TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Lucas 11.1
1 - E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe
disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também
João ensinou aos seus discípulos.
Mateus 6.5-13
5 - E, quando orares, não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em
orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos
homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
6 - Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora
a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te
recompensará.
7 - E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que,
por muito falarem, serão ouvidos.
8 - Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes.
9 - Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja
o teu nome.
10 - Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu.
11 - O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
12 - Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
13 - E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino,
e o poder, e a glória, para sempre. Amém!
TEXTO ÁUREO
Se vós estiverdes
em mim, e as
minhas palavras
estiverem em vós,
pedireis tudo o que
quiserdes, e vos será
feito.
João 15.7
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Lucas 11.1-13
Aprender a orar é discipulado e confiança
3ª feira - Jeremias 29.12-13
Sem teatro e sem ansiedade: o Pai vê
4ª feira - Mateus 7.7-11
Perseverança que nasce da bondade do Pai
5ª feira -Marcos 11.22-25
Fé e perdão no coração: oração sem duplicidade
6ª feira - João 15.7-11
Permanecer em Jesus: desejos e vida frutífera
Sábado - João 17.1-5
A oração que revela prioridades
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:
- discernir as principais distorções reprovadas por Jesus na prática da oração — hipocrisia, repetição vazia e orgulho;
- aplicar fundamentos essenciais ensinados pelo Mestre para uma vida de oração saudável — fé, perseverança, permanência na Palavra e oração em Seu nome;
- usar o Pai-nosso como modelo formativo, organizando o coração e as prioridades diante de Deus.
Caro professor, esta lição será mais proveitosa quando o aluno compreender que Jesus não ensina apenas um modo de pedir, mas promove uma formação interior.
Comece mostrando que o Mestre corrige as distorções da
oração: quando ela se torna vitrine, repetição vazia ou palco
para o ego, perde seu sentido. Em seguida, conduza a classe
aos fundamentos: fé no caráter do Pai; permanência no Filho; e
a consciência de que oramos em Seu nome, apoiados em Sua
obra redentora.
Depois, apresente o Pai-nosso como modelo que organiza
prioridades. Leia Mateus 6.9-13 e ajude os alunos a perceber o
movimento do texto: Deus no centro, coração alinhado e necessidades apresentadas com sobriedade. Se possível, finalize com
um breve momento de oração guiada, pedindo que o Espírito
Santo transforme não apenas as palavras, mas a postura de
cada um diante do Senhor.
Boa aula!
COMENTÁRIO
Palavra introdutória
A oração ocupa lugar central no ministério terreno de
Jesus. Ele ensinou sobre essa prática tanto por Suas palavras quanto por Seu exemplo pessoal (cf. Mt 6.5-13; Lc
5.16; 11.1). O Mestre não apresentou técnicas para fazer
Deus agir, nem tratou esse exercício espiritual como um
rito para aliviar a consciência ou impressionar pessoas.
Para Ele, orar é viver em comunhão real com o Pai.
Nesta lição, veremos o que Cristo ensinou acerca: (1)
das distorções que adoecem a vida devocional; (2) dos fundamentos que sustentam uma prática saudável; e (3) do
modelo que organiza o coração diante de Deus — não apenas o que dizer, mas como nos colocar diante d’Ele.
1. ORAÇÕES REPROVADAS PELO MESTRE JESUS
1.1. Orações que visam à autopromoção
Jesus denuncia a oração motivada pela busca de reconhecimento público — como no caso dos fariseus hipócritas, que oravam em pé nas sinagogas e nas esquinas “para serem vistos”
(cf. Mt 6.5). Segundo o Mestre, esse tipo de prática já recebeu
sua recompensa nos aplausos humanos e, por isso, perde seu
valor: pode impressionar pessoas, mas não alcança o Pai.
Quando a oração se transforma em performance, torna-se
espiritualmente estéril. Como observa John Stott, esse tipo de
atitude desloca o foco de Deus para os homens e esvazia o
envolvimento do coração. Em vez disso, o Mestre chama Seus
discípulos à intimidade, para falarem com o Pai em secreto,
certos de que Ele vê o que está oculto e responde com Sua
Graça (cf. Mt 6.6).
1.2. Orações baseadas em vãs repetições
Jesus adverte contra a repetição automática de palavras,
como faziam os gentios, que pensavam ser atendidos por falarem muito (cf. Mt 6.7). O ensino é claro: o Pai não é persuadido pela quantidade de palavras, como se a insistência
pudesse substituir a confiança. Pelo contrário, Ele conhece
as necessidades de Seus filhos antes mesmo que Lhe sejam
apresentadas em oração (cf. Mt 6.8).
O Mestre não censura a perseverança de quem ora com
fé quando a resposta demora; reprova a repetição vazia —
palavras multiplicadas sem fé, sem atenção do coração e sem
comunhão, como se a oração fosse um mecanismo. Assim, o
problema não está em orar mais de uma vez, mas em tratar
esse exercício espiritual como uma fórmula repetida.
1.3. Orações cheias de hipocrisia
Ao evocar Isaías 29.13, Jesus é incisivo: “Este povo honra-
-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim”
(Mt 15.8). Aqui, o Mestre denuncia a devoção sem sinceridade — gestos piedosos sem correspondência interior. A pessoa
se aproxima em oração, mas o coração permanece distante,
sem arrependimento, sem amor e sem disposição real para
obedecer.
Matthew Henry observa que esse tipo de religiosidade é
abominável aos olhos do Senhor. Na mesma direção, Aiden
Tozer destaca: “A oração que não passa de palavras é como
incenso sem fogo — não sobe ao Céu”. Por essa razão, expressões hipócritas de devoção estão entre as práticas mais
reprovadas por Jesus: o Pai procura adoradores que O adorem “em espírito e em verdade” (cf. Jo 4.23).
1.4. Orações marcadas por um espírito orgulhoso
Jesus reprova a oração de quem se apresenta diante de
Deus como alguém que merece ser ouvido. Um exemplo marcante é a parábola do fariseu e do publicano, registrada em
Lucas 18.9-14. O fariseu se julgava superior — “não sou como
os demais homens [...] nem ainda como este publicano” — e
deixava claro que confiava nas próprias obras, destacando o
jejum frequente e a prática do dízimo (vv. 11-12).
Em contraste, o publicano nem ousava levantar os olhos
ao céu e clamava por misericórdia. Ele não apresenta currículo espiritual; há apenas a consciência humilde de quem
depende da Graça divina. Assim, Jesus mostra que foi ele, e
não o fariseu, quem voltou justificado, pois Deus derruba o
orgulhoso e exalta o humilde (cf. Lc 18.14).
2. ENSINOS ESSENCIAIS DO MESTRE SOBRE
ORAÇÃO
2.1. Devemos orar com fé
Orar com fé, segundo Jesus, é fazê-lo com a certeza de
nossa identidade como filhos e com confiança real no caráter
do Pai (cf. Mt 7.7-11). O Mestre associa a eficácia da oração à
fé de quem ora: “E tudo o que pedirdes na oração, crendo,
o recebereis” (Mt 21.22; grifos do autor). Entre o pedir e o
receber está o crer — eixo fundante desse ensino.
Além disso, Jesus deixa claro que esse crer envolve a inteireza do ser. Em Marcos 11.23-24, Ele fala de não duvidar
“em seu coração” (v. 23), isto é, de não viver em duplicidade
interior: pedir com os lábios e desconfiar por dentro. Isso não
significa ausência de luta interior, mas que a oração não será conduzida por ela. A fé não é a inexistência da dúvida; é a
vitória sobre ela.
2.2. Devemos orar com perseverança
Jesus não apenas ensina a orar com fé, mas também a orar
“sempre e nunca desfalecer” (cf. Lc 18.1). Na parábola do
amigo importuno (cf. Lc 11.5-8) e na do juiz iníquo (cf. Lc
18.1-8), Ele mostra que a perseverança não busca vencer a
resistência de um Deus relutante, mas evidenciar o contraste — se até um amigo incomodado e um juiz injusto cedem,
quanto mais o Pai, justo e bondoso, ouvirá Seus filhos.
Essa persistência aparece nos imperativos de Mateus 7.7-
8: “Pedi [...] buscai [...] batei [...]”. Perseverar, portanto, não
é teimosia cega, mas a confiança do discípulo que sabe que
o Pai é bom, o ouve e o ensina a esperar. Por isso, o crente continua buscando — não para forçar Deus, mas porque crê
que, no tempo e no modo certos, Ele responderá.
2.3. Devemos orar conectados n’Ele e alinhados com a
Palavra
Permanecer em Jesus é essencial para uma vida de oração
eficaz: é dessa união com Ele e com Sua Palavra que brotam
pedidos alinhados à Sua vontade (cf. Jo 15.7). Dallas Willard
descreve essa permanência como uma vida sob a influência
contínua de Cristo, pela qual o interior do discípulo é ajustado
ao coração de Deus.
Somente quando permanecemos n’Ele é que desejos e pedidos passam a ser moldados por Seus ensinamentos e caráter. Assim, a oração deixa de ser apenas um meio de obter
coisas e se torna um diálogo formativo, no qual o Espírito
Santo usa a Palavra para iluminar, confrontar e consolar. A
eficácia, portanto, não está apenas na forma do pedido, mas
no tipo de vida que o sustenta.
2.4. Devemos orar em Seu nome
Jesus ensina que devemos apresentar nossas petições em
Seu nome (cf. Jo 14.13-14; 15.16; 16.23-24). Isso vai além
de acrescentar uma expressão ao final da oração: trata-se
de orar com a consciência de quem Ele é, do que realizou
e da autoridade que o Pai Lhe concedeu. Pedir em Seu nome é comparecer diante de Deus não em mérito próprio, mas
apoiados em Sua obra redentora consumada na cruz.
Orar em nome de Jesus, portanto, é um ato de fé que se
sustenta em Sua suficiência, e não em qualquer justiça ou
capacidade nossa. Como observa John Owen, essa prática se
fundamenta na pessoa, no ofício e na obra de Cristo, e não em
qualquer mérito humano.
3. O MESTRE NOS DÁ UM MODELO:
O PAI-NOSSO
Depois de reprovar distorções e firmar fundamentos,
Jesus apresenta um modelo ao orientar como devemos orar
(cf. Mt 6.9). O Pai-nosso surge como a culminação desse ensino, dando direção e maturidade ao modo como o discípulo se
aproxima de Deus.
3.1. Pai nosso, que estás nos Céus — A oração que
começa pela filiação
Mais do que uma metáfora afetiva, ao ensinar os discípulos a chamar Deus de Pai, Jesus revela uma dimensão essencial do caráter divino: Ele se relaciona conosco e nos ouve com amor e
acolhimento.
Há, porém, um detalhe precioso:
Jesus não diz “Pai meu”, mas “Pai
nosso” (gr. Pater hēmōn). Isso não
elimina a intimidade; impede que ela
se torne individualista. A oração nos
cura do egoísmo e nos lembra que o
Deus que me ouve é o mesmo Deus
que ouve o meu irmão.
Antes de ser instrumento para
apresentar necessidades, a oração
traz a marca da comunhão e da adoração. Por isso a declaração: “Santificado seja o Teu nome” (Mt 6.9). Orar
começa pela filiação, mas se estabelece em adoração: o Pai é
íntimo, e Seu nome é santo.
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Nos Evangelhos, Jesus se
dirige a Deus como “Pai”
(gr. Pater). No contexto
aramaico, essa relação
filial é bem expressa pelo
termo Abba, que comunica
intimidade e confiança
— algo marcante para a
espiritualidade da época,
como observa Joachim
Jeremias.
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3.2. Venha o Teu Reino — A oração que se alinha ao
governo de Deus
Da filiação, Jesus nos conduz ao governo: “Venha o teu
Reino; seja feita a tua vontade [...]” (Mt 6.10). O Pai também
é Rei e reina com autoridade absoluta. Essa tensão saudável
preserva a oração tanto do sentimentalismo quanto da irreverência.
George Ladd destaca que o Reino de Deus não é apenas
uma realidade futura, mas o governo divino já em ação na
História por intermédio de Jesus. Orar “venha o teu Reino” é
consentir que esse governo se imponha dentro de nós, reordenando desejos, prioridades e decisões, aqui e agora. Nesse
sentido, Deus é o centro da oração, não o Homem. Como observa John Piper, as primeiras petições do Pai-nosso deslocam
o foco do meu para o Teu — Teu nome, Teu Reino, Tua vontade
— porque a oração verdadeira começa n’Ele.
3.3. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje — A oração
que entrega o cotidiano ao Senhor
A oração, então, alcança as necessidades: “O pão nosso de
cada dia dá-nos hoje [...]” (Mt 6.11). Buscamos o Pai, em intimidade; reconhecemos o Rei, em
submissão; e clamamos ao Senhor,
em dependência concreta. Como
observa Richard Foster, esse pedido expressa confiança diária em um
Deus que sustenta integralmente a
vida.
Muitos aceitam Deus como Pai e
O confessam como Rei, mas resistem ao Seu senhorio no dia a dia.
Creem; porém, ao orar, fazem-no de
modo seletivo: entregam algumas
áreas e preservam outras. Contudo,
ou o Senhor governa sobre tudo, ou
não governa, de fato, nossa vida (cf.
Mt 19.16-30).
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Nas petições finais do Pai-
-nosso, Jesus mostra que a
oração alcança toda a vida:
“Perdoa-nos [...] não nos
deixes cair em tentação
[...] livra-nos do mal” (Mt
6.12-13). Como destaca
E. M. Bounds, reconhecer
o senhorio do Altíssimo
é submeter tudo ao Seu
governo, sem reservas.
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CONCLUSÃO
Esta lição nos conduz a uma compreensão essencial: a oração revela quem Deus é para nós. Quando Ele é Pai, oramos
com intimidade; quando é Rei, com submissão; quando é Senhor, com dependência.
A maturidade na oração não nasce da intensidade, mas
da revelação de quem Deus é na relação que temos com Ele.
Onde essa imagem é saudável, a oração flui; onde é distorcida,
torna-se pesada ou infrutífera. Jesus nos ensinou a orar não
apenas para sermos ouvidos, mas para nos aproximarmos do
Pai e sermos transformados por Sua presença.
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Segundo o ensino de Jesus apresentado na lição, qual distorção da oração deve ser evitada e qual fundamento deve
ser praticado para uma vida devocional saudável?
R.: Jesus reprova distorções como a hipocrisia, a repetição vazia e o orgulho. Em contraste, ensina fundamentos para
uma vida de oração saudável, como fé, perseverança, permanência em Sua Palavra e oração em Seu nome.
Fonte: Revista Central Gospel

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