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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

ESCOLA DOMINICAL CENTRAL GOSPEL / JOVENS E ADULTOS - Lição 2 / ANO 2 - N° 8

Jeremias e Habacuque — Vozes de Alerta 

TEXTO BÍBLICO BÁSICO  

Jeremias 2.7-11 

7- E eu vos introduzi numa terra fértil, para comerdes o seu fruto e o seu bem; mas, quando nela entrastes, contaminastes a minha terra e da minha herança fizestes uma abominação.
8- Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da lei não me conheceram, e os pastores prevaricaram contra mim, e os profetas profetizaram por Baal e andaram após o que é de nenhum proveito. 
9- Portanto, ainda pleitearei convosco, diz o Senhor; e até com os filhos de vossos filhos pleitearei.
10- Porquanto, passai às ilhas de Quitim e vede; e enviai a Quedar, e atentai bem, e vede se sucedeu coisa semelhante.
11- Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto não serem deuses? Todavia, o meu povo trocou a sua glória pelo que é de nenhum proveito.
 
Habacuque 3.17-19 

17- Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; 0 produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, 
18- todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. 
19- Jeová, o Senhor, é minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas. [...]

TEXTO ÁUREO 
Ouvi, Senhor a tua palavra e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na ira lembra-te da misericórdia. 
Habacuque 3.2 

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO

2ª feira - Jó 5. 18
O Deus que cura as feridas
3ª feira -1 Samuel 2. 6
A soberania divina
4ª feira - Salmo 89.14
Justiça e misericórdia são atributos do Reino
5ª feira -Mateus 6.24
Ninguém pode servir a dois senhores
6ª feira - 1 Coríntios 10.7
A idolatria deve ser banida
Sábado - 1 Crônicas 16.25-26
Somente o Senhor deve receber todo louvor

OBJETIVOS

    Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:

  • reconhecer que a rebelião contra Yahweh conduz à destruição; 
  • perceber que Deus fala e adverte antes de agir em juízo; 
  • compreender que as misericórdias do Senhor são a razão de não sermos consumidos.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS 
  Caro professor, no ensino teológico, a abordagem da rebelião do Reino do Sul exige uma análise exegética e histórica das advertências de Jeremias e Habacuque. 
    Jeremias, conhecido como “o profeta do juízo e das lágrimas”, denunciou a idolatria, a injustiça social e a falsa segurança no Templo (Jr 7.4-10), advertindo sobre a destruição iminente que viria pelas mãos da Babilônia. 
    Habacuque, por sua vez, questionou a aparente inação de Deus diante da corrupção de Judá (Hc 1.2-4) e recebeu a resposta de que os caldeus seriam o instrumento da intervenção divina. 
    É importante destacar nesta lição a relação entre pecado, disciplina e restauração, evidenciando o chamado ao arrependimento e a soberania de Yahweh (Jr 18.7-10; Hc 2.4). 
    Excelente aula!

COMENTÁRIO
Palavra introdutória
    A crise espiritual e moral de Judá, nos séculos VII e VI a.C., foi marcada por apostasia, corrupção e alianças políticas desastrosas. Nesse contexto, os profetas Jeremias e Habacuque surgiram como porta-vozes da intervenção divina e do chamado ao arrependimento. 
    Jeremias, enfrentando a resistência de reis e sacerdotes denunciou a idolatria e a falsa segurança religiosa, advertindo sobre a iminente destruição de Jerusalém pelos caldeus (Jr 7.4-10; 25.8-11). 
    Habacuque, por sua vez, expressou perplexidade diante da iniquidade do povo, questionando como Deus poderia permitir tamanha perversidade (Hc 1.2-4). A resposta do Senhor revelou que a Babilônia seria o instrumento de correção, mas que os justos viveriam pela fé (Hc 2.4). 
    O estudo dessas admoestações evidencia a relação entre pecado e juízo (teodiceia) e ressalta a misericórdia divina na restauração dos arrependidos, oferecendo base sólida para refletir sobre disciplina, soberania e justiça do Altíssimo. 

1. A REBELIÃO DE JUDÁ 
    A história de Judá, nos anos que antecederam o exílio babilônico, foi marcada por absoluta decadência. Este tópico aborda a denúncia dos profetas pré-exílicos e exílicos contra à corrupção generalizada (1.1); a manifestação da voz de Deus no coração da crise, com advertências e chamado ao arrependimento (1.2); e a relação entre pecado, disciplina e restauração (1.3), indicando que a rebelião traz juízo, mas a Graça conduz à renovação. 

1.1. Os profetas pré-exílicos e exílicos 
    A insurgência do Reino do Sul refletia sua decadência espiritual, moral e política, culminando no juízo divino pelas mãos dos caldeus (Jr 29.8-11). A nação havia se afastado do pacto firmado com Yahweh (Jr 11.10), entregando-se à idolatria e confiando em alianças militares, em vez de depender unicamente d'Ele (Gr 2.11-13). 
    Os profetas pré-exílicos e exílicos foram uníssonos e persistentes em denunciar a obstinação do povo é as transgressões de seus líderes (Jr 11.9-12). Todos foram firmes em seus vaticínios contra: o sincretismo religioso (Is 44.9-20); a corrupção; e o descaso com os mais vulneráveis (Mg 2.2; 3.1-3, 5-11). Os pecados de Judá se tornaram graves e numerosos, provocando a ira do Senhor e conduzindo a nação ao cativeiro.
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Originários do sul da Mesopotâmia, Os caldeus são mencionados como habitantes de Ur (Gn 11.28,31). 
    Mais tarde, deram origem ao Império Babilônico sob Nabucodonosor Il. Com tradição militar e saber astronômico notório (Dn 2.2), tornaram-se instrumento do juízo divino ao destruir Jerusalém em 586 a.C. — o próprio Deus os designa como Seus servos no cumprimento desse castigo (cf. Jr 25.9).
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1.2. À voz divina durante a rebelião 
    Mesmo em meio à rebeldia de Judá, Deus continuou a manifestar Sua voz profética por intermédio de Jeremias e Habacuque, reafirmando Sua soberania e justiça. Eles denunciaram: a opressão social, a corrupção dos líderes e o culto sincrético, alertando sobre a iminente destruição de Jerusalém (Hc 1.2-4; Jr 25.8-11). O povo havia rejeitado a aliança mosaica — como mencionado no tópico anterior —, voltando-se a deuses estrangeiros e corrompendo o culto no Templo (Jr 2.11-13; 7.30). A mensagem de ambos os profetas deixa claro que o Senhor não se cala diante da transgressão: Ele adverte, corrige e oferece redenção aos que se arrependem.

1.2.1. Entre o juízo e a restauração 
    A apostasia de Judá não foi apenas política, mas, acima de tudo, espiritual, evidenciando a necessidade de arrependimento diante de Deus (Jr 3.12-13; 18.11). 
    Os pecados da nação expõem a conexão direta entre violação do pacto e juízo, mas também apontam para a Graça, que conduz os aliançados de volta ao Senhor (Jr 5.25; Hc 3.2). 
    Esse episódio ressalta o princípio bíblico: a desobediência atrai disciplina, mas a fidelidade conduz à restauração, como demonstrado na promessa do retorno do exílio (Jr 29.10-14). 

2. JEREMIAS 
    Jeremias se destaca entre os profetas que anunciaram o juízo sobre Judá. Seu ministério ocorreu nos últimos anos do Reino do Sul, em meio a uma profunda crise religiosa e política. Este tópico apresenta sua trajetória (2.1); suas denúncias contra a idolatria, a injustiça e a corrupção (2.2); e sua ousadia ao proclamar o fim de Jerusalém e a promessa de restauração (2.3). Seu exemplo revela a fidelidade de Deus, que corrige, mas também restaura. 

2.1. Seu contexto e chamado 
    Jeremias foi uma das figuras mais proeminentes do Antigo Testamento, exercendo seu ministério entre aproximadamente 626-586 a.C., durante o declínio do Reino de Judá e sua posterior destruição pelos babilônios (Jr 1.1-3; 2 Rs 25), É aparentemente, o profeta cuja vida melhor se conhece, já que numerosas passagens das Escrituras relatam os desafios e sofrimentos que enfrentou (Jr 20.1-2; 38.6). Chamado ainda muito jovem (Jr 1.4-10), Jeremias recebeu a missão de proclamar a palavra do Senhor a um povo de coração endurecido (cf. Jr 5.23), denunciando sua idolatria, injustiça social e corrupção religiosa (Jr 7.4-11). 

2.2. Suas denúncias ao povo 
    Os habitantes do Reino do Sul haviam abandonado Yahweh, a “Fonte de água viva”, e depositado sua confiança em ídolos vazios, comparáveis a cisternas rachadas que não conseguem reter água (cf. Jr 2.13). A idolatria se espalhara de forma alarmante: cada cidade de Judá parecia ter sua própria divindade, em uma multiplicação de cultos que traía a aliança com o Altíssimo (cf. Jr 2.28; 11.13). A infidelidade espiritual era visível nos rituais praticados sob árvores frondosas, com a adesão a costumes estrangeiros e a recusa deliberada em ouvir a voz do Senhor (cf. Jr 3.13). 
    Diante desse cenário, Jeremias se espanta com a atitude da nação eleita: nenhuma outra trocava seus deuses, mesmo sendo falsos; mas Israel havia trocado a glória do soberano Criador por aquilo que nada valia (cf. Jr 2.11). Jeremias exortou os judaítas ao arrependimento, mas enfrentou rejeições, perseguições e prisões, sendo até lançado em uma cisterna Jr 38.6). Apesar da grande apostasia de seu tempo, o profeta permaneceu fiel, revelando a soberania e a misericórdia do Eterno sobre o Seu povo (Jr 20.9).

2.3. Seu anúncio de juízo e restauração 
    Jeremias, embora tivesse medo e alegasse não saber falar, ousou vaticinar contra Jerusalém, a cidade de Davi — algo que Isaías jamais fizera. Após vinte e três anos exortando os habitantes de Judá à conversão (Jr 25.3), ele declara: “Eis que eu enviarei, e tomarei a todas as gerações do Norte, diz o Senhor, como também a Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo, e os trarei sobre esta terra [...]” (Jr 25.9a). Foi uma palavra duríssima contra a Cidade da Paz, que havia pecado e transgredido a Lei. 
    Jeremias também profetizou que o exílio duraria cerca de setenta anos (Jr 25.11-12), ao fim dos quais o Altíssimo restauraria Seu povo eleito e o traria de volta à Terra Prometida. Essa esperança estava alicerçada na fidelidade de Deus à aliança firmada com Abraão, Isaque e Jacó (cf. Ex 2.24; Jr 31.3-4; Dt 30.3-5).

3. HABACUQUE 
    O Livro de Habacuque apresenta um diálogo sincero entre o profeta e Deus. Envolvido com os dilemas de seu tempo, ele questiona a ação divina diante da injustiça e aprende a confiar. Este tópico aborda sua identidade e contexto (3.1); seus questionamentos sobre o juízo divino pelas mãos dos caldeus (3.2); e sua oração final de esperança e adoração (3.3). Sua mensagem revela uma fé que persevera mesmo sem respostas imediatas. 

3.1. Seu contexto e chamado 
    Habacuque é um filho de seu tempo e uma das figuras mais enigmáticas do cânon profético do Antigo Testamento. O título do livro não informa sua origem nem sua linhagem. Seu ministério se situa no final do século VII a.C., em um período de crise espiritual e moral em Judá, possivelmente durante o reinado de Jeoaquim (609-597 a.C.), antes da consolidação da Babilônia como potência dominante. 
    Seu escrito, embora breve, apresenta um arauto fortemente inserido nas questões de sua época. A mensagem de Habacuque é pessoal e reflexiva, marcada por um diálogo sincero com o Senhor, no qual o profeta expressa lamentos e perguntas sobre Sua justiça e o problema do mal (teodiceia; cf. Hc 1,2-4). Entre suas inquietações, destaca-se o questionamento sobre o motivo de Yahweh usar os babilônios — uma nação ainda mais ímpia — para punir os pecados de Judá (cf. Hc 1.12-13).

3.2. Suas denúncias ao Senhor 
    Em sua primeira fala, Habacuque suplicou a Yahweh e lhe apresentou questionamentos a respeito do problema do mal (Hc 1.2-4), e recebeu, de forma imediata, uma visão (Hc 1.511). Em suas lamentações, o profeta descreveu um cenário de violência e opressão crescente, marcado pela decadência da sociedade judaíta e pela obstinada perversão da justiça. 
    No entanto, a resposta recebida não resolveu suas indagações (Hc 1.12-2.1). Nem sempre Deus responde como se deseja — e a fé precisa sustentar-se diante das respostas incompletas ou desconcertantes. 
    Habacuque levanta então um grande dilema moral, recorrente nas Escrituras: como o Todo-Poderoso pode permitir que os caldeus, sendo ainda mais perversos, prosperem? (Hc 1.16-17). Embora em crise, o profeta decide esperar pela resposta divina (Hc 2.1). E ela vem: os propósitos soberanos do Altíssimo estão além da compreensão humana (Hc 2.2). O Senhor anuncia que primeiro julgaria Judá, e depois a Babi | (Hc 2.6-20), revelando que nenhuma injustiça ficaria impune. 

3.3. Seu anúncio de juízo e esperança 
    O capítulo 3 de Habacuque parte de uma premissa diferente. Aqui, o profeta apela para que o Deus de Israel intervenha em favor de Seu povo (Hc 3.1-2), reconhecendo que o castigo é uma obra pessoal de Yahweh — um juízo que parte dos Céus para, paradoxalmente, salvar os Seus escolhidos (Hc 3.13).      Consolado pela revelação divina, Habacuque encerra sua oração com expressões de fé, mesmo em meio ao caos. Ele afirma que sua alegria permanecerá no Senhor — ainda que faltem os frutos, o rebanho e as colheitas. Sua confiança está enraizada no Soberano das nações, e sua adoração não depende das circunstâncias (Hc 3.17-19).
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    O curso sombrio da História é descrito com imagens do mundo agrícola e pecuário: figueira sem fruto, videiras estéreis, campos sem colheita, rebanhos desaparecendo (Hc 3.17). Tudo parece destinado ao fracasso, mas Deus continua no controle de todas as coisas.
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CONCLUSÃO 
    As mensagens dos profetas Jeremias e Habacuque acerca dos caldeus apontam para a complexidade do agir divino na História. Deus não apenas utilizou a Babilônia como instrumento de juízo, mas também como meio de redenção e restauração. O chamado ao arrependimento não era apenas um apelo para evitar o castigo, mas uma convocação a uma transformação genuína da fé e das práticas sociais dos aliançados. 
    O exílio não marcou o fim da relação entre Yahweh e Judá, mas representou uma etapa necessária no amadurecimento de sua identidade espiritual. 
    A experiência com o império opressor torna-se, assim, um poderoso lembrete da justiça e da misericórdia divina: o Senhor corrige, disciplina, mas sempre restaura aqueles que verdadeiramente se voltam para Ele. 

ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. O que caracterizou a rebelião de Judá, segundo Jeremias e Habacuque? 
R.:A rebelião de Judá, segundo os profetas, foi essencialmente espiritual, destacando a urgência do arrependimento e confirmando a soberania de Deus sobre a História.

Fonte: Revista Central Gospel

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