
A preguiça, um mal que destrói caminhos
TEXTO ÁUREO
"A alma do preguiçoso deseja e coisa nenhuma alcança, mas a alma dos diligentes engorda", Provérbios 13.4
VERDADE APLICADA
Os que conhecem o Senhor e nEle confiam têm como características o esforço, a diligência e a perseverança.
OBJETIVOS
- Conhecer os malefícios da preguiça.
- Destacar que a preguiça prejudica a vida espiritual.
- Reconhecer o trabalho como uma bênção do Senhor.
TEXTOS DE REFERÊNCIA
PROVÉRBIOS 6
6. Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos e sê sábio.
7. A qual, não tendo superior, nem oficial, nem dominador,
8. Prepara no verão o seu pão; na sega ajunta o seu mantimento.
9. O preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?
10. Um pouco de sono, um pouco tosquenejando, um pouco encruzando as mãos, para estar deitado.
11. Assim te sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.
LEITURAS COMPLEMENTARES
Seg | Pv 6.6 A pedagogia da formiga.
Ter | Pv 10.4 A preguiça impede a prosperidade.
Qua | Pv 21.25 O desejo do preguiçoso o mata.
Qui | Pv 19.15 O preguiçoso acabará passando fome.
Sex | Pv 1.7 A preguiça paralisa.
Sab | Pv 13.4 A preguiça empobrece.
HINOS SUGERIDOS
332, 422, 432
MOTIVO DE ORAÇÃO
Ore para que o Senhor nos livre da preguiça.
INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos algumas advertências contra a preguiça, um comportamento marcado por desinteresse, indiferença e descaso; portanto, que afeta negativamente o relacionamento com Deus. A preguiça prejudica o crescimento espiritual e a dignidade do indivíduo, que deixa de usufruir das muitas bênçãos que nos foram preparadas pelo Nosso Senhor (Pv 6.11; 2Ts 3.10-12).
PONTO DE PARTIDA
O preguiçoso deve observar a formiga.
1- A PREGUIÇA DESAGRADA A DEUS
A preguiça desagrada a Deus porque contraria o propósito para o qual fomos criados: ser Seus agentes no cuidado com a criação e glorificá-lO em tudo que fazemos. A Bíblia apresenta a formiga como um exemplo de trabalho sem precisar de supervisão (Pv 6.6-11). Também o Apóstolo Paulo advertiu os tessalonicenses: "Se alguém não quiser trabalhar, não coma também", 2Ts 3.10. Deus abençoa as mãos diligentes (Pv 10.4), mas considera a preguiça um pecado que rouba a nossa vocação e desperdiça os nossos talentos (Mt 25.26-30), refletindo ingratidão pelo dom da vida e pelas oportunidades. O Livro de Provérbios, portanto, tem muito a nos ensinar sobre o assunto (Pv 6.6-11; 10.4,5,26; 13.4; 19.15; 20.4,13; 24.30-34; 26.15,16).
1.1. O exemplo da formiga.
Salomão, em Provérbios 6.6-11, manda o preguiçoso aprender com a formiga. Ele cita esse pequeno inseto porque, embora não tenha líder, é trabalhador e organizado (Pv 6.7). As formigas sabem que não é possível trabalhar no inverno; por isso, têm o cuidado de armazenar alimentos no verão para que, no inverno, não venham a perecer (Pv 6.8). Esse é um exemplo de diligência de um ser que não deixa a preguiça impedir sua responsabilidade com a vida. Em nome da sobrevivência, elas são incansáveis no tempo da seara, o verão, estocando o suprimento imprescindível para sobreviverem ao inverno.
A Bíblia usa a formiga para revelar o contraste com o preguiçoso. Em Provérbios 6.6-8, ela trabalha sem depender de fiscalização e sabe reconhecer o tempo certo de agir, enquanto o preguiçoso precisa ser despertado e trata todas as estações como se fossem iguais. A falta de discernimento faz com que ele perca oportunidades que poderiam garantir sustento e segurança. Assim, o tempo da colheita se transforma em frustração, como expressa Jeremias: "Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos" (Jr 8.20). Quem não percebe o momento presente acaba deixando escapar aquilo que poderia construir seu futuro.
1.2. O preguiçoso não produz.
Em Provérbios 6.9, temos duas indagações ao preguiçoso: "Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?" São perguntas de confronto, que têm a intenção de fazê-lo reagir e sair de sua postura inerte. O preguiçoso incomodou Salomão por ser alguém improdutivo, cujo alvo é dormir e deleitar-se com um descanso imerecido. Em Provérbios 19.15, a advertência é que ele acabará passando fome, porque busca o conforto sem assumir responsabilidades para isso.
Bispo Abner Ferreira (2024, p. 92): "O preguiçoso governa de maneira errada o seu tempo, adora a si mesmo e é sonolento quanto às misérias do próximo. Suas atitudes mostram carência de espiritualidade, de cautela e de senso de propósito. Há um provérbio chinês que afirma: 'Não é a erva daninha que mata a planta, mas a preguiça do agricultor' [...] a preguiça não pode ganhar lugar em nossa vida (Pv 15.19). Devemos deixar a preguiça, pois ainda há uma longa jornada a trilhar (Pv 20.13). A Bíblia adverte sobre o perigo da preguiça, que repetidamente leva a pessoa a passar necessidade (Pv 21.25)".
1.3. O preguiçoso acabará na miséria.
Para o preguiçoso, o trabalho é uma punição, e as responsabilidades da vida são obstáculos invencíveis. Seu plano de vida é deleitar-se de uma cama macia e render-se a um sono profundo. Entretanto, está destinado à pobreza. O sábio o adverte: enquanto dorme, a pobreza o ataca como um ladrão armado (Pv 24.34). Em Provérbios 10.4, lemos que o preguiçoso ficará pobre porque quer tão somente aproveitar as benesses da existência, mas sem a luta do trabalho denso. O preguiçoso não pensa no dia de amanhã; ele não quer estresse nem se empenha por nada. Como disse Benjamin Franklin: "A preguiça anda tão devagar que a pobreza facilmente a alcança".
A preguiça enfraquece a vida e impede qualquer avanço real. Sem disciplina e responsabilidade, até o que alguém recebeu sem esforço se perde, pois falta zelo e visão de futuro. A Escritura adverte que "pela preguiça se enfraquece o teto" (Ec 10.18), mostrando que a negligência destrói o que deveria ser preservado. Quem vive acomodado não se prepara, não desenvolve habilidades e deixa escapar oportunidades que poderiam transformar seu caminho. Assim, enquanto os diligentes constroem, o preguiçoso vê até o que possui se desfazer (Pv 12.11; 13.4). A sabedoria bíblica é clara: prospera quem trabalha com constância, não quem escolhe a inércia.
EU ENSINEI QUE:
A preguiça desagrada a Deus porque contraria o propósito para o qual fomos criados: trabalhar com diligência e glorificá-lO em tudo que fazemos.
2- A PREGUIÇA IMPEDE O CRESCIMENTO ESPIRITUAL
A preguiça é, sem dúvida, uma das responsáveis pela falta de crescimento espiritual, conforme o Senhor nos exorta (2Ts 3.11,12). O Apóstolo Paulo disse que devemos trabalhar para o Senhor com entusiasmo e servi-lO com o coração cheio de fervor (Rm 12.11).
2.1. O preguiçoso tem muitas desculpas.
Para ficar em casa e fugir do trabalho, o preguiçoso inventa muitas desculpas: "Se eu sair, o leão me pega", Pv 26.13. Assim, cria histórias e mentiras, vendo perigo onde não existe. Entretanto, o leão que ronda sua vida é a pobreza, da qual ele não poderá escapar. O sábio declarou que o preguiçoso morre desejando muitas coisas porque se nega a trabalhar (Pv 21.25).
A preguiça cria uma forma própria de distorcer a realidade. Em vez de encarar o que precisa ser feito, a pessoa preguiçosa constrói justificativas que sustentam sua falta de ação. Obstáculos mínimos se tornam enormes, perigos inexistentes ganham forma, e qualquer tarefa parece pesada demais para ser iniciada. Provérbios retrata essa atitude ao mostrar o preguiçoso dizendo: "Há um leão lá fora" (Pv 22.13), revelando como a imaginação se torna um refúgio para evitar responsabilidades. Essa postura não apenas paralisa, mas também afasta a pessoa das oportunidades que poderiam gerar crescimento. Enquanto a diligência abre portas, a preguiça escolhe o caminho da fuga, preferindo desculpas ao progresso (Pv 14.23). No fim, quem vive assim não é impedido pelos desafios, mas pelas barreiras que ele mesmo cria.
2.2. O cristão deve ser diligente.
Todos nós precisamos de descanso, mas sem extrapolar ou permitir que isso nos impeça de cumprir os compromissos com esforço e dedicação. Deus não se agrada da preguiça, por isso nos adverte a continuarmos firmes e constantes na Sua Obra, sabendo que nEle o nosso trabalho não é vão (1Co 15.58). Portanto, não devemos ser indolentes ao fazer a Obra de Deus, mas participar dela de coração, sempre diligentes, fazendo tudo como se fosse para o Senhor e não para os homens (Cl 3.23). Infelizmente, a preguiça tem levado o Ministério de muitos à ruína.
Bispo Abner Ferreira (2024, p. 91): "Deus não gosta da preguiça. Ele delineou em nós a autorrealização por meio do trabalho. Nosso Deus trabalha: 'E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também', Jo 5.17 [...] A preguiça não era bem-vista pelo Apóstolo Paulo, que nos recomendou viver com serenidade, tratando dos nossos próprios negócios e trabalhando com as próprias mãos".
2.3. A preguiça e a vida cristã.
Quem se deixa levar pela preguiça dificilmente desenvolve virtudes cristãs, como: persistência, diligência, motivação e perseverança, as quais caracterizam uma vida firme com Jesus (Mc 13.13). O preguiçoso não investe na devoção a Deus, não se empenha para ajudar nos trabalhos da igreja, não comparece aos cultos com frequência, nunca participa de mutirões, pois é muito acomodado para isso (Pv 20.4).
Bispo Abner Ferreira (2024, p. 92): "Lembre-se, o que a preguiça pode fazer de pior em nós é embaraçar ou destruir nossa caminhada com Cristo. Não podemos esquecer que a nossa carreira ainda não acabou e há muito que precisamos fazer para povoar o Reino de Deus. Isso mostra que a preguiça é incompatível com a vida cristã, pois o crente tem muito a trabalhar, esforçando-se para entrar pela porta estreita".
EU ENSINEI QUE:
Quem se deixa levar pela preguiça dificilmente desenvolve virtudes cristãs.
3- FUJA DOS PREGUIÇOSOS
Pessoas preguiçosas não costumam se dedicar à ajuda mútua, por isso não representam amizades construtivas. A preguiça faz da pessoa uma sanguessuga, que espera do outro o que ela não se dispõe a fazer por ele. Sua postura é de receber, nunca de dar. Portanto, a companhia de preguiçosos é prejudicial e dificulta o nosso trabalho (Pv 10.26).
3.1. A preguiça contamina.
A vida do preguiçoso não é produtiva, pois ele ama o sono (Pv 20.13). Como o entorno tende a nos influenciar, convém não estabelecer relacionamentos profundos com quem vive assim. A preguiça reduz a produtividade e leva à procrastinação (Pv 27.1); portanto, devemos ficar atentos às pessoas com quem dividimos as nossas responsabilidades para não ficarmos desestimulados nem sobrecarregados devido à acomodação ou preguiça de outros.
Bispo Abner Ferreira (2024, p. 92): "O costume habitual de muitos é deixar algumas coisas para depois. O hábito de adiar, postergar, tem um nome: procrastinação, ou, como se diz popularmente, 'empurrar com a barriga'. Isso leva a temeridades, como: acumular afazeres, inatividade e desordem [...] A procrastinação é um problema que pode alcançar qualquer pessoa, originando diferentes problemas em seu dia a dia, desde uma simples tarefa no trabalho até seus planos de vida".
3.2. A preguiça arruína.
O preguiçoso gosta de viver deitado (Pv 6.10); com isso, seus bens se deterioram e a pobreza afeta os que estão à sua volta. Segundo o sábio, se, por indolência, o preguiçoso deixar de consertar o telhado da casa, ele ficará cheio de goteiras e cairá (Ec 10.18). O trabalho é um dever honroso, que produz dignidade; portanto, quem não quer trabalhar também não deve comer do fruto do trabalho do outro (2Ts 3.8-10).
Bispo Abner Ferreira (2019. Vol. 2. p. 38): "Existem razões para o cristão não se permitir ser governado pela preguiça. O Apóstolo Paulo falou aos crentes de Tessalônica a esse respeito: 'Nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a vós (2Ts 3.8). Naquela igreja, existiam irmãos eufóricos pela pregação do Evangelho, que abandonaram seus empregos e passaram a viver às custas de outros (2Ts 3.11,12)".
3.3. O trabalho é uma bênção divina.
O preguiçoso não vê o trabalho como um meio de realizar seus desejos, por essa razão não alcança nada na vida (Pv 13.4). Para os preguiçosos, o trabalho é um fardo, e eles se recusam a trabalhar (Pv 21.25). Dessa maneira, a preguiça é um comportamento que não cabe aos cristãos, porque tudo que temos e conquistamos nos é concedido pelo Senhor; inclusive o nosso trabalho, de onde vem o nosso sustento pessoal e, se for o caso, de nossa família também.
O trabalho não surgiu como um castigo, mas como parte da identidade humana desde a criação. Antes mesmo da queda, Deus confiou a Adão a tarefa de cultivar e guardar o jardim (Gn 2.15), mostrando que o labor é expressão da dignidade dada por Ele. O peso e o cansaço que hoje experimentamos são consequências do pecado (Gn 3.17-19), mas o ato de trabalhar continua sendo um chamado divino. A própria Escritura revela que Deus é ativo, não passivo: Jesus declarou que o Pai trabalha continuamente, e Ele também (Jo 5.17). Assim, quando exercemos nossas responsabilidades com empenho e propósito, refletimos algo do caráter do Criador. O trabalho, portanto, não apenas sustenta a vida; ele manifesta a imagem de Deus em nós e dá sentido ao uso dos dons que recebemos (Cl 3.23).
EU ENSINEI QUE:
Pessoas preguiçosas não costumam se dedicar à ajuda mútua, por isso não representam amizades construtivas.
CONCLUSÃO
Que o Espírito Santo nos ajude a não sermos indiferentes ou negligentes com as diretrizes bíblicas, vivendo de maneira digna e que glorifique o Senhor Deus ao longo da nossa jornada cristã. Que a Sua boa e poderosa mão continue estendida sobre nós, concedendo-nos mais e mais a Sua Graça para que possamos nos esforçar e ser bem-sucedidos, para a Sua glória.
Fonte: Revista Betel
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