O Revestimento da Natureza e dos Valores de Cristo — Colossenses 3
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Colossenses 3.1-4, 8-10, 12-14, 17
1- Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.
2- Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra;
3- porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
4- Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória.
8- Mas, agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.
9- Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos
10- e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.
12- Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade,
13- suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.
14- E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.
17- E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
TEXTO ÁUREO
E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em Vossos corações; e sede agradecidos.
Colossenses 3.15
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Colossenses 3.1-2
Busquemos e pensemos nas coisas do alto
3ª feira - Colossenses 3.5-6
Deus é santo e não tolera o pecado
4ª feira - Colossenses 3.9-10
A nova vida implica troca de vestes
5ª feira - Colossenses 3.11
Em Jesus não há distinções
6ª feira - Colossenses 3.15
A paz governa quem se reveste de Cristo
Sábado - Colossenses 3.16
A palavra do Senhor enche o coração
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:
- reconhecer que sua posição em Cristo é elevada, ainda que o Inimigo diga o contrário;
- compreender que o salvo, unido a Jesus, tem acesso às realidades celestiais;
- entender que revestir-se do Filho é assumir plenamente o Seu caráter.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor, esta lição convida-nos a compreender a vida . Cristã como um processo contínuo de transformação — um “revestir-se de Cristo” que une fé, renúncia e prática.
Explique que o terceiro capítulo de Colossenses apresenta um movimento ascendente: a esperança que nasce da ressurreição com o Senhor, as exigências que conduzem à mortificação do pecado e as virtudes que se manifestam no “novo homem”.
Inicie a aula destacando a figura simbólica das vestes, para marcar o recomeço instituído pela Graça. Ressalte que esse revestimento é fruto da ação contínua da Palavra e do Espírito Santo — não apenas comportamento ético. Ao longo da exposição, estimule a classe a identificar sinais visíveis dessa restauração.
Excelente aula!
COMENTÁRIO
Palavra introdutória
No capítulo anterior, Paulo desmascara a arrogância dos falsos mestres — gnósticos e judaizantes — que tentavam diluir a simplicidade do evangelho. Agora, ele conduz os crentes de volta aos propósitos essenciais da fé: a esperança que os move, as exigências que os formam, as virtudes que os distinguem.
O termo “portanto”, em Colossenses 3.1, assinala a transição entre o que foi exposto no capítulo anterior (Cl 2.20) e a instrução seguinte. O apóstolo retoma uma ideia — “Se, pois, estais mortos com Cristo [...]” — para ampliá-la: “Se já ressuscitastes com Cristo [...)”. No primeiro caso, a morte simboliza O rompimento com o pecado; no segundo, a ressurreição expressa a nova condição diante do Senhor.
1. A VIDA DE QUEM RESSUSCITOU COM O FILHO
Paulo, ao iniciar O terceiro capítulo da Carta aos Colossenses, apresenta a esperança como o selo da vida que brota em Cristo. Ele ensina que a verdadeira comunhão com o Senhor nasce da união espiritual com Ele — não de esforços humanos. Todo aquele que ressuscita com o Filho defronta-se com um horizonte distinto, que o impele a: voltar-se para o alto, onde Ele reina; orientar seus pensamentos para aquilo que pertence aos Céus; e descansar na certeza de estar “escondido com Cristo em Deus” (Cl 3.1-4).
1.1. É marcada por uma nova realidade
A doutrina da ressurreição, amplamente afirmada no Novo Testamento e prenunciada pelos profetas (cf. Is 26.19; Dn 12.2), alude à vitória da vida sobre a morte.
Paulo, em suas cartas, transcende o aspecto escatológico: ele usa esse termo para descrever a existência recriada no Filho (cf. Rm 6.4-5; Ef 2.5-6) — quem estava morto para Deus foi vivificado pelo Seu poder e agora participa da dimensão celestial (cf. Cl 2.13).
É a essa condição que o apóstolo faz referência ao dizer: “Se já ressuscitastes com Cristo [...]” (Cl 3.1). Ele parte do pressuposto de que fala a pessoas regeneradas, cujo caminho foi transformado e redirecionado para o alto (cf. Fp 3.20). Essa nova realidade introduz dois movimentos inseparáveis — buscar aquilo que é excelente e pensar no que é sublime (Cl 3.1-2) — temas que serão desenvolvidos nos subtópicos seguintes.
1.2. Busca as coisas que são de cima
Paulo exorta os crentes a voltarem o coração para “onde Cristo está assentado à destra de Deus” (Cl 3.1; cf. Sl 110.1). O verbo grego zeteo, traduzido por “buscar”, expressa o esforço intencional de quem persegue algo precioso até encontrar. Trata-se, portanto, de um deslocamento contínuo rumo às riquezas que emanam do Soberano eterno — em contraste com as gratificações passageiras desta era.
O apóstolo não condena o ato de pedir por necessidades legítimas (cf. Fp 4.6), mas direciona o olhar para um desejo mais nobre: andar com o Senhor e participar de Sua vontade (Cf. Mt 6.33). “As coisas que são de cima” dizem respeito aos valores do Reino — à presença do Salvador, aos dons espirituais e à remodelação interior operada pelo Espírito Santo (cf. Rm 8.5).
1.3. Pensa nas coisas que são do alto
Paulo prossegue seu raciocínio exortando: “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Cl 3.2 - ARA), O verbo grego phronéõô significa “orientar o íntimo”, “manter foco sobre”. Voltar-se à glória celestial não implica desprezar as responsabilidades deste tempo, mas submeter todas elas à perspectiva do governo divino (cf. Mt 6.9-10; Rm 12.2).
O apóstolo contrapõe a inclinação carnal, voltada às paixões e às discussões vás, à mente renovada, que discerne o que agrada a Deus (cf. 1 Co 2.15-16). Sua advertência tem força antignóstica e continua atual: o cristão é chamado a viver de modo contemplativo é consciente, resistindo às teologias que reduzem o evangelho à busca de prosperidade material (cf. Fp 3.19-20).
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O evangelho não nos chama à acumulação desmedida, mas a ser mais parecidos com Jesus. Pensar “nas coisas do alto” é um convite ao realinhamento do coração: escolher a Eternidade quando o imediato seduz e desejar a vontade de Deus acima de qualquer promessa transitória.
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1.4. Permanece escondida com Cristo em Deus
Ao afirmar que os salvos já “estão mortos” e que sua “vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3.3), o apóstolo une duas verdades centrais: o crente morreu para o pecado e, ao mesmo tempo, vive para o Senhor (cf. Cl 2.13; Rm 6.11). O verbo grego krypto, “ocultar”, sugere proteção e pertença: nossa identidade está guardada no Filho — imperceptível aos olhos humanos —, mas plenamente conhecida pelo Pai (cf. Jo 15.18-21).
Essa face invisível da fé expressa tanto segurança quanto esperança. O discípulo mantém-se em anonimato diante do mundo — sua glória ainda não se manifestou —, mas aguarda o dia em que o Redentor, “que é a [sua] vida”, será revelado; então, os que n'Ele creem “também [se manifestarão] com Ele em glória” (Cl 3.4; cf. 1Jo 3.2).
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Paulo afirma que a vida do cristão “está escondi- da com Cristo em Deus” (Cl 3.3): dupla segurança, porque Cristo é o abrigo do crente, e Deus, o abrigo de Cristo.
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2. A VIDA DE QUEM MORTIFICA O PECADO
Depois de apresentar a esperança que orienta o caminho renovado em Cristo, Paulo expõe agora as exigências que dela decorrem. A mortificação da iniquidade evidencia-se em decisões firmes: renúncia às paixões carnais; domínio dos impulsos da alma; e espelhamento do caráter do Mestre (Cl 3.5-9).
2.1. É chamada à renúncia diária
Embora afirme que os crentes já morreram com o Senhor (cf. Cl 2.20), Paulo os conclama a uma mortificação constante: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena [...])” (Cl 3.5 - ARA; grifos do autor). O verbo grego nekrosate carrega peso de decisão, indicando a rejeição completa de atitudes incompatíveis com a vida recebida do Filho (cf. Rm 8.13).
Esse apelo poderia soar estranho a uma comunidade cristã, mas fazia sentido no contexto de Colossos. As correntes gnósticas — ao separar corpo e espírito — tratavam os pecados da carne como moralmente irrelevantes, como se a matéria não tivesse impacto no relacionamento com o Divino, Nessa lógica distorcida, o mal era tolerado, pois não afetaria aquilo que procede d'Ele, O apóstolo, porém, desmonta essa ideia: a verdadeira espiritualidade exige renúncia diária — o morrer para si mesmo é o que mantém viva a intimidade com Deus (cf. Lc 9.23).
2.2. Rejeita as obras da carne
Paulo adverte os crentes quanto às práticas que corrompem a integridade do ser. Ele menciona atos ligados aos desejos da carne — prostituição, impureza, apetite desordenado, concupiscência e avareza [identificada no texto como idolatria] — e lembra que tais atitudes atraem a justa ira de Deus (Cl 3.5-7).
Mas o pecado também se manifesta nas emoções e em seus desdobramentos: ira, cólera, malícia, maledicência e palavras torpes (Cl 3.8-9). Essas atitudes rompem a comunhão e revelam a velha natureza, incompatível com o que Cristo concedeu ao salvo (cf. Gl 5.19-21; Ef 4.31).
3. A VIDA DE QUEM SE REVESTE DO FILHO
A partir do versículo 10, Paulo volta-se às virtudes que distinguem os que foram alcançados por Jesus. O termo-chave desta seção é revestimento. O apóstolo recorre à imagem da troca de roupa — o abandono de um traje antigo e a adoção de outro, absolutamente íntegro — para marcar o contraste entre o ímpio e o salvo: “E vos revestistes do novo homem [...]” (Cl 3.10 - ARA; grifo do autor). Trata-se de uma verdadeira metamorfose interior: assim como a lagarta se transforma em borboleta, o crente, recoberto por Cristo, manifesta ao mundo o encanto de uma natureza refeita.
A jornada daquele que se deixa moldar pelo Filho é caracterizada por: refazimento contínuo; comunhão com os irmãos; atitudes compassivas; e sabedoria que brota da Palavra e se expressa no louvor (Cl 3.10-17).
3.1. É marcada por renovação interior
Paulo explica que, ao assumir a identidade do “novo ho. mem”, o crente “[...] se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.10; grifo do autor), em um processo contínuo de reconfiguração interior. Aquilo que procede de Cristo não permanece estático — é obra em andamento, conduzida pelo sopro do divino Consolador.
Em oposição aos gnósticos, que restringiam a revelação a uma elite espiritual (a chamada “escol”), o apóstolo afirma que todos os salvos podem avançar na compreensão do Senhor. A imagem corrompida pelo pecado é restaurada pela Graça, até refletir o caráter d'Aquele que é santo (cf. Ef 4.23-24).
3.2. Flui em comunhão com os irmãos
Paulo ensina que a vida em Jesus abole barreiras étnicas, culturais e sociais, apontando para um relacionamento fundado no amor, não em privilégios: “[...] Não ha grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre [...] (C1 3.11).
No final do versículo, o apóstolo declara que “Cristo é tudo em todos”. Diferentemente do pensamento gnóstico, que via Deus disperso no cosmos, Paulo afirma que Ele habita em Seu povo. O Criador não se confunde com a ordem criada — manifesta-se nas pessoas redimidas, que formam um só corpo nEle (cf. 1 Co 12.13; Gl 3.28).
3.3. É adornada por virtudes incomparáveis
O revestimento de Cristo manifesta-se em atitudes que refletem o caráter do Salvador. Paulo recorda aos colossenses que eles eram “eleitos de Deus, santos e amados” (Cl 3.12), e, como tais, deviam trajar-se de “misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade”, suportando-se e perdoando-se mutuamente (Cl 3.12-13).
Sobre todas essas virtudes, o apóstolo destaca o amor, que as une em perfeita harmonia, e acrescenta a gratidão como sinal de maturidade (Cl 3.14-15).
3.4. É guiada pela Palavra e pelo louvor
Paulo — ciente de que não basta conhecer a Escritura, pois muitos a estudam, mas não se deixam moldar por ela — exorta os colossenses a permitirem que “a mensagem de Cristo, com toda a sua riqueza, viva” em seus corações (Cl 3.16 - NTLH; grifo do autor). Essa presença é transformadora: o evangelho se entranha no íntimo do crente, que é morada do Espírito Santo (cf. 1 Co 3.16).
Na sequência, em oposição à cosmovisão elitista dos gnósticos, apresenta a adoração como fruto natural de uma identidade plasmada pela verdade e pela gratidão: “[...] Cantem salmos, hinos e canções espirituais; louvem a Deus, com gratidão no coração” (Cl 3.16 = NTLH; cf. Ef 5.19-20).
Por fim, o apóstolo diz que tudo o que o salvo realiza — seja por palavras ou por obras — deve ser feito “em nome do Senhor Jesus” (Cl 3.17); assim, o culto ultrapassa o templo e se desdobra na rotina, como expressão constante de Sua presença na Igreja.
CONCLUSÃO
Ao longo da Carta aos Colossenses, Paulo não hesita em confrontar os falsos mestres, enquanto reserva seu tom mais elevado aos que foram alcançados pela Graça.
Como vimos nesta lição, a jornada cristã é orientada pela esperança que nasce da ressurreição, pelas exigências que levam à mortificação do pecado e pelas virtudes que revelam o caráter do Salvador. Esses movimentos interiores apontam para uma conversão visível, como quem troca os “trapos de imundícia” (cf. Is 64.6) por roupagens luzentes. Afinal, fomos chamados a revestir-nos de Cristo e, assim, manifestar ao mundo a beleza da nova vida que d'Ele recebemos.
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Que imagem o apóstolo usa para descrever a transformação do salvo, e o que ela representa (Cl 3.10-14)?
R.: A imagem do revestimento — a troca de roupas velhas por novas — simboliza a mudança de vida operada pela Graça.
Fonte: Revista Central Gospel

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