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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Calvinismo x Arminianismo - Um terceiro ponto

Desde a Reforma Protestante existe uma divergência entre os cristãos, de um lado os calvinistas e de outro os arminianistas, e quem será que está certo? Qual visão devemos seguir? Conheça uma opinião que diverge um pouco dessa polarização.

    Após a enorme popularização das redes sociais no século XXI, vemos alguns temas deixarem de ser debatidos nas salas de aulas dos seminários teológicos e passarem a ser comentados e discutidos na internet. Assim, o termo "calvinismo" se popularizou para além dos ambientes acadêmicos e ganhou certa notoriedade. 

    Com a Reforma Protestante, o cristianismo mudou completamente, pois surgiu um novo seguimento cristão, que os católicos reputavam como seita, mas que cresceu de forma assustadora e se consolidou, pois esse movimento chamado de protestantismo não trazia uma novidade teológica nem uma nova doutrina ou costume, mas tinha a proposta de retornar à origem do cristianismo, retirando dele o que foi acrescentado ao longo de séculos de catolicismo romano. 

    No entanto, foi nessa nova fase do cristianismo que surgiram as correntes teológicas divergentes, a saber as duas mais conhecidas, o calvinismo e o arminianismo. Em rápidas palavras, vamos entender o que é cada uma dessas visões teológicas tão controversas entre si, serei breve e sucinto, pois o objetivo aqui não é um estudo aprofundado sobre cada uma dessas correntes teológicas, mas apenas emitir uma opinião baseada na Palavra de Deus comecemos com o calvinismo

    Surgiu no século XVI com base nas ideias do reformador francês João Calvino (1509-1564) em Genebra, Suíça. Enfatiza a soberania absoluta de Deus, a predestinação para a salvação e a autoridade das Escrituras. É conhecido pelos seus cinco pontos fundamentais, dos quais o mais importante é o que trata sobre a predestinação e a soberania de Deus. No calvinismo entende-se que Deus, devido à Sua soberania, já predestinou a todos, sendo uns para o Céu e outros para o inferno, e em decorrência disso não há sentido no livre-arbítrio, pois se Deus já predestinou cada um para o seu destino final, então a ideia de livre-arbítrio não passa de uma ilusão. Dessa forma, a pessoa que está predestinada ao Céu, não poderá resistir à Graça salvadora de Cristo.

    Agora vejamos o arminianismo: consiste numa corrente teológica cristã baseada nas ideias de Jacó Armínio (final do século XVI), que enfatiza o livre-arbítrio humano capacitado pela graça preveniente para aceitar ou rejeitar a salvação. Sendo assim, o arminianismo afirma que Deus, apesar de Sua soberania, permite ao ser humano escolher entre a salvação ou a perdição, exercendo assim o seu livre-arbítrio, dessa forma esse ser humano pode decair da Graça salvadora. Sendo assim, no arminianismo Deus, em Sua soberania, predestinou todos a serem salvos, no entanto, permitiu a cada um, o direito de escolha.

Argumentos fundamentais

    As duas correntes teológicas possuem bases bíblicas interpretativas altamente coerentes e alguns pontos desconcertantes nos debates, vejamos dois desses pontos, um calvinista e outro arminianista, começando pelo calvinismo:
    Deus conhece o futuro, isso está claramente definido pelas profecias bíblicas, então, se há um futuro conhecido, logo, tudo está determinado, e se está determinado, então foi Deus quem o determinou, e se Deus determinou, significa que o ser humano pensou que estava escolhendo, mas não estava escolhendo nada. Como base para esse tipo de argumento, vemos o caso em que Deus endurece o coração de faraó Êx. 9.12 determinando a sua decisão. Separei este, mas existe uma série de argumentos calvinistas fundamentados nas Escrituras.
    
    No caso do arminianismo, um simples argumento filosófico causa desconcerto, que é seguinte: se Deus é justo e todos serão julgados segundo as suas obras, conforme apocalipse, Ap 20.11-15, então, como haverá justiça, se os que forem condenados tiverem sido predestinados ao inferno? Como poderão ser culpados daquilo que foram destinados a fazer?

Um terceiro ponto de vista

    Quero apresentar aqui o meu ponto de vista como uma outra opção a se considerar além dos que já são conhecidos. Com isso, proponho responder à questão: Qual visão está correta? O calvinismo ou o arminianismo?
Comecemos pelo seguinte: os debates sobre a predestinação tem seu início no século V com as discussões entre Agostinho de Hipona e o monge Pelágio. A partir daí começam todas as controvérsias entre predestinação e livre-arbítrio, mas somente na Reforma Protestante é que surgem os maiores defensores de cada visão teológica, João Calvino e Jacó Armínio. O que se percebe de início, é que no princípio dos trabalhos da Igreja de Cristo não existiam esse tipo de questão. Nem sequer houve quem perguntasse a respeito do assunto. Se entendemos que, esse é um assunto de grande importância, então teria o Senhor Jesus esquecido de esclarecer sobre ele aos seus discípulos? E por que será que o Espírito Santo também não alertou os apóstolos sobre isso? 
    Convém lembrar que, quando Paulo fala que somos predestinados Rm 8.29, não está tentando comprovar nenhum argumento, pois não existia qualquer discussão sobre isso, além disso, tanto para o calvinismo quanto para o arminianismo existe predestinação. 
    Vejamos da seguinte forma, quando Jesus ordena a pregação do Evangelho até os confins da terra, Ele deu aos discípulos o que eles precisariam para o cumprimento da missão:

"E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas;
Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e sararão.", Marcos 16:17,18 

    Ou seja, eles precisariam de poder do alto. E deu o conhecimento da Palavra de Deus, por meio do Espírito Santo, pois eles precisariam para a finalidade de ensinar os irmãos a guardarem os ensinos de Jesus:

"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo. Amém.", Mateus 28.19,20 

    Notamos com essas ordenanças do Senhor Jesus, que a maior preocupação era e ainda é, que a Igreja tivesse poder para o ganho de almas e conhecimento para orientar a santidade. Em nenhum momento vemos Jesus se preocupando com a questão do livre-arbítrio e predestinação. Com isso, entendemos que o debate sobre o calvinismo e arminianismo, não tinha nenhuma relevância para a salvação. E se não era importante naquele momento também não é na atualidade.
    
    Outra verdade a ser considerada é que, mesmo que o assunto tenha espaço nas redes sociais, ele ainda é um assunto dos eruditos, pois os que buscam a salvação em Cristo Jesus não estão preocupados com esse tipo de questão. Isto é, para um pai que luta pela libertação de um filho que está no vício das drogas, pouco importa se ele tem ou não o seu livre-arbítrio, e para uma mãe que busca pela restauração do seu casamento não interessa se sua igreja é calvinista ou arminiana. Por isso, as discussões sobre calvinismo e arminianismo, estão fora do Evangelho prático.
    
    E por fim, tanto a visão calvinista, quanto a visão arminiana não ferem a soberania divina e não atentam contra a salvação da alma humana. Pois, na verdade, são apenas diferentes pontos de vista da mesma verdade: Deus conhece tudo e já viu tudo até o fim, e as discussões sobre esses processos são sem finalidade prática.
    Por isso, nem os calvinistas estão certos e nem os arminianos estão com a razão, o que importa de verdade é o ganho de almas e a manutenção delas no Reino de Cristo.

Pr Marcos André 
  

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