"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos" (Mt 5.6).
VERDADE APLICADA
Deus sacia plenamente a alma daqueles que anseiam pela Sua justiça, desejando viver segundo a Sua vontade.
OBJETIVOS DA LIÇÃO
✔ Ressaltar que Jesus é o Único capaz de saciar a fome e a sede da nossa alma.
✔ identificar os benefícios da Justiça de Deus.
✔ reconhecer que Deus nos fará fartos pela Vida Eterna.
MOMENTO DE ORAÇÃO
Ore para que a Igreja anseie pela Justiça de Deus.
LEITURA SEMANAL
Seg Dt 32.4 Justo e reto é o Senhor.
Ter Mt 4.4 Nem só de pão viverá o homem.
Qua Sl 63.1 A nossa alma tem sede de Deus.
Qui Sl 107.9 Todos os que têm fome de Deus e da Sua justiça serão saciados.
Sex 1Pe 2.24 Deus deseja que sejamos justos.
Sab Sl 9.8 Deus julga o mundo com justiça.
INTRODUÇÃO
Professor(a), esta lição fala de um dos maiores anseios das pessoas em todo o mundo, a justiça, no entanto, algumas pessoas preferem se amoldar ao sistema mundano injusto e aceitar as injustiças, porém essa não pode ser a postura de um servo de Cristo. Neste material de apoio pretendo acrescentar conteúdos ao que já está na revista, aproveite!
Ao declarar a quarta Bem-Aventurança, Jesus faz conhecida a bênção reservada àqueles que desejam ardentemente viver em retidão e alinhados à vontade de Deus. A promessa é de que o nosso anseio profundo por justiça será plenamente satisfeito por Deus, que nos proporcionará a realização espiritual de viver com Ele pela Eternidade.
Já de início podemos verificar nessa introdução, que o cumprimento da promessa declarada por Jesus é para o futuro da Igreja no Céu e também para o presente. É bom compreendermos que, nos versículos das bem-aventuranças, normalmente há dua promessas, uma para o presente e outra para o futuro, veja:
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos" (Mt 5.6).
No presente, eles são felizes (bem-aventurados); e
No futuro, próximo e distante eles serão fartos de justiça.
1- COMPREENDENDO A JUSTIÇA DE DEUS
Em Mateus 5.6, Jesus declara que os que têm fome e sede de justiça serão saciados. Compreender a Justiça Divina nesse contexto é reconhecer que ela transcende a justiça humana, que muitas vezes busca retribuição. Jesus se refere a um anseio profundo de viver em conformidade com a vontade de Deus, alinhando-se aos Seus princípios de retidão, amor e santidade.
De fato, justiça é retribuição, seja punição pelo erro, seja louvor pela boa conduta, isso é justiça. No entanto, a justiça dos homens, requer retribuição no tempo presente, mas na justiça divina, nem sempre essa retribuição é para esse tempo.
Aqui, o comentarista está falando também de uma parte que cabe a nós, ou seja, nesse ponto, fome e sede de justiça, se refere também ao desejo de viver uma vida justa diante de Deus.
1.1. Os que têm fome e sede de justiça
Os discípulos de Cristo devem ser corretos em todos os seus negócios (Pv 11.1). Os justos, mediante a fé em Jesus Cristo (Rm 3.22-24), são pessoas que rejeitam o pecado e buscam fazer o bem. Eles anseiam viver segundo os princípios divinos, por isso buscam a justiça que reflete o caráter e a vontade de Deus no mundo. Esse desejo ardente, comparado à fome e à sede, revela uma necessidade espiritual profunda de alinhar suas vidas com a Verdade, a Bondade e a Santidade divinas.
Ou seja, o que tem desejo de ver a justiça de Deus, busca viver nessa justiça, pelo princípio da coerência, pois se alguém quer que Deus puna os injustos, ele mesmo se esforçará para fazer o que é correto. Então essa pessoa deseja ver a justiça de Deus prevalecendo e busca isso a partir dela mesma, pelo seu viver, nas suas ações e palavras. Crentes que enganam; julgam com parcialidade; praticam a corrupção; que fraudam declarações; agem enganosamente; vivem de aparência; etc, são crentes nominais, que não são desejosos da justiça de Deus. E por isso mesmo, não são justificados pelo Senhor. Veja o que Jesus falou deles:
"21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
23 E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.", Mateus 7.21-23
1.2. A bênção para os que têm fome e sede de justiça
A promessa de Jesus é que os justos, movidos por um anseio sincero, serão plenamente saciados por Deus, que suprirá suas almas com paz, propósito e plenitude, satisfazendo-os de maneira que transcende as realizações humanas. As Bem-Aventuranças apontam para a felicidade dos cristãos que fazem delas um preceito de vida. Para ser eternamente farto, o verdadeiro discípulo deve ansiar pelo rico suprimento da Justiça de Deus. Porém, para receber a bênção de ser saciado, é preciso desejar essa Justiça como o faminto deseja o pão e o sedento deseja a água.
Quando o crente está focado na justiça de Deus, sentindo desejo de ver o Senhor prevalecer e buscando essa justiça em sua vida, ele fica satisfeito com a fé que abraçou, mesmo estando num mundo injusto, pois o Espírito Santo o satisfaz. Porém, se o crente perder o foco na justiça divina, ele começa a olhar para as injustiças do mundo e começa a duvidar da justiça divina, veja um caso:
"2 Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos.
3 Pois eu tinha inveja dos néscios, quando via a prosperidade dos ímpios.", Salmos 73.2,3
Esse tipo de injustiça acontece no mundo o tempo todo, e se os crentes tirarem o foco da justiça divina, acabam se decepcionando igual ao salmista.
REFLETINDO
"As normas do Reino exigem que homens e mulheres tenham fome e sede de justiça. Isso é tão fundamental para a vida cristã." (D. A. Carson)
2- A NATUREZA DA JUSTIÇA DIVINA
A justiça mencionada em Mateus 5.6 transcende a ideia de mera correção de erros, pois se refere à totalidade do caráter de Deus: Santidade, Bondade e Fidelidade. Buscar essa justiça significa desejar refletir os valores de Deus, expressos nas Escrituras, em todas as áreas da vida. É um chamado à transformação interior e à prática de ações que promovam o bem, a compaixão e a equidade, em harmonia com o propósito para o qual fomos chamados (Rm 8.28).
2.1. O Evangelho de Jesus é a Justiça
A Justiça de Deus se manifesta por meio de Jesus Cristo. Encontramos nas Escrituras o padrão a ser cumprido por todas as pessoas: "A tua justiça é uma justiça eterna, e a tua lei é a verdade" (Sl 119.142). Assim, viver o Evangelho é sentir fome e sede da Justiça de Deus, uma vez que o ser humano não vive só de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus (Mt 4.4). Portanto, ao aceitar Cristo como Salvador, somos justificados (Rm 5.1), porque Ele se torna a nossa Justiça por um ato amoroso de Deus (1Co 1.30).
Viver o Evangelho consiste em ler as palavras de Jesus e praticá-las. Essas palavras são o alimento do crente:
"Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.", Mateus 4.4
Por isso, se os crentes se alimentarem da Palavra de Deus, então estarão saciados da justiça de Deus. E convém ressaltar que se alimentar da Palavra é aprender dela e praticar o que aprendeu:
"Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.", João 13.17 (ARA)
2.2. O chamado a uma atitude ativa
Ter fome e sede implica uma postura ativa, em vez de passiva. Não é apenas desejar a justiça, mas persegui-la com diligência, por meio da oração, da obediência à Palavra de Deus e da prática de ações justas. Esse aspecto lança luz sobre a responsabilidade do crente em viver de maneira que honre a Deus e impacte positivamente o mundo ao seu redor, sendo a luz do mundo e o sal da terra (Mt 5.13-14).
[...]
3- A PROMESSA DE SACIEDADE
Jesus revela um chamado à busca incessante pela Justiça Divina, acompanhado da certeza de que Deus satisfará plenamente aqueles que depositam esse anseio nEle. O discípulo de Cristo deve desejar essa justiça tanto quanto deseja comer e beber. Nada neste mundo deve agradar nossa alma mais do que a Justiça de Deus (1Jo 2.15-17). Conforme afirmou o apóstolo Pedro, aguardamos novos céus e nova terra, onde habita a justiça, e então seremos plenamente saciados (2Pe 3.13).
3.1. A universalidade da promessa
A quarta Bem-Aventurança é dirigida a todos os que cultivam o desejo por justiça, independentemente de sua condição. Ela oferece esperança, assegurando que Deus não apenas reconhece, mas também recompensa aqueles que priorizam Seus valores. Essa promessa é um convite a todos que buscam um mundo mais justo e uma vida mais santificada garantindo que encontrarão em Deus a fonte de sua verdadeira satisfação.
Convém relembrar neste ponto que a promessa de ser saciado de justiça, terá seu cumprimento no futuro, mas também tem uma parte no tempo presente, acontecendo no interior do cristão.
Quando o crente tem sede e fome de justiça, ele vê sua esperança nas promessas de Deus aumentar. E é na casa de Deus onde somos alimentados dessa esperança, veja o exemplo do Salmo 73:
"¹⁶ Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim;
¹⁷ até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles.", Salmos 73.16,17
Foi atentando para o fim dos ímpios que o salmista entendeu que melhor era estar na posição que ele estava. Ou seja, se hoje vemos os ímpios vivendo em tranquilidade e os crentes fiéis sofrendo, ainda assim é melhor estar na posição em que o Senhor nos colocou e isso se aprende dentro da casa do Senhor, (igreja).
3.2. O cumprimento da promessa
Para Martyn Lloyd-Jones, "fome e sede de justiça são palavras profundas e fortes ditas por Jesus, que permanecem enquanto não forem satisfeitas". Como está escrito no Salmo 42.1: "Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus". O Reto Juiz do Universo age em favor dos que O buscam e, em Seu perfeito tempo, saciará todos os bem-aventurados que têm fome e sede de justiça.
Os cristãos do tempo presente ficam divididos entre as coisas de Deus e as coisas do mundo. Na verdade, a cada dia diminui a quantidade dos crentes envolvidos com as coisas de Deus, pois atualmente há muitas armadilhas satânicas que envolve os crentes, principalmente os jovens. Quando um cristão tem sede de Deus como a metáfora do Salmo 42, ele consegue vencer o maligno e isso o faz forte. Isso é notável, principalmente no caso dos jovens:
"Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.", 1 João 2.14 (ARA)
Note que, no caso dos jovens, para se consumar a vitória sobre o maligno, há a necessidade de a Palavra de Deus permanecer no crente.
SUBSÍDIO PARA O EDUCADOR
No cântico de Maria, o Magnificat, os espiritualmente humildes e famintos foram declarados bem-aventurados, pois Deus encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos. Essa fome espiritual é característica do povo de Deus, cuja ambição suprema não é material, mas espiritual. Os cristãos decidiram buscar primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça. No céu, jamais terão fome e nunca mais terão sede, pois só então Cristo, nosso pastor, nos levará às "fontes da água da vida" (John Stott. Contracultura Cristã: A Mensagem do Sermão do Monte. Editora ABU, 1982, p. 34–36.)
CONCLUSÃO
Jesus nos oferece uma promessa poderosa e um chamado transformador (Mt 5.6). A quarta Bem-Aventurança nos convida a cultivar o desejo intenso de viver em harmonia com a vontade de Deus e promover Seus princípios de retidão e amor. A certeza de que Deus saciará plenamente aqueles que anseiam por Sua justiça fortalece a nossa fé, pois Ele supre as necessidades mais profundas da alma com paz, propósito e plenitude eterna.
Professor(a), leia essa conclusão e siga estas instruções se desejar:
- revise, com a classe, os pontos e ideias mais importantes comentados;
- elabore e faça as perguntas se houver tempo;
- convide os alunos para a próxima aula falando da próxima lição, mencionando algo interessante que vai ser tratado.
COMPLEMENTANDO
Ser justo é uma missão contínua que molda o caráter do crente. Ao desejar ardentemente viver segundo os valores de Deus, somos transformados interiormente e capacitados a influenciar o mundo com atos de bondade, equidade e santidade.
EU ENSINEI QUE:
A justiça mencionada em Mateus 5.6 transcende a ideia de mera correção de erros, pois se refere à totalidade do caráter de Deus: Santidade, Bondade e Fidelidade.