TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Êxodo 17.8-13
8 - Então, veio Amaleque e pelejou contra Israel em Refidim.
9 - Pelo que disse Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra
Amaleque; amanhã, eu estarei no cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão.
10 - E fez Josué como Moisés lhe dissera, pelejando contra Amaleque; mas
Moisés, Arão e Hur subiram ao cume do outeiro.
11 - E acontecia que, quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia;
mas, quando ele abaixava a sua mão, Amaleque prevalecia.
12 - Porém as mãos de Moisés eram pesadas; por isso, tomaram uma pedra e
a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela; e Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado, e o outro, do outro; assim ficaram as
suas mãos firmes até que o sol se pôs.
13 - E, assim, Josué desfez a Amaleque e a seu povo a fio de espada.
1 Timóteo 2.1-4
1 - Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações,
intercessões e ações de graças por todos os homens,
2 - pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos
uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade.
3 - Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador,
4 - que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da
verdade.
TEXTO ÁUREO
Confessai as vossas
culpas uns aos
outros e orai uns
pelos outros, para
que sareis; a oração
feita por um justo
pode muito em seus
efeitos.
Tiago 5.16
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira – Gênesis 18.22-33
Abraão intercede por Sodoma
3ª feira – Êxodo 32.9-14
Moisés intercede por Israel
4ª feira – João 17.1-26
Jesus intercede por Seus discípulos
5ª feira – Romanos 8.26-27
O Espírito intercede por nós
6ª feira – Hebreus 7.25
Cristo vive para interceder por nós
Sábado – Tiago 5.13-18
O poder da oração intercessória
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:
- compreender biblicamente o que é intercessão e reconhecer por que ela ocupa lugar essencial na vida de todos os crentes;
- entender que a intercessão participa das batalhas do povo de Deus, sustentando-o em dependência, perseverança e fé;
- reconhecer a intercessão como ministério permanente da Igreja, exercido em união com Cristo.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor, nesta lição mostre que a intercessão não é um
tema periférico, mas expressão concreta da dependência de Deus
e da responsabilidade espiritual diante das necessidades do próximo. Destaque que interceder não é apenas lembrar de alguém
em oração, mas colocar-se diante do Senhor em favor de pessoas,
causas e batalhas que exigem mais do que recursos humanos.
Ao trabalhar Êxodo 17.8-13, destaque dois planos inseparáveis: a luta no vale e a dependência no monte. Josué combate,
enquanto Moisés intercede. Assim, a lição deve mostrar que,
no povo de Deus, obediência prática e intercessão perseverante
pertencem à mesma dinâmica de vitória.
Por fim, enfatize que a intercessão da Igreja nasce de sua
união com Cristo, o grande Sumo Sacerdote, e se expressa em
amor, empatia e compromisso com o próximo. A aula deve levar
os alunos não apenas a compreender o valor da intercessão,
mas a assumir seu lugar como intercessores.
Boa aula!
COMENTÁRIO
Palavra introdutória
A intercessão ocupa lugar central na vida do povo de Deus.
Ao longo das Escrituras, aparece em situações que exigem intervenção divina, mostrando que não se trata de um detalhe
da fé cristã, mas de uma prática ligada à dependência do Senhor e à manifestação do Seu agir.
Ela se expressa na disposição de retirar do centro das
orações os próprios interesses para colocar em seu lugar as
necessidades dos outros. Tratar desse tema é abordar uma
dimensão indispensável da missão da Igreja. Nesta lição, veremos o que é intercessão, como ela se relaciona com a vitória do povo de Deus e por que deve ser compreendida como
ministério permanente do Corpo de Cristo.
1. O QUE É INTERCESSÃO E POR QUE ELA É
IMPORTANTE
1.1. Interceder é colocar-se diante de Deus em favor
de outros
Interceder é colocar-se diante de Deus em favor de outra
pessoa ou de uma necessidade concreta. Trata-se de oração
voltada para o outro, marcada por súplica, petição e cuidado
espiritual. A intercessão, portanto, não se limita a mencionar
nomes diante do Senhor, mas a apresentar, com fé e seriedade,
aquilo que recai sobre vidas e situações que não nos são indiferentes.
Em Ezequiel 22.30, Deus declara que procurou alguém que
se colocasse “na brecha” em favor da terra, impedindo sua destruição, mas não encontrou. Interceder é assumir essa posição
com consciência do peso dessa responsabilidade. Por isso, a intercessão é uma forma concreta de ministrar diante do Senhor
em favor do próximo.
1.2. A intercessão faz parte da vocação espiritual do
povo de Deus
A intercessão não deve ser entendida como prática reservada a cristãos mais sensíveis ou inclinados à devoção. Ela
pertence à vocação espiritual de todo o povo de Deus. Paulo
exorta que súplicas, orações, intercessões e ações de graças
sejam feitas em favor de todos, inclusive das autoridades,
“para que vivamos uma vida tranquila e mansa, com toda
piedade e respeito” (1 Tm 2.1-2 – ARA). A orientação paulina
indica, portanto, que a intercessão deve integrar a vida de
todos os crentes.
Além disso, não fomos chamados apenas para nos reunir,
cantar louvores, exortar-nos mutuamente e aprender a Palavra. Pesa sobre nós a responsabilidade de servir a Deus em
favor do mundo que nos cerca. Todo crente é “sacerdote” (cf.
1 Pe 2.9) e, como tal, chamado a interceder por todas as pessoas e pelas necessidades que ultrapassam o interesse privado da igreja.
1.3. A intercessão é importante porque alcança a vida
onde os limites humanos não alcançam
A intercessão se levanta justamente onde os limites do Homem se tornam evidentes. Há situações em que conselhos, recursos e
esforço têm seu lugar, mas não bastam. É nesse momento que ela revela sua necessidade, pois leva diante
de Deus aquilo que o braço humano
não alcança.
Interceder não nasce da ideia de
que a oração funcione como mecanismo automático, mas da convicção
de que Deus permanece soberano
sobre todas as circunstâncias e socorre os que O invocam: “Perto está
o Senhor de todos os que o invocam,
de todos os que o invocam em verdade” (Sl 145.18). Quanto mais o
crente conhece o caráter, o poder e
a fidelidade do Senhor, mais séria,
confiante e eficaz se torna a sua oração.
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A Intimidade e a
Eficácia da Oração
Randall J. Pederson afirma:
“Ninguém sabe o que a
oração é capaz de fazer, a
não ser quem sabe o que
Deus é capaz de fazer”.
Nesse sentido, o pastor
Silas Malafaia observa
que é da intimidade com
o Senhor que nasce o Seu
agir. A Escritura declara:
“[...] a oração feita por um
justo pode muito em seus
efeitos” (Tg 5.16).
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2. A INTERCESSÃO COMO
MEIO DE VITÓRIA PARA O POVO DE DEUS
2.1. A batalha do povo de Deus não se decide apenas
no plano visível
Em Êxodo 17 vemos que a batalha do povo de Deus tem
também um aspecto espiritual. Enquanto Josué luta no vale
contra Amaleque, Moisés permanece no monte com a vara de
Deus. O texto mostra que o que acontece no monte interfere no vale: quando Moisés levanta as mãos, Israel prevalece;
quando as abaixa, Amaleque avança (v. 11).
Nem todas as vitórias ou derrotas se explicam apenas pelo
plano visível. O esforço e a espada de Josué são necessários,
mas há momentos em que não bastam. Essa verdade continua atual para a Igreja: há batalhas
que não venceremos sem oração
perseverante. William MacDonald
observa que a guerra contra Amaleque pode representar a luta contínua do crente contra a natureza
carnal, na qual a oração e a Palavra
de Deus aparecem como meios fundamentais de triunfo.
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J. C. Ryle aproxima a
intercessão de Moisés
da intercessão de Cristo,
estabelecendo um
paralelo: assim como a
vitória de Josué sobre
Amaleque exigiu tanto a
espada no vale quanto
a intercessão no monte,
os crentes perseveram
porque Cristo vive para
interceder por eles.
Por isso — e enquanto
Ele assim intercede
— nenhuma tarefa é
demasiadamente difícil
para os que se chegam a
Deus por Seu intermédio
(cf. Hb 7.25).
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2.2. A intercessão perseverante
sustenta a vitória em meio
ao desgaste
Para que a intercessão seja eficaz, não basta começar com fervor;
é preciso permanecer firme até o
fim.
Êxodo 17.12 revela que as mãos
de Moisés se tornaram “pesadas”,
evidenciando a humanidade do intercessor. Ainda assim, a vitória de
Israel exigia mãos erguidas até o
cair da tarde. Aqui está uma lição
central: há vitórias que não se perdem por falta de fé inicial, mas por falta de constância.
Muitas vezes nosso clamor enfraquece com o tempo — e
isso é parte da experiência humana. Esse relato mostra como
é importante termos pessoas que nos ajudem nesses momentos desafiadores: Arão e Hur sustentaram as mãos de Moisés,
mantendo-as firmes até o pôr do sol. É preciso permanecer
em oração até que a batalha termine. É disso que precisamos.
Que Deus nos conceda companheiros que nos sustentem no
dia mau.
A intercessão tem custo, superado apenas pela constância
no ministério da oração. Nesse sentido, o pastor Silas Malafaia
observa que “a repetição se torna parte da nossa identidade”.
O hábito contínuo da oração forma o intercessor. Jesus ensinou
que é necessário orar sempre e não desanimar (cf. Lc 18.1), e
Paulo exortou: “Perseverai em oração [...]” (Cl 4.2). O poder da
intercessão está ligado à fidelidade ao longo do tempo.
2.3. A intercessão é poderosa porque Deus age em
resposta ao clamor do Seu povo
A intercessão é poderosa porque Deus se agrada de agir
em resposta ao clamor do Seu povo. As mãos levantadas de
Moisés não eram gesto vazio nem recurso mágico, mas expressão de dependência, súplica e vínculo com o Senhor. O
poder da oração, porém, não está no intercessor, mas n’Ele,
que soberanamente responde à fé dos que Lhe pertencem.
Israel prevalecia não pela força humana — afinal as mãos
erguidas estavam inoperantes na batalha —, mas porque
Deus honrava aquela postura de confiança e submissão. Assim, interceder é a resposta humilde diante d’Aquele que governa e manifesta o Seu poder.
3. A INTERCESSÃO COMO MINISTÉRIO DA
IGREJA
3.1. Somos sacerdotes assentados com Cristo, o grande
Sumo Sacerdote
A intercessão da Igreja nasce da união do povo de Deus
com Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote (cf. Hb 4.14-15). O Corpo de Cristo intercede porque não está separado d’Aquele que reina e advoga pelos Seus continuamente
(cf. 1 Jo 2.1). No Filho, recebemos acesso ao Pai e somos
chamados a participar, em dependência e submissão, do
Seu ministério de intercessão (cf. Hb 7.25).
Nessa direção, Morris Cerullo afirma: “Somos participantes da vida de Cristo, da Sua justiça e da Sua obra. Desse
modo, compartilhamos da Sua intercessão também”. Isso
não significa que a Igreja assuma o lugar exclusivo de Cristo, mas que toda verdadeira intercessão nasce da comunhão com Ele, da participação em Sua obra e da dependência de Seu ministério diante do Pai.
3.2. A intercessão é expressão de amor, empatia e
responsabilidade espiritual
Interceder é amar de modo concreto. Quem intercede não
apenas reconhece a dor do outro, mas a leva diante de Deus.
Por isso, essa prática é uma forma real de carregar fardos,
como ensina a Escritura ao exortar os crentes a ajudarem uns
aos outros em suas cargas, cumprindo assim a “lei de Cristo”
(cf. Gl 6.2).
A oração intercessória mostra que o amor cristão não é
apenas um sentimento; antes, implica dedicação de tempo e
cuidado por um irmão. Ao orar por pessoas, famílias, igrejas
e causas, o intercessor aprende a olhar além dos próprios
interesses e a desenvolver sua sensibilidade em relação às
dores e batalhas do próximo. A intercessão abençoa não apenas quem é alvo dela, mas também molda o coração de quem
intercede, aprofundando sua compaixão, humildade, responsabilidade e discernimento.
3.3. A Igreja precisa cultivar uma cultura de
intercessão
A intercessão não pode ficar restrita a momentos esporádicos de crise, emoção ou urgência. Ela precisa tornar-se
parte constante da vida da igreja.
O padrão bíblico não é o de uma oração ocasional, acionada apenas em emergências, mas o de uma oração perseverante, cultivada por uma comunidade que comparece diante
de Deus com constância em favor de batalhas que exigem
sustentação espiritual (cf. At 1.14).
Nessa direção, o pastor Silas Malafaia desenvolve uma analogia entre pensamento rápido e pensamento lento, aplicando-a à vida de oração. Assim como decisões imediatas costumam recorrer ao que já foi sedimentado em profundidade na
mente, também as orações rápidas, feitas nas urgências da
vida, só se sustentam quando são precedidas por orações prolongadas, cultivadas na comunhão com Deus. A oração feita
no momento crítico retira força de uma vida que já aprendeu
a permanecer diante do Senhor. Sem esse lastro, a urgência
expõe a superficialidade.
CONCLUSÃO
A intercessão ocupa lugar essencial na vida do povo de
Deus porque une dependência, responsabilidade espiritual e
serviço em favor do próximo. Interceder é comparecer diante
do Senhor em favor de pessoas, realidades e batalhas que
não podem ser sustentadas apenas por recursos humanos.
Por isso, essa prática deve ser assumida como missão permanente da Igreja. A intercessão fortalece, molda o coração
e ajuda a combater o individualismo, tornando a comunidade
mais sensível e mais dependente de Deus. A Igreja é chamada não apenas a reconhecer o seu valor, mas a cultivar esse
ministério com fidelidade e constância. Deus continua procurando quem se coloque “na brecha”. Você está disposto?
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. O que é intercessão e por que ela é ordenada nas Escrituras? Cite um exemplo de intercessor no Antigo Testamento e outro no Novo Testamento:
R.: Intercessão é a oração feita em favor de outras pessoas
diante de Deus. Ela é ordenada nas Escrituras porque
faz parte da vocação da Igreja. Moisés é exemplo de intercessor no Antigo Testamento; e Cristo, no Novo Testamento.
Fonte: Revista Central Gospel

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