O chamado que transforma dor em propósito
05 de abril de 26
TEXTO ÁUREO
"E sucedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus", Neemias 1.4
VERDADE APLICADA
Devemos ter em mente que dependemos do Senhor e da direção do Espírito Santo no enfrentamento dos diversos desafios que surgem na jornada cristã.
OBJETIVOS
- Compreender o contexto no qual Neemias estava inserido.
- Saber como agir em tempos de adversidades.
- Reconhecer que o chamado de Deus não depende das circunstâncias.
TEXTOS DE REFERÊNCIA
NEEMIAS 1
1. As palavras de Neemias, filho de Hacalias.
E sucedeu no mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, a fortaleza,
2. Que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá, e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam e que restaram do cativeiro e acerca de Jerusalém.
3. E disseram-me: Os restantes que ficaram do cativeiro, lá na província, estão em grande miséria e desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo.
LEITURAS COMPLEMENTARES
SEGUNDA | Pv 17.17 Devemos cultivar amizades verdadeiras.
TERÇA | 1Jo 3.18 Não amemos apenas com palavras.
QUARTA | Js 1.6 É preciso esforço para viver grandes promessas.
QUINTA | 1Ts 5.17 Oremos diariamente com fervor.
SEXTA | Ef 6.13 Estamos em batalha espiritual.
SÁBADO | Sl 40.1 Confie em Deus.
HINOS SUGERIDOS
187, 370, 578
MOTIVO DE ORAÇÃO
Ore para que o Espírito Santo fortaleça os corações abatidos.
INTRODUÇÃO
Neemias tinha uma posição confortável e respeitada como copeiro do rei e poderia ter permanecido assim, sem grandes preocupações. Porém, a notícia do estado lastimável em que se encontravam Jerusalém e os judeus que viviam lá mudou sua vida. Nesta lição, com a história de Neemias, veremos que o chamado de Deus pode surgir em meio a momentos bastante difíceis.
PONTO DE PARTIDA - Grandes chamados nascem em meio às lágrimas.
1. A situação do povo e de Jerusalém
Neemias ficou perplexo e abatido ao ouvir o relato de Hanani sobre a situação de miséria em que seu povo e Jerusalém se encontravam. Então, ele buscou o Único capaz de lhe dar direção diante daquela triste realidade: o Deus dos Céus (Ne 1.4).
1.1. A situação do povo
O relato bíblico não deixa dúvidas sobre a situação dramática dos judeus remanescentes que estavam em Jerusalém, vivendo "em grande miséria e desprezo" (v.3). Aqueles judeus haviam ouvido histórias de um tempo em que Israel venceu seus inimigos, tinha fartura e possuía riquezas; e Jerusalém, sua amada cidade, era o símbolo da bênção divina para os judeus que subiam para lá por ocasião das festas judaicas. Mas a época áurea de Israel contrastava com a dura realidade em que estavam. Os povos à sua volta os desprezavam, não os ajudavam nem queriam sua restauração. O Salmo 126.5, entretanto, mostra que a vitória em Deus é certa, contanto que Seu povo confie nEle e obedeça à Sua Palavra, trabalhando unidos: "Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria". De certo, momentos difíceis surgem de maneira inesperada; contudo, os verdadeiros servos do Deus Vivo não se deixam paralisar por más notícias. Se Deus prometeu, tenha certeza de que Ele ajudará você a vencer.
Depois da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor, cerca de 586 a.C., a maioria dos sobreviventes foi levada para a Babilônia, exceto alguns mais pobres, que foram deixados em Judá (2Rs 25.12). Porém, em determinado momento, aproximadamente cinquenta mil judeus voltaram para Jerusalém (Ed 1-2) e, mais tarde, ocorreu o retorno de um segundo grupo (Ed 8). Esse era o povo que estava em Jerusalém quando Hanani falou com Neemias.
1.2. A situação de Jerusalém.
Hanani revelou a Neemias a triste condição da cidade: "o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo", Ne 1.3b. Jerusalém não era apenas a capital de Israel, mas o centro político e religioso onde os judeus, inclusive os de regiões distantes, se reuniam por ocasião das festas judaicas. Isso dava ao povo de Deus unidade e identidade. No Livro de Salmos, temos os cânticos dos degraus (Salmos 120-134), que, possivelmente, eram cânticos entoados pelos judeus que vinham de longe, subindo para Jerusalém para participar das festas anuais, como a Páscoa e a Festa dos Tabernáculos. Até estrangeiros e gentios seguiam para Jerusalém para buscar a Deus (1Rs 8.41). A restauração Jerusalém era também a restauração do povo de Deus e o cumprimento de promessas futuras, visto que Jesus morreu e ressuscitou em Jerusalém (Mt 27 e 28), de onde, em Sua Segunda Vinda, governará o mundo (Is 24.23; Jr 33.9; Zc 14.4-21).
Comentário Histórico-Cultural da Bíblia Antigo Testamento (2018, p. 613): "Jerusalém permanecia em ruínas desde sua destruição por Nabucodonosor II, 140 anos antes. Uma cidade cujos muros e portas haviam sido derrubados ficava completamente vulnerável à invasão e agressão externa. O livro de Esdras descreve uma tentativa anterior de restaurar os muros, durante o reinado de Artaxerxes I (c. 458 a.C.), que acabou fracassando"
1.3. Momentos difíceis unem propósitos.
Hanani buscou apoio em Neemias para lidar com aquele momento de tamanha adversidade. Neemias o identifica como "um de seus irmãos" (Ne 1.2) e como "meu irmão" (Ne 7.2). É bem possível que fossem realmente irmãos. Porém, embora não fique claro se eles eram irmãos de sangue ou apenas pertencentes ao mesmo povo, Hanani e Neemias eram próximos, tanto que trabalharam juntos na reconstrução de Jerusalém (Ne 7.2). Esse fato nos mostra que os bons relacionamentos e a união de propósitos são fatores importantes. Em Provérbios 18.1, está escrito: "Busca seu próprio desejo aquele que se separa, ele insurge-se contra a verdadeira sabedoria". Mesmo Moisés sendo um grande profeta e homem de estreito relacionamento com Deus, ele teria sucumbido e destruído seu povo caso não tivesse sido ajudado pelo seu sogro, Jetro (Ex 18). Em outro momento, precisou que Arão e Ur segurassem suas mãos até que Israel vencesse os amalequitas (Ex 17.12). Em momentos difíceis, estejamos atentos às pessoas que Deus coloca em nosso caminho para nos ajudar.
"Hanani" significa "Deus é gracioso". Não é possível afirmar com certeza absoluta se Hanani era irmão, parente ou amigo próximo de Neemias, porque "irmão" era o termo utilizado tanto para relacionamentos de amizade (Pv 17.17) quanto para designar pessoas do mesmo povo (Dt 22.1-4). Porém, é inegável que, naquele momento crítico para o povo de Deus, Hanani encontrou apoio em Neemias e vice-versa.
EU ENSINEI QUE:
Os servos do Deus Vivo não se deixam paralisar por más notícias.
2. As reações de Neemias
O relato de Hanani impactou Neemias de tal maneira que o rumo da vida do copeiro do rei mudou radicalmente. A dura realidade em que estavam seu povo e a cidade de seus pais, Jerusalém, forma o contexto em que o chamado de Neemias nasceu.
2.1. Assentei-me e chorei: a reação de quem ama.
Neemias nasceu na terra do cativeiro de seu povo, onde servia ao rei como copeiro, uma posição de extrema confiança. Diante disso, ele poderia simplesmente ignorar os fatos trazidos por Hanani e seguir a vida estável que levava. Entretanto, o amor gerado em seu coração não permitiu que ele se omitisse nem que ficasse em sua zona de conforto. Neemias amava a Deus e Seu povo, e isso o levou a um choro contrito e verdadeiro por aquela situação de calamidade. Foi o amor que levou Deus a enviar Seu Filho, Jesus Cristo, ao mundo. Por amor, Jesus se fez homem e morreu em nosso lugar na cruz do Calvário (Jo 3.16). Igualmente, devemos mostrar empatia pelo sentimento das pessoas à nossa volta. O Evangelho de Cristo exige um amor que não seja apenas teórico, mas que se mostra nas ações: "Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte", 1 Jo 3.14.
Diante de notícias duras ou ofensas, o cristão é chamado a não reagir no impulso, mas a cultivar equilíbrio e domínio próprio. Neemias, mesmo servindo como copeiro do rei, ilustra essa postura: antes de agir, buscou a Deus e aguardou o momento certo (Ne 1.4; 2.4). A sabedoria bíblica aponta nessa direção.
2.2. Lamentei por alguns dias: a reação de quem não se conforma.
Depois de chorar, Neemias se recusou a aceitar como definitivo aquele quadro terrível que chegou ao seu conhecimento. Embora não tivesse recursos financeiros nem influência política para fazer alguma coisa pelo seu povo, Neemias não ficou indiferente. O conformismo é um veneno que mata sonhos e promessas. Israel ficou quarenta dias no Vale de Elá sem ter quem enfrentasse Golias: todos estavam conformados com a aparente impossibilidade de vencer o inimigo (1Sm 17.1-16). Então, inconformado com a situação, o jovem Davi se apresenta e vence o gigante Golias. Onde o conformismo se estabelece e domina, não há espaço para mudanças. O inconformismo de Neemias se expressou em oração, fundamentando-se também na Palavra de Deus sobre a possibilidade de restauração do Seu povo (Ne 1.5-11).
No caminho da fé, a tristeza não é interditada; ela visita, ensina e passa. O que não pode é tornar-se moradia. Neemias indica um rumo: sentir, orar e avançar. A sabedoria bíblica lembra que há "tempo para todo propósito" (Ec 3.1-8) e adverte a não prolongar estados que envenenam o coração. Assim como a ira não deve atravessar a noite, a dor não deve ser cultivada indefinidamente. Consolamos quem chora (Rm 12.15), mas caminhamos certos de que o pranto tem limite e a alegria amanhece (Sl 30.5).
2.3. Estive jejuando e orando perante o Deus dos Céus: a reação de quem acredita na promessa.
Como vimos, Neemias não tinha recursos financeiros nem influência política para ajudar o seu povo; mesmo assim, ele não se entregou à tristeza. Em vez disso, jejuou e orou, recorrendo Àquele capaz de resolver a situação: o Deus de Israel, que ouviu o clamor de Seu servo: "Longe está o Senhor dos ímpios, mas escutará a oração dos justos", Pv 15.29. Nosso Senhor ensinou sobre a prática do jejum e da oração (Mt 6.5-18); Ele também deixou claro que há determinadas castas de demônios que não podem ser vencidas sem oração e jejum (Mt 17.21). Foi assim que a Igreja em Antioquia recebeu a ordem do Espírito Santo para separar Barnabé e Saulo para a obra missionária (At 13.2) e, nessa mesma atmosfera espiritual, os enviaram: "Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram", At 13.3.
Segundo Bispo Abner Ferreira (2022), a vida cristã floresce quando a oração se torna um hábito perseverante. Oramos com constância porque Deus é Pai, e o coração do Pai se inclina para os pedidos de seus filhos. Por isso, insistimos em oração não para convencer a Deus, mas para alinhar nosso querer ao dEle, confiando que Seu favor nos cerca como um escudo (1Ts 5.17; Sl 5.12). Orar sem cessar é viver em comunhão, apresentando necessidades, ações de graças e intercessões, certos de que o Pai nos ouve e responde no tempo e do modo que melhor revelam sua bondade.
EU ENSINEI QUE:
Depois de chorar, Neemias se recusou a aceitar como definitivo aquele quadro terrível que chegou ao seu conhecimento.
3. Deus prometeu restaurar o seu povo
Deus havia revelado ao profeta Jeremias a queda de Jerusalém e o cativeiro de Israel na Babilônia, por causa da insistência do povo em viver na prática do pecado (Jr 25.1-10). Ele também revelou ao profeta que o cativeiro duraria setenta anos (Jr 25.11-12; Dn 9.2); depois disso, traria Seu povo de volta à sua terra
3.1. Batalha espiritual.
O retorno de Israel à sua terra foi conteúdo das profecias de Jeremias e Daniel. O profeta Daniel, tendo como certo o cumprimento das profecias, ora a Deus, jejua e se humilha, procurando compreender (Dn 10.12). A seguir, foi-lhe revelado que algumas realidades do mundo espiritual se refletem na terra (Dn 10.13); contudo, os planos de Deus prevalecem porque Ele peleja pelo Seu povo (Dt 3.22; Sl 46.11). Devemos evitar os extremos com relação a isso. Não podemos espiritualizar tudo, como se cada fato ruim que acontece à nossa volta tivesse como causa a ação de Satanás. Mas, por outro lado, não podemos simplesmente dizer que nada é espiritual. Em Efésios 6.12, está escrito: "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais".
Bispo Abner Ferreira (2021, pp. 109 e 110) comenta sobre Efésios 6.18: "Nesta parte, Paulo enfaticamente nos exorta a orar o tempo todo, com todo tipo de oração e súplica no Espírito. Paulo provavelmente não inclui a oração como uma das peças da armadura, porque a oração do crente é muito abrangente; deve permear toda a luta, independentemente do tipo de luta, das circunstâncias ou do tempo."
3.2. As armas espirituais usadas por Neemias.
A Palavra de Deus nos ensina como enfrentar a oposição de Satanás: "Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo" (Ef 6.11). Assim como Daniel, Neemias orou e jejuou em busca da direção de Deus para solucionar o problema do seu povo. Antes de ser tentado pelo diabo, Jesus jejuou por quarenta dias (Mt 4.2). Assim, aprendemos que, ainda hoje, precisamos cultivar disciplinas e práticas espirituais como a oração e o jejum, principalmente nos enfrentamentos de desafios e batalhas que surgem ao longo da caminhada cristã. O inimigo faz de tudo para que estejamos ocupados demais para buscar a Deus.
Bispo Primaz Dr. Manoel Ferreira (2001, 1.1): "Neemias também conhecia o poder da oração: '...e estive... orando perante o Deus dos céus' (Ne 1.4c). Através da oração, podemos conversar com Deus acerca de nossas necessidades (Fp 4.6), e isso fez Neemias diante do Senhor. Diante das grandes necessidades, Jesus orou (Jo 11.41-42), a Igreja Primitiva orou (At 4.24-31), e nós também devemos orar (1Ts 5.17)".
3.3. Confiando em Deus.
A maior parte do primeiro capítulo do livro de Neemias mostra seu clamor a Deus pelo seu povo de Israel e sua restauração. Neemias estava triste, sofrendo, mas ele não se desesperou nem se deixou ser dominado pela dor. Muitas orações, ao longo da história, foram feitas no silêncio e no secreto. Não sabemos o que Jesus orou ao Pai enquanto Seus discípulos lutavam no mar da Galileia para não morrerem na tempestade (Mt 14.23-32), nem o que Daniel falou com Deus enquanto os leões o cercavam na cova onde passou a noite (Dn 6). Deus, porém, decidiu que a oração de Neemias pela restauração do Seu povo fosse registrada. A lição para nós é de elevada importância. Assim como Neemias, não podemos esmorecer; antes, devemos buscar a Deus e confiar que, para Ele, não há difícil nem impossível. Como nos ensina a Bíblia: "Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena" (Pv 24.10). Não perca a esperança, confie e creia que a última palavra vem de Deus.
Lamentar é bíblico e humano (Ec 3.4; Sl 6.6); até os gemidos inarticulados são acolhidos por Deus (Rm 8.26). Neemias mostra esse caminho: sentir a dor e levá-la primeiro à oração (Ne 1.4). O risco está na fronteira em que o lamento, legítimo, descamba para murmuração, atitude que corrói a fé e paralisa a obediência (Ex 16.7-12; 1Co 10.10; Fp 2.14). A maturidade espiritual consiste em lançar a ansiedade sobre o Senhor (1Pe 5.7), converter a queixa em súplica com gratidão (Fp 4.6-7; Sl 142.1-2) e, então, discernir passos práticos na direção da esperança (Lm 3.21-24; Sl 34.17), como fez Neemias ao agir no tempo certo (Ne 2).
EU ENSINEI QUE:
Assim como Daniel, Neemias orou e jejuou em busca da direção de Deus para solucionar o problema do seu povo.
CONCLUSÃO
Diante dos desafios da vida, devemos confiar em Deus, nos revestir das armas espirituais, perseverar em oração e lançar sobre Ele todas as nossas preocupações. Agir assim nos ajuda a perseverar em tempos de tribulações, mantendo nossa esperança e fé em Cristo Jesus inabaláveis.
Fonte: Revista Betel Adultos
Subsídio para essa lição, clique aqui.
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