebida pode expor o coração — a resposta favorável não é direito adquirido, mas dádiva, cuidado e misericórdia. Por isso, a primeira reação deve ser a gratidão. É necessário reconhecer a mão do Senhor e devolver-Lhe a glória.
O salmista declara que o Senhor se alegra na prosperidade do
Seu servo (cf. Sl 35.27).
A gratidão, porém, precisa vir acompanhada de humildade
e fidelidade. O sim de Deus não é medalha para a vaidade. A
bênção pode ser grande, mas jamais podemos nos esquecer de
que o Doador é ainda melhor. O crente amadurecido se alegra
com a resposta, mas não faz dela o centro da sua vida. Recebe
com alegria o sim do Pai, mas permanece dependente d’Ele.
A maturidade, nesse ponto, se expressa em três movimentos: reconhecimento, gratidão e honra.
CONCLUSÃO
Sem dúvida, lidar com as respostas de Deus faz parte do
amadurecimento espiritual. O silêncio, a negativa, a resposta
diferente e o sim revelam o Seu caráter e trabalham o coração de quem ora. Habacuque expressa esse caminho ao sair
da perplexidade para a alegria confiante, declarando que se
alegraria no Senhor e exultaria no Deus da sua salvação (cf.
Hc 3.18). A maturidade não elimina as perguntas, mas impede que elas destruam a confiança na bondade divina.
Por meio da oração, Deus não apenas ouve e atende pedidos; Ele também molda a nossa fé e corrige a nossa visão.
Quando se cala, espera que perseveremos. Quando diz não,
quer que desfrutemos da Sua Graça. Quando responde de outra forma, chama-nos a continuar confiando. E, quando diz
sim, espera que Lhe rendamos toda a nossa gratidão.
A grande questão não é apenas como o Pai responde, mas
como reagimos diante dessas respostas.
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. À luz da experiência de Habacuque, de Paulo e de Jesus,
como o crente deve reagir quando Deus responde com silêncio, com negativa, de forma diferente do que esperava
ou com um sim?
R.: Com perseverança no silêncio, confiança diante da negativa, rendição diante da resposta diferente e gratidão
diante do sim.
Fonte: Revista Central Gospel







