O Fim do Reino de Judá
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
2 Reis 25.1, 3-4, 8-10
1- Esucedeu que, no nono ano do reinado de Zedequias, no mês décimo, aos dez do mês, Nabucodonosor, rei de Babilônia, veio contra Jerusalém, ele e todo o seu exército, e se acamparam contra ela, e levantaram contra ela tranqueiras em redor.
3- Aos nove dias do quarto mês, quando a cidade se via apertada da fome, nem havia pão para o povo da terra,
4- então, a cidade foi arrombada, e todos os homens de guerra fugiram de noite pelo caminho da porta que está entre os dois muros junto ao jardim do rei (porque os caldeus estavam contra a cidade em redor); e o rei se foi pelo caminho da campina.
8- E, no quinto mês, no sétimo dia do mês (este era o ano décimo nono de Nabucodonosor, rei de Babilônia), veio Nebuzaradá, capitão da guarda, servo do rei de Babilônia, a Jerusalém.
9- E queimou a Casa do Senhor e a casa do rei, como também todas as casas de Jerusalém; todas as casas dos grandes igualmente queimou.
10- E todo o exército dos caldeus, que estava com o capitão da guarda derribou os muros em redor de Jerusalém.
TEXTO ÁUREO
Então, saiu a glória do Senhor da entrada da casa e parou sobre os querubins.
Ezequiel 10.18
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - 2 Crônicas 36.17-21
A queda do Templo
3ª feira -Ezequiel 7.23-27
Caiu Jerusalém
4ª feira - Oseias 4.4-6
Obedeça à Palavra!
5ª feira - Joel 2.12-17
É tempo de arrependimento
6ª feira - Deuteronômio 6.1-9
Amor a Deus
Sábado - Hebreus 11.1-3
Tenha fé
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:
- reconhecer que a obediência conduz à vida, enquanto a desobediência leva à destruição;
- perceber que, mesmo em meio ao caos, Deus continua falando conosco;
- compreender que a misericórdia do Eterno é o que nos sustenta.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Querido professor, a destruição de Jerusalém e do primeiro Templo deve ser abordada de forma holística, integrando elementos históricos, teológicos e literários. Este evento representa um marco axial na teologia do exílio: um juízo divino diante da infidelidade do povo eleito, que inaugura uma nova compreensão da presença de Yahweh, agora desvinculada do espaço sagrado tradicional.
Recomenda-se enfatizar, nas práticas pedagógicas, a leitura crítica de textos proféticos — especialmente Jeremias e Ezequiel —, promovendo reflexões sobre identidade, justiça e espiritualidade em meio à ruptura cultual e territorial.
Boa aula!
COMENTÁRIO
Palavra introdutória
A destruição de Jerusalém foi interpretada pelos profetas como uma manifestação do juízo divino em resposta à infidelidade de Judá (2 Rs 24.3-4).
Como destacado na lição anterior, Jeremias advertiu insistentemente sobre a ruína iminente, caso a nação não abandonasse a idolatria e as injustiças sociais (Jr 7.1-15; 2.8-11). Ezequiel, contemporâneo de Jeremias e exilado na Babilônia, desenvolveu uma teologia da presença divina que transcendia o Templo (Ez 10.18-19; 11.16), abrindo caminho para uma nova compreensão da relação entre Deus e Seu povo.
A literatura histórica reforça essa visão: a destruição foi consequência da desobediência aos estatutos do Senhor (2 Rs 24-25). Assim, a relação de causa e efeito entre pecado e exílio tornou-se uma matriz hermenêutica central na história de Israel, moldando a leitura desse período como um tempo de purificação e renovação da aliança.
1. O REINADO DE ZEDEQUIAS
Zedequias (hb. sid-gi-yã-hu) significa “Yahweh é minha justiça” — um epíteto potente que aponta para a soberania e retidão do Senhor. No entanto, a trajetória deste líder revela um contraste inquietante entre a promessa inscrita em seu nome e as decisões que tomou.
O reinado de Zedequias marca os últimos anos de Judá antes do exílio. Neste tópico, são apresentados seu perfil como monarca (1.1); as fragilidades de sua administração (1.2); e a trágica escolha de desobedecer à voz profética (1.3).
1.1. Um rei nomeado pelo inimigo
O nome Zedequias foi atribuído por Nabucodonosor II a Matanias (2 Rs 24.17), um dos filhos de Josias (1 Cr 3.15), quando o constituiu rei de Judá no lugar de Joaquim (2 Cr 36.10; cf. Lição 3; Tópico 3.3). Ele era o mais novo dos dois filhos de Josias com sua esposa Hamutal (2 Rs 23.31; 24.18).
Esse jovem monarca tinha 21 anos quando ocupou o trono e exerceu o poder por 11 anos (entre 597/6 a.C. e 587/6 a.C.). Ele herdou um reino enfraquecido e territorialmente reduzido, marcado por sucessivas perdas políticas. Um dos sinais dessa decadência foi a tomada do Neguebe pelos edomitas (Jr 13.18-19), onde se lamenta a queda da glória de Judá e o fechamento das cidades do sul.
Desde o início, esse governante foi apenas um vassalo (subordinado) do Império Babilônico — um administrador da “massa falida” deixada por seu irmão Jeoaquim, como apontam pesquisas historiográficas.
1.2. Um trono sem autoridade
O Livro de Jeremias apresenta o último rei davídico como um soberano bem-intencionado, mas vacilante (Jr 37.17-21; 38.7-28). Para enfrentar um período tão turbulento, teria sido necessário alguém com a envergadura e determinação de Josias (2 Rs 22.1-2; 23.25) — qualidades que Zedequias claramente não possuía. Faltavam-lhe habilidade política (Jr 38.5) e resiliência emocional (Jr 38.19).
A fragilidade de Zedequias como dirigente nacional aparece até na forma como sua gestão era contada (cf. Lição 1; Tópico 1.3). Tanto em Judá quanto na Babilônia, os anos seguiam a referência do “cativeiro de Joaquim”, seu antecessor (Ez 1.2; 8.1; 20.1; 24.1; 33.21). Issa mostra que, para muitos — livres ou cativos —, o verdadeiro líder continuava sendo Joaquim, cuja volta ao trono ainda era esperada (Jr 28.1-4).
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ZEDEQUIAS: IRMÃO OU TIO DE Joaquim? Zedequias era irmão de Jeoaquim (1 Cr 3.15-16), pai de Joaquim (2 Rs 24.6); por isso, pode-se afirmar que ele era tio de Joaquim. Embora 2 Crônicas 36.10 o mencione como “irmão” (ARC, ARA), O relato mais preciso desse parentesco está em 2 Reis 24.17, que o identifica como “tio” (NVI, NTLH).
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1.3. A escolha que selou a ruína
Havia em Judá uma forte oposição ao domínio caldeu (2 Rs 24.20; 2 Cr 36.13), e em 589/8 a.C. eclodiu na região uma rebelião impulsionada por um fervor nacionalista crescente (Jr 28.1-177), alimentado pela falsa expectativa de que o Egito interviria em favor do povo (Jr 37.5-10; cf. Jr 27.1-11).
Jeremias opôs-se firmemente à rebelião (2 Rs 24.20; 2 Cr 36.13). Zedequias hesitava em apoiar o levante (Jr 21.17; 37.3-10, 17; 38.14-23), mas carecia de autoridade política para resistir à pressão dos nobres.
Em 588 a.C., no décimo mês do calendário hebraico (dezembro/janeiro), os babilônios sitiaram Jerusalém (2 Rs 25.1; Jr 52.4), dando início ao cerco que culminaria na queda da cidade (Jr 21.3-7).
Em sua última entrevista secreta com o profeta, então preso, Zedequias ouviu dele, mais uma vez, um apelo por rendição (Jr 38.14-24). Para o mensageiro de Yahweh, obedecer seria a única saída; resistir significaria uma catástrofe nacional.
Mas o último rei de Judá, temeroso e indeciso (Jr 38.19), optou por resistir até o fim. Ao desconsiderar a voz de Deus, ele selou a destruição de si mesmo e de toda a capital (Jr 38.21-24).
2. A QUEDA DE JERUSALÉM
A queda de Jerusalém foi o desfecho inevitável de anos de desobediência, alianças frágeis e rejeição à voz profética. Este tópico percorre o cerco que se prolongou por um ano e meio (2.1); o momento da invasão e destruição da cidade (2.2); e o fim trágico do rei Zedequias, símbolo do colapso do Reino do Sul (2.3).
2.1. O cerco se fecha
A desobediência de Zedequias à voz de Yahweh precipitou a ruína de Jerusalém. O cerco começou no “nono ano” de seu reinado, no “décimo mês” (janeiro; cf. Jr 39.1; 52.4; Ez 24.1-2), e durou até o “décimo primeiro ano” (Jr 52.5) — cerca de um ano e meio. Esse longo período pode ser explicado por dois fatores:
- a possível ausência de Nabucodonosor, que havia estabelecido sua base militar em Ribla (2 Rs 25.6, 20-21) e talvez estivesse envolvido em campanhas paralelas, como o controle dos portos fenícios (hipótese de estudiosos);
- sua cautela diante de uma eventual intervenção egípcia em favor de Judá (Jr 37.5,11).
Como explica Varughese (2019), cercos costumam se prolongar até o esgotamento das provisões — e foi exatamente isso que ocorreu. Quando faltou alimento, o desespero se instalou e a rendição se tornou inevitável (Jr 52.0).
Esse é o retrato de Sião: uma cidade devastada por uma política hesitante e insubmissa, conduzida por um rei que ignorou os profetas e confiou em alianças frágeis.
2.2, A invasão da cidade
Jerusalém ainda podia resistir por mais algum tempo, mas Zedequias, que já considerava a rendição (Jr 38.14-23), temia capitular diante dos seus nobres. Mas o desfecho já se aproximava: no “nono dia do quarto mês” de 587/6 a.C. (julho), as reservas de alimento se esgotaram, e os caldeus abriram brechas nas muralhas, invadindo a capital (2 Rs 25.3; Jr 52.6-7). Isso ocorreu no “décimo primeiro ano” do reinado de Zedequias (2 Rs 25.2; Jr 39.2; 52.5) e no “décimo nono ano” de Nabucodonosor II (2 Rs 25.8; Jr 52.12).
Apesar dos apelos proféticos ao arrependimento, o povo persistiu na desobediência. Foi essa recusa contínua em ouvir a voz de Deus que selou a queda da Cidade da Paz — cumprindo o juízo que, por tanto tempo, fora anunciado.
2.3. O trágico fim de Zedequias
Diante da invasão final, Zedequias tentou fugir para a Transjordânia, talvez em busca de apoio dos amonitas, mas foi capturado nas planícies de Jericó — o mesmo local por onde os hebreus haviam entrado na Terra Prometida (2 Rs 25.5; Jr 52.7-8).
De lá, o último rei judaíta foi levado a Ribla, onde enfrentou o juízo de Nabucodonosor (2 Rs 25.6). Ali, antes de ser cegado e levado em cadeias para a capital do Império (2 Rs 25.7; Jr 52.11), assistiu à execução de seus filhos diante de seus olhos (Jr 52.10). Assim, cumpriram-se duas profecias aparentemente paradoxais: ele veria o soberano caldeu (Jr 32.4), mas não veria a cidade para onde seria levado (Ez 12.13).
Cego, humilhado e vencido, o último monarca sobre o trono de Davi foi deportado como prisioneiro de guerra, encerrando sua vida em uma masmorra babilônica (Jr 52.11).
3. A ÚLTIMA FASE DA DEPORTAÇÃO (587/6 a.C.)
A destruição do templo de Salomão marcou o colapso visível da aliança rompida. Este tópico aborda o incêndio do Santuário (3.1); o destino do povo remanescente (3.2); e o exílio que parecia o fim — mas revelou-se também como um novo começo sob a misericórdia de Deus (3.3).
3.1. O fim do templo de Salomão
Cerca de um mês após a queda de Jerusalém (2 Rs 25.8; Jr 52.12), Nebuzaradã (hb. ne-bu-zar"d-dân), comandante da guarda e alto oficial de Nabucodonosor, chegou à capital para cumprir as ordens do rei da Babilônia. Além de intervir no destino de Jeremias (Jr 39.13-14; 40,1-6), ele foi o responsável por incendiar a Cidade Santa e destruir o templo de Salomão (2 Rs 25.9; 2 Cr 36.19; Jr 52.13) — o único lugar legítimo de culto a Yahweh até então.
Junto com o Santuário, foram também demolidos ou levados: as colunas de bronze (2 Rs 25.13, 16-17; cf. 1 Rs 7.15-22); os suportes (2 Rs 29.13; cf. 1 Rs 7.27-39); o tanque de bronze (2 Rs 25.13; cf. 1 Rs 7.23-26) e todos os utensílios litúrgicos (2 Rs 29.14-16; cf. 1 Rs 7.40-45).
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O majestoso templo construído por Salomão, que por cerca de quatro séculos representou o orgulho nacional e a glória espiritual de Israel, foi reduzido a cinzas. E, com ele, Jerusalém jazia em ruínas, cumprindo-se o juízo anunciado pelos profetas.
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3.2. Destinos divididos
Após a destruição do Templo e da cidade, oficiais eclesiásticos (2 Rs 25.18), líderes militares e civis, além de cidadãos eminentes, foram levados à presença do imperador em Ribla, onde foram sumariamente executados (2 Rs 25.18-21; Jr 52.24-27).
O que restou da população urbana e da elite judaíta, à medida que ainda existia, foi deportado para a Babilônia, como parte da estratégia de dominação imperial. Por outro lado, os camponeses das regiões vizinhas — especialmente os menos instruídos ou hábeis — foram deixados na terra (Jr 52.16; 2 Rs 25.12), provavelmente para trabalhar como agricultores e evitar o abandono total da região.
Com o desterro da nação, cumpriu-se o juízo profético anunciado desde os tempos de Manassés: “[...] Também a Judá hei de tirar de diante da minha face [...]” (2 Rs 23.27).
3.3. Ruína e promessa
O exílio era a mais severa das punições previstas na aliança (Lv 26.33; Dt 28.36; Jr 25.8-11). Seu cumprimento marcou o fim do Estado de Judá: quatro séculos de história terminaram em fogo e sangue. O outrora grandioso reino foi completamente destruído; sua economia, destroçada; sua sociedade, dilacerada. Diante de tamanha ruína, tudo parecia perdido.
A religião judaica e a própria existência nacional de Israel poderiam ter sido extintas nesse desastre histórico. Mas não foram. Ambas sobreviveram — e isso só foi possível porque, como lembraria o profeta mais tarde: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos [...]” (Lm 3.22),
CONCLUSÃO
A destruição do Templo e o subsequente exílio babilônico marcaram um ponto de inflexão na prática religiosa de Israel, Sem um centro sacrificial, a fé hebraica se transformou, com o surgimento de novas formas de expressão espiritual — como a oração comunitária e a exaltação da Torá como principal meio de relacionamento com Deus.
Esse período também consolidou o papel dos profetas e escribas, cuja teologia moldou o judaísmo pós-exílico.
A tragédia de 587/6 a.C. levou ainda a uma releitura da identidade de Israel como povo escolhido, fortalecendo a ideia do Remanescente fiel (Is 10.20-21) — cuja aliança com Deus dependia não da terra ou do Santuário, mas da justiça e da obediência (Mg 6.6-8) — mesmo longe de Sião.
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. 1. Qual é o nome do comandante oficial chefe dos caldeus, responsável pela destruição de Jerusalém e do Templo?
R.: Nebuzaradã.
Fonte: Revista Central Gospel

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