(Revista Editora Betel)
Tema: ESMOLA, ORAÇÃO E JEJUM SÃO PRÁTICAS ESPIRITUAIS

Texto de Referência: Mc 9.29
VERSÍCULO DO DIA
"Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus" (Mt 6.1).
VERDADE APLICADA
Esmola, oração e jejum são disciplinas espirituais que não devem ser praticadas para obter a admiração alheia, mas para agradar a Deus.
OBJETIVOS DA LIÇÃO
✔ Reconhecer que a esmola nos liberta da avareza;✔ Ressaltar que a oração nos conecta com Deus;
✔ Identificar os ensinamentos de Jesus a respeito do jejum.
MOMENTO DE ORAÇÃO
Ore para que dar esmola, orar e jejuar façam parte da vida da Igreja.
LEITURA SEMANAL
Seg | Pv 19.17 – Quem se compadece do pobre empresta ao Senhor.
Ter | Lc 11.41– Dando esmola do que temos.
Qua | Gn 20.17 – O alvo da oração é Deus.
Qui | Ef 6.18 – Orando em todo o tempo.
Sex | Ed 8.21 – O jejum como sinal de humilhação a Deus.
Sáb | Dn 9.3 – Buscando a Deus em oração e jejum.
INTRODUÇÃO
Professor(a), falta pouco para encerrarmos o trimestre, e essa lição fala de três práticas que foram orientadas por Jesus dentro do Sermão do Monte e que eram muito utilizadas e ensinadas na Igreja Primitiva. Este subsídio tem o objetivo de acrescentar conhecimento ao professor(a) da EBD, a fim de enriquecer a aula.
No Sermão da Montanha, Jesus fez algumas advertências aos Seus discípulos e seguidores sobre três aspectos da vida cristã: A) dar esmolas, ato que não deve ter como objetivo sermos glorificados pelos homens (Mt 6.2-4); B) orar em secreto e sem vãs repetições (Mt 6.7,8); C) jejuar, o que deve ser feito com discrição, sem o intuito de sermos notados pelos outros, mas para nos conectarmos a Deus, que nos galardoará (Mt 6.16-18).
Podemos notar de imediato que as orientações quanto a essas práticas são para que o discípulo não se exalte e não busque glória para si, mas faça tudo para Deus. E podemos iniciar dizendo que o objetivo de Jesus ao trazer essas orientações era para combater o costume religioso da época, pois Jesus não queria instituir mais uma religião no mundo semelhante às outras que já existiam, por isso, Ele condenava certas atitudes dos religiosos.
PONTO-CHAVE
"Esmolar, orar e jejuar são práticas relevantes que fazem parte da vida cristã."
1. DAR ESMOLA É UMA ATITUDE CARIDOSA
Não devemos dar esmola esperando nada em troca, porque esse é um sinal de compaixão com o próximo necessitado. É uma oportunidade de dividir parte da Providência de Deus com os carentes. No Livro de Provérbios, aprendemos que aquele que dá aos pobres empresta a Deus, cuja recompensa é eterna e sem igual (Pv 19.17).
1.1. Dar esmola é desapegar-se do que é passageiro
Ser solidário é uma obrigação moral do povo de Deus (Jó 31.16-22), e dar esmola é um ato de solidariedade. Além disso, esmolar nos ajuda a ficar livres da avareza e da ganância, porque ajudar o próximo é vê-lo como um irmão, reconhecendo que o que possuímos não é apenas nosso (Lc 14.13). Entretanto, Jesus nos adverte que as obras de caridade e as esmolas não devem ser utilizadas para publicidade pessoal (Mt 6.2-4). Jesus exortou Seus discípulos quanto ao cuidado com o próximo ao mandar que eles vendessem tudo que tinham e fossem generosos. Assim estariam juntando um tesouro no céu, onde o ladrão não chega nem a traça rói (Lc 12.33).
Uma exortação de Jesus para nós é que não sejamos avarentos, apegados aos recursos materiais. E outra exortação é para que não façamos isso para nos engrandecer diante das pessoas. Nestes dias, temos notado alguns irmãos que fazem trabalhos sociais entregando marmitas aos moradores de rua ou agasalhos e cobertores e gravando isso para colocar em redes sociais. Isso viola o direito de imagem da pessoa e é antiético. E aprendemos aqui que Jesus orientou a não fazermos isso, veja o motivo:
"Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já têm o seu galardão.", Mateus 6.2
Jesus afirmou que a pessoa que faz isso já está recebendo o seu prêmio, Ele se referia aos elogios e reconhecimento.
Do tempo de Jesus para os dias atuais e para a realidade de nossa nação, a prática de dar esmolas se modificou muito, pois hoje temos alguns que se aproveitam da generosidade de outros para manter vícios em drogas e no álcool. Além do mais, existem os que fazem dessa prática uma máfia, pedindo esmolas em sinais de trânsito e nas saídas de supermercados. A recomendação é que os irmãos não deem dinheiro para esses pedintes, pois podem estar ajudando a destruir a pessoa. Ao invés de dar dinheiro, podemos dar um prato de comida, pagar um lanche, uma cesta básica ou algo para a família se alimentar.
1.2. Dar esmola agrada a Deus
Para viver de maneira que agrade a Deus, devemos ter a esmola como uma prática em nossa vida. Entretanto, existem pessoas que se deixam levar pela avareza, acumulando riquezas e bens materiais. Atitudes assim são como uma erva daninha que se desenvolve no jardim da alma, cujas raízes são profundas e difíceis de arrancar. O apóstolo Paulo disse que os avarentos não terão herança no Reino de Cristo e de Deus (Ef 5.5). Os filhos de Deus, portanto, devem ter os olhos atentos à necessidade alheia, pois seguir os passos de Jesus é procurar fazer o bem a todos e socorrer o necessitado com amor e alegria.
Dar esmolas era uma prática muito comum orientada na Palavra de Deus, e podemos colocá-la junto às práticas de assistência social, tais como dar cestas básicas, ajudar alguém a pagar uma conta de água, luz ou gás, doar cobertores, brinquedos, etc. Toda ajuda que fazemos aos que não possuem recursos é uma prática semelhante a dar esmolas. O Senhor Jesus usou a expressão "dar esmolas" porque essa era a prática dos religiosos que Ele estava criticando por fazerem de forma errada. E também era a forma de ajuda aos necessitados que mais se praticava na época. No entanto, havia outras formas, por exemplo, na Lei de Moisés, o Senhor orientou aos que fossem abençoados com uma boa colheita que ajudassem os pobres na hora da sega:
"E, quando fizerdes a colheita da vossa terra, não acabarás de segar os cantos do teu campo, nem colherás as espigas caídas da tua sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixarás. Eu sou o Senhor vosso Deus.", Levítico 23.22
Note que o desejo de Deus é que os Seus filhos sejam generosos para com os pobres de todas as formas. Então, podemos concluir que não é dar esmolas que agrada a Deus, mas sim ajudar os necessitados.
Refletindo
"Jesus obviamente esperava que os Seus discípulos fossem doadores generosos. Suas palavras condenam a egoísta sovinice de muitos." (John Stott)
2. A ORAÇÃO É UMA DISCIPLINA ESPIRITUAL
Jesus nos manda orar para não cairmos em tentação (Mt 26.41) e nos adverte a orar sem nunca desfalecer (Lc 18.1). Essa disciplina espiritual fortalece a nossa conexão com Deus e promove a paz interior. É um ato de entrega, reflexão e comunhão que exige prática constante e intencionalidade. A oração nos leva a cultivar humildade, gratidão e confiança, alinhando nosso coração aos propósitos divinos.
2.1. A oração gera intimidade com Deus
A Bíblia nos ensina a buscar a Deus em oração em todo o tempo (Dt 4.29,30; 1Cr 16.4; Sl 119.2; Jr 29.13; Ef 6.18). No Evangelho de João, Jesus nos exorta a orar, garantindo que o Pai ouve as nossas orações (Jo 14.13,14; 15.7,16; 16.23,24). Para sermos usados na obra de Deus, necessitamos manter uma conexão profunda com Ele, e a oração é o meio pelo qual fazemos isso. Portanto, podemos dizer que a oração é um encontro reservado que cada cristão pode ter com Deus.
A ideia central na oração que Jesus ensinou é a intimidade, ou seja, era falar com Deus em particular, veja como Jesus inicia a Sua orientação:
"Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.", Mateus 6.6
Ou seja, era uma oração em particular, de portas fechadas, e quando se fala a alguém de portas fechadas, é porque o que vai ser dito é de foro íntimo. Assim, as nossas orações a Deus devem ser em intimidade, momento em que falamos nossos segredos ao Senhor. O primeiro benefício que temos ao orar assim é o alívio em desabafar com Deus aquilo que nos pesa e nos incomoda. Outro benefício é que o Senhor sempre nos envia uma resposta que nos dá o contentamento para se achar uma solução.
2.2. Orando em secreto
Pela oração nos aproximamos de Deus e fortalecemos a nossa fé (Tg 5.16); porém, devemos ser cuidadosos para não tornar nosso tempo de oração algo público destinado a chamar a atenção de quem está à nossa volta. Devemos ser discretos ao orar, e o Pai, que vê em oculto, nos recompensará. Jesus nos ensina a não sermos como os fariseus, que oravam de pé nas esquinas para serem vistos pelos outros (Mt 6.5,6).
A ordem de Cristo era para que as orações de Seus discípulos não fossem para aparecer para as pessoas ao redor, a fim de serem reconhecidos como espirituais, mas que fossem feitas em secreto com o Pai. Atualmente, não somente a oração, mas diversos devocionais são feitos por alguns irmãos, com o objetivo de se parecerem profundamente espirituais. Alguns irmãos sobem os montes para orar, filmam e postam em redes sociais. Indo diretamente de encontro a esse ensino dado por Jesus, como se nunca tivessem aprendido o que Jesus ensinou naquele sermão.
3. O JEJUM É UMA DISCIPLINA ESPIRITUAL
Assim como a oração, o jejum é uma disciplina espiritual que não deve ser deixada de lado (Mt 17.21). Sua prática gera intimidade com Deus e fortalece a nossa fé em meio às adversidades da vida. Jejuar é abster-se de alimentos ou de algo significativo para nós em busca de maior proximidade com Deus. Jejuar desenvolve o autodomínio, a reflexão e a purificação interior, ajudando-nos a focar em nossas prioridades espirituais.
3.1. Jesus ensinou sobre a prática do jejum
Jesus não apenas ensinou sobre o jejum, mas também o praticou (Mt 4.1,2). Os cristãos da Igreja Primitiva seguiram o exemplo do Mestre (At 13.1-3; 14.23), bem como os apóstolos, que também jejuavam (2Co 6.5). Durante o Sermão da Montanha, Ele deixou orientações sobre o jejum: não torná-lo público para despertar admiração (Mt 6.16); ungir a cabeça e lavar o rosto para que ninguém perceba (Mt 6.17); e ter a certeza de que Deus recompensa quem jejua em segredo (Mt 6.18).
Jesus não deixou uma doutrina detalhada sobre o jejum, não falou sobre a forma de fazer, horário, tempo adequado, etc. Mas o Senhor tratou o jejum naquilo que era o mais importante a se saber, a qualidade do coração de quem jejua. Por isso, o Senhor deu a orientação de se jejuar com o coração focado em Deus. Veja:
"Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.", Mateus 6.18
Ou seja, Jesus estava dizendo: o teu jejum importa somente a Deus e a mais ninguém. E a verdade é que, quando a pessoa jejua querendo se apresentar para os outros, é porque o seu coração está cheio de vaidade, e isso constitui uma impureza espiritual.
3.2. O jejum é para hoje
O jejum é um ensinamento bíblico que continua válido ainda hoje. Infelizmente, muitos crentes vivem como se os versículos de Mateus 6.1-18 tivessem sido retirados da Bíblia, abandonando uma disciplina espiritual que fortalece o espírito e nos faz sensíveis à voz de Deus. Quando jejuamos, nosso espírito se fortalece e nos tornamos mais sensíveis para ouvir e discernir a voz de Deus.
A verdade é que os textos de Mateus 5,6,7, que são os três capítulos do Sermão do Monte é o manual da vida cristã. Mas é um manual que poucos leem, e muitos que o leem não o seguem. E das orientações deixadas, o jejum é uma das práticas mais negligenciadas nos dias atuais. Isso acontece provavelmente pela falta de fé, que é muito comum hoje, ou pela grande compulsão alimentar em nossos dias. De uma forma ou de outra, muitos cristãos não jejuam. Mas o professor(a), em sala de aula, pode estimular os alunos à prática do jejum. Oriente-os a começarem aos poucos, eliminando uma refeição, dedicando o período de oração e assim por diante. Não há regras bíblicas claras sobre o jejum, mas o mais importante é ter o propósito de consagração e adoração a Deus. Veja o primeiro jejum ordenado por Deus:
"E isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e nenhum trabalho fareis nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós.", Levítico 16.29
O "afligir a alma" ordenado neste versículo era a abstenção de alimentos, e o objetivo aqui era buscar a Deus no dia da expiação.
CONCLUSÃO
A esmola, a oração e o jejum do crente devem agradar a Deus, que rejeita a hipocrisia. Quando envoltas em sinceridade, essas práticas transformam o coração e fortalecem a nossa conexão com Deus: as esmolas expressam generosidade; o jejum promove o autodomínio e a reflexão; e a oração aprofunda nossa comunhão com o Senhor.
Professor(a), após essa conclusão, siga estas instruções se desejar:
- revise, com a classe, os pontos e ideias mais importantes comentados;
- elabore e faça as perguntas se houver tempo;
- convide os alunos para a próxima aula falando da próxima lição, mencionando algo interessante que vai ser tratado.
- revise, com a classe, os pontos e ideias mais importantes comentados;
- elabore e faça as perguntas se houver tempo;
- convide os alunos para a próxima aula falando da próxima lição, mencionando algo interessante que vai ser tratado.
COMPLEMENTANDO
A piedade judaica se concentrava em torno de três disciplinas religiosas: esmolas, jejum e oração. Jesus, porém, corrigiu algumas distorções, ensinando que tais práticas devem incluir humildade, abnegação e amor ao próximo e a Deus.
EU ENSINEI QUE:
Dar esmola, orar e jejuar fazem parte de uma vida cristã plena, pois nos fazem crescer como servos de Deus e nos assemelham a Cristo.
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