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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

ESCOLA DOMINICAL CENTRAL GOSPEL / JOVENS E ADULTOS - Lição 9 / ANO 2 - N° 8

Ciro e a Queda da Babilônia  


TEXTO BÍBLICO BÁSICO  

Isaías 44.24, 26, 28 

24- Assim diz o Senhor, teu Redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que estendo os céus e espraio a terra por mim mesmo; 
26- sou eu quem confirma a palavra do seu servo e cumpre o conselho dos seus mensageiros; quem diz a Jerusalém: Tu serás habitada, e às cidades de Judá: Sereis reedificadas, e eu levantarei as suas ruínas; 
28- quem diz de Ciro: E meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; dizendo também a Jerusalém: Sê edificada; e ao templo: Funda-te. 

Isaías 45,1-2, 4, 13 

1- Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita, para abater as nações diante de sua face; eu soltarei os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. 
2- Eu irei adiante de ti, e endireitarei os caminhos tortos; quebrarei as portas de bronze e despedaçarei os ferrolhos de ferro. 
4- Por amor de meu servo Jacó e de Israel, meu eleito, eu a ti te chamarei pelo teu nome; pus-te o teu sobrenome, ainda que não me conhecesses. 
13- Eu o despertei em justiça e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade e soltará os meus cativos não por preço nem por presentes, diz o Senhor dos Exércitos.

TEXTO ÁUREO 
Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá? 
Isaías 43.13

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO

2ª feira - Isaías 46.8-11
Deus reina com soberania
3ª feira -Isaías 45.1-7
Deus levanta Ciro como Seu instrumento
4ª feira - Isaías 45.19-25
Deus age com justiça
5ª feira - Salmo 145.8-21
Deus revela Sua bondade
6ª feira - Jeremias 29.10-14
Deus cumpre Sua Promessa
Sábado -  Malaquias 3.1-6
Deus é imutável

OBJETIVOS

 Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de: 

  • compreender que Yahweh usa quem deseja para realizar os Seus desígnios; 
  • reconhecer a fidelidade de Deus no cumprimento de Suas promessas; 
  • afirmar que somente o Senhor é o Rei eterno. 
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS 

    Querido professor, ao conduzir esta lição, mostre aos alunos que a queda da Babilônia e a ascensão de Ciro II não são apenas registros da História, mas evidências da providência divina. Enfatize que Deus é soberano até sobre governantes e impérios pagãos. Explique que Ciro II, ainda que não conhecesse Yahweh, foi chamado de “ungido” porque desempenhou um papel crucial no plano redentor: libertar Israel e abrir caminho para a reconstrução do Templo.
    Incentive a turma a refletir sobre como o Senhor continua usando pessoas e circunstâncias inesperadas para cumprir Seus propósitos. Valorize a conexão entre profecia e cumprimento histórico, destacando que a fidelidade divina se manifesta mesmo após o juízo.
    Boa aula!

COMENTÁRIO
Palavra introdutória 
   A queda da Babilônia e a ascensão de Ciro, rei da Pérsia, representam mais que uma virada geopolítica no Antigo Oriente Próximo. Esse episódio marca o início do fim do exílio e a concretização das promessas proféticas (cf. Jr 29.10). Ciro, chamado de “pastor” e “ungido” por Isaías (Is 44.28; 45.1), tornou-se instrumento para a libertação dos judeus, possibilitando seu retorno a Jerusalém (Ed 1.1-3; 2 Cr 36.22-23). 
    Nesta lição, veremos como Yahweh age soberanamente, valendo-se até de governantes que não reconhecem Seu domínio sobre os povos (Is 45.4-5; Pv 21.1), para mostrar que Sua fidelidade ultrapassa fronteiras políticas e religiosas. A História, em última análise, é palco da ação redentora orquestrada nos Céus (Dn 2.20-21). 
    A atuação de Ciro confirma que as Escrituras não são meros registros espirituais, mas testemunhos vivos de como o Eterno conduz os destinos das nações conforme o Seu querer (Sl 22.28; Is 46.9-10). Estudar esse tema é reconhecer que Ele reina sobre os impérios e cumpre, fielmente, cada um de Seus desígnios (Js 23.14; 2 Co 1.20). 
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    Jeremias anunciou que o exílio duraria setenta anos (Jr 25.11-12; 29.10). Isaías, muito antes, revelou o nome do libertador: Ciro (Is 44.28; 45.1,13). No primeiro ano do rei persa, Esdras registrou o cumprimento dessas palavras (Ed 1.1; cf. 2 Cr 36.22-23). Profecia e História se encontram no decreto que abriu caminho para o retorno a Jerusalém.
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 1.  A QUEDA DA BABILÔNIA 

    A queda da Babilônia não ocorreu de forma repentina, mas resultou de um processo gradual e inevitável. Por dentro, o Império se enfraqueceu com a corrupção e a instabilidade política (1.1). De fora, crescia a ameaça persa sob a liderança de Ciro, estrategista e conquistador (1.2). Acima de tudo, todavia, estava o juízo divino contra a soberba de uma nação que se exaltara contra o Senhor (1.3). 

1.1. Decadência interna e corrupção política 
    A Babilônia, que outrora esmagara Jerusalém, começou a revelar sinais de desorganização interna. A sucessão instável após Nabucodonosor fragilizou o trono, e a administração civil mostrava-se desgastada: corrupção crescente, favorecimento de elites aliadas e ausência de reformas institucionais alimentaram a insatisfação da população local e das nações dominadas. Além disso, o desprezo pelas próprias tradições cultuais e os problemas administrativos abriram espaço para o enfraquecimento do Império. 
    Enquanto isso, os judeus mantinham viva a memória profética de que a Babilônia seria julgada (Jr 50-51), e muitos entre os povos subjugados passaram a ver os persas como libertadores em potencial. 

1,2. A ascensão persa pelas mãos de Ciro 
    O avanço persa sobre a Mesopotâmia, no século VI a.C, não foi um acidente geopolítico, mas o resultado de um plano estratégico articulado por um personagem singular na história antiga: Ciro II, o Grande. Enquanto a Babilônia exalava os últimos suspiros de sua glória, confiando em seus muros colossais e na tradição de seu poder milenar, não percebia a ameaça que surgia do Leste. Os persas, vistos como “povo montanhes”, emergiram com táticas militares inovadoras, habilidade diplomática e, como afirmam as Escrituras, com a mão do Senhor conduzindo sua trajetória (Is 45.1-7) 

1.3. Juízo divino sobre a soberba babilônica. 
Ao longo da Escritura, o Império Caldeu se tornou símbolo por excelência da arrogância humana, da opressão desmedida e da hostilidade contra Yahweh e Seu povo. Embora tenha sido usado como instrumento do juízo divino sobre Judá (Jr 25.9), não escapou ao escrutínio e à justiça do Senhor. Isaías (cap. 13) e Jeremias (caps. 50-51) são claros: o destino da Babilônia estava selado. 
    A soberba imperial — expressa na confiança em sua força militar, em sua riqueza e no desprezo pelos povos subjugados — preparou o caminho da sua ruína, e esse princípio espiritual aplica-se não apenas a indivíduos, mas também a estados e nações (cf. Pv 16.18). 
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    O Livro de Daniel registra o fim repentino da Babilônia: “Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus. E Dario, o medo, ocupou o reino [...]” (Dn 5.30-31). Assim se cumpria a palavra profética que anunciava o juízo sobre a cidade (Jr 50-51), enquanto Ciro despontava como o libertador prometido.
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 2.  CIRO II, O UNGIDO ENTRE AS NAÇÕES
    A figura de Ciro II, o Grande, emerge como peça central na queda do Império Caldeu e no cumprimento das profecias. Conhecer sua identidade e origem (2.1); compreender sua entrada em Babilônia e a aceitação popular (2.2); e refletir sobre o fato de ser chamado de “ungido” de Deus (2.3) nos ajuda a perceber como o Senhor conduz a História para realizar Seus propósitos. 

2.1. À identidade de Ciro 
    O príncipe Ciro, que ficaria conhecido como Ciro II, o Grande, filho de Cambises I de Anshan e da rainha Mandane da Média, nasceu entre 600 e 590 a.C. 
    Ciro II e seus sucessores pertenciam à dinastia aquemênida, cujo nome remonta a Aquemenas, ancestral da família real persa. Embora a tradição associe Aquemenas ao início do reino, foi Ciro quem consolidou a dinastia e fundou Pasárgada, que se tornou a primeira capital de seu Império. 
    Em 559 a.C., após a morte de Cambises I, Ciro assumiu o trono e iniciou um governo que marcaria para sempre a história do mundo antigo e, de modo especial, a memória do povo judeu (cf. Dn 6.28).

2.2. À entrada em Babilônia 
    O Império Neobabilônico atravessava uma severa crise política desde que o rei Nabonido se autoexilara na Arábia, deixando a regência a cargo de seu filho Belsazar. Nesse cenário de instabilidade, Ciro II percebeu que o tempo da invasão havia chegado. Assim, conduziu suas tropas pelos desfiladeiros das montanhas até alcançar as planícies de aluvião da Mesopotâmia. 
    Dentro da cidade, cresciam o pânico (cf. Is 41.1-7; 46.1) e as desavenças internas. Em 12 de outubro de 539 a.C., os portões da Babilônia se abriram e o exército persa entrou sem resistência, em uma procissão solene, acompanhada pelo príncipe Cambises — então com 20 anos —, filho de Ciro. Com isso, chegava ao fim o Império Caldeu cumprindo-se a palavra do Senhor (cf. Is 13.17-19). 

2.3. O servo ungido de Deus 
    Em Isaías 45.1, Ciro, rei da Pérsia, é chamado de “ungido” (hb. mãsiah), termo reservado tipicamente aos monarcas israelitas (1 Sm 16.13; Sl 2.2) e, em última instância, ao Messias. Num contexto em que apenas reis davídicos ou sacerdotes judaítas eram vistos como legítimos ungidos, aplicar esse título a Ciro — um governante estrangeiro e alheio a Yahweh — representou uma ampliação radical da teologia do senhorio divino sobre a História. 
    Como explicar isso? A resposta está na soberania universal de Deus — tema central em Isaías 40-55. O Altíssimo não está limitado a Israel, nem Suas ações dependem da validação humana. Ele age onde quer, como quer e com quem quer, inclusive por intermédio de reis estrangeiros (Is 43.13). 

 3.  O RETORNO A JERUSALÉM 
    O édito de Ciro II marcou uma virada decisiva na história do povo escolhido. O decreto do imperador persa (3.1) abriu caminho para o retorno a Jerusalém, não apenas como ato político, mas como cumprimento de uma promessa profética (3.2). A restauração que se seguiu tornou-se selo da fidelidade divina, apontando tanto para o recomeço de Israel quanto para a esperança última da consumação de todas as coisas (3.3). 

3.1. O édito de Ciro 
    Segundo o relato bíblico (Ed 1.1-4), “no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia”, o Senhor despertou o seu espírito para que proclamasse em todas as suas províncias: “[...] O Senhor, Deus dos Céus, me deu todos os reinos da terra; e ele me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém [...]” (Ed 1.2). 
    Essa declaração, extraordinária por vir de um imperador pagão, reconhece a soberania de Yahweh não apenas como divindade local, mas como “Deus dos Céus” — um título que ultrapassa fronteiras nacionais e se aproxima da linguagem política e religiosa persa da época. 
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    Os caminhos do Senhor são insondáveis: invisíveis aos olhos, impensáveis à razão, mas reais na História. Creiamos: Ele surpreende Seu povo com recomeços que ninguém ousaria imaginar — como está escrito: “[,..] Às coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam” (1 Co 2.9; cf. Is 64.4).
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3.2. À política e a Promessa 
    O retorno a Judá não foi apenas mais um episódio de realocação populacional, mas o cumprimento de uma promessa divina anunciada séculos antes por arautos como Isaías e Jeremias (Is 44.28; 45.13; Jr 29.10). É justamente a convergência entre política imperial e profecia bíblica que torna o caso israelita singular. 
    Enquanto outras nações exiladas receberam autorização para reconstruir seus santuários e retomar práticas religiosas, os judeus experimentaram o cumprimento literal de um oráculo escatológico: o templo em Jerusalém, símbolo da aliança e da presença de Deus, voltaria a ser erguido (Ed 1.3).
    Esse evento não foi simples concessão cultural, mas o reinício da trajetória do povo da aliança — uma demonstração inequívoca de que o Altíssimo continua a governar os acontecimentos da história universal. 

3.3. A fidelidade divina 
    A restauração não foi apenas territorial ou arquitetônica, mas também espiritual, moral e comunitária. Esse movimento carregava uma dupla dimensão: cumpria a palavra antiga e inaugurava uma nova etapa na história israelita. 
    A reconstrução do Templo sob Zorobabel (Ed 3.8-13), o retorno dos sacerdotes e a retomada da adoração revelam que Yahweh não havia rejeitado Seu povo, mas operava discretamente para restabelecê-lo no tempo oportuno (Ag 2.4-9; Zc 1.16-17). Em perspectiva mais ampla, esse episódio torna-se modelo escatológico de expectativa messiânica: o mesmo Deus que reergueu Israel após o exílio é aquele que promete restaurar todas as coisas no fim dos tempos (Rm 15.4; Ap 21.5a). 
    A fidelidade do Senhor no passado é a garantia da esperança para o futuro. Onde há promessa cumprida, sempre há motivo para recomeçar.

CONCLUSÃO 
    Concluímos esta lição reconhecendo que, mesmo em tempos de juízo e sob impérios opressores, o Soberano de Israel permanece no controle do destino da humanidade. A ascensão de Ciro II e a queda da Babilônia não foram acasos políticos, mas parte do agir redentor de Yahweh em favor do Seu povo. Ao chamar Ciro de “ungido” (Is 45.1), Deus demonstra que pode usar até reis pagãos para cumprir os Seus propósitos. 
    O início do fim do cativeiro transformou-se em renovo da confiança. Essa verdade deve inspirar a Igreja a acreditar na providência divina. Mesmo quando tudo parece perdido, o Senhor continua conduzindo os rumos da História para a libertação dos Seus filhos. 

ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO 
1. Por que Ciro II, um rei pagão, é chamado de “ungido” por Deus em Isaías 45.1, e o que isso diz sobre a ação divina na História? 
R.: Ciro é chamado de “ungido” porque foi escolhido pelo Senhor para cumprir um propósito específico: libertar Israel do cativeiro e possibilitar a reconstrução do templo em Jerusalém. Isso mostra que Ele é soberano e pode usar até governantes estrangeiros para realizar os Seus planos na História.

Fonte: Revista Central Gospel

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