TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Colossenses 4.2-6
2 - Perseverai em oração, velando nela com ação de graças;
3 - orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da
palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também
preso;
4 - para que o manifeste, como me convém falar.
5 - Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo.
6 - A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um.
Filipenses 4.6-7
6 - Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em
tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças.
7 - E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.
Jeremias 33.3
3 - Clama a mim, e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes, que
não sabes.
TEXTO ÁUREO
E esta é a confiança
que temos nele: que,
se pedirmos alguma
coisa, segundo a sua
vontade, ele nos ouve.
1 João 5.14
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Salmo 145.18
Deus está perto dos que o invocam
3ª feira - Mateus 6.9-13
A amplitude dos propósitos da oração
4ª feira - Daniel 9.3-5
Oração de confissão e arrependimento
5ª feira - Provérbios 3.5-6
Oração como busca de direção
6ª feira - 1 Timóteo 2.1-2
Súplica, intercessão e ação de graças
Sábado - Salmo 13
Oração de clamor e lamento
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:
- identificar os três propósitos da oração — Deus, vontade revelada e demandas da vida —, compreendendo sua ordem e equilíbrio;
- praticar a oração como comunhão com o Senhor, cultivando gratidão, adoração e intimidade como fundamento da vida devocional;
- aplicar a oração como caminho de alinhamento à Palavra e como meio de apresentar, com responsabilidade, necessidades, intercessões e decisões diante de Deus.
Caro professor, esta lição amplia o horizonte do aluno em relação à oração. Depois de compreender sua natureza relacional
(Lição 1), o objetivo agora é mostrar que ela se expressa de diversas formas e atende a múltiplos propósitos, sem perder sua
unidade essencial.
Evite tratar os tipos de oração como uma lista técnica. Destaque que cada forma revela uma dimensão do relacionamento
com Deus. Incentive os alunos a identificar quais dessas expressões predominam em sua prática pessoal e quais estão ausentes.
A proposta não é gerar culpa, mas promover consciência e amadurecimento espiritual.
Ao final, conduza a turma a praticar uma oração em três movimentos: (1) comunhão/adoração; (2) alinhamento à Palavra; (3)
pedidos e intercessões.
Boa aula!
COMENTÁRIO
Palavra introdutória
A oração é tão ampla quanto a própria vida: em alguns
dias nasce da gratidão, em outros da urgência; às vezes
brota como louvor, outras vezes faltam palavras. Há momentos em que parece uma lâmpada acesa no coração; em
outros, as emoções destoam do que cremos no espírito.
Sem um centro bem definido, o crente pode oscilar entre extremos: às vezes transforma a oração em lista de
pedidos; em outras é tomado por um sentimento de não
merecimento. Deus pode ser visto como distante ou tão
próximo que a reverência se perde. A Bíblia não oferece
um manual técnico, mas revela uma lógica espiritual que
protege o coração desses desequilíbrios.
Nesta lição, trataremos dos três grandes propósitos da
oração, cuja compreensão favorece uma vida devocional
equilibrada e espiritualmente saudável.
1. PROPÓSITOS DA ORAÇÃO LIGADOS À
PESSOA DE DEUS
1.1. Comunhão com o Pai
Se existe um propósito que deve governar todos os demais, é este: orar para estar com o Senhor — e não como
meio para obter algo. A oração é um encontro relacional
e familiar com Deus, como ensina o Pai-nosso (cf. Mt 6.9).
Jesus a retira da performance religiosa e a reposiciona
como vida de intimidade, ao orientar que a busca pelo Pai
seja feita no secreto (cf. Mt 6.6).
Esse chamado à comunhão não é recente. O relato do
Éden descreve que o Senhor se aproximava do homem e
de sua mulher na “viração do dia” (cf. Gn 3.8). Mesmo após
o pecado, Deus chama o homem e pergunta onde ele estava (cf. Gn 3.8-9). Orar é responder a essa iniciativa divina,
saindo dos esconderijos do medo e da culpa e voltando ao
lugar do encontro.
Andrew Murray sintetiza essa perspectiva ao ensinar
que aprender a orar é aprender a permanecer na presença
de Deus, permitindo que a comunhão molde o coração antes das palavras (cf. Jo 15.4; Sl 27.4).
1.2. Louvor e adoração
Se a comunhão é o fundamento do relacionamento com
Deus, o louvor e a adoração são a resposta natural diante de Sua presença. A Escritura nos ensina o modo de expressar esse reconhecimento, ao apresentar o Senhor como
“Santo, Santo, Santo” (cf. Is 6.3) e “digno de receber glória, e honra, e poder” (cf. Ap 4.11). Jesus estabelece essa
ordem na oração do Pai-nosso, colocando a santificação do
nome de Deus antes de qualquer petição (cf. Mt 6.9).
Richard Foster descreve que a adoração nos reconduz
ao lar do coração, lugar onde Deus volta a ocupar o centro
e onde a alma reaprende reverência, confiança e devoção.
Atendamos, pois, de bom grado ao convite do salmista:
“Engrandecei ao Senhor comigo, e juntos exaltemos o seu
nome” (Sl 34.3).
1.3. Ações de graças
Se a adoração é nossa resposta a quem Deus é, a ação
de graças responde ao que Ele faz. Gratidão não é detalhe:
ela preserva a percepção espiritual e fortalece a fé. Por
isso, a Escritura nos chama a viver em constante gratidão,
reconhecendo nisso a vontade de Deus em Cristo Jesus (cf.
1 Ts 5.18).
Não se trata de dizer que todo sofrimento é bom em si,
mas de manter, em toda circunstância, o coração ligado à
bondade e ao governo divino — como relata o Livro de Atos
ao dizer que Paulo e Silas, presos, “oravam e cantavam
hinos a Deus” (cf. At 16.25).
E. M. Bounds observa que uma oração sem gratidão
pode perder sensibilidade espiritual e se tornar mecânica,
centrada apenas em necessidades imediatas.
2. PROPÓSITOS DA ORAÇÃO EM RELAÇÃO ÀS
ESCRITURAS SAGRADAS
Se no Antigo Testamento a oração é apresentada por
imagens ricas e variadas, no Novo Testamento ela ganha contornos ainda mais claros a partir dos termos usados pelos escritores sagrados.
2.1. Discernir a vontade de Deus
revelada na Palavra
Discernir a vontade de Deus é
aprender a pensar e a desejar segundo Ele, à luz do que já foi revelado nas Escrituras. Em vez de orar
para tentar convencê-Lo de que
estamos certos sobre o que desejamos, o crente ora para submeter
seus anseios a um critério superior,
confiando que o Senhor ouve aquilo
que está de acordo com a Sua vontade (cf. 1 Jo 5.14).
A oração, então, não é apenas fala; é exposição do coração
à luz da Palavra. Por isso, o salmista pede que Deus sonde o
seu íntimo, revele os caminhos tortuosos e o conduza pelo
caminho eterno (cf. Sl 139.23-24). Aqui, discernir a vontade
revelada é permitir que Deus corrija nossos pensamentos e
intenções.
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Dallas Willard esclarece
que a oração, quando praticada sob a luz do Reino
e da Palavra, deixa de ser
um instrumento de “controle espiritual” e passa a
reorganizar o interior do
orante, moldando sua maneira de pensar e decidir
(cf. Rm 12.2).
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2.2. Obedecer à vontade expressa de Deus
Discernimento sem obediência é apenas informação religiosa. A oração madura caminha para a rendição: ela não termina quando entendemos; avança quando nos submetemos.
Jesus ensina que a oração deve colocar a vontade de Deus
como eixo do nosso viver, ao nos conduzir a pedir que ela se
cumpra “na terra como no céu” (cf. Mt 6.10). A vontade divina não é apenas um tema espiritual; é a direção concreta que
deve governar a vida.
C. S. Lewis observa que, na oração, Deus não é remodelado por nossos desejos; nós é que somos transformados pela
vontade d’Ele, e essa submissão nos liberta da ilusão de controle. No Getsêmani, Jesus ensina isso de modo prático, ao
submeter o coração mesmo diante do peso da hora (cf. Lc
22.42). O Mestre não nega o custo; Ele se rende. Isso nos afasta tanto da tentativa de controlar resultados quanto da passividade que usa a vontade de Deus como desculpa para não
orar. Na Bíblia, submissão não é fatalismo; é confiança ativa
(cf. Cl 1.9-10).
2.3. Interceder pelo avanço do Reino
Quando a oração é moldada pela Palavra, ela transborda
em missão. A vontade revelada de Deus não é apenas correção moral; inclui o avanço do Reino na História. Por isso,
Jesus coloca essa petição no coração da oração, ao nos ensinar a pedir que o Reino venha e que a vontade de Deus se
cumpra em todas as dimensões da existência (cf. Mt 6.10).
Orar pelo Reino é desejar que o governo de Deus se manifeste
em salvação, santidade, verdade e justiça no mundo que nos
cerca — primeiro em nós, depois entre nós e, então, por nosso
intermédio.
Jesus une missão e oração ao ensinar que a seara é grande
e que devemos pedir ao Senhor que envie trabalhadores para
Sua obra (cf. Mt 9.37-38). Paulo segue na mesma direção, ao
pedir que os irmãos colossenses orem para que Deus abra
portas à Palavra e ao testemunho de Cristo (cf. Cl 4.3). Deus
chama a Igreja a pedir, perseverar e cooperar com o que Ele
está realizando por meio da oração. Esse propósito inclui interceder por salvação e testemunho (cf. 1 Tm 2.1-4; Rm 10.1),
por governantes e paz social (cf. 1 Tm 2.1-2) e por unidade e
santidade do povo de Deus (cf. Jo 17.20-23).
3. PROPÓSITOS DA ORAÇÃO EM RELAÇÃO ÀS
NOSSAS DEMANDAS
3.1. Interceder pelo próximo
A intercessão não é tarefa exclusiva de líderes; é a vocação de todo o povo de Deus, chamado a viver como sacerdotes diante do Senhor. As Escrituras afirmam que somos “a
geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (1 Pe 2.9).
Paulo coloca essa prioridade de modo direto, ao exortar que
se façam “súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos” (1 Tm 2.1 – ARA).
Essa dimensão também aparece
na família. O Livro de Jó o retrata como alguém que se colocava diante
de Deus em favor dos filhos, apresentando-os continuamente ao Senhor (cf. Jó 1.5).
Interceder é o amor ajoelhado pelo cansado, pelo enfermo, pelo desanimado; é a obediência ao chamado
para orar “uns pelos outros” (cf. Tg
5.16).
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Dutch Sheets destaca que
a intercessão desloca o
centro da vida espiritual
do indivíduo para uma
parceria consciente com
Deus, na qual ele participa
do agir divino na História.
Interceder é, muitas vezes,
servir quando não há mais
nada que se possa fazer.
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3.2. Suplicar por nossas necessidades
Se a oração alcança o próximo, é natural que também alcance a vida do próprio orante. Deus trata o coração enquanto o crente ora e, muitas vezes, reorganiza a vida nesse caminho (cf. Jó 42.10). O pedido por provisão diária ocupa lugar
central no Pai-nosso, ao nos ensinar a depender do “pão de
cada dia” (cf. Mt 6.11). Pedir não é fraqueza; é dependência.
A súplica não é ansiedade disfarçada, mas um meio de
vencê-la. Paulo orienta que nossas preocupações devem ser
apresentadas a Deus em oração, e a Sua paz, “que excede
todo o entendimento”, guardará o nosso coração (cf. Fp 4.6-
7). Por isso, a súplica não envolve apenas pedir, mas também
descansar n’Ele.
E. M. Bounds observa que a força da súplica não está no
emocionalismo, mas na profundidade espiritual do orante —
numa vida interior que sustenta a oração sob pressão intensa
e quando a resposta ainda não veio. Nesse contexto, cabem
pedidos por provisão e sustento (cf. Mt 6.11; Pv 30.8-9), clamores por socorro imediato (cf. Mt 14.30), orações por cura
e restauração (cf. Sl 103.2-3; Tg 5.14-16) e pedidos por livramento do mal e da tentação (cf. Mt 6.13; Mt 26.41).
3.3. Pedir sabedoria e direção nas decisões da vida
A vida apresenta bifurcações que definem rumos e exigem
discernimento. Por isso, oramos em dependência para que
Deus nos conduza em Sua vontade, reconhecendo-O em todos os caminhos e confiando que Ele endireita as veredas (cf.
Pv 3.6).
Dallas Willard observa que a maturidade se revela quando o cristão aprende a discernir diante do Senhor não apenas como quem acumula informação, mas como quem tem
o modo de viver e decidir transformado. No Livro de Atos,
vemos Paulo e seus companheiros sendo impedidos pelo Espírito de seguir para a Ásia e, depois, recebendo clareza quanto
ao rumo a tomar (cf. At 16.6-7, 9). Não se trata, portanto, de
buscar atalhos místicos; trata-se de formar um coração sensível e obediente para reconhecer a direção divina.
Direção é a vontade do Pai aplicada ao caso concreto. A
Bíblia revela a vontade geral e estabelece parâmetros, e o
Espírito Santo torna a Palavra viva e pertinente à nossa realidade. Muitas derrotas ocorrem porque deixamos de consultar
a Deus e de ouvir a Sua voz (cf. Is 30.21).
CONCLUSÃO
Ao longo desta lição, vimos que a oração segue uma ordem espiritualmente saudável: primeiro, dirige-se à Pessoa de
Deus. Em seguida, relaciona-se com as Escrituras, levando
o crente a discernir e a submeter-se à vontade revelada. Só
então alcança as demandas concretas da vida — intercessões,
necessidades e decisões. Essa ordem nos protege de extremos, fortalece a maturidade e dá estabilidade à vida devocional.
Quando Deus está no centro, a Palavra é o parâmetro e a
vida inteira é apresentada ao Pai; assim a oração deixa de ser
mero pedido e se torna um caminho contínuo de comunhão,
obediência e crescimento espiritual.
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. De acordo com a lição, a oração pode ser organizada em
três movimentos principais. Quais são essas três partes e
qual é o propósito de cada uma delas na vida devocional
do cristão?
R.: Comunhão/adoração; submissão à vontade revelada na
Palavra; pedidos e intercessões. Cada parte expressa,
respectivamente, relacionamento com Deus, alinhamento à Sua vontade e apresentação das necessidades
da vida.
Fonte: Revista Central Gospel

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