Professor(a), a lição de hoje fala de uma característica fundamental do cristão, pois não se pode imaginar um crente que não seja misericordioso, embora exista os crentes nominais que estão nas igrejas, mas não são crentes de verdade.
Estes comentários, em azul, visam acrescentar subsídios para o preparo de uma boa aula.
A palavra “misericórdia” vem do latim e é formada pela junção dos termos misere (ter compaixão) e cordis (coração). Ao ser agraciados pela misericórdia do Pai (Ef 2.4), devemos agir da mesma maneira com nossa família, amigos da escola, do trabalho e também com todos que carecem de socorro (Lc 6.36). Agir com misericórdia é capaz de levar o aflito para os caminhos do Senhor e reconduzir os desviados para os braços do Pai. Em Mateus 5.7, quando declarou que os misericordiosos alcançarão misericórdia, Ele não apenas ensinou, mas exemplificou essa verdade no Seu sacrifício na cruz, quando ofereceu misericórdia à humanidade, que pode se reconciliar com Deus.
De acordo com a etimologia da palavra apresentada aqui, podemos definir misericórdia como compaixão no coração, ou seja, é a pessoa olhar para outra e sentir íntima compaixão em seu coração por aquela vida.
Já nesse início, vale acrescentar que, a proposta do Evangelho não é somente de salvação e de passar a eternidade com Deus, mas envolve mudança de mente e atitudes no tempo presente, a fim de mostrar ao mundo o que o Evangelho de Cristo é capaz de fazer com uma pessoa. O maior exemplo que temos na Palavra de Deus é o de Cristo com a Sua obra na cruz.
Ponto-Chave
“Misericórdia é a atitude de compaixão, bondade e perdão que oferecemos ao próximo, independente de merecimento ou não.”
1. JESUS É MISERICORDIOSO
O coração bondoso de Jesus Cristo aponta para o pleno conhecimento da misericórdia (Ef 4.31,32). Ele nos manda ser misericordiosos uns com outros, porque também o Pai nos trata com misericórdia (Lc 6.36). Jesus mostrou compaixão e amor incondicional em todo o Seu Ministério terreno: acolheu os marginalizados, perdoou pecadores, curou enfermos e ofereceu esperança aos quebrantados de coração.
Esse primeiro tópico está construído em cima de dois exemplos máximos, o próprio Senhor Jesus e o caso do cego Bartimeu. Vale comentar que a misericórdia não é só uma doutrina fundamentada em palavras e discursos, mas exemplificada em ações.
1.1 O exemplo do Mestre
Cristo evidenciou a misericórdia em Sua morte vicária (2Co 5.21). A humanidade merecia o castigo eterno por causa do pecado; mas, em Sua infinita misericórdia, o Pai enviou Seu Filho para nos salvar (Tt 3.5). Essa atitude fez com que fôssemos perdoados e reconciliados com o Criador, tornando Jesus o maior exemplo do que significa ser misericordioso. Ele mostrou na prática o que é misericórdia, um sentimento que deve tanto habitar o coração quanto estar presente no dia a dia dos crentes salvos por Cristo (Sl 103.8).
Toda doutrina prática, parte de um modelo e no caso da misericórdia, o nosso modelo maior é o Senhor, veja:
"4 Mas, quando apareceu a benignidade e o amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens,
5 não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo,
6 que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador.", Tito 3:4-6
E quando recebemos de Deus um conhecimento, o que devemos fazer é passar adiante, e sobre a misericórdia em particular, o que devemos passar adiante, não é o conhecimento dela, mas as atitudes de exemplo dos que a praticaram antes de nós. Ou seja, se Jesus teve nisericórdia da humanidade, então, nós que fomos alcançados por essa misericórdia devemos ter o mesmo em relação aos nossos irmãos, quando eles pecarem ou demonstrarem fraquezas.
1.2 Bartimeu pediu misericórdia a Jesus
Cristo se comoveu de nós, por isso disse: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi”, Jo 15.16. Na Bíblia, temos o exemplo de Bartimeu, o homem cego de Jericó. Ao ouvir que Jesus se aproximava de onde ele estava, Bartimeu começou a clamar com fé, dizendo: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim”, Mc 10.47. Prontamente, o Mestre oferece Sua misericórdia infinita àquele sofredor, a quem curou e salvou (Mc 10.51,52).
Aqui são mencionadas duas ocorrências de misericórdia, uma espontânea do Mestre, em relação a nós:
"Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vos conceda.", João 15.16
Note que, diante dessa escolha que o Senhor fez, Ele afirma que nos nomeou para darmos fruto, ou seja, para colocarmos o Seu exemplo em prática.
A outra ocorrência da misericórdia de Cristo foi implorada por Bartimeu, isso mostra que, muitas vezes, o Senhor quer que nós clamemos por Ele, pois o que importa para Deus é ter relacionamento com Seus filhos. Porque Jesus sabia o que Bartimeu precisava, mesmo assim perguntou:
"E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.", Marcos 10.51
Refletindo
“Os súditos do Reino devem ser cheios de misericórdia e não insensíveis à miséria alheia. Devemos praticar a bondade em favor dos miseráveis e aflitos.” Bispo Primaz Manoel Ferreira
2. O CORAÇÃO MISERICORDIOSO
O coração transformado por Cristo é misericordioso, porque recebeu a misericórdia do Pai. Muitos agem como se fossem juízes, condenando as atitudes dos irmãos; porém, o nosso Senhor nos ensina a ter misericórdia e a não considerar as misérias do coração alheio. Essa é a essência da Compaixão e do Amor de Deus, refletidos na capacidade de acolher, perdoar e cuidar do outro sem esperar nada em troca (Lc 10.25-37).
Neste tópico vamos ver uma parte mais prática sobre essa doutrina, isto é, o que devemos fazer em relação aos nossos irmãos em Cristo.
2.1. A misericórdia como atitude cristã
Como imitadores de Cristo, devemos ser sensíveis às dores e necessidades alheias, inspirados pelas atitudes do nosso Mestre e pela busca de justiça e bondade. Isso se manifesta em gestos simples, como ouvir com atenção, oferecer ajuda ou praticar o perdão, transformando vidas e construindo pontes de esperança em um mundo tão marcado pelo sofrimento. A misericórdia, portanto, se evidencia no trato com quem não tem condições de auxiliar a si mesmo, como o bom samaritano da parábola contada por Jesus. Ele teve compaixão do viajante assaltado, espancado e quase morto, mesmo sem conhecê-lo (Lc 10.25-37).
Notamos aqui que, a prática da misericórdia não consiste somente em dar esmolas ou ajuda financeira às pessoas, mas envolve fazer o bem que a pessoa necessita no momento, e que está fora do seu alcance. Um dos ensinamentos da parábola do bom samaritano, é de aproximação para com o necessitado. Ou seja, o samaritano atendeu uma necessidade, carregando o ferido, colocando ele numa estalagem e ordenando o cuidado dele. Muitos irmãos acreditam que não podemos fechar as mãos para os que pedem esmolas no sinal de trânsito e nas ruas, porém, muitos deles são viciados querendo dinheiro para a prática de sua dependência química. Por isso, o ideal não é dar dinheiro de imediato, mas oferecer oração, e buscar saber o que realmente essa pessoa precisa, e assim o ajudar em sua necessidade.
"E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.", Lucas 10.34
Ao se aproximar, o samaritano conheceu as necessidades daquele homem, isso é ser o próximo.