AULA EM 10 DE MARÇO DE 2026 - LIÇÃO 10
(Revista Editora CPAD)
Tema: Arrependimento e fé como respostas humanas

TEXTO PRINCIPAL
“O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho.” (Mc 1.15).
RESUMO DA LIÇÃO
A salvação é um dom da graça de Deus, recebido mediante arrependimento e fé. Essa resposta pessoal não é mérito humano, mas disposição humilde em receber a obra que Jesus realizou.
LEITURA DA SEMANA
SEGUNDA — Jo 16.8 O Espírito Santo convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo
TERÇA — At 2.38 O chamado de Pedro ao arrependimento e à conversão
QUARTA — Ef 2.8,9 A salvação é pela graça
QUINTA — Jo 1.12 Feitos filhos de Deus
SEXTA — Rm 5.1 Declarados justos pela fé
SÁBADO — Ap 3.20 Cristo bate à porta do coração e espera resposta
OBJETIVOS
APRESENTAR o conceito de arrependimento e sua importância para receber a salvação;
EXPLICAR salvação e fé salvífica;
ESCLARECER que a cooperação humana no processo da salvação não é mérito.
INTERAÇÃO
[...]
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
[...]
TEXTO BÍBLICO
Marcos 1.14,15; Romanos 10.9-11.
Marcos 1
14 — E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho do Reino de Deus
15 — e dizendo: O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho.
Romanos 10
9 — a saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo.
10 — Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.
11 — Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido.
COMENTÁRIO DA LIÇÃO
INTRODUÇÃO
Professor(a), nesta lição vamos falar de mais um aspecto do livre-arbítrio humano, que é o arrependimento e a fé como resposta diante da oportunidade de salvação. E neste subsídio de apoio para a EBD, vou deixar conteúdos para acrescentar na tua aula. Bons estudos!
A salvação é uma iniciativa divina, mas exige uma resposta humana. Qual seria essa resposta? Arrependimento e fé são as respostas exigidas por Deus diante da oferta da salvação. Ao estudarmos esta lição, entenderemos como essas duas atitudes — arrependimento e fé — revelam nossa dependência da graça e como Deus nos chama a uma resposta pessoal.
Podemos dizer para iniciar que, ao tomar conhecimento do que Cristo fez por nós na cruz do Calvário, a pessoa pode simplesmente ignorar, como muitos fazem, ou pode manifestar o arrependimento e a fé, sentimentos que levam a receber a salvação por meio de Cristo.
I. SALVAÇÃO E ARREPENDIMENTO
1. O que é arrependimento?
Arrependimento (gr. metanoia) significa “mudança de mente, de atitude e de direção”. Durante esse processo, todas as faculdades da alma estão envolvidas: o intelecto, as emoções e, sobretudo, a vontade. Essa verdade está bem presente nos apelos de Jesus: “Arrependei-vos” (Mc 1.15); de João Batista: “Arrependei-vos” (Mt 3.2); e de Pedro: “Arrependei-vos” (At 2.38). Assim, percebemos que o arrependimento está no centro da mensagem do Evangelho no Novo Testamento. Trata-se de uma decisão sincera de abandonar o pecado e voltar-se para Deus com um coração transformado.
Convém ensinar que não podemos simplificar o arrependimento apenas a uma mudança de mentalidade, pois existem pessoas que demonstram arrependimento, mas não tomam nenhuma atitude na direção contrária ao pecado. Veja como João Batista exortou os fariseus:
"7 E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?
8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;", Mateus 3.7,8
Aqui, João Batista estava ordenando que eles produzissem frutos, isto é, ações que demonstrassem o seu arrependimento.
2. O arrependimento é obra do Espírito Santo.
Um ensino claramente afirmado nas Escrituras é que ninguém se arrepende verdadeiramente sem a ação do Espírito Santo no coração (Jo 16.8). É Ele quem atua nos pensamentos, nas emoções e na vontade. Sua operação é poderosa e ocorre no mais profundo do ser humano, naquilo que a Bíblia chama de coração (Pv 4.23; Ez 36.26,27). Nesse sentido, o Espírito Santo desempenha um papel central nessa transformação de mente, atitude e direção na vida do pecador.
Convém reforçar que o Espírito Santo atua no convencimento, veja:
"7 Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.
8 E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.", João 16.7,8
Ou seja, o Espírito de Deus não manipula o coração humano para que tome decisões, mas Ele trabalha convencendo o indivíduo de sua situação e da necessidade de mudança. Porém, sempre há os que resistem ao Espírito de Deus.
3. O arrependimento não salva, mas é condição para receber a salvação.
O arrependimento, embora não seja o agente que salva, é indispensável para que o pecador receba a salvação oferecida por Deus. Pedro declarou: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos” (At 3.19), mostrando que a experiência do perdão e o refrigério espiritual dependem de um coração quebrantado diante de Deus. Como vimos, essa mudança interior é operada pelo Espírito Santo, que convence o ser humano do pecado e o conduz a uma nova direção de vida. Não há uma verdadeira fé salvífica sem um arrependimento sincero. É o arrependimento que prepara o coração para crer em Cristo e render-se à sua graça. Por isso, somos chamados a viver em constante arrependimento, reconhecendo a santidade de Deus e sua contínua necessidade de transformação.
Note a ordem nas palavras do apóstolo Pedro:
"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e para que venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor,", Atos 3.19
Veja que Pedro manda primeiro que eles se arrependam, e em seguida que se convertam, ou seja, o arrependimento vem primeiro e só depois a conversão.
A proposta do Evangelho não é apenas de salvação, mas de transformação do coração da pessoa que foi salva. Por isso, o Senhor enviou o Seu Espírito para trabalhar no interior do ser humano. Nós somos cercados pelas forças do inferno, quase tudo nesse mundo busca nos afastar da presença de Deus. Por isso, precisamos deixar o Espírito Santo trabalhar em nossos corações diariamente.
SUBSÍDIO I
[...]
II. SALVAÇÃO E FÉ SALVÍFICA
1. Fé como confiança e entrega.
A fé salvífica não se resume a acreditar que Deus existe, mas envolve confiar plenamente em Cristo como o único e suficiente Salvador (Hb 11.6; Jo 3.16). Ela é a única condição exigida para que recebamos o dom gratuito da salvação (Ef 2.8). Essa fé não é uma simples resposta intelectual sobre em que se crê, mas uma disposição ativa do coração que recebe a pessoa de Jesus com o desejo sincero de segui-lo. Crer, nesse contexto, é entregar-se totalmente ao senhorio de Cristo, confiando em sua graça e comprometendo-se a obedecê-lo com fidelidade. Trata-se de uma fé que transforma, conduzindo a uma vida moldada por Cristo e sustentada por sua Palavra.
É importante saber que a fé salvífica não atua somente no momento da conversão, mas ela fica sempre em crescimento no interior do crente, e o alimento dessa fé é a Palavra de Deus:
"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.", Romanos 10.17
Por isso, a igreja local precisa se responsabilizar em administrar a Palavra de Deus aos membros. A verdade é que muitos irmãos se afastam por perder essa fé salvífica, e isso acontece principalmente por deixarem de alimentá-la com a Palavra de Deus. Isso é muito comum nos nossos dias, pois os crentes da atualidade leem muito pouco a Bíblia Sagrada.
2. A fé em Jesus é tanto um ato único quanto uma ação contínua.
A nossa fé está firmada em uma pessoa real: Jesus Cristo. Ele mesmo nos amou e voluntariamente entregou sua vida por nós (Gl 2.20). Essa fé não é estática, mas dinâmica, que cresce e amadurece à medida que nos relacionamos com Deus e ouvimos sua Palavra (Rm 10.17; 2Ts 1.3). Crer em Jesus nos conduz a uma nova realidade espiritual: morremos para o pecado e vivemos para Deus, em Cristo Jesus (Rm 6.11). Essa transformação profunda não vem de nós, mas é operada pelo poder do Espírito Santo, que habita em nós e nos guia em novidade de vida (Rm 8.11).
[...]
3. A fé nos une a Cristo.
Por meio da fé, o pecador é justificado diante de Deus, passando a ter paz com Ele (Rm 5.1). É também pela fé que ocorre a regeneração, quando o crente nasce de novo pela Palavra e pelo Espírito (Tt 3.5; 1Pe 1.23). Essa mesma fé permite que recebamos o Espírito Santo como selo da salvação e garantia da herança eterna (Ef 1.13). A fé, portanto, não é apenas um ato inicial, mas o elo vivo que nos une a Cristo, tornando-nos participantes da sua vida (Jo 1.12; Gl 3.26,27). Diante disso, o cristão é desafiado a cultivar uma fé genuína e perseverante, que produza frutos de transformação e comunhão constante com o Salvador.
No final deste subtópico, o comentarista afirma que "o cristão é desafiado a cultivar uma fé genuína e perseverante, que produza frutos", e de fato, viver a fé cristã no mundo não é fácil, pois tudo no mundo aponta para a racionalidade, não havendo espaço para as coisas espirituais e o sobrenatural fica relegado apenas aos filmes de terror e às lendas urbanas. É como se andássemos numa avenida, e todas as outras pessoas andassem na direção oposta, assim a caminhada fica bem difícil.
A outra característica dessa fé genuína, é a perseverança, essa é outra dificuldade, pois muitos começam bem e logo param, porque não permanecem alimentando a fé. O segredo é não parar.
Outro ponto interessante, é que a fé pode ser buscada em Deus, veja:
"Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé.", Lucas 17.5
SUBSÍDIO II
[...]
III. SALVAÇÃO E A DECISÃO PESSOAL
1. Deus oferece, o homem responde.
A salvação em Cristo é oferecida a toda a humanidade, mas só se torna eficaz na vida daqueles que, voluntariamente, se arrependem de seus pecados e creem no Evangelho. Embora a salvação seja um dom da graça, a responsabilidade de responder ao chamado divino recai sobre o pecador, que deve se arrepender e crer com sinceridade. O Evangelho é, essencialmente, um convite ao completo rendimento a Cristo, um chamado à entrega do coração e da vontade (Ap 3.20; Mt 11.28-30). Essa resposta, embora capacitada pelo Espírito, é pessoal e consciente, e demonstra que Deus não força ninguém a ser salvo — Ele convida, e espera uma entrega livre e amorosa.
2. A cooperação humana não é mérito, é resposta.
Responder com fé e arrependimento não significa que o ser humano salva a si mesmo, mas que aceita, com humildade, a obra que Deus realizou em Cristo (Jo 1.12). Assim, como não há mérito algum em um necessitado estender as mãos para receber uma esmola, como escreveu o teólogo pentecostal Myer Pearlman, também não há mérito em abrir o coração para receber a nova vida oferecida na cruz. Trata-se de uma resposta à graça, não de uma conquista humana. Ao se arrepender e crer, o pecador apenas acolhe aquilo que Deus, em sua misericórdia, já preparou (Ef 2.8,9). Dessa forma, embora não produza a salvação, o ser humano coopera com ela quando se rende ao chamado do Evangelho (At 2.38).
Os críticos do livre-arbítrio afirmam que se a salvação estiver condicionada em o ser humano tomar a decisão de se arrepender e seguir a Cristo, então a salvação deixa de ser por graça e passa a ser por mérito pessoal. Mas aqui o comentarista combate essa ideia, afirmando que não há nenhum mérito da pessoa em se arrepender, o mérito é totalmente de Deus que nos proporciona a salvação pela graça.
3. A graça não anula a responsabilidade.
A relação entre a soberania divina e a responsabilidade humana é uma realidade presente nas Escrituras, e ambas coexistem de forma harmoniosa no plano de salvação (Fp 2.12,13). O ser humano será julgado pela resposta que der ao chamado de Deus por meio de Cristo (Jo 3.18,19). Nesse sentido, é importante afirmar, desde já, que no ensino do Novo Testamento, a graça jamais anula a responsabilidade humana. Como no Éden, Deus deseja que o ser humano se aproxime dEle de forma voluntária e consciente, não por imposição, mas por amor (Gn 2.16,17). Diante disso, somos chamados a responder à graça divina com um coração disposto e obediente, pois a salvação, embora gratuita, exige uma resposta pessoal e jamais poderá ser terceirizada.
Aqui o comentarista utiliza o exemplo do livre-arbítrio praticado no Éden, pois ali mostra a forma como Deus quer que o ser humano faça a sua escolha:
"16 E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente,
17 Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.", Gênesis 2.16,17
Ou seja, a escolha do ser humano deve ser livre, pois Deus colocou uma árvore no meio do jardim e deu ao homem e à mulher a opção de não comer da árvore, isto é, a opção de obedecer ou não à ordem do Senhor. Essa é a primeira expressão do livre-arbítrio humano.
Quando o comentarista fala que a resposta pessoal jamais poderá ser terceirizada, significa que ninguém poderá dizer no Juízo Final: Fulano me obrigou a ser ímpio! ou Cicrano não me deixou seguir a Cristo. Esse tipo de resposta não livrará o indivíduo da condenação.
SUBSÍDIO III
[..]
CONCLUSÃO
A salvação é pela graça de Deus, mas essa graça exige uma resposta: arrependimento e fé. Isso revela que, embora a salvação não dependa de obras humanas, Deus nos chama a cooperar com o seu agir por meio de uma entrega sincera. Arrepender-se e crer são atitudes que abrem o coração para a ação transformadora do Espírito Santo. Você tem vivido uma fé que apenas acredita, ou uma fé que transforma e une cada vez mais a Cristo?
Professor(a), após essa conclusão, se desejar siga estas instruções:
- revise, com a classe, os pontos e ideias mais importantes comentados;
- elabore e faça as perguntas se houver tempo;
- elabore e faça as perguntas se houver tempo;
- convide os alunos para a próxima aula falando da próxima lição, mencionando algo interessante que vai ser tratado.
ESTANTE DO PROFESSOR
Bíblia de Estudo Patmos. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
HORA DA REVISÃO
1. O que significa “arrependimento”?
Arrependimento (gr. metanoia) significa “mudança de mente, de atitude e de direção”.
2. O que está no centro da mensagem do Evangelho?
O arrependimento está no centro da mensagem do Evangelho no Novo Testamento.
3. Em quem a nossa fé está firmada?
A nossa fé está firmada em uma pessoa real: Jesus Cristo.
4. A salvação é oferecida a todos, mas é eficaz para quem?
A salvação em Cristo é oferecida a toda a humanidade, mas só se torna eficaz na vida daqueles que, voluntariamente, se arrependem de seus pecados e creem no Evangelho.
5. Como somos chamados a responder à graça de Deus?
Somos chamados a responder à graça divina com um coração disposto e obediente.
Fonte: Revista CPAD Jovens
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